RITITI EDUCA O POVÃO
Música Pop na China, ou os efeitos do socialismo aberto ao mercado de capitais.
RITITI EDUCA O POVÃO
Para a Isabela, que gostava imenso de ser uma boazonazona como eu, mas não tem tempo porque prefere comer sandes de queijo e assar frangos (assim também é difícil, pá).

Como ser uma boazonazona em três (ou mais, se me apetecer e estiver virada praí) lições:
Pequena introdução - Ginásio
Pague a matrícula, empenhe-se e perca a vergonha. Duas vezes por semana ponha lá os pés, com ar concentrado e com o I-Pod pegadinho ao pavilhão auricular (por nada do mundo se lhe ocorra ouvir o chunga-chunga ambiental, nem olhe para a televisão e - por supuesto - não cruze uma única palavra com os ginastas que a rodeiam).
Não tenha medo de fazer o ridículo enquanto levanta halteres de quilo e meio rodeada de verdadeiras besta ex-presidiárias e mal-cheirosas que se masturbam em frente ao espelho. Falando em fluidos, as máquinas onde se abrem as pernas até às costas, aviso, não servem para fornicar. Nem aquela coisa onde nos pomos de rabo para cima e as mamas ficam apertadinhas que podem rebentar se se abusa do tempo de exercício. Nem os espaldares, nem os colchões do chão, nem a passadeira, nem a sala da sauna. O ginásio serve só para nos esquecermos da nossa (minha) condição de gaja boazona, para nos (me) transformar numa imbecil empapada em suor, com cara de sofredora e com o cabelo feito uma merda. Aliás, o conceito de boazona é muito relativo lá dentro: a sex-simbol do meu ginásio pesa setenta quilos e tem uns braços que me poderiam arrancar a cabeça.
Faço notar aqui que se uma senhora de meia idade e depilada nas partes púbicas se despir violentamente à altura dos seus olhos no balneário, não meta a modinha na ranhura, porque não canta nem dá tabaco.
(Enquanto à minha vida sexual, cara Isabela, não tem nada a ver com isso.)
Dois anos de Catalunya @ Large merece um esforço.
Atão, atão????
Para que não fiquem dúvidas

MOMENTO GINA: PRODUTO NACIONAL


ETA declara un alto el fuego permanente
Antes que os histéricos da paz sem memória se ponham aos saltinhos convém lembrar que:
- Através desta declaração de "alto el fuego" a ETA não renuncia expressamente às armas. Declara-se, isso sim, "comprometida" para permitir o "processo democrático" onde sejam reconhecidos os direitos dos bascos como "Pueblo".
- Ao invocar-se como estandarte dos direitos de "todos os bascos", ETA esquece deliberadamente os milhares de "ciudadanos y ciudadanos vascos" que durante décadas têm sido extorquidos, assassinados, mutilados e reprimidos graças a uma visão radical e ditatorial da democracia.
- O chamamento que ETA faz aos Estados espanhol e francês para que aceite de maneira "positiva" e deixe de lado a "repressão" não é mais que uma chantagem com todas letras e sem a menor vergonha na cara.
- O "por fin ha empezado" de Zapatero não deve passar de um optimismo moderado, sempre tendo em mente que todas as tréguas anteriores foram armadilhas e que todas (todas) acabaram em sangrentos atentados onde morreram políticos, jornalistas, crianças, empresários, militares, polícias, donas de casa, vereadores ou intelectuais.
- ETA não é um grupo separatista, independentista, nacionalista, de liberação ou raio que os parta. ETA é um grupo terrorista que mata em nome de um estado marxista e proletário com moeda própria e com direito a entrar na UE, que utiliza métodos muitos próximos à Mafia e não tem escrúpulos em exaltar assassinos em actos financiados pelo governo basco.
E, finalmente, que hoje existam alqaedos que se rebentam nas Twins Towers ou em comboios cheios de trabalhadores, nunca deve esquecer o Governo espanhol que as negociações de paz estão condicionadas à renúncia incondicional e imediata da ETA à luta armada. Assim o exigiu o Parlamento quando autorizou as negociações de Zapatero com ETA e assim o exigem as víctimas do terrorismo, a quem ETA deve pedir perdão. E já.
OS MEUS AMIGOS SÃO MELHORES QUE OS TEUSAmanhã nas bancas do meu Portugal, estará à vista de todos o segundo romance de Hugo Gonçalves, companheiro recém-estreado de cañas, coincidências demasiado emocionantes para um jantar de sábado e correspondente da vida madrilena para os leitores desse lado da fronteira. E uma surpresa de pessoa, que é para isso que se vive. Um talentoso escritor de contos, e-mailes e guardanapos se for caso disso, que quem nasce para escrever não tem limites no suporte. Comprem o livro, leiam e aprendam.
"Todas as mulheres são expulsas de uma Cidade Estado, as suas memórias apagadas. Um grupo de amigos – Ele, Mau e Grande – cresce nesse universo exclusivo de homens em que o pugilismo se tornou no desporto nacional, a força física uma qualidade e as emoções um sinal de fraqueza. Eles atravessam a decadência da Cidade nas suas motos, procurando o perigo e as lutas de rua. Mas um dia enfrentarão o resto mundo, as mulheres, e terão de confrontar-se com a brutalidade da sua própria natureza.VOLVER

