Terça-feira, Maio 30, 2006

Por el mero hecho de ser mujer
(Campanha da revista
El Jueves para Amnistia Internacional)

Porque as rugas me ganharam a cara, porque só lhe dou chatices, porque o vestido era demasiado curto, porque estava nervoso, porque a sopa veio fria para a mesa, porque sou uma puta, porque lhe pertenço, porque os ciúmes são por amor, porque com os copos não se controla, porque antes era diferente, porque todos os casais têm os seus problemas, porque nunca foi preciso que eu trabalhasse, porque seria uma vergonha que as vizinhas soubessem, porque os filhos depois é que sofrem, porque foi sem querer, porque ele é que tem razão, porque no casamento temos que aguentar estas coisas, porque este é o meu papel, porque a minha mãe também chorava às escondidas, porque é a ele a quem mais lhe dói a bofetada que eu recebo, porque não sei fazer nada sozinha, porque eu é que o provoquei, porque só presto para limpar, porque não tenho aonde ir, porque ele é único homem que me amará, porque entre marido e mulher nem a polícia mete a colher. Porque mereço.
Desde Janeiro já foram assassinadas 30 mulheres em Espanha. Por homens. Porque a culpa nunca é de quem maltrata.

Domingo, Maio 28, 2006

SOCORRO! SOCORRO! AJUDA!

Hoje fiz um pic-nic. Vinho de pacote, geleira, frango assado e tortilla, mantas no chão, uma rede atada a duas árvores, cerveja morna, radio-cassete e as músicas da moda, calções, suor no cabelo, moscas, copos de plátisco e uma padilha de ecuatorianos a jogar à bola na azinheira do lado.
O meu domingo metido num taparuere. Alguém reponha o glamour na minha vida!

Sábado, Maio 27, 2006

Ó VOCÊS QUE TANTO GOSTARAM DA LAURA




Eis aqui a versão lógica do dejemos lo o-troooo para mañaaaana. Mamar es saber succionar, hagamos juntooooos un sesenta y nueveeeee. Só poesia urbana. En dos palabras: im-presionante! Me descojono, te lo juro, Enrique Juan, me descojono.

(encontrado no Sexo de andar por casa)

Sexta-feira, Maio 26, 2006

CROMOS DA BOLA: Um elogio ao género masculino
(Explicação de gaja)


Gaja que é gaja gosta que os homens façam "coisas de gajo". Jogar à bola, andar à porrada, apitar no trânsito, ver quem mija mais longe, medir a pilinha, contar quecas passadas, beber até à última. Vamos, que nós queremos que os homens sejam competitivos, eternos concorrentes, cujo maior pânico é serem ultrapassados por um Ford Fiesta de segunda mão conduzido por um gordo de óculos na A-1. Um homem de verdade nunca pode ficar em segundo lugar. Esta é a razão da existência do futebol, do poker e é por isso também que um gajo coleciona cromos da bola, para se gabar perante os amigos que acabou antes a caderneta e ser o herói do bar de cañas. Só assim um gajo pode conquistar as mulheres, sendo o mais forte da turma, e não a fingir que é um bebé que precisa de miminhos e que lhe mudem a fralda. Porra! Para levar com birras e caprichos de merda preferimos engordar trinta quilos, ver crescer as mamas e o cu e ter um filho. Ou então arranjamos um amigo gay, oyes, que é bem mais simpático que uma criatura chorona e não temos que partilhar casa de banho.
Mr. Pinheiro também anda a colecionar os cromos do Mundial da Alemanha. Aliás, fui que os comprei.

Quinta-feira, Maio 25, 2006

(Só me restam 7 minutos de ciber-cafe)

Nos maquiavélicos planos das gajas para controlar o universo há sempre uma variável que nos fode o esquema todo: os homens.

