Quinta-feira, Março 30, 2006

RITITI EDUCA O POVÃO

Música Pop na China, ou os efeitos do socialismo aberto ao mercado de capitais.

Quarta-feira, Março 29, 2006

Para a Isabela, que gostava imenso de ser uma boazonazona como eu, mas não tem tempo porque prefere comer sandes de queijo e assar frangos (assim também é difícil, pá).


Como ser uma boazonazona em três (ou mais, se me apetecer e estiver virada praí) lições:

Pequena introdução - Ginásio

Pague a matrícula, empenhe-se e perca a vergonha. Duas vezes por semana ponha lá os pés, com ar concentrado e com o I-Pod pegadinho ao pavilhão auricular (por nada do mundo se lhe ocorra ouvir o chunga-chunga ambiental, nem olhe para a televisão e - por supuesto - não cruze uma única palavra com os ginastas que a rodeiam).
Não tenha medo de fazer o ridículo enquanto levanta halteres de quilo e meio rodeada de verdadeiras besta ex-presidiárias e mal-cheirosas que se masturbam em frente ao espelho. Falando em fluidos, as máquinas onde se abrem as pernas até às costas, aviso, não servem para fornicar. Nem aquela coisa onde nos pomos de rabo para cima e as mamas ficam apertadinhas que podem rebentar se se abusa do tempo de exercício. Nem os espaldares, nem os colchões do chão, nem a passadeira, nem a sala da sauna. O ginásio serve só para nos esquecermos da nossa (minha) condição de gaja boazona, para nos (me) transformar numa imbecil empapada em suor, com cara de sofredora e com o cabelo feito uma merda. Aliás, o conceito de boazona é muito relativo lá dentro: a sex-simbol do meu ginásio pesa setenta quilos e tem uns braços que me poderiam arrancar a cabeça.
Faço notar aqui que se uma senhora de meia idade e depilada nas partes púbicas se despir violentamente à altura dos seus olhos no balneário, não meta a modinha na ranhura, porque não canta nem dá tabaco.
(Enquanto à minha vida sexual, cara Isabela, não tem nada a ver com isso.)

Dois anos de Catalunya @ Large merece um esforço.

Um, dois, três...

Ó meu Puorto uonde a eterna mocidade, diz a giente o que é ser nuobre e leal, teu pendão leba o iscudo da cidade, que na história deu o nome a Portugal, Oh Cámpião do meu passado, o libro duonras de bitórias sem igual, o teu brásão abençoado, Tem no meu Puorto mais um arco triunfal. PUORTO PUORTO PUORTO PUORTO PUORTO PUORTO.

Pronto, já chega. Ufff, que canseira. Lo que se hace por los amigos. Besos, Nuno!

Segunda-feira, Março 27, 2006

Atão, atão????

Sofia? Ielou? Uere ár iu??? Mr and Mrs Pinheiro estão deveras consternados (sempre quis estar consternada e nunca soube como, estás a ver o impacto)
Ficamos à espera do retorno do Controversa Maresia, um dos melhores blogues deste cantinho ligado à rede. Tinha pensado lincar o mais genial texto até agora escrito sobre a blogosfera, "Os Blog Climbers", irrepetível pela originalidade, má lingua e inteligência, mas claro, pá, apagaste o blogue e assim não há quem faça copy/paste. Porra!
Besos, guapa!


Sábado, Março 25, 2006

Para que não fiquem dúvidas



Isto é uma mulher bonita.
Estrella Morente,
uma rapariga fácil de acomodar na casa dos nossos afectos.

Sexta-feira, Março 24, 2006

MOMENTO GINA: PRODUTO NACIONAL



Cristiano Ronaldo, craque e salvação do nosso ânimo nacional em concentrações de calções curtinhos, é infiel à namorada, que não é outra que este estranho ser que aqui se mostra: Nuria Bermudez, conhecida nas televisões do touro ibérico pela sua afición a comer jogadores da bola e alardear disso nos programas que melhor lhe paguem. Uma divertida mistura de peixeira do Mercado do Bulhão com aquela Victoria Beckham antes do spice-moment, pobre e pirosa; o must das revistas do coração de terceira categoria e o espelho de uma Espanha que se nega a trabalhar para comer. Enfim, que a rapariga está triste, ou pior que isso, piurça, fodidinha toda com nosso Portugal. E não lhe tiro a razão, porque o homem despistou-a com a nossa boazona nacional, a Merche Romero, macizorra por excelência e estrela da emigração lusa graças ao Portugal no Coração, esse clássico dos donos de restaurantes portugueses em Bruxelas.
Querida Merche, tem cuidado, que nenhuma mulher é de fiar quando tem a ciumeira em cima e a Nuriaber, vamos, que muy sana de la cabeza no es. Eu cá empenhava já a pulseirinha de diamantes, pá, e refugiava-me ali no "Linda's Cantinho", em Candem Town, onde de certeza não te faltará um pastel de bacalhau e a solidariedade dos emigrados para combater a fúria da "come-ronaldos" de extrarrádio espanhol.



