Segunda-feira, Fevereiro 27, 2006

Este mês, calharam as loiras.

Domingo, Fevereiro 26, 2006

E manada, que já lá vão três anos



Parabéns aos meus queridos Marretas, maravilhosos autores da grande referência da blogosfera portuguesa.

Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006

COMO ENTENDER ESPANHA
Brevíssima introdução à realidade espanhola (e todas as suas circunstâncias)

- Meios de Comunicação
Ler El País, ouvir a Ser e ver a Cuatro é como assitir a uma conferência de imprensa do Governo socialista (PSOE), o que obriga a ler El Mundo, ouvir a COPE e ver Popular TV, que é igual que estar presente num comício da oposição (PP). Para a Razón a ETA promove o Estatut, no ABC conta-se como ZP cede à chantagem da Al-Qaeda, no Confidencial o Governo é anti-espanhol, O Real Madrid é eterno campeão para o Marca, na Vanguardia o PP mina a economia catalã, a TeleMadrid apoia todas as manifestações contra o PSOE, o Jueves só goza com a hierarquia católica e tem medo dos árabes e a TVE, que é a bandeira da imparcialidade, mete imagens de Rajoy no meio de uma reportagem sobre as torturas de Abu Ghraib.

- Coração
Julián Muñoz anda de turnê pela Argentina com a Pantoja que foi casada com Paquirri, separado de Carmina Ordoñez e que pariu Fran Rivera, em vias de divórcio da única rapariga da Duquesa de Alba cujo primogénito anda enrolado com Alicia Koplowitz que esteve casada com Alberto Cortina que agora está à espera de um filho com Elena Cué que já foi amiga de Mar Flores que teve um caso com o milionário Fernando Fernández Tapias até que se acamou com o Conde Lecquio depois este de ter um filho com Anita Obregón que também já fodeu com David Beckham e que durante anos foi perseguido por Nuria Bermudez, estrela das Crónicas Marcianas até que já não houve mais jogadores da bola a quem meter a mão na braguilha.

- Política
O PSOE fez pacto de Estado com a Esquerra Republicana da Catalunya, perigosos radicais anti-americanos e que exigem maravilhas da inteligência como o fim das relações diplomáticas com Israel. Eram todos amigos até que chegou o Estatut às sondagens de popularidade, momento em que o Governo troca de amante e pacta com Convergencia i Unió, catalães de direita e que são contra o matrimónio homossexual, o aborto e a regularização em massa de emigrantes. O PP, como sempre, acha mal. Acha mal à lei do tabaco, mas votou a favor; acha mal à Lei da Educação apesar de ser uma cópia da deles e acha mal aos pactos com os nacionalistas, mas esquece-se que fez os mesmo durante oito anos com a CiU e o PNV, archi-inimigo actual pela sua postura em relação às negociações com a ilegalizada Batasuna que tem sempre os microfones abertos para partilharem com o mundo os frutos da sua diarréia mental.

- Revisionismo histórico
Para já Espanha não existe, os catalães foram sempre uma grande nação e os bascos uns intrépidos revolucionários anti-sistema. Isabel Católica era uma vaca anti-semita que não sabia ler nem tomava banho, a Conquista da América foi um erro histórico e os muçulmanos eram muito bonzinhos e tolerantes que gostavam imenso dos cristãos ignorantes e mal agradecidos. Os Austrias foram uma dinastia de merda, a Idade de Ouro, Quevedo e Gongora um acaso da natureza e só Cervantes é que sabia escrever. Todos os espanhóis tiveram um avô republicano que morreu na Guerra Civil. Juan Carlos era um beto analfabeto que passava a vida na caça e o 23 F evitou-se porque os anónimos cidadãos, que eram comunistas mas não sabiam, foram muito valentes e pararam os tanques com as mãos nas ruas de essa Espanha fora. Nos oitenta toda a juventude votava esquerda, era punk e melhor amiga de Pedro Almodóvar. Actualmente não há família sem gays, os transexuais também têm sentimentos e direitos mesmo sem ter que mudar de sexo e nas mesquitas só se fala bem da cultura ocidental.

