Domingo, Dezembro 30, 2007

Voltei a Madrid.
Depois do Natal em Espinho, bacalhau cozido, passagem por Lisboa, capital às escuras, esburacada, capital de casas frias, húmidas, sem aquecimento porque a luz está cara e não há para isolamento nas janelas, capital do comércio tradicional à beira da extinção sempre por culpa do governo que não proíbe as grandes superfícies, capital deprimente de um país de deprimidos. Sim, Portugal é um país afogado numa depressão da que não se quer curar, numa depressão que curte e da que se orgulha. Olhei durante uma semana para a televisão do meu país e vi programas para o povo apresentados por mamalhudas analfabetas especializadas em entrevistar famílias de desdentados que se queixam de casas a cair de podres, telejornais feitos de entrevistas de rua a um povão que se queixa da subida do euribor, comentaristas políticos que se queixam da crise do BCP, o líder da oposição que se queixa porque não pode controlar a Caixa Geral de Depósitos. A queixa é líder de audiências na televisão portuguesa.
E que faz o Governo na quadra natalícia com o povo neste estado? Brindá-lo com mensagens de esperança? Não, fecha serviços de urgências no interior abandonado do país na véspera de Natal, manda cartas de penhora de contas, proibe fumar, ameaça com a ASAE (notazinha mental - não me fodam pá: enquanto toda a Europa premia o produto artesanal e manda levar no cu os burocratas de Bruxelas, neste meu país gerido por atrasados mentais penalizam-se os métodos tradicionais e os meios de subsistência centenários), deixa que as iluminações natalícias de Lisboa sejam patrocinadas pelo Santander. E avisa que a coisa só vai melhorar graças ao esforço do Governo. No discurso natalício do Primeiro Ministro não se ouve uma palavra de agradecimento pelo sacrifício das economias familiares, uma voz de ânimo, força, estamos quase lá! Que arrogante, este pequeno Sócrates que se pensa o fazedor de tratados só porque consta no título o nome de Lisboa, só porque se abraça ao namorado da Carla Bruni, só porque trata por tu o Zapatero.
Sim, voltei a Madrid, fugida de uma Lisboa que sempre amei e que agora me dá urticárias. Não posso com tanta queixa feita cancro de nós, não posso com este rame-rame obrigatório, com este modo de viver que recompensa a lamúria. Tenho pena e queria desejar-vos Bom Ano, que sejais felizes, mas só se me ocorre pedir-vos para desligar a televisão. Saiam à rua, encham os bares, obriguem os donos dos restaurantes a ligarem o aquecimento, iluminem as ruas de Lisboa com as luzes das vossas árvores de Natal, fujam dos centros comerciais e levem os vossos filhos aos jardins, namorem nos bancos dos parques e esqueçam que somos uma campanha publicitária chamada a Costa Oeste de Europa. Somos um país de gente pouco alegre, bem sei, mas também não merecemos estar sempre a levar nos cornos, caralho.

Etiquetas: ,

Terça-feira, Dezembro 25, 2007

ENFARDANDO


ovos moles de Aveiro

O Blogue, a autora, a família Barata Silvério e até Mr Pinheiro encontram-se em estado de clandestinidade total: sobre a mesa da sala, queijo artesanal da Serra da Estrela (ilegal), sericaia de Elvas e ameixas rainha cláudia (ilegal), rabanadas de leite (ilegal), ovos moles de Aveiro (ilegal). Para o próximo Natal, ou passamos a consoada a dieta gay, light e higienicamente embalada e pasteurizada ou então estamos todos na prisa com os inspectores da ASAE. Controladinhos e bem asseados, isso é que é importante.