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Para a Ticcia

É JÁ AMANHÃ

Querido Blogue,
Os meus mortos hoje reúnem-se num corpo pegado a um volante. Tem a cara dormente de tão morta e o corpo já não responde aos médicos, à voz da mulher e à carência eterna das filhas sem pai. Os meus mortos hoje também fazem anos. Têm as velas acesas pelos que ficaram e comemoram a chegada de um homem jovem ao mundo dos que precisam da memória terrena para sussurrarem atrás da minha orelha. Os meus mortos hoje têm nome, cara e flores na tumba e estão presentes nos corredores das casas dos vivos, nas fotografias que nunca amarelecem, nas conversas de bagaço e nas orações uma vez ao ano por promessa. Hoje um morto vale mais que os outros, e tem um bilhete de identidade caducado com apelidos e uma vida pela frente e uma calvície proeminente, porque há mortos que envelhecem pior que outros. O meu morto tem barriga derivada das noites de fados e cachola e ele, que é alto e vaidoso, acha mal que a morte o trate tão mal, ele que teve as mulheres que pode e se deixaram amar enquanto esteve por cá. Acha mal porque só tem trinta e dois anos e monta bem a cavalo e a mulher é bonita e conseguiu entrar no país que o castigou por leal e os pais, graças a Deus, estão bem de saúde e a vida, porra, corre bem e finalmente está em casa, descansado e forte, e acha mal, claro que acha mal, que se lhe arrebate assim a vida, por culpa de um bêbedo anónimo numa noite como as outras, morto estupidamente na berma da estrada, com a vida a esvaziar-se sem aviso. Pois claro que acha mal, caralho, que se lhe chore durante anos e sem motivo aparente e que se lhe recorde num jantar ou num blogue, ele que deveria ter estado em todo o lado e mandando vir com a banalidade do mundo a crédito. Mas já não pode. Está fora dos canais privados da televisão, da internet, do período da filhas, dos carros com ar condicionado e do possível divórcio. Já não está e isso fode-o, se é que um morto pode dizer asneiras. Mas os meus mortos são assim: vivos demais para concordarem com as legalidades da vida. Os meus mortos, digo, hoje festejam. E eu, a cada ano que passo, tenho mais saudades de um homem que nunca conheci.
27 anos
Alimentando lluvias, caracolas
y órganos mi dolor sin instrumento.
a las desalentadas amapolas
daré tu corazón por alimento.
Tanto dolor se agrupa en mi costado,
que por doler me duele hasta el aliento.
Un manotazo duro, un golpe helado,
un hachazo invisible y homicida,
un empujón brutal te ha derribado.
No hay extensión más grande que mi herida,
lloro mi desventura y sus conjuntos
y siento más tu muerte que mi vida.
Ando sobre rastrojos de difuntos,
y sin calor de nadie y sin consuelo
voy de mi corazón a mis asuntos.
Temprano levantó la muerte el vuelo,
temprano madrugó la madrugada,
temprano estás rodando por el suelo.
No perdono a la muerte enamorada,
no perdono a la vida desatenta,
no perdono a la tierra ni a la nada.
En mis manos levanto una tormenta
de piedras, rayos y hachas estridentes
sedienta de catástrofes y hambrienta.
Quiero escarbar la tierra con los dientes,
quiero apartar la tierra parte a parte
a dentelladas secas y calientes.
Quiero minar la tierra hasta encontrarte
y besarte la noble calavera
y desamordazarte y regresarte.
Volverás a mi huerto y a mi higuera:
por los altos andamios de las flores
pajareará tu alma colmenera
de angelicales ceras y labores.
Volverás al arrullo de las rejas
de los enamorados labradores.
Alegrarás la sombra de mis cejas,
y tu sangre se irán a cada lado
disputando tu novia y las abejas.
Tu corazón, ya terciopelo ajado,
llama a un campo de almendras espumosas
mi avariciosa voz de enamorado.
A las aladas almas de las rosas
del almendro de nata te requiero,
que tenemos que hablar de muchas cosas,
compañero del alma, compañero.
Querido Blogue,
Sentados na Plaza de Canalejas entre o quiosque dos jornais e a paragem de táxi um casal de idosos come um bocadillo, ele ao ritmo da cerveja de lata, ela com golos de água engarrafada num pedaço de plástico. Estão morenos os dois, demais para um Março sem primavera à vista, usam calças de bombasina, os colarinhos das camisas a espreitar pelas golas dos pulôveres de lã bruta e os sapatos castanhos a quem o povo chama de vela. Ela agarra o cabelo branco e as rugas sexagenárias num elástico vermelho que faz com que a cara pareça mais fina, elegante em cima do pescoço magro e velho. Seriam mais um casal de turistas da terceira idade, nórdicos talvez pelo contraste dos olhos azuis e o escuro da pele, como vindos de uma excursão nos fiordes e tivessem estacionado o trenó à porta do pub de madeira de cedro.
Mas nem têm trenó, nem estão num pub e muito menos fazem turismo cultural. Estão sentados, isso sim, mas no chão da rua e enquanto comem o bocadillo vigiam que a caixa vazia de charutos onde pedem a esmola dos transeuntes não seja roubada. Comem bocadillos, também, encostados à saca de plástico roto, cheia de roupa doada pela caridade das sobras, como as calças de bombazina, os pulôveres e os sapatos de vela que hoje têm vestidos. Bebem, mas de certo que não pagaram mais que a súplica verbal que causa na compaixão alheia a necessidade de ceder o que não nos falta. São só dois mendigos. Não são gente, não contam para a bicha do autocarro, as percentagens de consumidores de produtos lácteos, os índices de audiência ou as manifestações contra o Estatut da Cataluña. Normalmente são invisíveis aos passos e às pressas da grande cidade, encostados no anonimato das caixas de cartão e de multibanco e tanto faz se têm sida, filhos com fome, uma reforma que não chega, um pai que lhes bate, porque ninguém lê os seus pedidos de auxílio com erros de ortografia.
Se hoje me parei a contemplar aquele casal que devorava violentamente vinte gramas de fiambre de terceira enfiados num pedaço de pão foi porque pareciam gente, ela com o cabelo e as rugas puxadas, ele de óculos de ler ao pescoço, esperando que o pesadelo da miséria acabasse e lhes fossem restituídas as propriedades, os cães, as fotografias dos netos, os concertos de Mozart e a vida sem frio. Sentados na Plaza de Canalejas, partícipes do mobiliário urbano e ocupando com a sua dignidade um espaço entre o quiosque dos jornais e a paragem de táxi.
Oscares em jete-legue

RESUMO RÁPIDO
OS MEUS AMIGOS SÃO MELHORES QUE OS TEUS
Agora na hora de um adeus
Falar de Blogues: Feminino/Masculino