(5 minutos)

A Revista Atlântico e o Alinhamento Redactorial

Caro
Tiago de Oliveira Cavaco,
De repente uma gaja escreve numa revista séria e de gente grande:
"
O problema é que não somos iguais. A nenhum homem que eu conheça lhe perguntaram numa entrevista de emprego se tinha filhos. E a nossa República, tão masculina, está tão obcecada com o Poder que não teve os tomates para compreender que o que a nós nos tira do sério é não ter as mesmas oportunidades reais que eles."
Que pode fazer o
Director? Doses industriais de
oxigénio para a carola? Internamento num lar de Carnaxide? Que va: chama um Padre!
E aqui entre os dois e aproveitando que ninguém nos ouve,
Tiago, adoro a ideia de estar protegida da fúria divina por um insider que trata Deus por tu e tem a filha numa coisa chamada Escola Bíblica. Os protestantes com a sua alta moral e os hinos s
ão a melhor companhia para uma mulher cuja média de asneirada supera qualquer conversa de estivadores à hora do almoço.
Por tanto, caros leitores, se querem saber o que faz um evangélico quando a filha blasfema (os católicos, nesse aspecto, não nos importamos nada de mandar vir com o sagrado porque sempre nos podemos confessar) comprem já a Revista Atlântico!

Segunda-feira, Maio 22, 2006

Querido Blogue,

Sou tão snobe que nem li o Código da Vinci. O que é uma pena, oyes, com a quantidade de zum-zum que anda por aí estou farta de perder oportunidades para mandar para o caralho uma barbaridade de gentalha desinformada e com tanta conspiração nos neurónios que não merece menos que o exílio do mundo civilizado. Todos para o Tajaquistão (quando existir), eis a minha sentença de nariz levantado. São os gnósticos de última hora, pseudo-historiadores da epistologia dos discípulos secretos (que eram só gajas, imaginem, com oito mamas e multi-orgásmicas) de Cristo, sábios de ténis e décimo segundo ano que gostavam tanto, mas tanto que a Igreja Católica e o Ocidente em geral sucumbissem para satisfazer a sua ignorância e ressentimento que estão dispostos a encher páginas e horas de colóquio televisivo com as maiores barbaridades sem que ninguém os processe por estupidez. Para quando a penalização da bestialidade? Sim, sim, tudo preso e obrigado a estudar História, Latim e Filosofia! Horas de trabalho forçado em bibliotecas públicas e quando quisessem abrir a boquinha só com a autorização do tutor, que seria um jesuíta de metro e oitenta e três mestrados e com un polvo que te jiñas.
Por favor, a sério, poupem-me. Já não há paciência para os oitenta filhos de Jesus que se expandiram pela galáxia em naves super-sónicas dando lugar a uma seita de loiros alemães que transforma a madeira em chumbo com o hálito, os sermões que o gajo nunca disse mas que excitam essas mentes com demasiadas horas de Indiana Jones nos cornos, as tendências esquizóides da Nossa Senhora e as fantasias sexuais da Madalena. Por amor de Deus, pá, esta vontade de ver sexo, drogas e rock-and-roll na Palestina é tão pirosa que até ao Paulo Coelho deve irritar. Misticismo e cultura pop, era o que mais nos faltava.
Não só é enfadonho e deprimente, como me faz perder totalmente a fé na Humanidade esta banalização da ignorância. Sinceramente, o que me preocupa não é o Código e os seus biliões de livros vendidos, mas sim o merchandising da estupidez.
Uma merda ser uma cagona da literatura. A minha vida já não tem sentido nenhum, mas este é tema para outro post que agora estou muito ocupada a pensar o que faço para jantar.

Sábado, Maio 20, 2006

MOMENTO FUFA
(uma alternativa à coitada da Gina)


(Elenora Bosé)

Sou uma sou uma bichona do piorio, uma paneleira como deveriam ser todas as paneleiras do mundo, histérica, patética e muito mais dada ao Festival da Canção que à chata da Virginia Woolf. Rosa choque, sandálias de plataforma, uma vida entregada ao drama de folhetim e ressacas sem calendário. Olha, ainda bem que tenho um marido que põe um bocadinho de ordem no meu descompensado mundo hormonal. Afinal, uma gaja não deixa de ser uma bicha sem pilinha. É por isso que gostamos de homens, para que não nos inchemos de silicone e extensões loiras.
Mas há dias de tremendo fufedo, dias em que me aparecem à frente gajas a quem apalparia com fartura, gajas que me tiram do sério por giras, boas, todas elas curvas, mamas e pernas infinitas. Nham-nham. Não sobram, mas as que há, uf, nem sei o que te diga. Ai.