Etiquetas:

Quinta-feira, Dezembro 20, 2007

PRÉMIOS ROSA-CUECA 2007: MACHOS CÁ DA CASA



- Francisco José Viegas, um clássico rosa-cueca, um romancista dos mundos que já não interessam aos jornais da gente séria, leitura diária e o único jornalista português com eles no sítio. Me likes.
- Maradona, porque nunca me ligou uma merda e isto dá-me uma certa pica.
- Paulo Pinto Mascarenhas, o mais querido de todos os directores de todas as revistas de todo o Portugal.
- O meu reaccionário favorito Rodrigo Moita de Deus. Básicamente porque gosta de ir ao Snob.
- Edmundo Tavares pelo seu precioso Soy un Perro Callejero. Também agradeço os Chunguitos.
- Rui Pelejão e Nuno Vargas. Porque são meus amigos. Até podiam não ter escrito nada no ano todo. Ah, e o chato do Marmelo, que passa o dia a mudar de blogue.
- João Villalobos, mas só se me escolher como a boazuda das sextas-feiras. Entretanto, fico-me com o Pedro Correia.
- Todo blogger que demonstrar publicamente e com fotografia autenticada por notario que tem o mesmo fim calça que o Javier Bardem.

Etiquetas:

Quarta-feira, Dezembro 19, 2007

PROXIMAMENTE...



... Prémios Rosa-Cueca 2007

Etiquetas:

Domingo, Dezembro 16, 2007

QUE A FACUA FECHE O VATICANO!!!


Calendário Romano 2008, uma campanha publicitária sexista...


... que atenta contra a dignidade dos homens trabalhadores em geral e de Deus em particular...


... apresentando imagens estereotipadas e degradantes destes profissionais contra as que levam anos lutando.

Pelas minhas partes, candidato-me para defender os interesses, as honras e os segredos guardados debaixo das sotainas destes pobres trabalhabores humilhados pelos pérfidos interesses sexuais do Vaticano. Tudo pela glória do Senhor e só porque é Domingo. Amén.

Etiquetas:

ACOJONA EL PANORAMA....




You see, according to Cocteau's plan I'm the enemy, 'cause I like to think; I like to read. I'm into freedom of speech and freedom of choice. I'm the kind of guy likes to sit in a greasy spoon and wonder - "Gee, should I have the T-bone steak or the jumbo rack of barbecued ribs with the side order of gravy fries?" I WANT high cholesterol. I wanna eat bacon and butter and BUCKETS of cheese, okay? I want to smoke Cuban cigar the size of Cincinnati in the non-smoking section. I want to run through the streets naked with green Jell-o all over my body reading Playboy magazine. Why? Because I suddenly might feel the need to, okay, pal?
I've SEEN the future. Do you know what it is? It's a 47-year-old virgin sitting around in his beige pajamas, drinking a banana-broccoli shake, singing "I'm an Oscar Meyer Wiener".

(Edgar Friendly, in Demolition Man)

Etiquetas:

Quarta-feira, Dezembro 12, 2007

RITITI, UM BLOGUE SEXISTA


(Isabeli Fontana para H&M lingerie)

que mima os seus leitores masculinos

Etiquetas:

Terça-feira, Dezembro 11, 2007

PREMIO VAI AO CU A TI:
TENHAM CUIDADO COM OS AMIGOS DAS MULHERES





A associação 'FACUA -Consumidores en Acción' denunciou hoje a Ryanair por utilizar a suas trabalhadoras como reclames sexuais num calendário. A FACUA acha que, no mínimo, as trabalhadoras são umas escravas sexuais e devem ser resgatadas das garras opressoras do macho capitalista, o Instituto da Mulher pensa que as imagens são degradantes para a sensibilidade do grelo, os meios de comunicação progressistas e modernos condenam a humilhação a que todas as mulheres estamos expostas. De nada serve que o calendário em questão tenha sido uma iniciativa com fins benéficos das hospedeiras que até se acham boazudas e nem se importam de mostrar a coxa e que na companhia ninguém esteja ofendido. Que se fodam todos. Eles, os amigos das mulheres, é que sabem o que é bom para nós, estúpidos seres indefesos e sem critério. A sério, já não há cu para tanto machismo encapotado de boas intenções, para o discurso sexista que nos trata como anormais, para este constante ataque à nossa inteligência só porque mostramos o decote sem pedir autorização aos padrecas de esquerda. Com licença para os ouvidos mais sensíveis: olha, ó FACUA, vai ao cu a ti.