E antes que me esqueça: a nossa Merche é bem melhor. Nada como o produto nacional. (isto se a Merche for realmente portuguesa, assunto que de veras me intriga cá nos meus adentros a pontos insuspeitos. Enfim, momentos ginas, é o que é)

Quarta-feira, Março 22, 2006

ETA declara un alto el fuego permanente

Antes que os histéricos da paz sem memória se ponham aos saltinhos convém lembrar que:

- Através desta declaração de "alto el fuego" a ETA não renuncia expressamente às armas. Declara-se, isso sim, "comprometida" para permitir o "processo democrático" onde sejam reconhecidos os direitos dos bascos como "Pueblo".
- Ao invocar-se como estandarte dos direitos de "todos os bascos", ETA esquece deliberadamente os milhares de "ciudadanos y ciudadanos vascos" que durante décadas têm sido extorquidos, assassinados, mutilados e reprimidos graças a uma visão radical e ditatorial da democracia.
- O chamamento que ETA faz aos Estados espanhol e francês para que aceite de maneira "positiva" e deixe de lado a "repressão" não é mais que uma chantagem com todas letras e sem a menor vergonha na cara.
- O "por fin ha empezado" de Zapatero não deve passar de um optimismo moderado, sempre tendo em mente que todas as tréguas anteriores foram armadilhas e que todas (todas) acabaram em sangrentos atentados onde morreram políticos, jornalistas, crianças, empresários, militares, polícias, donas de casa, vereadores ou intelectuais.
- ETA não é um grupo separatista, independentista, nacionalista, de liberação ou raio que os parta. ETA é um grupo terrorista que mata em nome de um estado marxista e proletário com moeda própria e com direito a entrar na UE, que utiliza métodos muitos próximos à Mafia e não tem escrúpulos em exaltar assassinos em actos financiados pelo governo basco.
E, finalmente, que hoje existam alqaedos que se rebentam nas Twins Towers ou em comboios cheios de trabalhadores, nunca deve esquecer o Governo espanhol que as negociações de paz estão condicionadas à renúncia incondicional e imediata da ETA à luta armada. Assim o exigiu o Parlamento quando autorizou as negociações de Zapatero com ETA e assim o exigem as víctimas do terrorismo, a quem ETA deve pedir perdão. E já.

Segunda-feira, Março 20, 2006

OS MEUS AMIGOS SÃO MELHORES QUE OS TEUS

Amanhã nas bancas do meu Portugal, estará à vista de todos o segundo romance de Hugo Gonçalves, companheiro recém-estreado de cañas, coincidências demasiado emocionantes para um jantar de sábado e correspondente da vida madrilena para os leitores desse lado da fronteira. E uma surpresa de pessoa, que é para isso que se vive. Um talentoso escritor de contos, e-mailes e guardanapos se for caso disso, que quem nasce para escrever não tem limites no suporte. Comprem o livro, leiam e aprendam.

"Todas as mulheres são expulsas de uma Cidade Estado, as suas memórias apagadas. Um grupo de amigos – Ele, Mau e Grande – cresce nesse universo exclusivo de homens em que o pugilismo se tornou no desporto nacional, a força física uma qualidade e as emoções um sinal de fraqueza. Eles atravessam a decadência da Cidade nas suas motos, procurando o perigo e as lutas de rua. Mas um dia enfrentarão o resto mundo, as mulheres, e terão de confrontar-se com a brutalidade da sua própria natureza.
O coração dos homens vai ao fundo da amizade masculina, fala da contenção dos sentimentos, da impossibilidade e do medo do amor, da solidão, dos impulsos sexuais e do corpo como único instrumento de prazer."

Muitos parabéns, meu querido amigo. E na festa de apresentação só não estarei de corpo.

Sábado, Março 18, 2006

VOLVER



P - Agustina está aqui para contarnos algo. Verdad, Agustina?
A - ...
P - Agustina tiene cáncer.
A - ...
P - (al público) Venga, un fuerte aplauso para Agustina.

