Quinta-feira, Agosto 30, 2007

ISTO TAMBÉM É A RITITI


Loquillo - Cadillac Solitario (1983)
Siempre quise ir a L.A.
dejar un día esta ciudad.
Cruzar el mar en tu compañía.
Pero ya hace tiempo que me has dejado,
y probablemente me habrás olvidado.
No sé que aventuras correré sin ti.
Y ahora estoy aquí sentado
en un viejo Cadillac de segunda mano
junto al Mervellé, a mis pies mi ciudad
y hace un momento que me ha dejado,
aquí en la ladera del Tibidabo,
la última rubia que vino a probar
el asiento de atrás.
Quizás el "martini" me ha hecho recordar
nena, ¨por qué no volviste a llamar?
Creí que podía olvidarte sin más
y aún a ratos, ya ves.
Y al irse la rubia me he sentido extraño,
me he quedado solo, fumando un cigarro,
quizás he pensado, nostalgia de ti
y desde esta curva donde estoy parado
me he sorprendido mirando a tu barrio,
y me han atrapado luces de ciudad.
El amanecer me sorprenderá
dormido, borracho en el Cadillac,
junto a las palmeras luce solitario
y dice la gente que ahora eres formal
y yo aquí borracho en el Cadillac
bajo las palmeras luce solitario.
Y no estás tú, nena.

Naquele limbo hormonal da minha terrorífica adolescência, os rapazes mais populares, os que estudavam nos Maristas, esperavam as miúdas mais bonitas da minha turma à porta do colégio de freiras em Badajoz. A mim, é verdade, não me esperava ninguém. Sonhava, secretamente, que um dia o David Rodríguez se apaixonasse por mim e deixasse a linda e solicitada Rocío de cabelos loiros presos por laços de Don Algodón, ele que também era loiro e dono de uma magnífica lambreta vermelha que conduzia sem capacete e até já saía até às duas da manhã. Rita y David, ai, quantos corações pintei eu no meu caderno de matemática, suspirando por um amor que podia e devia ser possível se a minha existência fosse um capítulo de uma série americana com final feliz. Mas nem o David Rodriguez me esperou nunca, nem abandonou a cada vez mais boazuda da Rocío, nem o meu cabelo ficou loiro e assim andava a minha triste vida, de aparelho nos dentes e mamas que me cresciam infinitamente, fazendo o meu magríssimo corpo parecer uma esfregona com balões de água pendurados à metade. Patético.
Mas, uma tarde, ele apareceu-me em casa num videoclipe musical, mais macho que nenhum outro, de t-shirt branca de camionista, gritando "y no estás tú, nena", abrindo-me os olhos e a líbido e pondo ordem na minha confusão hormonal. A prioridade nunca mais seriam esses seres borbulhentos de corpo desengonçado e voz em crescimento que esperavam as lindezas do meu colégio: não eram nem seriam jamais a metade de homens que Loquillo, de joelhos, suplicante e ressacado no seu Cadillac de segunda mão, homem de braços fortes, fumador de Ducados, blusão de cabedal preto, o último dos roqueiros e apaixonado pela mulher fatal que esse dia imaginei ser. O David, esse, nunca mais o vi, mas disseram-me que ficou careca e que conduz a mesma lambreta vermelha sem capacete e ainda sai, só, até às duas da manhã.

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Quarta-feira, Agosto 29, 2007

COISAS QUE GOSTO DE FAZER EM AGOSTO



Preparar o Descobrimento do Brasil. Pode ser que em Outubro encontre o verão, a praia e um tanque gigante a transbordar caipirinha numa praia de areia branca onde descansar estes meu pobres ossos fartos que estão eles e minha alma de Madrid, de Agosto na cidade, de reuniões duas horas com clientes, da crise hipotecária dos States, dos tremeliques da bolsa, dos saltos altos e o cabelo arranjado e da falta de mar. Puta que pariu quem me obrigou a crescer e a trabalhar para ganhar a vida. Eu quero ser é professora de liceu e ter férias grandes, Páscoa e Carnaval, quinze horas de trabalho semanal, ADSE, excursões com os meninos ao Convento de Cristo, cantina, greves cada três semanas e direito a baixa por depressão. Não me fodam.