Terça-feira, Fevereiro 21, 2006

E agora um bocadinho de cóltura



6 DEMENTES CONTRA EL MUNDO, o necessário disco ao vivo dos Def con Dos (
www.defcondos.com), referência metal de qualquer adolescente minimamente inteligente dos anos noventa e o primeiro grupo a ter um disco catalogado com a etiqueta de "parental advisory". Estão velhos, gordos e chatos? Olha, também eu, mas não é por aí que o gato vai às filhoses. A eles deve Espanha o conhecimento dos Beasty Boys e as letras mais hilariantes que agora os ofendidinhos da cabeça apelidam de politicamente incorrectas num país com excesso de clichés e música merdosa. Sem a música de Def con Dos "Acción Mutante" não teria atingido as quotas de lucidez que fizeram de Alex de la Iglesia um dos realizadores mais brilhantes desta discoteca de verão em potência, nem os meus primeiros anos de faculdade teriam sido tao divertidos graças a uma banda sonora de luxo. Por culpa deles odeio Yoko Ono, acho que «tuno bueno é o tuno muerto» e tenho um pânico do caralho a uma morte ridícula.
Assim sendo, muchas gracias, tíos. Y si alguien me llega a decir hace diez años que un día iba a compartir estudio y emisiones en diferido con César Strawberry sobre el sexo de los ángeles, las ondas hertzianas y el niño dios, mira Jorge Juan, me da un yuyu del descojone y emigro a Malasia muerta de la risa. Pues sí, gentes del mundo, la vida da extrañas vueltas y doce años después de Armas pal pueblo pude agradecer personalmente. A lo que hemos llegado, si me viera Fabián.

Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006


ANIVERSÁRIO AO QUADRADO



- E a alguém avisou que íamos à festa?
- Atão e o presente, alguém se lembrou?
- Se houver gajos mais giros que nós, eu vou-me embora, pá.
- E ela, olhará para mim?
- Vá despachem-se, que chegamos tarde e ainda fica zangada!!

Meninos, calma, que a Sofia não é dessas. Aliás, como a Sofia há poucas mulheres: bonita, más lista que el hambre, talentosa, mãe atenta, mulher do homem que a merece e feliz, muito feliz, sem complexos.
Parabéns, querida Vieira do Mar, pelos dois anos de blogue Controversa Maresia!!!

Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006

Es que me lo ponen a huevo, tú.

PREMIO VAI AO CU A TI DA SEMANA: DOCE INFANCIA

“El Juzgado de Menores de Sevilla ha impuesto penas de entre 60 y 100 horas de trabajo social en un centro de discapacitados psíquicos a diez menores detenidos por someter a burlas y vejaciones a una joven discapacitada mental y grabar los abusos con una cámara de móvil para, posteriormente, colgar las imágenes en Internet.”

Ter filhos em Espanha transformou-se num desporto de risco, ou pelo menos assim o juram os progenitores das dezenas de menores que nos últimos meses foram apanhados a queimar mendigos (ou foram presos por gravar no telemóvel brutais sovas a transeuntes incautos ou por tentar assassinar professoras grávidas nos corredores dos liceus públicos). Crianças legais com corpo suficiente para matar, fornicar ou insultar sem qualquer sentimento de culpa, como se os actos não tivessem consequências e os delitos estivessem fora do seu âmbito social. Meninos – coitados – sem base emocional, e se a têm não é o suficientemente válida para os parâmetros das marcas, o tamanho da pila e o complexo de pertencer a uma tribo. Matam, violam, gravam. Nada de mau. Educar é traumatizante para as criaturas, castigar é sinónimo de fascismo e para o amor já não há crédito suficiente.
E depois vem a conversa do costume: o meu Cristiano, violador de deficientes mentais em descampados? A Kátia Vanessa, vendedora de pastilhas na hora do recreio? Impossível, não pode ser, juro pela minha saúde que se trata de uma infâmia, de terríveis calúnias! A culpa é dos filmes, sotôr, da PS2 e dos videoclipes musicais que eles vêm na televisão do seu quarto (??????) enquanto eu estou a trabalhar. Sabe como é, uma mulher sai casa nem de dia é e só volta para a hora de fazer o jantar e pôr três máquinas, arrumar a casa, passar a ferro e levar o cão – do menino - à rua. A vida não está fácil e as crianças precisam de coisas, calças de marca, ténes caros, emepetres e computadores para fazerem os trabalhos de casa: que não lhes falte de nada, minha senhora, não vá a Elisabete ficar traumatizada por comparação e a tenha que meter no psicólogo.
Para falar com eles - o que se diz conversar, saber o que lhes passa pela cabeça e o que fazem durante as horas em que eu me mato a trabalhar – estão os professores, as instituições e a coisa pública, era o que mais me faltava, porra, ter filhos para que o Estado se desentenda deles! Parir não me obriga a aturá-los e se querem ser gente que se façam à vida.
E assim vai Espanha - e o mundo - cheia de vândalos adolescentes, paridos por animais inconscientes e mais preocupados pela marca da sapatilha que pela transmissão dos valores básicos que qualquer ser humano deveria dar por adquirido. Como é possível que a gravação de aberrantes humilhações via telemóvel fique impassivelmente reprovada com horas de serviço comunitário? Como se pode entender que os filhos da classe média se divirtam assim? Estamos à espera do quê?
A violência já não é a causa, mas sim a consequência de um mundo disparatado onde ninguém tem tempo para amar, castigar ou perder tempo em educar futuros adultos.