(Mais que um filme, uma jóia de Pedro Almodóvar, com toda a razão o melhor realizador de cinema do mundo mundial e o universo todo infinito e mais além! Amen)

Notazinha: diz Almodóvar, em relação ao tema das mamas, que ali não há nada operado. Uhmmm...

Sexta-feira, Março 17, 2006

VOLVER



Depois de ver o filme (maravilhoso), impõem-se a grande questão: são verdadeiras as mamas da Penélope?

Quinta-feira, Março 16, 2006

Para a Ticcia



Monólogo de Agrado

Por causas ajenas a su voluntad, dos de las actrices que diariamente triunfan sobre este escenario hoy no pueden estar aquí, pobrecillas. Así que se suspende la función. A los que quieran se les devolverá el dinero de la entrada pero a los que no tengan nada mejor que hacer y pá una vez que venís al teatro, es una pena que os vayáis. Si os quedáis, yo prometo entreteneros contando la historia de mi vida. Adiós, lo siento, eh. Si le saburro hagan como que roncan - así: Grrrrr - yo me cojo enseguida y para nada herís mi sensibilidad (eh, de verdad!)
Me llaman la Agrado, porque toda mi vida solo he pretendido hacerle la vida agradable a los demás. Además de agradable, soy muy auténtica. Miren que cuerpo, todo hecho a medida: rasgado de ojos 80.000; nariz 200, tiradas a la basura porque un año después me la pusieron así de otro palizón... Ya sé que me da mucha personalidad, pero si llego a saberlo no me la toco. Tetas, 2, porque no soy ningún monstruo, 70 cada una pero estas las tengo ya súper amortizás. Silicona en labios, frente, pómulos, caderas y culo. El litro cuesta unas 100.000, así que echar las cuentas porque yo, ya las he perdio... Limadura de mandíbula 75.000; depilación definitiva en láser, porque la mujer también viene del mono, bueno, tanto o más que el hombre! 60.000 por sesión. Depende de lo barbuda que una sea lo normal es de 2 a 4 sesiones, pero si eres folclórica, necesitas más claro... bueno, lo que les estaba diciendo, que cuesta mucho ser auténtica, señora, y en estas cosas no hay que ser rácana, porque una es más auténtica cuanto más se parece a lo que ha soñado de si misma.

Quarta-feira, Março 15, 2006

É JÁ AMANHÃ



VOLVER
, o novo filme do que talvez seja o melhor realizador vivo do mundo. Pelo imenso amor que sente pelo cinema, o respeito aos actores com quem trabalha e sobretudo pela extrema delicadeza com que trata a natureza humana, tenho para Pedro Almodóvar a inveja cabrona que só reservo aos génios, aos iluminados totais. Nunca nenhum filme me estremeceu tanto como Todo Sobre Mi Madre e o patético monólogo da puta travestida de pena e dores na vida, o amor da mãe órfã de um filho sem pai e a freira grávida de um homem com mamas. Tudo faz sentido quando tem consequências e é real; nada fica ao acaso neste mundo onde não se permite o cinzento e não se tem medo ao preto, ao luto e à morte. É já amanhã!

Segunda-feira, Março 13, 2006

Querido Blogue,

Os meus mortos hoje reúnem-se num corpo pegado a um volante. Tem a cara dormente de tão morta e o corpo já não responde aos médicos, à voz da mulher e à carência eterna das filhas sem pai. Os meus mortos hoje também fazem anos. Têm as velas acesas pelos que ficaram e comemoram a chegada de um homem jovem ao mundo dos que precisam da memória terrena para sussurrarem atrás da minha orelha. Os meus mortos hoje têm nome, cara e flores na tumba e estão presentes nos corredores das casas dos vivos, nas fotografias que nunca amarelecem, nas conversas de bagaço e nas orações uma vez ao ano por promessa. Hoje um morto vale mais que os outros, e tem um bilhete de identidade caducado com apelidos e uma vida pela frente e uma calvície proeminente, porque há mortos que envelhecem pior que outros. O meu morto tem barriga derivada das noites de fados e cachola e ele, que é alto e vaidoso, acha mal que a morte o trate tão mal, ele que teve as mulheres que pode e se deixaram amar enquanto esteve por cá. Acha mal porque só tem trinta e dois anos e monta bem a cavalo e a mulher é bonita e conseguiu entrar no país que o castigou por leal e os pais, graças a Deus, estão bem de saúde e a vida, porra, corre bem e finalmente está em casa, descansado e forte, e acha mal, claro que acha mal, que se lhe arrebate assim a vida, por culpa de um bêbedo anónimo numa noite como as outras, morto estupidamente na berma da estrada, com a vida a esvaziar-se sem aviso. Pois claro que acha mal, caralho, que se lhe chore durante anos e sem motivo aparente e que se lhe recorde num jantar ou num blogue, ele que deveria ter estado em todo o lado e mandando vir com a banalidade do mundo a crédito. Mas já não pode. Está fora dos canais privados da televisão, da internet, do período da filhas, dos carros com ar condicionado e do possível divórcio. Já não está e isso fode-o, se é que um morto pode dizer asneiras. Mas os meus mortos são assim: vivos demais para concordarem com as legalidades da vida. Os meus mortos, digo, hoje festejam. E eu, a cada ano que passo, tenho mais saudades de um homem que nunca conheci.