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Terça-feira, Agosto 28, 2007

2 ANOS DE A ORIGEM DAS ESPÉCIES



E há melhor maneira de festejar tão importante aniversário que com uma cerveja bem fresquinha, agora que parece que finalmente chegou o Verão, à beira de uma piscina de palmeiras rodeados de felizes jovens venezuelanas fartinhas de saúde e amor à pátria, ao som do inefável Elvis Crespo? Ai, as maravilhas do youtube... Parabéns Francisco. A malta agradece que andes por cá.

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FRANCISCO UMBRAL
1935-2007







Senos

Puestos a ennoblecer el nombre de las cosas, llamemos «senos» a los senos femeninos, no por otra cosa sino porque la palabra es sutil y sugeridora, pero también porque los sustitutivos sugieren menos. Así, «mamas» tiene un deje lactante de guardería infantil, algo que suprime radicalmente la potencia estética, escultórica y sexual de la cosa en sí. Veamos de ayudarnos en Alvite, que dice así: «A Sofía Loren el pecho le tapa el seno».
El castellano tiene palabras para todo y por eso le es difícil entrar en los reductos académicos de la nomenclatura. Asistámonos de la Historia. El siglo de los senos es el XVIII. Claro que en otros siglos se ha enseñado más, pero con menos gracia. La mujer que enseña mucho porque le sobra es la mujer barroca de los siglos anteriores al XVIII. Así, esa mujer presenta una magistratura de la teta que no ha vuelto a repetirse. El XIX, como siglo romántico, enseña menos de lo que parece y siempre bajo un esquema sentimental tomado de la religión católica, que es la religión del sufrimiento. El verdadero romántico nace después de Bécquer y se llama Juan Ramón Jiménez, que llegó a cantar hasta las manos de su esposa, pero nunca los senos. Zenobia Camprubí queda, entonces, como una esposa con algo de amada inmóvil y algo de Amado Nervo, que viene a ser lo mismo. El cine, ya en nuestro siglo, parece que enseña mucho pero no enseña nada. Queremos decir que los desnudos más audaces los hace una contratada de tercer orden, porque para rodar y cobrar como una estrella hay que aclarar a medias con el productor si los senos van a ser todos de Sharon Stone o de una sustituta.
Mujer barroca es la de material abundante, sobrante, exuberante que está y pasa por todo el Renacimiento. Cuando una mujer parece la Virgen y no lo es, sin duda la vemos escasa de pecho como de pechos. La Virgen católica es la más católica de todas las vírgenes. Luego están la Virgen románica y la gótica. Todas ellas son propicias al añadido de unos senos más floridos, más florales, pero esta religión nuestra es la que más venera a sus Vírgenes, cuidado con ella. Una vez compré yo una Virgen, así como románica, en el Rastro. Cuando el tío me había colocado una Virgen gestante, un domingo por la mañana, me ofreció que me llevase también el San José y le dije: «No, mire usted, es ya mucho dinero y ese asunto del señor San José no está nada claro».
Las vírgenes románicas, góticas, barrocas, renacentistas y dalinianas suelen ser una señora muy de su casa que se permite reñir a Cristo y uno las ve ojivales como ventanas de catedral que van a dar directamente a Lourdes. Le conté un día a Aranguren una investigación sobre la Virgen de Lourdes, que aparece como una dama distinguida y desvestida en una gruta donde se ve con un aduanero francés. Aranguren montó en cólera: «Anticris to, tú eres el Anticristo». Estábamos comiendo en El Escorial y Aranguren se fue lejos de mí. Lo que hay ahora es una guerra de Vírgenes por toda Europa, pero yo no he querido hacer esa guerra sino, sencillamente, hacer una columna sobre la Virgen, sobre mi Virgen, que la unto con aceite cada mañana por despertar sus colores, su túnica, su gestación, su belleza anticuaria y adolescente.
(Todas as crónicas de Francisco Umbral no especial de El Mundo)

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Segunda-feira, Agosto 27, 2007

Querido Blogue,

Efectivamente, não encontrei Deus na Galáxia de Andrómeda. E se o encontrei não o vi. E se o vi, não era disso que estava à espera. Deus, ou o que penso dele, não se manifesta nem facilmente nem com o telescópio Hubble, não vá a gente entender os segredos inomináveis do mundo, do universo e da vida de graça e graças ao Google Earth. Que falta de chá, nem que fôssemos protestantes. Deus, já que o inventámos porque não suportamos a morte, quer-se misterioso e oculto, à prova de ignorância e sabedor das verdades que não existem, das redentoras, das que nos farão livres algum dia pela esperança de que tudo tem arranjo. Nem que seja depois da morte, o que também dá muito jeito quando a vida é uma merda (afinal, não é disso que trata o vale de lágrimas?). Esse é o Deus que me inventaram, um ser que tudo vê, e que nos ama como um pai sem medo ao despedimento colectivo, e que é mais justo que a Mary Poppins e que não nos quer mal, mesmo que um terremoto arrase o Peru e o preço do tabaco nunca deixe de subir. Afinal, a culpa também não dele, o que o exime de responsabilidades maiores como um suposto ateísmo pela minha parte. Há muito tempo que me deixei disso e prefiro acreditar que Deus, como o Euromilhões, algum dia me fará um jeitinho, mesmo que só entre nas igrejas em casamentos e funerais e seja alérgica o jogo em geral por assuntos de pele. O problema é que Deus não existe, o que também não é mau de todo para quem já não espera nada dele a estas alturas do campeonato.

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Quarta-feira, Agosto 22, 2007

Oh Cielos!


200 millones de galaxias, en Google Sky

E agora vou ver se encontro Deus no Google Earth.

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Terça-feira, Agosto 21, 2007

COISAS QUE GOSTO DE FAZER EM AGOSTO



Ouvir na net a Janela Indiscreta, com o Pedro Rolo Duarte na amena cavaqueira com os blogueiros nacionais enquanto bebo um uisque com gelo. Ou até três, se a sede é muita e a conversa valer a pena. Grande amigo o uisque e que boa companhia que ele me faz, só é pena que não possa ir trabalhar com uma garrafa de Jameson na mala. Tenho a certeza que nunca mais ladrava aos meus clientes.

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Segunda-feira, Agosto 20, 2007

COISAS QUE GOSTO DE FAZER EM AGOSTO

Monte
(O Monte dela no Inverno)

Ir ter com a minha Mãe a esse cantinho secreto numa serra sem alcatrão onde regalar o estômago com sardinhas assadas e salada de pimentos. Cada vez que escrevo sobre a minha Mãe, agora que me dou conta, sai o tema da comida, desses almoços fartos com aguardente à hora do café quando o meu Pai nos encanta com histórias da tauromaquia antiga, de refeições infinitas como as gargalhadas dos meus irmãos, de sobremesas que duram mais que uma digestão saudável segundo os novos códigos do higiénico, de queijos e azeitonas pretas e minis fresquinhas depois de um banho rápido no tanque que faz as vezes de piscina. Será porque a minha Mãe encarna o conforto, como a casa sempre aquecida, o vinho na mesa, a canja de galinha, os lençóis esticados, as coisas que nunca faltam. Que pena tenho eu daqueles cujas mães não cozinham, não preparam a casa, não aquecem o lume no Inverno. Devem passar muito frio dentro da cabeça e da barriga.

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JÁ NÃO PRECISO LER MAIS NADA SOBRE O ASSUNTO



Por Maradona, esse Homem.

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Quinta-feira, Agosto 16, 2007

HASTA LAS PELOTAS


Días de Futbol

Betis-Madrid, Barça-Bayer, Olympiakos-Mallorca, Inter-Valência, Vitesse-Athleti, Zaragoza-Betis, Utrecht-Espanyol. Mais as contratações de supostas super estrelas por ordinarices de milhões de euros que salvariam o terceiro mundo de uma só vez, as especulações sobre o joelho do ponta de lança que promete mas nunca mete, as sempre vibrantes e imprescindíveis notícias da selecção do Congo, o golo de Beckham, a excursão do Barcelona na Ásia, jogos dos sub-15, a calificação para a UEFA e centenas de horas de televisão ocupadas com jogos que não servem para nada nem pontuam para porra de Liga nenhuma mas que são obrigatórias a todas as horas, todos os dias e em todos os canais. Maravilhas da silly season e desse invento tocapelotas chamado pre-temporada. Cá para mim que isto é uma conspiração dos media para acabar com a civilização ocidental e eu sou a única pessoa no mundo que reparou nos seus malvados e perigosíssimos planos para controlar o mundo. Porque então não percebo como é que a humanidade em geral e a gente de boa vontade em particular não se insurge ante tanta notícia inútil, estúpida e exagerada da bola mesmo quando não há nada para dizer.

Terça-feira, Agosto 14, 2007

MAIS COISAS QUE GOSTO DE FAZER EM AGOSTO


ESTREAR T-SHIRTS NOVAS

Rititi Does Summer, ou Porque hay que tenerlos... bem hidratados!
Mais obras de arte em forma de t-shirt saídas da cabeça do Paulo Oliveira, o private designer mais cool, fashion e total de Madrid, o universo e parte do estrangeiro!
E agora, repeat after me:
OS MEUS AMIGOS SÃO MELHORES QUE OS TEUS!

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Domingo, Agosto 12, 2007

COISAS QUE GOSTO DE FAZER EM AGOSTO


José de Ribera, el Españoleto - Mujer barbuda, 1631

Excursões dominicais ao Museu do Prado. Cada um tem a sua missa para limpar a alma de mojitos emborcados nas Festas de San Lorenzo em Lavapiés. Se Madrid tivesse praia não era tão divertida.

MAMAS: VERSÃO ILUSTRADA



Via Charlotte. Alguém tinha que pôr ordem nisto.

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Sexta-feira, Agosto 10, 2007

MAMAS: FONTE DE VIDA

O João Villalobos, num post supremo, afirma que "quanto maiores elas (as mamas) são mais vitalidade transparecem".
E eu, que sou uma rapariga dada ao método científico, fui à origem ver se de uma vez por todas resolvia esta minha inquietação mamária.

Por um lado, uma vital Penélope Cruz.


E aqui jaz, bastante mais frouxa, a Lou Dillion.


Vai daí e o fascínio (que o Francisco diz que é melhor que eu nem queira saber de onde vem) tem a ver com a salubridade da fêmea. Sendo assim, declaro-me mais que satisfeita. Ando sobradinha de saúde.
Adenda: Acho que a Shyznogud discorda deste argumento. E fala do Lolo Ferrari, mais uma vítima de tanta vida interior.

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Quinta-feira, Agosto 09, 2007

COISAS QUE GOSTO DE FAZER EM AGOSTO
Voltar ao Siglo de Oro



Rimas humanas CXCI

Es la mujer del hombre lo más bueno,
y locura decir que lo más malo,
su vida suele ser y su regalo,
su muerte suele ser y su veneno.

Cielo a los ojos cándido y sereno,
que muchas veces al infierno igualo,
por raro al mundo su valor señalo
por falso al hombre su rigor condeno.

Ella nos da su sangre, ella nos cría,
no ha hecho el cielo cosa más ingrata;
es un ángel, y a veces una arpía.

Quiere, aborrece, trata bien, maltrata,
y es la mujer, al fin, como sangría,
que a veces da salud y a veces mata.

Lope de Vega (1562-1635)

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Quarta-feira, Agosto 08, 2007

OS CASAMENTOS SÃO PARA O VERÃO
Trajes típicos



"Este ano, imagina, tenho dez casamentos", confessa desconsolada uma colega de torradinhas com compota de alperce na hora de pequeno almoço. Como que doze? Nem eu, a rainha da noite, tenho assim tantos amigos e/ou conhecidos em idade de comprar casa com recurso ao crédito! E porque aceitar todos os convites, se se sofre assim tanto? Porque é grátis. É a gula, senhores, é a gula e a perspectiva de beber à borla e o povo diz logo que sim, que lá vai à boda, tanto faz que seja onde Cristo perdeu o isqueiro ou que nem conheça os noivos, ora porra, ninguém diz que não a um casamento e à oportunidade de vestir o que de melhorzinho se tem guardado no armário: os vestidos/fatos de casamento.
Que se ofendam os pirosos: o povo veste mal e é nos casamentos que tem a oportunidade suprema de mostrar ao mundo o seu refinadíssimo gosto inspirado nas inúmeras telenovelas que lhe chupam o cérebro dia após dia desde as três da tarde à uma da manhã. E num alarde de inspiração e criatividade as gentes do povo decidem ignorar que existe uma Zara que a preços simpáticos até lhes daria um bom ar e vai ao pronto-a-vestir da Tânia, que até pode ser uma boa rapariga mas a quem a Mãe Natureza privou deliberadamente do sentido da estética, do gosto e do ridículo. Tudo isto e umas boas três horas no salão de beleza da menina Bela fazem o retrato típico das bodas ibéricas, que nisto somos todos iguais: senhoras bem entradas em anos e quilos que parecem travestis enfiadas em vestidos compridos de cetim vermelho paixão, com as banhas a espreitarem pelo atrevido decote das costas; jovens casadeiras com estranhos trapos semi-transparentes a fazerem equilibrismo em cima de uns saltos chúpame la punta; laca no ar e caras que parecem portas de tão pintadas. Eles, ai jasus, sapatinho castanho de biqueira afiada, com esses fatos brilhantes que nunca se abotoam e que deixam entrever umas camisas transparentes e gravatas com desenhos animados. E os adolescentes de fato de treino, e primo idiota que se diz de esquerda e por isso veste-se como se fosse à bola de ténis e t-shirt dos Metallica, e as coitadas das avós a quem mascaram de estrelas do cabaret...
Por quê, Santo Deus, tanta coisa horrenda para um dia tão belo? Porque, responde o Santo Deus, olha para os noivos e verás a luz. O noivo dá sempre a pista: se houver colete prateado a condizer com uma gravata que brilha mais que as minas do Peru, então a coisa aponta maneiras e só podemos esperar que a mãe dele leve na cabeça um chapéu como se estivesse nas corridas de cavalos de Ascot. Mas são as noivas, elas, o centro das atenções, quem definem o tipo de casamento ao que vamos. Efectivamente, e mente quem me disser o contrário, há noivas muito feias. Umas parecem freiras, como se lhes tivesse crescido o hímen aos trinta e sete anos, outras tentam imitar as actrizes nos Oscar e são verdadeiros trambolhos d'ouro, com vestidos impossíveis, cheios de pedras, rachas, decotes, transparências e demais barbaridades. O resto não conta, porque são minhas amigas e são sempre giras.

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E ESTE ANO, QUERIDA MISS PEARLS, VAI COM MÚSICA



E aqui, La Perla de Cádiz, comemorando o segundo aniversário do blogue da Senhora das Pérolas. Um beijinho e pálante, xoxo!

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Terça-feira, Agosto 07, 2007

Como se este blogue não fosse já um histérico da cultura da telenovela, proximamente chega a Espanha o último panfleto televisivo que, com intrigas, sexo e malabarismos dramáticos, denuncia a prostituição, a droga e os implantes mamários na Colombia. Demais até para uma vadia telegénica como eu.

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Sábado, Agosto 04, 2007

COISAS QUE GOSTO DE FAZER EM AGOSTO


Camarón, 1995

Refrescar-me ao som de Pata Negra, logo mais à noite nos Jardins de Sabatini. Nem imaginam o calor que faz em Madrid. Até já se me derreteram as ideias. Este blogue precisa de ar condicionado e de muita água gelada. Que se foda o aquecimento global do planeta.

