Segunda-feira, Março 31, 2008
Domingo, Março 30, 2008
RITITI EDUCA O POVÃO - MÚSICA CLÁSSICA (IV)
Audrey Hepburn - Moon River
Um rebuçado para este domingo chuvoso que se esqueceu que já estamos na Primavera. Confinada em casa, revendo Breakfast at Tiffany's e sem poder tomar um dry martini. Afinal a hora mudou para nada.
Etiquetas: Rititi educa o Povão
Sábado, Março 29, 2008
Metendo só um bocadinho de nojo

Acho simpático acabar a refeição no Celler de Can Roca com uma adaptação do perfume Eternity de Calvin Klein. Só isso.
Etiquetas: Rititi educa o Povão
Quinta-feira, Março 27, 2008
RAZOES PARA IGNORAR UM BLOGUE
Gerona .
E amanha, almoço no Celler de Can Roca, duas estrelas michelin. Meto nojinho, já sei.
Etiquetas: Rititi educa o Povão
Sexta-feira, Março 21, 2008
LEITURA PARA UMA SEXTA-FEIRA SANTA

Mais uma crónica fabulosa para o site PNETmulher, eu sei.
Etiquetas: PNET MULHER
Quarta-feira, Março 19, 2008
NOS ENCANTA

Querido Don Jaime de Marichalar y Sáenz de Tejada, ex-Duque de Lugo com bastante sorte, ex-infantaelena e ex-convidado às festas da Louis Vuitton:
Somos -nos casos de realeza e pedigreepal a Rititi fala de si própria em sentido magestático - super a favor que leves aos touros o pequeno mas prometedor Felipe Juan Froilán de Todos los Santos de Marichalar y Borbón, Grande de España, filho primogénito da Infanta Elena e quinto na linha sucessória ao trono de Espanha (na foto). Deixa, não ligues às críticas dos exaltados do costume e dos costumes, sempre tão impressionáveis com a imagem de um pai a partilhar com um filho o gosto pela Arte num ambiente onde ninguém se ataca com navalhas, ninguém atira garrafas ao guardarredes, ninguém espera o adversário de sol lá fora para resolver problemas de pilinha. Porque dez anos já é idade mais que suficiente para começar a aprender sobre os espectáculos tauromáquicos sem que a criatura em causa fique traumatizada, apaneleirada ou doente das sensibilidades interiores. Ainda estou por perceber a associação entre o desequilíbrio mental e a psicopatia com a assistência a corridas de touros, por muito que as autoridades públicas insistam em evitar-nos a infelicidade à base de intromissões em futilidades como estas.
Somos -nos casos de realeza e pedigreepal a Rititi fala de si própria em sentido magestático - super a favor que leves aos touros o pequeno mas prometedor Felipe Juan Froilán de Todos los Santos de Marichalar y Borbón, Grande de España, filho primogénito da Infanta Elena e quinto na linha sucessória ao trono de Espanha (na foto). Deixa, não ligues às críticas dos exaltados do costume e dos costumes, sempre tão impressionáveis com a imagem de um pai a partilhar com um filho o gosto pela Arte num ambiente onde ninguém se ataca com navalhas, ninguém atira garrafas ao guardarredes, ninguém espera o adversário de sol lá fora para resolver problemas de pilinha. Porque dez anos já é idade mais que suficiente para começar a aprender sobre os espectáculos tauromáquicos sem que a criatura em causa fique traumatizada, apaneleirada ou doente das sensibilidades interiores. Ainda estou por perceber a associação entre o desequilíbrio mental e a psicopatia com a assistência a corridas de touros, por muito que as autoridades públicas insistam em evitar-nos a infelicidade à base de intromissões em futilidades como estas.
Terça-feira, Março 18, 2008
MUSICAS PARA O RITITI-BOY (III)
Camarón de la Isla - Sevillanas
Se o meu filho perceber a importância deste homem para a cultura universal, já me dou por satisfeita. Depois Bach, Mozart ou Beatles já entrarão sozinhos.
Etiquetas: VIDA DE PRENHA
Segunda-feira, Março 17, 2008
MOMENTO GINA: UM NOVO AMOR