27 anos

ELEGIA A RAMÓN SIJÉ


(En Orihuela, su pueblo y el mío, se me ha
muerto como del rayo Ramón Sijé, a quien
tanto quería.)

Yo quiero ser llorando el hortelano
de la tierra que ocupas y estercolas,
compañero del alma, tan temprano.

Alimentando lluvias, caracolas
y órganos mi dolor sin instrumento.
a las desalentadas amapolas

daré tu corazón por alimento.
Tanto dolor se agrupa en mi costado,
que por doler me duele hasta el aliento.

Un manotazo duro, un golpe helado,
un hachazo invisible y homicida,
un empujón brutal te ha derribado.

No hay extensión más grande que mi herida,
lloro mi desventura y sus conjuntos
y siento más tu muerte que mi vida.

Ando sobre rastrojos de difuntos,
y sin calor de nadie y sin consuelo
voy de mi corazón a mis asuntos.

Temprano levantó la muerte el vuelo,
temprano madrugó la madrugada,
temprano estás rodando por el suelo.

No perdono a la muerte enamorada,
no perdono a la vida desatenta,
no perdono a la tierra ni a la nada.

En mis manos levanto una tormenta
de piedras, rayos y hachas estridentes
sedienta de catástrofes y hambrienta.

Quiero escarbar la tierra con los dientes,
quiero apartar la tierra parte a parte
a dentelladas secas y calientes.

Quiero minar la tierra hasta encontrarte
y besarte la noble calavera
y desamordazarte y regresarte.

Volverás a mi huerto y a mi higuera:
por los altos andamios de las flores
pajareará tu alma colmenera

de angelicales ceras y labores.
Volverás al arrullo de las rejas
de los enamorados labradores.

Alegrarás la sombra de mis cejas,
y tu sangre se irán a cada lado
disputando tu novia y las abejas.

Tu corazón, ya terciopelo ajado,
llama a un campo de almendras espumosas
mi avariciosa voz de enamorado.

A las aladas almas de las rosas
del almendro de nata te requiero,
que tenemos que hablar de muchas cosas,
compañero del alma, compañero.

Quinta-feira, Março 09, 2006

Querido Blogue,

Sentados na Plaza de Canalejas entre o quiosque dos jornais e a paragem de táxi um casal de idosos come um bocadillo, ele ao ritmo da cerveja de lata, ela com golos de água engarrafada num pedaço de plástico. Estão morenos os dois, demais para um Março sem primavera à vista, usam calças de bombasina, os colarinhos das camisas a espreitar pelas golas dos pulôveres de lã bruta e os sapatos castanhos a quem o povo chama de vela. Ela agarra o cabelo branco e as rugas sexagenárias num elástico vermelho que faz com que a cara pareça mais fina, elegante em cima do pescoço magro e velho. Seriam mais um casal de turistas da terceira idade, nórdicos talvez pelo contraste dos olhos azuis e o escuro da pele, como vindos de uma excursão nos fiordes e tivessem estacionado o trenó à porta do pub de madeira de cedro.
Mas nem têm trenó, nem estão num pub e muito menos fazem turismo cultural. Estão sentados, isso sim, mas no chão da rua e enquanto comem o bocadillo vigiam que a caixa vazia de charutos onde pedem a esmola dos transeuntes não seja roubada. Comem bocadillos, também, encostados à saca de plástico roto, cheia de roupa doada pela caridade das sobras, como as calças de bombazina, os pulôveres e os sapatos de vela que hoje têm vestidos. Bebem, mas de certo que não pagaram mais que a súplica verbal que causa na compaixão alheia a necessidade de ceder o que não nos falta. São só dois mendigos. Não são gente, não contam para a bicha do autocarro, as percentagens de consumidores de produtos lácteos, os índices de audiência ou as manifestações contra o Estatut da Cataluña. Normalmente são invisíveis aos passos e às pressas da grande cidade, encostados no anonimato das caixas de cartão e de multibanco e tanto faz se têm sida, filhos com fome, uma reforma que não chega, um pai que lhes bate, porque ninguém lê os seus pedidos de auxílio com erros de ortografia.
Se hoje me parei a contemplar aquele casal que devorava violentamente vinte gramas de fiambre de terceira enfiados num pedaço de pão foi porque pareciam gente, ela com o cabelo e as rugas puxadas, ele de óculos de ler ao pescoço, esperando que o pesadelo da miséria acabasse e lhes fossem restituídas as propriedades, os cães, as fotografias dos netos, os concertos de Mozart e a vida sem frio. Sentados na Plaza de Canalejas, partícipes do mobiliário urbano e ocupando com a sua dignidade um espaço entre o quiosque dos jornais e a paragem de táxi.