Etiquetas:

Segunda-feira, Dezembro 10, 2007

Querido Blogue,

Leio pelas revistas da pós-modernidade que o Natal é uma bosta. Parece que é fino desprezar por pouco ecológico o festival de luzes do centro, que enjoar o calor da família em volta de uma mesa cheia de comida denota superioridade intelectual, que é de elevados passar a Noite na sopa dos pobres ou a sofrer lendo Paul Auster ( Eis uma razão superdigna para nunca ser de esquerdas). Sinceramente, já não há parrocha para estes cagões, para estes forretas sentimentais, seres hediondos mutilados de sentimentos genuínos que infelizmente criam tendência entre um povão cheio de cartões de crédito mas tão falto de referências vitais. Olhem para a blogosfera: o must é estar-se a cagar para o Natal. Que horror proletário.
Que quero eu então para o Natal? Amor no Mundo. Não, não estou a brincar às miss mundos: basta olhar para o povo que nos rodeia, reparar na carência efectiva de afectos, de quanto precisa a caixeira do supermercado desse “chega para cá, ó Maria, que eu quero te dizer uma coisa”. Não duvido que noventa por cento dos problemas da Humanidade se resolveriam com um par de quecas semanais. De peso, sim. Mas claro, o amor é fodido e nem toda a gente está preparada para ser digna dele, mas não faria mal à gentalha que entorpece o nosso quotidiano tentar ser menos tacanha no amor. Muito adora o povão celebrar com árvores, luzes e quinhentos euros em prendas idiotas o nascimento de Cristo, mas não me parece que ninguém se lembre da mensagem básica do discurso que lhe atribuem: “amem-se uns aos outros”, que não quer dizer que amemos o vizinho do 3-A com quem só nos cruzamos no elevador uma vez por semana. Também não é preciso exagerar. Amar-se uns aos outros é não deixar que o nosso marido vegete no sofá enquanto nos depilamos na casa de banho, é não dedicar o ócio a pastar em frente às montras nos centros comerciais, não permitir que os filhos sejam criados pela Play Station, é querer que os nossos velhos tenham um fim de vida digno.
O que eu quero para o Natal? Que os amantes se encontrem na cama, que sempre haja esperança de gostar de alguém.

Etiquetas:

Domingo, Dezembro 09, 2007

GRELAME POWER


My Way - United Flavour (feat Baron Black and El Condorsito)

A nova banda sonora do mundo rosa cueca. O reconhecimento de anos de sacríficio, longe de casa, da família, dos amigos. A inspiração e o orgulho de todos nós. Tudo isto é Unity, o último trabalho de United Flavour, o grupo verdadeiramente global e transnacional da minha querida amiga Carmen Morejón, que é gira que se farta, escreve bem e canta melhor ainda. De Praga para o Mundo. Good vibrations, luv and affection, querida!

Etiquetas:

Sábado, Dezembro 08, 2007

HÁ DEZEMBRO SEM NATAL


Venus do espelho. National Gallery, Londres

As Fábulas de Velázquez. Só no Prado.

Etiquetas:

Quarta-feira, Dezembro 05, 2007

HOMENS, HOMENS, HOMENS, HOMENS



Adoro gajos: charmosos intelectuais de pullover de gola alta, fornidos nórdicos nadadores olímpicos (sobretudo estes), fumadores de cigarrilhas, tímidos jovenzinhos prontos para perder a vergonha, mulatos surfistas em tronco nu, locutores de rádio, irresistíveis padres de sotaina até aos pés, mecânicos e talhantes, executivos depois do escritório com a gravara solta, ciganos de camisa aberta que perseguem as mulheres da estirpe (só) para casar; todos lhes parecem bem aos meus olhos. Adoro homens que sejam homens, que não se depilem (menos os fornidos nórdicos nadadores olímpicos, claro), que não se solidarizem comigo quando tenho o período, engordei essa milésima de caganita de quilo ou a minha cabeleireira me corta um milímetro a mais de franja. Adoro gajos pelo físico e pela forma de vestir e por como lhes assenta um casaco ou me contam histórias num livro ou pela rádio. Sim, os homens são o sal da vida. Infeliz a mullher que não tem paladar.