Em t-blog, tunaite, a violência a debate

Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006


No El Jueves, brevemente censurado por essas comissões estatais cheinhas de boas intenções politicamente correctas, responsáveis pela higiene mental do povo e hiper-sensíveis aos sentimentos religiosos - dos outros, porque quando se toca o catolicismo, os símbolos cristãos e Bento XVI não há lider da esquerda que chame pelo bom senso, o respeito pela diferença e a multiculturalidade. Está bonito isto, está.

Sábado, Fevereiro 11, 2006

FRASES DE CASA




Estoy más tenso que Marco en el Día la Madre

(José, recém estreado e com sotaque)

Quinta-feira, Fevereiro 09, 2006

API BARDAI, RITITI, API BARDAI TU MI



31 anos neste corpo serrano! Is the final countdown? O fim da picada? A inevitável queda até à decadência dos quarenta? Também. Mas não só.
Viva eu, a minha celulite, os pulmões carbonizados de tanto fumar, a barriga cervecera, os anos vividos e as decepções no caminho, a memória da gata Lucrécia, os meus amigos mais queridos, as mudanças de casa e os livros perdidos, Corelli, Luis Cernuda e as mulheres de Almodóvar, o amor de Mr. Pinheiro e as noites a dois no quente da cama, as histórias dos meus mortos, as lágrimas de ontem, a certeza do sempre e nunca mais no núcleo duro familiar e el peazo de fiesta que começa - três, dois, um - JÁ!

Quarta-feira, Fevereiro 08, 2006

INVOLUNTÁRIA OPERAÇÃO BIQUINI



Quando uma mulher começa a referir-se a si própria na terceira pessoa - a Rititi isto, a Rititi aquilo - corre o risco de perder o controlo sobre o quotidiano. A vida deixa de nos pertencer e começamos a ser vítimas de uma história que nada a tem a ver a nossa, como se os acontecimentos que nos ocorrem fossem fruto da vontade alheia. No meu caso específico, encontrei-me ontem mascarada de Jane Fonda num ginásio de bairro, toda eu téne, calça do fato de treino e tisherte de algodão, com o plus do soutiã reforçado e meínha branca. O fim do mito? Nunca mais tabaco? Acabaram-se as ressacas sin fecha ni calendario? Pues va a ser que no, tú. Só vou ao ginásio para continuar a beber, comer e fumar o que me der na venta.
Acho mal passar uma hora lá metida? Pois acho. Gosto de estar ali, rodeada de pindéricos, gordas oleosas, gays em cio, gente desesperadamente suada, a ouvir música de merda enquanto me olho ao espelho? Não. Só os doentes gostam de ir ao ginásio. Aliás, os ginásios deveriam estar proibidos por lei, pelo perigo que representam para a higiene mental do povo, exposto - via pagamento - à banha alheia, cus flácidos, barrigas ao ar, pelos e muita piroseira aos saltinhos. Porque no ginásio (como nos casamentos) expõe-se as tristezas e o mau gosto na vestimenta. Sem zara nao há suburbano que se safe.
Duas vezes por semana... Lá terá que ser. Puta da vida e da segurança social, que nunca mais inclui liftings grátis. Porra.

Segunda-feira, Fevereiro 06, 2006

RITITI AL HABLA

A los tres espectadores de t-blog que tan amablemente se han preocupado por mi existencia blogosférica, desde el kilómetro cero de la península os aclaro, hermanos:

En este blog suelo escribir en portugués, pero al castellano retorno para tocar temas de alto calado intelectual, como el fascinante mundo de
Las Chonis. Asunto al que brevemente volveré porque nada me fascina más que las nuevas sex simbols del suburbano patrio. No sólo por su tremenda pinta de aprendiz de peluquera de barrio de vidas en el extrarrádio higiénico de la casa con piscina - que es lo de menos, total, todas llevamos en nuestro íntimo una pequeña cajera del Champion, esperando a que suene en la radio lo último de andylucas para cantarlo en el atasco de la m-30 a pleno puln. Sin complejos. Es más, quién nunca haya llorado por amor al ritmo de Perales que tire la primera piedra. No os equivoquéis, aquí no trato de descubrir las raíces del horterismo patrio, consecuencia de años sufriendo galas casposas cada Navidad, cines de barrios, la boda de Rociíto, El Fary (ahora elevado a icono nacional), chistes del Lepe y una infinidad de símbolos cenicientos de lo que se supone ser castizo y español por la gracias de Dios y de Paco Martínez Soria, que en paz descanse.
Pues no. Lo de las Chonis va más allá del mal gusto genético y hasta admitido en una conversación de jóvenes intelectuales de izquierda. Es el culminar de una vida de plástico fácilmente identificada en las portadas de revistas, tomates diarios y sueldos millonarios. La dislexia intelectual, la falta de lectura y noches tragando basura hacen el resto.
Pero ya volveré al tema, queridos y amables espectadores de
t-blog
.



A Rititi (adoro falar de mim em terceira pessoa) conquista a televisão espanhola. Por agora no programa
T-Blog do canal de televisão Localia. Algumas quintas-feiras, se Deus quiser e os gajos não se fartarem de mim, que é o mais certo.

Queridos e Queridas,

Atentos ao emilio: sexta feira, dios mediante, jantaremos italiano. Só para avisar.

Sábado, Fevereiro 04, 2006

Manias...

A verdade é que sou distraída demais para ter manias. Ter manias implica uma persistência que a mim a genética e a falta de memória me negaram: não escrevo no meu molesquine há mais de um ano, só me lembro que estou a tentar deixar de fumar quando tenho o cigarro na boca e nunca passaria pela minha cabeça coleccionar o que ser que seja. Não tenho tempo nem memória para hábitos, manias ou escravaturas do comportamento.
Posso, se quiseres Cris, contar-te que uma das coisas que mais nojo me dá é o cheiro a velho com componente mijo-armário, que um dos meus pratos favoritos de inverno são as ervilhas com ovos escalfados e que me sobram imensos complexos de infância, como o primeiro dia de escola. Isto sim são temas para uma Rititi e não as manias.

Quinta-feira, Fevereiro 02, 2006

PRÉMIO VAI AO CU A TI DO SÉCULO

Com carácter indefinido, o prémio mais esperado do universo rititiniano vai para o proprietário do diário francês France-Soir, Raymond Lakah, que despediu o director deste jornal, Jacques Lefranc, por ter reproduzido as caricaturas de Mahomé publicadas na Dinamarca. (Fonte: El Mundo
)

Porque quando se junta a chantagem e a extorsão com a falta de tomates, o cagaço vital, a estupidez niilista e a ausência total do sentido do ridículo, dá nisto: o politicamente correcto aplicado aos princípios mais fundamentais da cultura ocidental, a liberdade de expressão e de religião. Que na minha casa, na Europa, se permita a substituição de valores e regras básicas que nos custaram guerras, extermínios, manifestações, revoluções industriais e tratados de filosofia, não só é inaceitável, como demonstra quão desnorteada está a nossa sociedade, farta de cartões de crédito e carente de memória histórica.

Ai, os islâmicos estão chateados com os desenhos de Mahomé? Que se fodam, pá. Ai ameaçam-nos com bombas e atentados se não pedirmos desculpas? Então tentem, seus valentes, não seria a primeira vez que na Europa se morre pela liberdade de expressão, que a religião é posta em causa e se queimam pobres gentes na fogueira. Graças a isto, deste lado do mundo eu posso cagar-me nas mamas da Virgem, caricaturizar quando me apetecer o Papa, o Dalai Lama, o Rei de Espanha, os sapatos da Letizia, as cuecas da Madonna, a minha família alentejana e até o meu próprio Deus. Com humor, mais ou menos ou sem gracinha nenhuma. Porque ninguém me ameaça, nem se atreverá a fazê-lo nunca na minha casa, por não ter fé. Porque se calhar Deus não existe. E se existir não deve estar muito preocupado com um par de desenhos. É isto que os cabrões fundamentalistas (de Marrocos aos campos de refugiados da Palestina, passando pela Cisjordârnia à Arábia Saudita, total nada: meio mundo) em pleno século XXI nunca irão perceber: que a verdade nunca será património dos que não entendem que Deus se calhar não passa de um sonho.