Terça-feira, Março 07, 2006

Oscares em jete-legue




Poucas estiveram bem. Pareciam disfarçadas, como se os vestidos fossem (e eram, ah pois) emprestados por essa prima rica emigrada que tem um armário de sobra em casa. Começando pela Charlize Theron, a quem o Dior não só desfavorecia como lhe assentava que nem um pontapé no cú. Os espanhóis diriam es-pan-to-so, o sea, terrível, assustador. Nem o penteado, nem a cor do traje, nem as sandálias. Nada! Aliás, quando aprenderão as pretensas rainhas do starsistem que as sandálias não combinam com vestidos de noite? Mais: os dedos dos pés não combinam com nada (manias, querida Ticcia, mas eu já volto ao tema). Porque a Charlize é boa comó milho, bem sei e quem me dera, mas custa-lhe abandonar esse arzinho de empregada de supermercado de Odivelas, sempre preparada para subir na vida e na interpretação de papéis comprometidos com a realidade, mas pouco mais, o que já não é pouco. Tal qual a nossa tão de casa Bárbara Guimarães e aquela gaja que também está para mojar pan e lamber o prato (ou o que estiver mais à mão de semear), a Jessica Alba (que eu nunca vi mais gorda a não ser nas capas das revistas para gajos). Mascarada de Versace lá ia a moça arrastando a cauda, a verdadeira protagonista da noite. Caudas para Uma Thurman (muito mais gira vestida de killer vingativa que de senhora respeitável), cauda para a Amy Adams (aquela que ia disfarçada de Cindarela), outra cauda para a sonsa e sempre implorando a compaixão típica da cornuda Jennifer Aniston, e cauda para uma prenha Jennifer Garner a quem a gravidez lhe faz umas mamas descaídas e impróprias para consumo ocular. A todas estas lhe ficava grande o vestido, por muito ajuste e botox de última hora no sovaco.
Glamour não é mais que a naturalidade para vestir um Givenchy sem que se te note o preço e isso, queridos, não se empresta. Nasce-se glamouroso, como o Príncipe Carlos ou a inefável Camilla a quem nem a cara de cavalo lhe empata o charme. Glamour é a genuinidade de Dolly Parton, autêntica de cor de rosa country, sinceramente preparada para a bronca do parece bem dos que precisam mostrar para ser. Deliciosa e mais se comparada com a inexplicavelmente cada dia mais pirosa
Salma Hayek, ansiosa por pertencer ao galáctico mundo das capas da Vanity Fair. Porque no duelo peitoral continuo a preferir essa mulher de quintas com cavalos, jipes e rodeos com chapéus de vaqueiro, tão grande, tão loira, tão ela. Tão Dolly, a minha favorita da noite. E mais nada.

Domingo, Março 05, 2006


E só para rematar

"Pienso que al hombre-columnista que comienza su crónica en una peluquería se le considera un dandi; a la mujer-columnista, una superficial. Esa es la razón por la que algunas damas del columnismo, en su afán de ser consideradas Alta Cultura, no van a una peluquería ni atadas. Y deberían, porque a algunas les hace mucha falta".

