FELIZ DE VIVER EM ESPANHA
Obrigada pelo convite para escrever no Sim no Referendo mas, queridos, como querem que eu diga da minha justiça com esta graça que Deus me deu sem a password mágica, pá?
FELIZ DE VIVER EM ESPANHA
Lambe, lambe...

VOTAR SIM*
ORA SAI UMA FESTAROLA...

OS MEUS AMIGOS SÃO MELHORES QUE OS TEUS

O Ahmadinejad que se ponha a pau


MOMENTO GINA: NET-SALDOS

A LUNA É O MÁXIMO

COISAS A NÃO FAZER DEPOIS DOS TRINTA ANOS
Sim, queridos, o meu BI diz que falta menos de um mês para chegar aos 32. Nem me consigo explicar bem. Ai. 32. Porque eu não me vejo com 32, ou pelo menos nos 32 anos que se espera que tenha. Sim, o destino social é fodido, sobretudo quando não encaixamos nos seus planos. Supõe-se que aos 32 uma mulher deixou de ser uma gaja para se portar como uma senhora. Séria. Capaz de se manter calada e surda numa sala cheia de homens, toda vestida de executiva respeitável enquanto eles debitam os copos e engates da noite anterior. Ela, népias, porque no mundo dos grandes o mulherio que quer ser respeitado pelo rumor dos outros não bebe, nem fuma, nem fode. Uma mulher, aos 32, dizem que já tem PPR, crédito à habitação, apelido de marido, lugar contratado no cemitério e a certeza que morrerá na cama abraçada aos filhos carinhosos. E aos 32, dizem, eu já deveria preocupar-me com as unhas, telefonar à minha sogra todas as sextas, saber o preço dos legumes, ter uma costureira de confiança e um clube de amigas penteadas que joguem às cartas. Mas não. Essa não sou eu. E para os habitantes deste universo de gente muito nova armada em velhadas, eu, no fundo, não passo de uma gaja destrambelhada, alcoolizada, medonhamente irresponsável. Afinal, onde estão os meus filhos? Se estou casada, porque falo de gajos? E os palavrões, não deveria ter juízo? Porque não aprendo a comportar-me como a senhora que sou? E o meu marido, que achará ele desta merda toda? Pois é. Mas adivinhem, não sou eu quem está mal. Afinal só vou fazer 32 anos e não tenho pressa nenhuma em ser igual à minha avó. E aliás, acho que o meu marido gosta delas novas. Como eu.
MOMENTO NO TENGO EL COÑO PA RUIDOS
Estou tão farta do tema do aborto, das merdinhas hipócritas dos lambe-fetos, da puta da altivez destas gajas que sacam os filhos deficientes em caminhadas pela vida para mostrar às cabras hereges quão gratificante é ser mãe, do eu nunca o faria berrado por pitinhas de treze anos com os olhos regados em sangue à porta da catequese, de que umas barbies recauchutadas armadas em católicazecas da paróquia de Santa Isabel que já nem sem lembram como é que é se fazem filhos me chamem descompensada, assassina, papa-fraldas, bruxa e comunista só porque não tenho medo nem vergonha de dizer sim, eu estou de acordo, mas tão farta do discurso condescendente de quatro caralhinhos que têm imensa pena das desgraçadas que abortam (mas só das que são apanhadas porque as vacas que ficam à solta, essas Deus já as castigará), das alucinações jurídico-mentais da «Associação de Estudantes pela Vida, mas só a nossa» do ano zero da Católica que lá porque tiveram três meses de Introdução ao Direito para analfabetos existenciais pensam que têm um lugar garantido no Tribunal Constitucional, mas tão fartinha destes pirosos cheios de deus que bem eram capazes de mandar mais de metade do país para a fogueira, que até mete nojo.
Mas quem é que estes gajos se julgam que são? Enviados do senhor? Arcanjos da verdade e da vida? Quando os vimos à porta de clínicas clandestinas a chorar pelos mortinhos de dez semanas? Alguém se lembra de os ver em manifestações a exigirem celeridade nos processos de adopção, ou mais casas de acolhimento para mães adolescentes? E quando todas essas Vanessas ou Joanas Telmas aparecem mortas nas capas dos jornais, acaso ouviu-se as vozes destes amantes da vida exigindo mais controlo nos casos de abusos a crianças? Qual quê! Os gajos estão-se a cagar, querem lá saber se se aborta ou não em Portugal ou se uma miúda de cinco anos é violada pelo prédio todo! Do que eles gostam é deste papel de juizes no tribunal da Grande Moralidade neste país de brandos costumes de portas para fora. Cada cinco anos, o aborto, e depois será a eutanásia e mais tarde, quem sabe, a investigação com células mãe ou algum tema que lhes o dê tempo de antena necessário para mostrarem ao resto da patria pecadora que eles é que são os bons, o exemplo de virtude, os que garantem que este nosso Portugal de mulheres espancadas e casas pias não se perca pelo caminho do deboche e do desprezo pela dádiva divina. Eles estarão sempre aí, a controlar-nos o nascimento e a mortalidade, ansiando os seus quinze minutos de divindade, mas só se houver uma televisão por perto, tal qual todos os falsos profetas. E eles deveriam saber isto melhor que ninguém: serão recordados, sim, mas como os fanáticos que são.
PRIMEIRO PRÉMIO VAI AO CU A TI DO ANO
COISAS A NÃO FAZER DEPOIS DOS TRINTA ANOS

2007
Acho que ainda há um exemplar no Fundão
