Sexta-feira, Junho 29, 2007

O MEU IRMÃO É MELHOR QUE O TEU

siriuspandi002_b,  Image Hosting
Ensalada de Sonidos, editado por Sirius Pandi

Para todos os ouvintes de Rádio Rititi, sai uma sessão de electrónica para ir animando o fim de semana. No cantinho de Xarlee-Kunf, hermano burbuja e lindo rapaz, especialista em parir sons líquidos e ritmos minimais e que faz de DJ de Badajoz a Paris, passando por Lisboa, Lausanne e até essa bela localidade chamada Zambujeira do Mar.
Sim, isto é uma familia de artistas de fama internacional, que se há-de fazer. Só chatices

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UM HOMEM QUE NOS TOUREIE



Comodamente sentada no tendido 2 da praça de touros de Las Ventas, salto alto, gin tónico e à sombra, aplaudo a brilhante faena de Morante de la Puebla ao sexto da tarde. Lá em baixo, o toureiro dá a volta ao ruedo, com a testa rasgada por um violento pitonazo do quinto e a camisa manchada de sangue, orgulhoso da dureza do combate, a cabeleira farta e escura despenteada e eu, desarmada ante tanta arte, admiro essa pose, ai a pose, do herói que precisam estes tempos modernos, esse ser quase imortal, perfeito, o macho em estado puro. E penso, embriagada de tanta valentia, olés e álcool, que assim deveriam ser todos os homens, invencíveis, poderosos, que sozinhos ante a besta são capazes de levantar do seu sítio 23.000 pessoas e pô-las a pedir orelhas. Mas como todas as ressacas, a morantista também se cura à base de ordinária realidade e hoje, rodeada de obrigações laborais e muito mais sóbria, acredito piamente que pouco favor nos fariam os homens se nos obrigassem a vê-los todos os dias de meia cor-de-rosa, maillot e algodão na entreperna. Porque o mundo real não é uma praça de toros e nem todos os homens têm o rabo de Morante de la Puebla.
(na Revista Atlântico de Julho, já nas bancas)

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Quarta-feira, Junho 27, 2007

RUSCALLEDA SENSATIONS II
(agora, com fotos)

restaurante sant pau

Para a próxima deixo ficar em Madrid a Rititi e levo só a Rita compensada e que não envergonha o marido que convida a almoçar, o património familiar e o bom apelido que me persegue. E isso que me aprontei como deus e a minha mãe mandam, de decote orgulhoso por este belo par de mamas e sapatinho engraxado, lindo o cabelo e a pele hidratadinha até nas partes pudentas, que é como quem diz. Um mimo chegou ao Sant Pau o casal Pinheiro, apaixonado e cheio de fome, que a um restaurante destes uma gaja não pode ir nem com o pequeno almoço tomado. Aperitivo no jardim (que é o que se vê nesta linda fotografia tirada com a máquina descartável), piu, piu, a senhora faça favor, e o mar às costas e vai daí e a mim o que me dá é um aperto nos intestinos daqueles que até fazem transpirar, ai. Menos um ponto para mim. O que me valeu foi a delicadeza do empregado, atravessar a cozinha e uma casa de banho em pedra preta que deve custar um olho do cu, com perdão. Ponto, que até parece mal deleitar o leitor com especifidades deste género.