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Quinta-feira, Agosto 02, 2007

Querido Blogue,

Mamas. O tamanho das mamas. Os gajos e as mamas. As mamas da Elsa Pataki. A moda dos implantes de mamas. As mamas e a lei da gravidade. Não há outro tema em Madrid que não as mamas, tanto que toda a gente parece ter tetas na boca. Até mesmo na inauguração de uma exposição de fotografias suecas em Conde Duque, de longe o bairro mais cool de Madrid (finalmente adeus a Malasaña, o gueto de gente nítidamente feia travestida de intelectual) a conversa, entre vinhos e pintxos de fruta, derivou para as mamas, concretamente as minhas. Sim, eu tenho um belo par de mamas e se não bastasse a obviedade matinal de as ter de encaixar dentro de uma espécie de armadura, tenho a confirmação de dezenas de indivíduos com pilinha pendurada que fazem o favor de me lembrar quão esplêndidas, poderosas e evidentes são. Ai filha, ofereceu-me um gordo hoje às oito da manhã, quase a roçar-se a mim no autocarro, num acto de valentia e hombridade. Que pensaria esse simio que lhe responderia? Anda cá, meu macho gordurento, e toma-me aqui, no 152, agarra-me e faz-me ver a luz, eu que nem sei que é um homem, eu que tenho estas maiúsculas tetas feitas para ti, à tua espera para serem sovadas e manuseadas por um macaco que paga impostos? Se o tivesse olhado nos olhos, se lhe respondesse, certamente ter-se-ia mijado todo, tal o cagaço, porque essa sub-espécie de anormais que infectam os passeios, as obras e os bancos de jardim são tão merdosos, tão cobardes, tão minúsculos na sua ridícula concepção da humanidade que se uma gaja os encara nem sabem onde se hão-de meter. Que fascínio é este dos gajos com as mamas? Lembranças da mãezinha, do quentinho do leite, do alimento grátis, do aconchego? Será que todos querem voltar ao útero? Até quando, santo deus, teremos que levar com essa obsessão com dois pedaços de carne? Quanto maiores, melhores, para quê? Acaso vão montar um talho, fazer delas uma almofada, forrar um sofá? Os peitos, as tetas, as mamas, cá por mim que os gajos não evoluíram assim tanto e estão um degrauzinho mais abaixo que nós lá na escala da humanidade.

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Uma gaja na capa da Atlântico!!!



Verão Azul
"E quando vejo, ao fim do dia, as famílias a dobrarem as cadeiras de lona, a fecharem os guarda-sóis, a lavarem as lancheiras já vazias com água do mar, quando as velhas de fato de banho preto vestem a bata e levam os netos adolescentes acabadinhos de se apaixonarem para casa, então eu percebo que Verano Azul só poderia ter saído da cabeça de alguém que se sente no verão mais descontaído que nunca, com mais capacidade de amar e jogar ao dominó, de conversar sem tensões com desconhecidos em esplanadas com vistas para o mar e dormir de perna aberta. Porque Verano Azul, como todos os verões da nossa infância, levam-nos de novo a esse tempo quando brincar na areia era a actividade mais importante do dia e no frigorífico sempre nos esperava uma jarra de Tang de laranja bem fresquinha. No fundo isto é o verão, um lugar bonito onde amanhã não escola."

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Quarta-feira, Agosto 01, 2007

COISAS QUE GOSTO DE FAZER EM AGOSTO


(Kyle Minogue para HM)
Estar de férias numa ilha do Índico a mamar daiquiris rodeada de super-gajos com a peitaça refeita num ginásio.
Entretanto, dado que a minha vida é patética, Agosto é mês de ficar em Madrid. Como em 2006, o blogue Rosa Cueca será uma montra de alternativas para urbanitas puteados, que é como quem diz. Assim, o que hoje gosto de fazer em Agosto são piqueniques nocturnos no Parque del Buen Retiro, com toalha de xadrês, champanhe e gazpacho de beterraba. Falta só o Índico, porque gajos de peitaça já temos.

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