Etiquetas:

RITITI EM FESTA: OBRIGADA



Muito obrigada por todos os linques e recordações, se os technoratis e sitemeters não me falham, ao Francisco José Viegas que estreia casa nova (façam o favor do mudar o linque), à Carla (ó cielos, Spice Girls, mencanta!), à Miss Pearls e ao James Stewart, à minha querida Sofia Vieira, multiblogger e autora imperativa, à Sofia Bragança Buchholz pelo 31 da Armada (lindos cuecos e que bem acomodados, ehehheh), à sempre estupenda e elegantérrima Teresa C. do Sem Pénis nem Inveja, ao João Villalobos e ao Pedro Correia do Corta-Fitas (sou mega-fã do blogue, confesso), ao Nuno (tú sí que lo vales todo, cielo), ao Rui Carmo pelo Insurgente (sim, sim, o Insurgente, para quando um novo refendo?), ao Espumante (chuac!), à Margarida V e ao Joaquin Cortés (Olé), ao Pedro do Café da Insónia, ao meu querido amigo Bilhas, ao Adolfo Mesquita Nunes do Arte da Fuga (são cutres, mas tu gostas!), ao Luis Carmelo e ao Bloganiversário. Ao povo que parabênizou com mensagens, comentários e mails, obrigada e, já que estamos, Bom Natal.

(Nota de esperança: Algúm dia, eu sei, o Abrupto também me lincará. Não perco nada por esperar. Sentada.)

Etiquetas:

Segunda-feira, Dezembro 03, 2007

RITITI EM FESTA: GRELAME POWER



Para continuar as celebrações do primeiro blogue que utilizou termos como grelame, tomatame e demais subgéneros da entreperna sem mais intenções que as de criar escola e ser um modelo para a juventude portuguesa, deixou-vos a fazer a digestão da canjinha com Madonna, a mulher que deveria servir de inspiração a todas nós em geral e às caretas nacionais em particular. Vogue!

Etiquetas:

Sábado, Dezembro 01, 2007

RITITI EM FESTA: 4 ANOS A BLOGAR



Um blogue de gaja, hormonal e bipolar, entregado aos vícios da vida e com um toque obrigatoriamente popular e folclórico mas também urbano e cagão, ressacado e fumador. Um blogue rosa cueca, feliz, com muita vida pela frente e que agradece a quem o inspira todos os dias. A saber:



O Flamenco e El Porrinas de Badajoz, Camarón de la Isla, Paco de Lucía, Remedios Amaya e Quien maneja mi barca, José Mercé, Menese, Enrique Morente, los Farrucos, a rumba catalana e Peret, Los Chunguitos, Los Chicos, Medina Zahara, Pata Negra, Kiko Veneno, Ojos de Brujo e todos os que virão amanhã.



Pedro Almodovar, mas também Sara Montiel e Carmen Sevilla, as grandes sex-symblols da censura, La Vida es una Tómbola, Bienvenido Mr Marshall, Viridriana, El Vaquilla, Amantes, Jamón, Jamón, Tesis, Belle Epoque ou El día de la Bestia.




A minha Lisboa
e as colinas iluminadas pelo sol que descansa no Tejo, esse falar português das ruas de Alfama e Alcântara, Lisboa vadia e minha casa alguúm dia outra vez. E Extremadura, Cáceres e Badajoz e os sobreiros e as cegonhas, jamón de primeira e uma infância impingida do outro lado da fronteira. E Estremoz onde nunca vivi e o pôr do sol no meu Alentejo que a mais ninguém pertence. E Madrid, sempre Madrid, que me acompanha desde os tempos de fuga e incertezas, Madrid que é mais casa, telhado e comida que nenhuma outra cidade, nenhum outro sotaque, nenhuma outra forma de viver e entender que não somos de lado nenhum.




Os meus amigos. Nã acredito, como canta aqui o grande Roberto Carlos, que um amigo seja o mais certo das horas incertas, mas sei que nunca lhes poderei agradecer o suficiente as horas de gargalhadas, conspirações à volta de uma garrafa de uisque, broncas terríveis, confidências e chega cá, minha querida, que a gente gosta de ti por muito que tu não mereças. É por isso que os meus amigos são melhores que os vossos.



Mr. Pinheiro.

Etiquetas: