Quarta-feira, Novembro 29, 2006

AMANHÃ, NO QUIOSQUE DA RUA DE BUENOS AIRES, LISBOA



VOTAR SIM

"Na sala de espera da clínica uma menina de quinze anos entretém-se a olhar para os ténis de marca enquanto a mãe relê a folha onde deve expressar o seu consentimento. Tem que assinar; parece que é o melhor para todos, ela é ainda tão pequenina, que chatice, que fizemos mal, e olha em redor, como comparando-se, buscando a equivalência na dor".
Assim começa a minha crónica.

Are you tolquin tu mi?



No lo puedo remediar
Me voy a condenar
Porque a mí, a mí, a mí...
A mi me gustan los hombres!


Y ahora qué, Paco de mi alma?

(Diverte-te na festa do 13º aniversário da Casa Fernando Pessoa)

Segunda-feira, Novembro 27, 2006

Blogue político com financiamento próprio cuja origem é desconhecida



Já agora, Luisa quem?

Domingo, Novembro 26, 2006

Viva a Economia de Mercado!



Gosto, agradeço e felicito todos aqueles hotéis e estabelecimentos de descanso que proibem as criancinhas e respectivos fazedores de gente que precisa de fraldas. Recomendo, aliás, alargar esta moda aos seguintes indesejáveis:
- casais com audis e pulóveres da tommy que só falam das férias em Cuba
- não bebedores
- jogadores de mesa (excepto dominó)
- leitores do Expresso
- sogros
- excursões de espanhóis (em Portugal)
- excursões de portugueses (em Espanha)
-
excursões de finalistas
- excursões de catequistas
- excursões da terceira idade
- excursões de amantes da natureza
- excursionistas, pronto.

Cecilia Bartoli



Uma outra versão, para o Miguel G. Reis

Sábado, Novembro 25, 2006

25 DE NOVEMBRO*

No calendário da Igreja Católica recorda-se hoje que uma mulher foi morta em Alexandria no século IV. Pela brutalidade da sua morte e a convicção na defesa duma nova fé monoteísta canonizaram-na com o grau de mártir e hoje é considerada a padroeira da eloquência e dos filósofos, predicadores, solteiras, fiadeiras e estudantes deste mundo. Diz quem sabe que Catarina de Alexandria é das santas mais influentes no Paraíso Celestial, com poder suficiente para aconselhar Fernando III sobre a reconquista de Castela aos mouros e com direito a um quadro de Caravaggio pendurado no Thyssen—Bornemisza em Madrid. No dia 25 de Novembro de 1960 por ordem do ditador
Rafael Leônidas Trujillo assassinaram na República Dominicana as irmãs Patria, Minerva y María Teresa Mirabal. Pertenciam à classe média alta do país, estavam casadas e só se opunham a um dos regimes mais sanguinários da América Latina. Trinta e nove anos depois a Assembleia-Geral da ONU, encarregue da redação do novo calendário das causas a não esquecer, declarou o dia 25 de Novembro como o Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher. As irmãs Mirabal são as mártires do século XX, ferido pela lucidez de quem repara que as aberrações cometidas foram contra seres semelhantes, em princípio.
A resolução A/RES/134 foi o resultado «de um crescente movimento internacional para acabar com uma trágica epidemia que devasta as vidas de mulheres e raparigas, parte comunidades e é a barreira para o desenvolvimento de todas as nações». O alarme justifica-se: segundo a ONU 25% das mulheres do mundo foram violadas em algum momento da sua vida e 120 milhões sofreram mutilações genitais. Esta tragédia materializa-se todos os dias com o tráfico global de escravas sexuais, violação, maus-tratos físicos e psicológicos, repúdio familiar, mutilações, desprezo social e diferente consideração aos olhos da lei e só é possível devido à subsistência da noção de que uma mulher não é assim tão importante como o homem, equivalente talvez a um cão, quem sabe se tão cara como um carro desportivo ou mais inteligente que um rapaz de três anos. Não me julguem extremista: no momento em que alguém se sente no direito de proibir o voto a outro ser humano pelo simples facto de ter o período é porque tem a certeza que é superior pela graça de Deus, do músculo e com o beneplácito da sociedade que o educa e o aplaude. Quem bate numa mulher sabe que o pode fazer, que está legitimado para agarrá-la pelos cabelos, queimar-lhe os peitos, controlar-lhe a sexualidade. Ao violar uma desconhecida na rua não se impõe só o poder do punho: é o exercício de uma necessidade física que se pode satisfazer com qualquer uma. Porque não é humana. Só o objecto.
A Lei Orgânica de Medidas de Protecção Integral contra a Violência de Género que entrou em vigor com a chegada ao governo espanhol dos socialistas considera sempre os homens agressores e as mulheres vítimas e confrontou Ongs, feministas de rua, linguistas, constitucionalistas e até o Conselho Geral do Poder Judicial em debates acesos em hora de máxima audiência televisiva. Então não éramos todos iguais perante a Lei? Pode ser alguém automaticamente culpado num caso de ofensas físicas só por ser homem? Quem defende os maridos contra as mentirosas, as perversas que vampirizam os amigos, ficam com a casa, a custódia do cão e a cobram pensão alimentar? Permaneceu o mal menor. Olha, paciência, disse Zapatero, e agora os juízes nem sabem onde arquivar as denúncias falsas por maus-tratos e os «afinal não era nada disso o que eu queria dizer, senhor Doutor, eu é que bebi uns copos a mais, fiquei ciumenta e decidi inventar esta história toda, não faça mal ao meu Zé». Ao discriminar positivamente um cidadão em relação a outro esta lei apresenta-se como «menos legal», injusta talvez para o resto do conjunto da sociedade enquanto abre excepções em função do sexo. Mas é essa mesma sociedade é a que ainda discrimina por sexos, por géneros. A masculinidade não é sinónimo de psicopatia nem o ódio ao sexo feminino é exclusivo da masculinidade. É só uma consequência social.
Sociedade não é só o ente abstracto que vemos nas estatísticas anuais, os dados macroeconómicos ou os índices inflacionistas anunciados pelos governos. Por sociedade deve-se entender cada relação matrimonial, laboral, a educação dos filhos, o tratamento das avós, o piropo à menina que passa por uma obra, o apalpar o rabo a uma mulher no metro, a divisão das tarefas do lar, quem tem direito ao aumento do ordenado. Mais do que procurar a simples penalizaçao de um acto violento instalou-se a urgência de tipificar um bem jurídico tão óbvio como a dignidade feminina, passível de protecção estatal, policial e legal, parte indispensável do ordenamento social. Na era do descobrimento do genoma, da aceleração de partículas e do Prémio Príncipe das Astúrias a António Damásio, pouco abona a favor do nosso mundo que ainda se debata a necessidade de igualar direitos. Não é uma questão de feminismo, sexismo, paranóia de senhoras desocupadas com sutiãs a mais no armário, mas sim do reconhecimento dos Direitos Humanos, elementares, como declara a resolução da ONU, para o desenvolvimento também económico das nações.
Hoje, 25 de Novembro, Santa Catarina de Alexandria, Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher, as televisões lembrarão as violações, mutilações, os maus tratos, as lapidações. Mas não chega. Ao menos enquanto a mulher não for igual, um ser humano, e não essa coisa menor cuja vida é menos valiosa que um livro de cozinha.

(*crónica publicada no DNa no dia 25 de Novembro de 2005)

Para finalizar com esta magnífica troca de galhardetes
(ou Deus só há um)

<

Camarón e Paco de Lucía
(com a benção do Senhor Nuno que vai provar pela primeira vez o cozido madrileno)

Sexta-feira, Novembro 24, 2006


Rititi, casada, curso universitário, domínio do Office na perspectiva do utililizador, seis declarações do irs às costas, empregada polaca com dente de ouro, depilada e crismada, carta de condução, trem de cozinha e sapatos por remendar, Rititi, a mulher que acha que pessoas que não bebem uisque não deveriam entrar num bar, digo, Rititi, que até me dói, vai passar as próximas cinco horas sozinha fechada numa casa com duas crianças. Dezasseis meses. Quatro anos. Isto não é babysitting. É o derradeiro teste aos meus ovários.

Quinta-feira, Novembro 23, 2006

Gracias de corazón e bora lá conter a respiração



à Tati, à Anabela S. Dantas, ao CJ, ao André, à Marta R, ao Zé de Mello, ao Pedro Soares Lourenço, ao Filipe Alves Moreira, à Simplesmente Joana, ao André Carvalho, aos meninos da APPEX, à MissM, ao El Ranys e a todos aos que o Technorati não chega, mas que agradeço na mesma. Obrigada mil milhões de vezes por acharaem que este blogue merece ser premiado. Assim vale a pena.
E sobretudo um grande beijo para a Geração Rasca. E que saibam que só não voto neste ma-ra-vi-lho-so concurso, mayormente porque tenho os meus próprios prémios e são capazes de ficarem chateados.

Terça-feira, Novembro 21, 2006



O meu amor começou na cama. Já passou pelo sofá, a casa de banho, a cozinha e o corredor, já mudou de país, de estado civil e de colchão, de sapatos, de armários, de coisas, pois é, que fazem que um amor se adeque ao crescer dos anos e da bóia abdominal. Nenhum amor é infalível, nem maiúsculo de tão impossível, nenhum amor é total e absoluto. O amor é o que é, o escudo dos super-heróis que todos merecemos ser, nem que seja debaixo dos lençóis no quentinho do gostar do outro quando lá fora o trânsito promete desastres e palavrões. O meu amor, que já viu glaciares e pinguins e andou de veleiro e comeu nas ruas da Tailândia e se passeia pelo Retiro e bebe cerveja em Santa Catarina, volta à cama todas as noites. Porque é na cama que o meu amor se reconhece, se toca, se faz grande, se descobre. Porque é na cama onde se renovam os votos. E já lá vão nove anos.

Segunda-feira, Novembro 20, 2006

OS MEUS LEITORES SÃO MELHORES QUE OS TEUS



Obrigada!

Sexta-feira, Novembro 17, 2006

Querido Blogue,

Morto Deus, quem nos ralhará? Quem cuidará que comamos a sopinha toda, que não fodamos a secretária boazuda, que não maltratemos o cão? Quem quererá ser o nosso paizinho, amante e poderoso, o que nos ameaça com o eterno ranger de dentes se nos tocamos lá em baixo na solidão da cama fria? Por sorte Espanha nunca defrauda as expectativas dos que gostam de ser chibatados e, graças à estupidificação do povinho entregado ao crédito habitação, já temos candidata a primeira Super Deusa do Mundo Higiénico. Que seria do Ocidente sem ela, sem a Elenita Salgado, a Ministra da Saúde e inspectora dos bons hábitos democráticos? Grande Elena! congratulo-me com um bife semi-cru a caminho da minha boca, ao vê-la de dedinho levantado na televisão, acusando a torto e a direito a quem se rege pelo belo prazer de viver. Porque para a Nossa Senhora da Lixívia Branqueadora todos precisamos de ser castigados, públicos e privados, indivíduos e instituições, empresas, corporações, estados, culturas. Fumamos e isso é mau. Até em casa. Bebebmos e isso é pior. E mais em casa. Não fazemos desporto e isso também é mau, mesmo quando praticar desporto para a maioria dos desgraçados dos contribuintes seja mandar a queca semanal depois da bola.
Agora tocou a vez do Burguer King,
esses fascistas das calorias, que não só obrigam as criancinhas a enfardar quilos de carne transgénica como se riem dos coitadinhos dos vegetarianos, os novos mártires da Idade Contemporânea. Como se atreve esta empresa a pôr à venda um menu XXL? Oooohhhh, 472 calorias de batatas fritas! Oooohhh, 210 calorias de coca-cola! Coitados dos adolescentes, indefesos perante tanta gordura, abandonados à sorte de engordarem por culpa da maquiavélica empresa mata-vacas! Os pais dos futuros obesos, esses, estão desvalidos com tamanha ameaça à saúde pública, púbica e moral, eles que nada têm a ver com a digestão dos rebentos! Não bastava a escola esquecer educar as mentes desses potenciais concorrentes do Big Brother, não, agora os pais, desgraçados, nem sequer vão conseguir dormir tranquilos pensando na barbaridade de protaínas que os meninos vão engolir enquanto eles - os bons pais - passeiam no centro comercial! Ainda bem que em Espanha todos temos uma Super Mãe, ministra entre as ministras, vigiante e musculada, que nos ama acima de qualquer liberdade, até a de me matar como bem me sai do grelo, engordando, inchando-me como uma vaca velha.
Esta tentativa
de obrigar uma empresa privada que, vejam que curioso, ganha dinheiro a vender carne a respeitar os sentimentos apaneleirados dos come-couve, de nos nivelar a todos pela balança, de nos pôr todos a correr em ginásios, tomar vitaminas, comer light, ser magros, limpos, amáveis com o preto, a mulher, o gordo e o pro-bicho, modelados, porque não, à imagem e semelhança de um livro de Corín Tellado, não é fascismo ou tirania. É próprio de uma alminha anoréctica mental que se julga Deus.

Quinta-feira, Novembro 16, 2006

PARA A TICCIA



Bem-vinda ao Universo Almodóvar, ao meu mundo!

Solução do enigma

Após uma simpática conversa com o plagiador, os textos foram apagados e um pedido de desculpa inaugura o blogue em causa. Ponto final.
Três conclusões:
i) Não há autores anónimos, seres etéreos que futuam na rede, nicks sem responsabilidades. Só pessoas.
ii) Sou uma chata do caralho e sou bem capaz de deixar de dormir, comer ou beber até dar com a gentinha que me tenta foder os cornos.
iii) Hablando se entiende la gente: questão é saber o que hablar.

Quarta-feira, Novembro 15, 2006

Querido Blogue,

Tenho casa e carro, curso universitário, homem que me aqueça e a recordação de uma gata morta nas camisolas pretas. Tenho um maple chamado Alfredo, portas de madeiras, toldo laranja, quadros pendurados, vistálegres, cozinha equipada, zona de serviços, corredor, tevê, devedês e cedês e internete. Tenho uma cama nova e uma estante comprada no iquéia, cortinados, almofadas, arraiolos e crisântemos na varanda. Mas não tenho água quente. De manhã aqueço duas panelas kingue saize, meto-me na banheira e lavo-me com um taparuere de plástico, às mijinhas. Até recuperei o bidé, antes conhecido como o sítio onde se guardam as pinturas. Só me falta atravessar a rua e ir para o Retiro de papel higiénico na mão para me sentir de acampada.

Rititi e Luís Carmelo na palheta
(Mini-entrevistas/Série II - 55, no Miniscente)

- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
O concurso "Grandes Portugueses", a degradação informativa da incombustível Elsa Raposo ou o nascimento do semanário «Sol».

Terça-feira, Novembro 14, 2006

Copy/Paste y tiro porque me toca

Aconteceu à Sofia. À Ticcia. E agora a mim. Plágio. Copy/Paste. Copiar. Assim, à fartazana, pimba, que lindo que está este texto e eu, que até gostava de escrever algumas coisas de jeito para me crescer o ego nas partes baixas, não vou de modas e chamo-lhe meu. Porque ninguém me vê. Porque afinal a internet é de todos. E a Rititi nem vai saber.
O ladrãozeco mental em causa pensou que o meu blogue era bom demais para ser de uma gaja. Ele é que merecia ter um blogue assim! Que injusta é a vida, pensou, pá, e começou pelo meu primeiro post, para ver o que dava, e como ninguém reclamou, lá foi ele todo contente, arrombando com tudo o que havia: também a este ser lhe pesam as mamas (no seu caso, a barriga), ele também educa o povão, também vê os óscares, fala sobre a esquerda Lacoste, sem esquecer os ódios de estimação, passando pelas necrologias, as idas a Barcelona ou o jantar com a minha amiga Toka. Até chegar aos 22 posts copiados!! E não é que ficou todo contente porque o DN referiu os textos dele? Que garanhão! Que grande autor! Oh, meu Deus, perdoa a esta pobre Rititi, por ter escrito os posts, ter as ideias, ser publicada!!!
O panfleto deixou de ser actualizado em Junho, mas eu tenho todo o tempo do mundo para o perseguir. Porque, querido ladrãozeco mental, uma coisa é foder a mulher do vizinho e negar tudo em junta de vizinhos. Mas acontece que tentar comer-me a mim, isso já é mais difícil. Garanto-te.

AI GOSTO GOSTO
(actualizado)



das nomeações para como o Melhor Blogue Individual Feminino do Ano

- do João Ferreira Dias no Kontrastes e no Geração Rasca
- da MissM no Cartas de Amor e Ódio
- da queridíssima Luna*, do blogue Crónica das Horas Perdidas.

*Já agora, minha querida Luna, essa coisa de me chamares espécie de duquesa excêntrica que pode fazer tudo o que lhe apetece porque se está perfeitamente a cagar e nem se importa de meter umas músicas pirosas pois sabe que uma boa gargalhada não implica falta de neurónio ou de classe, olha, foi dos melhores elogios que me fizeram nos últimos tempos. E isso vale mais que qualquer prémio no mundo inteiro.

Tenham cuidado...



... que se vai armar um 31

Segunda-feira, Novembro 13, 2006

Querido Bló,

Es de un aburrimiento, por favor, la caña que nos meten y las broncas que nos sueltan en el telediario. Los niños, que no desayunan por culpa de las madres hipotecadas hasta la tráquea, prometen déficit de atención y ser la nueva clase enferma del mañana: gordos. Bienaventurados los gordos, nos recuerda el informativo de las nueve, porque ellos se comerán todo el arroz de la China mandarina. Bienaventurados los gordos, Jesús, porque se morirán de un infarto en las escaleras del metro, sudando grasas, hamburguesas y el ridículo más tremendo por haber sustituido los masajes, la batuka y el feng-shuy por una vida mando en mano en el sofá de casa.
Vamos mal, nos regaña Pedro Piqueras, por irresponsables y malos cristianos, siempre despilfarrando recursos - mira los gordos - o malgastando energías, como las capitales de esta Europa que se cree rica, dale que te pego al neón y al estreno de cartelera cuando hay niños en África que no tienen que llevarse a la boca. La culpa es nuestra. Un día, te lo juro, Matías Prat va a salir de la pantalla plana y nos va a calzar a hostias: se nos acaba el agua, se derriten los glaciares del Ártico, los osos polares y los pingüinos se asfixian y los icebergs navegan a toda pastilla por el Pacífico buscando un petrolero contra el que empotrarse. ¿Y nosotros qué hacemos, ah, ah, ah, pandilla de niñatos mimados? Temo, de verdad, el día en que Lorenzo Milá me haga una quedada a la puerta de casa para hacerme tragar el Protocolo de Quioto con patatas. Que si fumamos demasiado, que qué es eso de relajarnos en la bañera y por qué coño se nos ocurre dejar el ordenador encendido durante la noche…

¿Quién cojones tuvo la peregrina idea de pasarlo bien en cuanto vivimos? Debemos tener cuidado con las grasas, con la carnes, comer pescado sin agotar las existencias de sardina, bacalao o la especie que esté de moda en la lista de extinciones; respetar la marmota y el lince ibérico, olvidarnos del valor terapéutico del alcohol, querer a la burka como a nosotros mismos, recuperar las tradiciones ancestrales de los pueblos asturianos. Hacer, hacer, hacer. Para eso están los telediarios, los titulares de la prensa y las voces de comando de los medios de comunicación: para que tengamos bien claro que la estamos cagando. No sabemos en qué, para seguro que está mal.

Sábado, Novembro 11, 2006

OUTRO MONÓLOGO POSSÍVEL


A única sex symbol da internet sou eu! Apesar de achar a Rititi relativamente gira, sabe Paulo, com pinta de urbana apressada, que até era capaz de ser magra e com apartamento com toldo e porteiro gay. É o que tem a Rititi, desde que se mudou para um bairro burguês, desses onde habitam as empregadas fardadas e as meninas de laços azuis, parece mais sofisticada, como se fosse mais fina só por ter quem lhe suba os sacos das compras. Mas no fundo continua a ser a emigrada que prefere descer a rua e ir comprar o almoço ao supermercado polaco. Coisas que uma verdadeira sex symbol nunca faria, tal a ordinarice.

Estava difícil, mas acho que apanhei a ideia.
(Agora adivinhem de que filme se trata)



Paco León, descojonante na imitação da modelo-presentadora Raquel Revuelta)

Pois, pois, queridos leitores do meu Portugal amado; tomem este vídeo como o início das aulas de espanhol útil, do que se fala nos bares e que serve para engatar tías buenas e recauchutadas. Para pluscuamperfectos, infinitivos e advérbios de lugar, oyes, já estão os telediarios da TVE e os episódios remasterizados do Verão Azul (será que ninguém odeia a puta da série, que fartura, pá, do Changuete e do período da Bea, dasse).
Começam hoje Las Clases de Español y Olé para Rollo Fácil. Arriquitán!

Sexta-feira, Novembro 10, 2006

RITITI VAI ÀS COMPRAS


(estilo y moda)

Como em anos anteriores, a Rititi vai à caça, de cartão de crédito na boca, olhos vidrados e cueca arregaçada, pronta para esfolar madeixas de betas nas lojas madrilenas da H&M. É que o que dá snifar modernidade uma vez ao ano, a alucinação é tanta que uma gaja já pensa em matar só por se voltar a casar com este vestido de noiva dos Viktor & Rolf. Una barbaridá de bonito, oyes.

Quarta-feira, Novembro 08, 2006

BOAS NOTÍCIAS EM TEMPOS DE SECA



Carlos Quevedo,
Já não me lembrava - os delírios da Kapa e outros textos. Pela Oficina do Livro.

MIJAR DE PÉ



Já agora, diz-se grelame ou gajedo. Nunca gajada.

Terça-feira, Novembro 07, 2006

(Só uma coisinha antes de encomendar a pizza)

NOSOTRAS PARIMOS, NOSOTRAS DECIDIMOS!

Não há Deus, moral, justificação, humanidade, consciência, lei natural, perdão, referendo, padrecas, família, manifestações, lógica, voz interior, glória, mortificação, desamor, assassinato, legalidade, princípios, bom senso, palavras maiúsculas. Só a mulher.

Segunda-feira, Novembro 06, 2006

PRÉMIO "VAI AO CU A TI" MAS ENTRETANTO DESISTI:
MIGUEL SOUSA TAVARES

Tinha pensado escrever que Miguel Sousa Tavares, não é que não goste da blogosfera, que odeie anónimos cobardes, que ache mal que não se possa denunciar os delinquentes no Supremo Tribunal de Justiça. Que o que lhe indigna de verdade é a estupidez dos jornalistas da nossa praça, que a tudo dão credibilidade e para quem a notícia é um conjunto de letras e coisas que se dizem; uma cambada que precisa de encher os jornais com o primeiro disparate que se publica num meio que aos anónimos dá a atenção de quinze segundos. Mas claro, é mais fácil desancar numa comunidade inteira de internautas que tem mais que fazer que dar atenção à queixinha virginal de um homem que nem lê e-mails que, ia eu dizer, chamar a atenção ao jornal que lhe paga e escarrapachar no Expresso o nome e apelidos da tal jornalista que tanto o ofendeu pela acefalia.
Isto ia eu escrever. Mas bastou-me ver o homem na loja de conveniência da Alvares Cabral, com aquele ar tremendamente gozão, olhos cansados e cotovelos no balcão e, ai, esse charme de cota que olha para as miúdas através do vidro para desistir de o mandar fazer um peeling ao cérebro. É que a homens como Miguel Sousa Tavares uma gaja perdoa tudo. Até as excitações da idade.

Domingo, Novembro 05, 2006

Querido Blogue,

É que a vida não tem livro de reclamações, não há onde um possa deixar uma queixa por escrito e que fique registada segundo os protocolos de qualquer direcção geral de seguir em frente. Não há mais culpa que a de seguir vivendo, a de estar aqui, como esperando a que se nos deixe em paz e que amanhã seja outro dia, por favor. Não há a quem espancar quando se vive, quando se nos morrem, quando o que será deixa de o ser, quando se nos aspira a ilusão e o manual de instruções. É que a vida não gosta que se lhe fale de tu e isto não é destino, não é azar, não é a vontade de um deus que já não serve. É só a puta da vida.
Claro que nunca acontece nada, somos obrigados a acordar todos os dias com a vida, ali, no nosso lado da cama, respirando na mesma almofada, tresandando a nós. Depois há os que se viram para ela e a abraçam, de tão inevitável que parece. E há os que não estamos dispostos a que seja sempre assim. Eu não.

Vê lá se consegues superar isto



Raphael - "Yo soy aquél" (Festival da Canção 1966)

Y estoy aquí, aquí, para quererte;
yo estoy aquí, aquí, para adorarte:
yo estoy aquí, aquí, para decirte
Amor, amor, amor, amor...

E se os homens fossem todos assim não havia gaja que piasse.

Adenda: aqui há alguém que nos seus 25 centímetros de neve tentou superar o dramão. Esteve quase, quase...

Quinta-feira, Novembro 02, 2006

Para evitar rumores



Que eu tenha aparecido em Lisboa, logo ontem e com a mala demasiado pesada para tão poucos dias, pronter, eu sei que é estranho, curioso, até coincidência demais para tão pouca camioneta.
Mas vale a pena recordar que é só culpa do acaso e do Fernando Alvim. (Beijos y muchísimas gracias, cielitito lindo, pelo convite. Adorei, Fernando, quando quiseres, mais, oh sí cariño.)