Elvira Lindo, no El País, provavelmente a melhor colunista da Península Ibérica (incluindo o nosso Portugal)

Sábado, Março 04, 2006

RESUMO RÁPIDO

(Porque a ressaca é muita e está a dar o Stargate com legendas no AXN, que para vocês pode não ser muito importante, mas eu vivo em Madrid e lá passa tudo dobrado e afinal as séries acabam por perder a gracinha toda e se não fosse o devede eu dava em maluquinha. Vá lá, que o José Carlos Abrantes me vai convidando para os colóquios e posso ver a televisão sem sotaque de Leganés)

- Obrigada a todos os assistentes. Passar uma tarde chuvosa de sexta feira a ouvir falar da diferença entre pipis e pombinhas é obra. A sala estava a abarrotar. Gentes curiosas, simpáticas, algumas bem bonitas e com vontade de se rir e pasar un buen rato, a maior parte de pé e com os casacos encharcados, uma dúzia com blocos de notas e a tomar apontamentos e muitas caras desconhecidas. É curioso como ainda não me habituei a ser lida por pessoas que não possa reconhecer num bar.
- O
Pedro Mexia é super masculino, um verdadeiro machão da blogosfera portuguesa, se temos em conta a quantidade de vezes que foi referido naquela sala. O Pedro Mexia isto, o Pedro Mexia aquilo e o ego do homem aos saltinhos.
- A
Tati tem um charme absoluto, com palavrão ou sem ele. Dizer palavrões não é para todas, é preciso arcaboiço, boa cabecinha, uma adolescência a trocar de namorados e um belíssimo par de pernas. O palavrão é um modo de vida. Para uma correcta actualização aconselho um jantar com dois portistas tarados.

- O Clube de Fans da Rititi (mães com crianças em casa à espera do jantar, executivos engravatados, um par de loiras de escândalo, financiadores da minha carreira literária, companheiros da noite lisboeta, hóspedes acidentais em Madrid, irmã e tia à mistura, amigos, enfim) é do melhor que há. Coisas que ultrapassam a blogosfera. Os adoro, queridos.

Mais uma vez,
José Carlos, muitíssimo obrigada. Que me convidem a partilhar mesa e conversa com a minha querida Sofia (nem tivemos tempo para falar, mas digo-te já: estiveste maravilhosa, espertinha, com um ar profissional de quem já faz isto há anos, um espanto de convincente e divertida, ágil e muito simpática, as usual, claro), o Francisco (absolutamente charmoso) e o André (se tivesses adivinhado...) é uma honra.


Quarta-feira, Março 01, 2006

OS MEUS AMIGOS SÃO MELHORES QUE OS TEUS

Agora que o amor é Outono

Agora na hora de um adeus
sem Deus
agora que as tardes se despem
das túnicas azuis
como um céu
recortado de cartolina

Agora que as tangerinas
doces
caem aos pés
dos troncos
Nùs
como os corpos que se despem
para o entardecer do amor

Agora que os pássaros
debandam
pelas carícias do sol
agora que arrefecem
as mãos carentes
de carícias

Agora que se destapam os sinais
do amor sem tarde
sem dia
e sem noite

Agora que este amor
parte
e fica gravado
para sempre
na tarde
da carne

Rui Pelejão Marques, querido amigo.

Falar de Blogues: Feminino/Masculino
Organização: José Carlos Abrantes e Almedina

3 de Março, 19:00 horas

A Origem das Espécies , Francisco José Viegas
Controversa Maresia , Sofia Vieira
Geração Rasca , André Carvalho
Rititi , Rita Barata Silvério

Companheiro, sempre quiseste saber porque as mulheres vão à casa de banho aos pares, curam a dor de corno com chocolate e filmes de Barbra Steisand, têm mais medo à sogra que à ruga, sofrem de crises de ciúme e sentem o tique-taque a partir dos trinta? E tu, camarada amiga, és das sonham por compreender essa necessidade masculina de coçar os tomates em público e ainda ninguém te explicou? Até quando ficarão no obscurantismo dogmas de fé como o fora de jogo, o penteado de Cristiano Ronaldo e a fortuna de Pinto da Costa? E o que é que isto tudo tem a ver com os blogues? Será que também têm o período, mijam de pé, parem filhos chatos, encornam a namorada, votam Cavaco, choram por amor, pagam impostos, gostam de gajas e são do FCP?
Se te intrigam todas estas trepidantes questões da natureza humana, não faltes dia 3, na Almedina. Traz um amigo, uma garrafa de uísque, um par de sapatilhas, a mãe da tua namorada, o jornal do dia, um quilo de carne barrosã, o I-pod renovado, mas não faltes!