Quinta-feira, Maio 18, 2006

Querido Blogue,

Dois anos e meio a blogar e uma gaja vai começando a perceber um bocadinho de que va esto, quais os mecanismos de sobrevivência dos blogues, as razões dos jantares em Leiria, as comunidades, as amizades e linques da moda, os temas que ralam e os vícios de forma. Dois anos e meio é muito tempo de escrita e a reflexão, passados o optimismo e o buen rollismo da adrenalina inicial, leva-me a ter pena da metade do povo que saltita pela blogosfera. Que digo metade? Lá estou eu cheia de optimismo outra vez. Porque o que sobra neste pedaço de mundo armado ao pingarelho é muito ódio. Ódio ruim, ranhoso, invejoso e filho da puta. O mais preocupante é que esse ódio azedo e mal fodido concentra-se na própria blogosfera e nos autores que por sorte do acaso, da boa escrita e do sitemeter têm alguma relevância. Nem que seja no google ou na pandilha de amigos. Em qualquer lugar do mundo os hate-blogues seriam ignorados, não passariam de cantos para expurgar essa invejinha que toda a gente sente pela Paris Hilton ou pelo Mourinho só por cagarem dinheiro. Mas cá não. Em Portugal os hate-blogues fazem sucesso, aparecem nos jornais, dando aos autores uma categoria de Robin Hoods da blogosfera. Com uma legião de histéricos cobardolas em êxtase, os odiadores do blogspot crescem-se, acreditam-se impunes e, cheios de si e de um rancor primário, dedicam o tempo a vomitar asco. Os fãs, por sua parte, aterram nas caixas de comentários dos sujeitos atacados e replicam o que lhes mandam os talibãns da net. São uns heróis, grandes homens e mulheres que dizem o que os outros não deveriam!! A sua fúria não tem limites nem tão pouco a estupidez dos seus leitores. Uffff. Pois é, que falta de cu.
Que isto vem do anonimato? Também, mas não só. Que há muita invejinha mal resolvida? Claro, mas não fica só por aí a coisa. O ódio implica uma tremenda repulsa pelo objecto, nojo absoluto, antipatia e, sobretudo, desejar muito mal a alguém. E de toda esta maldade está cheia a blogosfera. Não duvido que se pudessem os hate-bloggers partiriam uma perna ao seu odiado, matariam o cão, revelariam um segredo oculto que tanto dano causariam se se soubesse. Sobra ódio e os leitores da nossa blogosfera adoram ler as bílis nas letras.

Dão-me pena, claro, porque esses hooligans do ódio representam o que de pior tem o meu país: a falta de tomates do povão. Um povão que também odeia o sucesso alheio, que inveja as mulheres dos jogadores da bola porque são boas, uma massa abstracta que quer mas não pode porque nem sabe como querer. Uns robots que tanto na vida como na blogosfera votam e lêem quem mais pus transcreve. Estamos fodidos, é o que é.


A mim o que realmente me fode é que os tomates já não sabem a nada. E assim não há quem faça um gazpacho de jeito. Só chatices.

Quarta-feira, Maio 17, 2006

Genio y figura....


Pedro Almodóvar, Príncipe de Asturias de las Artes

"Su obra, enraizada en una sociedad española que se abría a profundos cambios, ha adquirido una dimensión universal a través de un lenguaje original de gran riqueza expresiva, capaz de sintetizar la complejidad humana." (Fundación Príncipe de Asturias)

Terça-feira, Maio 16, 2006

OS MEUS AMIGOS SÃO MELHORES QUE OS TEUS
(sem linques)

A Toka, o Koen, a Sofia e a Klara, o João, o Zé, o Bruno, o Pelé, a Rita, a Monia e o Rui, os Soutos, o Vinho e a Rita, a Isabel, a Rosalía e o Thilo, o Marcio e a Susana, a Catarina, o Rui, a Mariana e o Tomás, o Paulo, o Sehnan e a Francesca, a Marta e o Zé, o Duarte e familia, o Pedro, o Hugo, a Txica, a Cristina e o António, o Francisco e a Patricia, o Nuno, o António, a Luisa, a María e o Alex, o Andrés, o Iván, a Carmen e o Kamil, a Maria e até o San Isidro....
Estes são os meus amigos. Sem linques e com muito amor.
Obrigada.