restaurante sant pau

Segunda parte, o almoço propriamante dito, sentem-se, querem água, e que água, e aqui têm a ementa e uma mesinha para deixar a mala, e os vinhos, pois tomem lá a enciclopédia de trinta páginas, e nós era mais o que o senhor recomendar e o menú degustação, em castelhano se for possível, e agora apresentamos o pão e o azeite de Tarragona e a flor de sal de Menorca e os mini aperitivos inspirados em contos infantis e eu, pá, que me ia crescendo em emoções e lágrimas nos olhos, com esse mar (que poderiam apreciar melhor na foto se a máquina descartável não fosse uma merda) tão azul, e o escanção tão simpático e os empregados tão queridos, e a comida tão boa. A culpa foi do escabeche suave de lagostim com royal de corais com azeitona, gelado de vinagre de cava e verdolaga, do consomé de choco e pato com flor de abóbora, feijão fino e tinta, mais do arroz cremoso de lavagante com judía perona, pérolas de abobrinha e vegetal germinado, ou do salmonete Carles Santos feito de butifarra verde, lagostim, tul de roqué, molhos de pebrescu e ópera e da pluma ibérica sangrante com beringela, pimento e cebola. Quando chegámos aos queijos, regadinhos nós em Moscatel de Málaga, toda eu era arrepios e obrigada meu amor por este almoço, por me fazeres a mulher mais feliz do mundo, por gostares tanto de mim, e que lindo que este sítio é, e agora, senhores, desfrutem das sobremesas, da carta com sabores ao natural e do e-mail, com a fruta depurada em arrobas, ponto com e, mãezinha do céu, eu não sei rezar, só sei dizer que quando a senhora dona Carme Ruscalleda foi à nossa mesa, gracias por venir, a Rititi arrombou o meu corpo e na única linguagem que me consegui expressar foi a dos soluços, a da baba e a do ranho. E a senhora Ruscalleda, tão estrelada pela guia Michelin, tão de branco, tão famosa internacionalmente, deve ter pensado, lá pelos seus adentros e em catalão, que a partir desse dia exigiria aos comensais um atestado psiquiátrico e os antecedentes familiares carimbados por notario, porque o que não é normal é que alguém lhe agradeça chorando, nem que o almoço fosse tão terrível que cortasse a digestão.
Pela minha parte só posso dizer que Mr. Pinheiro fez como se nada, que me salvou a honra e a vergonha e que depois deste lindo espectáculo a deus ponho como testemunha que lhe darei todos os filhos que desejar, que serei amante submissa e aprenderei a cerzir y lo que haga falta, porque homem perfeito só um, o meu e mais nenhum.

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Segunda-feira, Junho 25, 2007

RUSCALLEDA SENSATIONS I
(sem fotos, por agora)

Nun, em egípcio, significa o princípio de todas as coisas. Ou pelo menos isso foi o que nos explicou o escanção (eu prefiro sommelier, mas Mr. Pinheiro é um purista da edição) sobre o nome do Penedès de 2005 que nos acompanhou durante almoço no Sant Pau. Ai, quem me dera ser crítica gastronómica e examinar prato a prato as maravilhas do escabeche de vinagre, o esplendoroso que estava o consomé de pato e choco ou as gargalhadas que nos provocou a sobremesa "e-mail" (com @rroba e tudo). Deixo isso ao Duarte Galvão e demais especialistas em comeres. Sim, a comida do restaurante da única mulher que tem 3 estrelas Michelin em Espanha é impressionante, soberba até, e merece cada estrelinha dada. Mas não é por isso que vale a pena viajar seiscentos quilómetros, de comboio e com direito a atrasos, uma sexta feira depois de trabalhar e a cabeça cheia de trabalho e reuniões soporíferas. Comer é um direito, um acto banal e físico, indispensável e obrigatório, mas o que nos fez descer das árvores e começar a mandar no mundo dos bichos foi a exigência do extraordinário, da nossa própria excelência. E ser teimosos. Naquela casa feita restaurante, com vistas para o Mediterrâneo mais azul, o mar da luz intensa e cálida, não só se come, desfruta-se no sentido mais concreto do termo: colhemos o fruto do amor aos sabores das coisas, da beringela, do pão feito lá, dessa manteiga que tira o soluço. E hoje, compradinha a Vanity Fair de Julho, a mesma que nos alerta sobre a África faminta no meio de anúncios de cremes anti-idade, celebro a necessidade do capricho pelo estômago e penso que o mundo seria um lugar melhor se em cada garfada puséssemos a vida e tentássemos deixar para amanhã as incomodidades dos dias que tantas vezes nos parecem infinitos. Talvez seríamos mais felizes se um arroz de lavagante nos lembrasse que o princípio de todas as coisas é o comer.

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Sexta-feira, Junho 22, 2007

RUSCALLEDA COUNTDOWN



E lá vai o jovem casal Pinheiro, de comboio e estômago vazio, a caminho de Sant Pol de Mar, para almoçar amanhã em casa da senhora Carme Ruscalleda. Nada melhor que três estrelas michelin para curar a ressaca, o mau olhado e a tristeza de pagar impostos.
Iremos dando notícias da experiência, sei lá, dos lagostins e requeijão marinho sobre copos crocantes de pão com tomate, vinagrete de cacao, flores e folhas, por exemplo.

Quarta-feira, Junho 20, 2007

Querido Blogue,

Agora que penso nisso, nunca escrevi sobre sexo, assim num estilo erótico-festivo a atirar para o sensual e fogoso, que tão na moda está entre raparigas também elas fogosas e sensuais e que assinam com pseudónimo. E olha não é difícil, é só juntar numa mesma frase espetar, quente, ansiedade e pressa. Por exemplo: espetas-me, como essa tua pressa de macho ansioso, o mais quente que tens, etcétera. Fácil. E até não custa nada ser um bocado mais ordinarota: E eu, húmida, vejo como as pernas, sem forças, levam a minha boca (também ansiosa, já agora) direita ao teu pau duro, blablabla. Desculpem-me, mas é piroso. Imagino sempre o escritor do erótico, numa tentativa de originalidade, a procurar sinónimos para caralho, mama ou tusa ou metáforas que resumam o êxtase de um orgarmo (ah, grandes momentos de literatura universal, jorrava paixão, não se conteve sobre o imperativo da carne alva) numa casa dos subúrbios enquanto a mulher estende a roupa. Patético. E dos leitores, no metro, doidinhos ante tanta luxúria narrativa, que me dizem? Caminho do trabalho mal pago, com o livro forrado com a capa de um tratado de História Medieval, lambendo-se a ler tanto peito turgente, lábios enraivecidos e vulvas molhadas. Que tristeza.
Mas parece que vende, que está na moda, que os homens gostam de ler e as mulheres de esparramar no papel o que antes não podiam dizer, que é moderno e que excita as mentes, que o mundo precisa de sexo nas letras e nos anúncios de televisão, que há editores para histórias de putas e fufas que nem se importam de partilhar com o mundo como se lambe e para que serve o cotovelo. E a mim, parece-me, palavra de honra, que a malta ou não tem sexo em casa ou então fode muito mal e que era muito mais útil arregaçar as mangas e descer a cuequinha e, em vez de se aquecerem com tanto símil e floreado, ver se de verdade as vulvas, os peitos e as coxas se humedecem e se é assim tão bom como o autor dessa obra imprescindível conta.

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Terça-feira, Junho 19, 2007

Adiós al Fary


Ha muerto el Fary

Mais um que se foi. E Espanha vai-se ficando orfã de taxistas sem voz, sem beleza, sem altura mas com jeito para a copla de mulheres traidoras que se vestem de noiva para outros e deixam homens apaixonados nas ruas da amargura, sem tino e sem vontade de viver. E eu fico triste, pelo Fary, pelo torito bravo, por esta Espanha cañí, lolailo, de pandeireta e brilhantina, que perde aos poucos referências que não contam para as tertúlias de gente espertinha que anda sobrada de cultura da boa, mas que a mim me faz falta e me lembra que no piroso, nesse mundo de plástico cor de rosa, está parte do somos hoje, gostemos ou não. Que en paz descanses, artista!

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Domingo, Junho 17, 2007

MOMENTO GINA: MIGUEL BOSÉ


Amante Bandido

De Miguel Bosé, o homem que mais mulheres pôs a lamber o ecrã de televisão, já disseram que era perdido de maricas, que esteve a morrer de sida, que lhe encontraram garrafas em buracos insuspeitos. Pois, tá bem abelha, tudo conversa de supostos machinhos de pelo em peito invejosos da masculinidade que transpira este ser. Yo seré un hombre por ti, renunciaré a ser lo que fui e ai, a até se nos cai a alminha aos pés, pois nós não queremos outra coisa, um herói de amor que, se se mexe assim a dançar, então o que não fará na cama.

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Quinta-feira, Junho 14, 2007

32

Lucía, Celia, Rosario, Olimpia, Rita, Marcia del Carmen, a mulher de Benito Paz, uma alicantina de 33 anos, Noelia, Angelina, Julia, Gina, C.K.V, uma idosa de 74 anos, e assim até 32, que se diz depressa, foram as mulheres caídas desde Janeiro nesta Espanha que amanhã comemora com discursos e homenagens no Parlamento os 30 anos de Democracia. 32 irmãs, filhas, mães, namoradas ou desposadas, todas elas assassinadas por amor, porque antes morta que ver-te nos braços de outro, porque sem ti não sei viver, porque a culpa não é minha, porque estavas a pedi-las, porque, puta dum caralho, a mim ninguém me põe fora de casa. 32 mortas à martelada, queimadas com gasolina, esfaqueadas, atropeladas, atiradas pela janela, esvaziadas de vida depois de despojadas de dignidade. 32 casos de polícia, fulana de tal, de 45 anos, foi encontrada morta em sua casa, estava em processo de divórcio, blablabla, os vizinhos sabiam da história de violência familiar, os filhos estão desolados, o homem tentou suicidar-se. 32 notícias repetidas no início do telejornal, boa noite, mais uma vítima de terrorismo doméstico, entrevista ao ministro, ao chefe de polícia, ao maltratador redimido e à especialista em assuntos de género, resumo da lei integral e mudanças previstas. 32 mulheres foram mortas em Espanha por homens que se acharam sempre proprietários de um pedaço de carne, estes são os dados.
Em Portugal não há dados, não existem números oficiais. Em Portugal primeiro a mulher suicida-se, depois veremos se foi assassinada. Em Portugal há comissões, telefones de apoio à vítima, reuniões de peritos e uma lei que ninguém aplica. Em Portugal as mulheres que aparecem mortas no chão da cozinha com uma faca no peito não abrem noticiários, não são tema para ninguém. Porque no Portugal da Ota, do Cristiano Ronaldo, do túnel do Marquês, do Aquilino Ribeiro no Panteão Nacional, da licenciatura do Sócrates, das sete maravilhas do mundo - dos temas de merda - a violência doméstica é conversa de feministas doidas, um assunto que não deve preocupar ninguém porque já se solucionará sozinho, porque tem a ver com a educação, porque há gajas que até gostam de levar, porque o matrimónio é sacrifício, porque se não saem de casa é porque não querem, porque ninguém tem a ver com a vida dos outros, porque a quem lhe importa o barulho da casa do lado com o euribor a subir, porque sempre foi assim. Isto é Portugal, um paízinho da treta que se acha importante porque tem auto-estradas, festivais de rock e um multibanco que funciona, mas que ignora tudo o que não seja capa de jornal, como as mulheres espancadas, mutiladas e mortas por aberrações de homens que sabem que têm todo o poder para desfazer vidas porque se está tudo a cagar, porque a quem lhe importa quantas caem, vítimas, de tanto desprezo. Se é intolerável 32 mulheres mortas, mais indigna saber que em Portugal nem sequer há números.

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Quarta-feira, Junho 13, 2007

FRONDOSA



Mr. Pinheiro agarra-me na coxa e diz-me, com ar muito satisfeito, que estou frondosa. Acagaçada dei um salto ao dicionário, não estivesse o meu homem a chamar-me gorda y yo tan tranquila. Que tem muitas folhas; frondente; copado; abundante em ramos. Agora, peço-lhe que o repita uma e outra vez porque frondosa soa-me a fértil, a mulher fundamental. Arranjem um marido que vos diga coisas destas e depois venham falar comigo.

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Domingo, Junho 10, 2007

SIM, EU FUI ADOLESCENTE EM ESPANHA



O anúncio da Coca-Cola que me pôs a chorar, baba, ranho e soluço, sozinha em casa, à hora de jantar, sentada no sofá e com um prato de esparguete na bandeja em cima das pernas. Sou patética, eu sei, mas digam-me quem está livre deste cóctel de hormonas e nostalgia de um tempo glorioso onde a única responsabilidade era estar sempre e só na moda. Só faltava o Naranjito.

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Quinta-feira, Junho 07, 2007

MORANTE DE LA PUEBLA



Oxalá o regulamento, El Cossío e a tradição bastassem, oxalá não existisse o Morante. Questão de sensibilidades ou do tendido, das modas, da quantidade de copos que se levem no bucho, da casta do touro, do vento ou dos anos curtindo o rabo em lugares de cimento. E de tempo, tantas vezes menosprezado até neste paralelo onde se deveria exigir que um minuto durasse o dobro. Sim, o mundo seria mais fácil se as certezas mandassem. Porque então todos diríamos que Morante ontem esteve mal, que um touro não faz uma corrida, que foi lamentável a morte quase à machada do terceiro e a faena meteórica do segundo, que a corrida da Beneficencia com Rei no palco, hino, autoridades e uísques a seis euros exige algo mais que capotazos bonitos e uma lenda herdada de outras praças, que o sentido comum não dá lugar a erros garrafais e supostas faltas de respeito ao respetable. Mas apareceu aquele sexto touro e, ai, acabaram-se a dúvidas sobre a genialidade do homem, a finura da pose e compreendemos, de repente, porque estranha razão nos encerramos com ele e mais seis touros numa tarde primeira de Junho, quando há tanta roupa na máquina, marido que nos espera e crónicas para acabar, porque valem a pena todos os desaires e os euros que nos custam horas de vida. E percebemos, finalmente, que Morante está nesta festa para que o malcriemos com tal que nos pare o tempo e nos mostre, no ar, uma faena que não existe porque não se aprende, que está metida na cabeça e que só sai quando o génio aparece e o touro for o perfeito. Morante, naquele último touro, não foi só Morante, foi o toureiro que todos deveriam ser, o refazedor do tempo, lento e sem ouvidos aos avisos que cronometram este arte tão de dentro. E de público, Morante fez-nos mirones e de mirones passamos a nada, porque nada importava mais que Morante e o touro, por muito que a praça fosse olés e mais outra e se cantassem as verónicas, que se pedisse aos céus que o dia não acabasse nunca e que a vida, por favor, nos permita ser morantes e curros, brilhantes, originais e caprichosos.

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Segunda-feira, Junho 04, 2007

YO PÚBLICO: HORMIGAS BLANCAS

Que gente como yo, que decora el salón de casa según la disposición de la tele, haya perdido la fé en la televisión es un fracaso civilizacional. El fin de una era. Una traición a Chanquete, a la cultura del anuncio, al hasta aqui puedo leer, a Los ricos también lloran, a Friends, a Informe Semanal, a la muerte de Paquirri, a Marte y Trece y, por qué negarlo, a los treinta años que llevo amoldando el culo a los sucesivos sofás de mis también sucesivas casas según la parrilla. Debo más a la Doctora Ochoa que a la mayoría de mis ex-novios y estoy convencida que muchos de mis amigos lo son gracias a La Bola de Cristal y a Tocatta. Para la gente como yo, currante insatisfecha y al borde de la edad adulta, la televisión no es una vía de escape, un relax, es la razón para no cortarse las venas los domingos de resaca. La tele me ha salvado de disgustos de amor, del final de mes sin un duro y, más de una vez, de la misma madre que me parió.
Pero algo pasó. Empecé a sospechar que mi amiga la tele se estaba volviendo un poco puta cuando un día entraron en mi casa las tenonas Mama Chicho, Manolo Escobar y sus goles son amores, Jesús Gil en el jacuzzi y la máquina de la verdad. Bueno, siempre nos quedará Humor Amarillo, pensé, mientras Emilio Aragón hacía el tres en raya y Lobatón reunía familias felizmente dispersas. Ojo, tampoco fueron fáciles los años 90. Mucho hortera andaba suelto por los pasillos de las inauguradas televisiones privadas. Todos tenemos un pasado y mucha ombrera que esconder y quizás por eso no presté atención cuando ese orejón llamado Chapi (quién sabe donde?, por cierto) exclamó eso de Qué me dices! Ni yo ni nadie y de repente una criatura de nombre Jorge Javier Vázquez se hizo el amo de la siesta nacional. From lost, to the river, habrá pensado algún directivo de TeleCinco y ahora la televisión nos recuerda que no hace falta carrera, hablar idiomas o ser civilizado para que te eleven a la categoría de famosete. El mismo JJV es un ejemplo de como un idiota sin gracia puede llegar a ser conocido y respetado. Y si eres lo suficiente amoral incluso te regalan un progama para que lo dirijas. Como Hormigas Blancas, ese excavadora del pasado ajeno, con derecho a debate posterior y mesa redonda. El otro día una vieja alicatada juró que sabía que le habían dicho que Miguel Bosé no folla hace cinco años. Pues muy bien. No se salva ni el Tato en esta tertulia: La Jurado, Anita Obregón, Bibi Andersen (ya me dirán qué coño hay que descubrir sobre el pasado de Bibi Andersen. Qué era un hombre? Oh, cielos!). Pero cuando anuncian para esta semana que el investigado será Adolfo Suarez - el pasado secreto, el abandono a su esposa - a mí se rompe el alma. No voy a rasgarme la camisa y gritar al cielo sobre lo mucho que debe España a Adolfo Suarez, pero si me permito escribir que esto no es televisión, sino asco puro, poca vergüenza y mucha desfachatez en nombre de la audiencia y la demanda. Y falta de respeto. Quién será el próximo? Yo? Por qué no, también tengo un pasado, algo que esconder y, quien sabe, un público interesado en mis miserias.
Esto la traición a la carta de ajuste.

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Sexta-feira, Junho 01, 2007

Querido Blogue

Acontece, contados os votos, que em Espanha nenhum partido perdeu as eleições. Acontece que todos ganharam. O PP, O PSOE, a IU, as plataformas de cidadãos independentes que já se estão a esfregar as mãos por pactar com o cacique de turno, os nacionalistas, os nostálgicos da república e os grupúsculos fascistas, todos começaram a semana com um sorriso pateta na boca e a cabecinha cheia de trafulhices futuras, negocios debaixo da mesa, segredinhos e a importância de aparecer no jornal local todos os dias. Ganharam os construtores civis, esses mafiosos que desejam para Espanha uma costa amuralhada de paraísos de vinte andares para indesejáveis de sandálias e libras, esburacadores das horas de sono em nome do progresso, os que se acham os donos das cidades e as convertem em franchisings sem alma, mas muito pulidas e catalogáveis. Ganhou o país dividido, a crispação, o retorno da guerra civil, o discurso reaccionário, a Barcelona anti-taurina, o Madrid olímpico e as obras por cojones. Ganharam os de sempre, os autarcas acusados de corrupção, o caso Malaya, a expansão turística, os campos de golf, os subúrbidos com as suas vivendas geminadas, jardim e centro comercial, o crescimento económico à base do tijolo, o novorriquismo, a morte da província, o deserto. E, claro, perdemos os cidadãos que achamos que temos direito a uma cidade sem viadutos que nos atravessem, com um centro habitável e escolas públicas e laicas, bares que não fechem às duas da manhã, gentinha, como eu, que está farta de ser enrabada por especuladores imobiliários e pós modernos que nos chulam dez euros por um uisque e trinta por um almoço sem calorias no bairro da moda. Mr. Pinheiro, desde sala, apela à minha esperança, afinal não todos são assim, ainda deve sobrar algum que nos queira o bem e nos arranje autocarros de jeito, mas eu, que já não tenho idade nem pulmões para confiar na raça humana, muito menos espero desta gentalha ególotra que se está a cagar para as reais necessidades de quem os vota, que não são, tenham bem a certeza, se o Juana Chaos passeia pelo hospital, que explosivos se usaram no 11-M, a memória histórica e os mortos da guerra ou se em Bilbao o eléctrico se chama euskotren. Como sempre, politiquices 1 - cidadãos 0. Bela merda.

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