Sábado, Maio 13, 2006

GENTE QUE NUNCA DEVERIA GANHAR O EUROMILHÕES
(post a seis mãos)

- Votantes do Bloco de Esquerda.
- Gente que só quer o prémio para pagar a casa e o carro (ou uma das duas).
- Habitantes de Massamá.
- Velhinhos que viviam todos contentes mais a sua cabra no seu quintal de Escalos de Baixo.
- Fans da Fátima Lopes.
- Gente que acha que a Fátima Lopes e o José Castelo Branco fazem um bom par.
- Judite de Sousa.
- O dono da Cufra.
- Os autores dos livros de auto-ajuda.
- Dentistas.
- Não fumadores.
- Malta que faz dieta.
- Compradores do TeveShope.
- Consumidores de Herba Life.
- Tunos.
- Campistas.
- Bird watchers.
- Apostadores do Toto-Bola.

... acrescentem se faz favor que já não nos apetece falar mal de ninguém.

Sexta-feira, Maio 12, 2006

RITITI EDUCA O POVÃO: ESTAR BEM NA VIDA

E então adivinhem lá onde vou passar a tarde. Vou dar pistas: no fim o touro morre.


Sou assim nos gostos, pá, não se podia esperar menos de uma psicopata menstruada que tira prazer do SG Ventil e do trânsito na Castelhana às seis da tarde, que não tem medo do colesterol das farinheiras nem de ouvir durante horas as coplas de Manolo Escobar e para quem a felicidade só é possível bem pertinho do barulho das luzes.
Ah! E volto domingo.

Quarta-feira, Maio 10, 2006

EL RÓ DEL NUESTRO: EXTREMODURO




Con acento y sabor a bellota, chacha, que los productos de la tierra nuestra, árida, jartita de pantanos y latifundios, dehesa y alcornoques, son asin de ricos y genuinos. Extremadura patria de glorias, guarros de pata negra, Extremadura suelo de historias, torta de la Serena, Extremadura tierra de encinas, Monfragüe, las Hurdes y la Siberia, Extremadura libre camina
.

Pál Maneli, mi hermano hermoso.

Manuel Jorge,

3 anos no marmelanço.
Um escritor talentosíssimo. Parabéns!

Terça-feira, Maio 09, 2006

SAN ISIDRO



O Chotis, dançado sobre um quadrado, o homem que roda e ela, de mantón de mantilla e cravo vermelho à cabeça, agarradinha à cintura e a cara bem levantada. Orgulhosos de um passado não muito longínquo mas que fez tradição graças ao trabalho e três gerações que se ficaram por culpa da fome, o exílio ou a vontade de anonimato. Os vestido é de lunares e ele, com boné e colete, gosta de como se lhe marcam as curvas. Las Vistillas enchem-se de casais castizos e vaidosos, com sotaque de rua e Austrias. Madrid, sem ser nacionalidade histórica, sem reivindicações e bandeiras do contra, cresce-se no povo que é de todos os lados, de Extremadura a Guatemala, mas sobretudo é de cá, porque todos os sotaques são válidos quando uma pessoa se encontra em casa. Assim é Madrid, sem globalizações, nacionalismos, histerias ou complexos forçados pela moda de se empoleirar no mapa dos festivais do buen rollo.

MUNDO BOLA



Hoje, terça-feira, às 18h30, na Casa Fernando Pessoa, primeiro dos debates do ciclo Antes que Venha o Mundial. Com moderação de Joel Neto, estarão lá Álvaro Magalhães, Ferreira Fernandes, Ivan Nunes, Ricardo Araújo Pereira e Torcato Sepúlveda.

(coisas que só podiam sair da cabeça do homem mais charmoso da blogosfera)

Segunda-feira, Maio 08, 2006


OUTROS DIÁLOGOS POSSÍVEIS

- Sintomas da Rititi?
- Dermatose eczematosa, concretamente um eczema seborráico no lateral exterior do recto femoral onde se confirmou a presença de uma infecção bacteriana.
- Sobreviverá? Parece ter um alien a sair-lhe da coxa.
- Claro, se se administrar terapêutica e urgentemente 100 gramas de estreptoquisana que activará o plasminógeno na zona afectada assim como o potentíssimo antiflamatório a base de ácido fusídico.

- E o tema abdominal?
-
Detectaram-se transtornos funcionais digestivos, assim como aerofagia e meteorismo.
- Dispepsia flatulenta?
- Ora nem mais.

Resumo: peido e borbulha gigantesca. Assim se começa uma semana, agarrada ao estômago e coxeando pela casa caminho da casa de banho. Estas coisas a mim não me aconteciam aos vinte anos. É bom crescer, é.

Sexta-feira, Maio 05, 2006

MOMENTO.... Uhm... Momento.... Pois...
Momento... Olha, Momento Festa!!!



Porque daqui a nada começam os touros e as verbenas com os tiros e os barquillos de chocolate e o chotis e as chulapas e os organillos e os cuplés e as lindas cupleteras e os vestidos goyescos e a pradaria e a romaria e o cozido de garbanzos e o vermut e os passeios de braço dado pelo Retiro. Porque estamos em Maio e dia 15, queridos e queridas, festejamos San Isidro e Madrid, com o céu tão distante e sem praia ou rio decente e até com as putas das obras que nunca mais acabam, ah pois é, veste-se de comprido e dança bem agarradinha ao seu Manolo. Não se esqueçam que Madrid é gaja, mas isso um dia explico melhor.
Assim que já se podem ir preparando para textos, vídeos e fotos da festa mais castiça de Espanha. Porque é disto que eu gosto. E mais nada.
Pi-chi- es-el-chulo-que-castiga!!!

Quarta-feira, Maio 03, 2006

Querido Blogue,

No meu Portugal está tudo parvo. Ai, ai, ai, que a minha vida é tão triste, ai, ai, ai, que a gente não tem dinheiro, ai, ai, ai e a depressão, a recessão, a inflação e constipação do cão, ai, ai, ai, que há de ser de nós, pobres, sem esperanças até para a segurança social na rua da amargura como o nosso fado, ai, ai, ai, quem nos salvará desta sina, ai, ai, ai, que sobem os juros, ai, ai, ai minha machadinha que a culpa, essa, nunca é minha. Olha, deste lado da fronteira tenho a vos dizer: fodei-vos! Que falta de pachorra, cum caralho, dasse que uma gaja já não vos pode ouvir. Uma semana em Lisboa e tudo com a mesma lenga-lenga tremendista: comerciantes, jornalistas, bancários, putas e pretos, bêbedos, dealers de drogas duras, taxistas, funcionários da EPAL, arrumas e vendedores de botões, designers, modernos e instaladores, canalizadores, quiosqueiros, alunos de liceu, comentadores e colunistas, pensadores, arrivistas e gentes que a gente até acha sérias e voluntariosas, trabalhadoras e peritas em Kama Sutra.
No fundo trata-se de uma questão de sorte, ou melhor, da sorte que OS PORTUGUESES (sim, sim, não virem a cara que a conversa é com vocês) achamos que a história, o descobrimento do Brasil, Fernando Pessoa e a bunda brasileira nos deve. Afinal, se estamos neste estado deplorável (pobres, feios e mal fodidos segundo todas as crónicas da imprensa séria) é porque um cataclismo universal que só afectou Portugal nos impediu de ser tão altos como os alemães, ricos como os noruegueses e felizes como qualquer Pepe de Sevilla. Porque o nosso mal é estrutural, estruturante e endémico, uma putada genética, um cancro que nos recome a economia e a vontade de seguir em frente desde que sucumbiu Lisboa, ou entrou a Inquisição, ou quando chacinámos aqueles judeus todos, ou no 25 de Abril ou quando perdemos o Europeu. Ou, ou, ou...
A culpa, minha machadinha, nunca é minha. Dos políticos e do regime, toda a gente sabe, ao tempo que um perigosíssimo sentimento patriótico inunda as janelas e conversas do meu Portugal. Bandeiras para paliar as contas a negativo, a tristeza, as olheiras e os incêndios. Bandeiras e hinos contra a corrupção nas autarquias e as faltas não justificadas dos deputados. Bandeiras a preparar o caminho para um tirano, um demagogo qualquer que nos diga que a culpa é dos deputados, da política e do Estado das coisas. Está tudo pronto para levar no cuzinho, grátis e sem vaselina. E gostaremos de ser mandados, gozados e expoliados do único que nos resta: a decência.
Realmente é de ter pena. E muito medo. Coitadinhos, pá.
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Contudo, ainda há quem tenha esperança. Diz o Francisco José Viegas, na Origem das Espécies que «Se os «indivíduos» fossem mais exigentes, mais corajosos na sua exigência (para consigo, para com o Estado, para com os serviços prestados pelos outros), andaríamos muito melhor. Nem era preciso chegar aos quartos-de-final e às festas na Expo se Portugaaaale passar nas eliminatórias do Mundial.»

Segunda-feira, Maio 01, 2006

PRÉMIO VAI AO CU A TI: A CULPA É TUA POR IR ASSIM VESTIDA

Almoço no porto de Lisboa. Marido e mulher põem a escrita e as saudades de Lisboa em dia. Gosto tanto de ti, meu amor, e venha mais um copo, que a vista é curta e o rio, ai o Tejo, traz memórias de quando Lisboa era casa e as vistas se encurtavam com só abrir a janela. Mas a mesa do lado, toda ela gestores ou gerentes de alguma coisa com curvas e orçamentos, fala alto, era uma garrafa de conhaque ófaxavor e as gajas da empresa querem todas dormir comigo, elas é que não sabem. E nós, de mão dada, suspiros e beijinhos, porque no matrimónio nem tudo é partilhar despesas e broncas sobre a sogra. Gosto do meu marido, gosto de como me toca a perna, gosto de o ver a fumar, gosto das histórias que me conta sobre a infância em Espinho. E a mesa do lado continua com charutos e as vozes vão-se elevando à medida que se enchem os cinzeiros. Pelos vistos alguns daqueles homens de fato e barriga exerceram como forcados numa época em que a gente era só miúdas sempre prontas e noitadas bem regadas. Cada vez ouço menos o meu marido, talvez porque a mesa do lado, com as suas gravatas desmanchadas e a voz potenciada pelo excesso da sobremesa, tenha escolhido um novo tema de conversa: eu. E mais concretamente as minhas mamas, que por um estranho mistério da natureza, vejam lá, estavam a apontar na direcção daqueles inocentes machos lusitanos.
Quem me manda? Ir assim vestida, com a quantidade de gajos que andam por aí, como me atrevo a excitar a tarde de copofonia daqueles gestores? E para aquele bando de pichas tortas, nem eu mereci ser mais a mulher sentada à mesa com um marido recordando a vida em Lisboa e a sonhar a volta a casa. Porque a partir do momento em que as minhas mamas entraram na órbita visual dos antigos forcados, passei de indivíduo contribuinte, votante, livre-pensadora e leitora compulsiva num naco de carne, num pedaço de sexo a quem apontar o dedo e virar as costas. Em algo inferior que não merece respeito. Porque na consciência alcoolizada daqueles garanhões de meia tigela eu não era igual a eles.
Falar de quotas, igualar por decreto, encher horas e páginas de comunicação social sobre direitos que não existem é fácil. Mas o que já custa mais é ter os tomates de mudar em casa, nos restaurantes, anúncios publicitários, revistas de género, no quotidiano deste meu Portugal onde a mulher ainda não é considerada digna de ser tratada como igual. E assim a gente não vai longe.