"Llega lo chic y salimos perdiendo. Eva Harrington le gana la batalla a Margo Channing. Se imponen las mosquitas muertas y el culto a la contención. Fracasa el gusto por la diversión y vence el miedo a equivocarse. Y el tedio, que es muy chic."
E ante tanta sabedoria, apresento aqui a minha vénia a Bob Pop, cronista e blogger do mundo hipânico e a nova referência viperina do Rosa Cueca para um mundo à beira de um ataque de piroseira e estupidamente nivelador pela mediocridade, carente de imaginação ou irreverência e cada dia mais sóbrio, puritano, assexuado e medroso. Alguém tem que nos salvar desta seca, credo.

"Llega lo chic y salimos perdiendo. Eva Harrington le gana la batalla a Margo Channing. Se imponen las mosquitas muertas y el culto a la contención. Fracasa el gusto por la diversión y vence el miedo a equivocarse. Y el tedio, que es muy chic."
E ante tanta sabedoria, apresento aqui a minha vénia a Bob Pop, cronista e blogger do mundo hipânico e a nova referência viperina do Rosa Cueca para um mundo à beira de um ataque de piroseira e estupidamente nivelador pela mediocridade, carente de imaginação ou irreverência e cada dia mais sóbrio, puritano, assexuado e medroso. Alguém tem que nos salvar desta seca, credo.
Etiquetas: momento gina
Sexta-feira, Março 14, 2008
RITITI EDUCA O POVÃO - SEXTAS FEIRAS COM GRELO

A partir de hoje, todas as sextas-feiras e porque estava a ver que andava com tempo a mais, temos crónicas da vossa Rititi na nova Plataforma PNET MULHER. Um mundo cor-de-rosa, coordenado pela Maria do Céu Brojo, onde escrevem, além desta ídola universal, Ana Anes, Marta Botelho, Mónica Marques (a giríssima autora do estupendo Sushileblon), a nossa "sem pénis nem inveja" Teresa Castro, Paula Capaz e a minha coisamaislinda, a grande Sofia Vieira.
A minha primeira crónica, já on-line, versa sobre o fascinante mundo das creches em Madrid e não está, de todo, destinada às donas de casa que têm meios e maridos que financiem uma maternidade a tempo completo, mas sim a mulheres que saem de casa na terrível madrugada dos dias e não têm mães, sogras ou criadas a quem deixar o ser, que é um bebé, e precisa de cuidados específicos, profissionais e supervisionados. Sim, é o meu caso, desculpem-me o egocentrismo de classe média-baixa.
(Para o tomatame, há a versão com pilinha, o PNET HOMEM, para casos de próstatas maltratadas. Com Rui Pelejão Marques, às quintas feiras. Um must)

A partir de hoje, todas as sextas-feiras e porque estava a ver que andava com tempo a mais, temos crónicas da vossa Rititi na nova Plataforma PNET MULHER. Um mundo cor-de-rosa, coordenado pela Maria do Céu Brojo, onde escrevem, além desta ídola universal, Ana Anes, Marta Botelho, Mónica Marques (a giríssima autora do estupendo Sushileblon), a nossa "sem pénis nem inveja" Teresa Castro, Paula Capaz e a minha coisamaislinda, a grande Sofia Vieira.
A minha primeira crónica, já on-line, versa sobre o fascinante mundo das creches em Madrid e não está, de todo, destinada às donas de casa que têm meios e maridos que financiem uma maternidade a tempo completo, mas sim a mulheres que saem de casa na terrível madrugada dos dias e não têm mães, sogras ou criadas a quem deixar o ser, que é um bebé, e precisa de cuidados específicos, profissionais e supervisionados. Sim, é o meu caso, desculpem-me o egocentrismo de classe média-baixa.
(Para o tomatame, há a versão com pilinha, o PNET HOMEM, para casos de próstatas maltratadas. Com Rui Pelejão Marques, às quintas feiras. Um must)
Etiquetas: PNET MULHER, Rititi educa o Povão
Quinta-feira, Março 13, 2008
IKEA, nivelar para vender
Aqui, querido Pedro, no reino zapatero, IKEA (que nunca se pronunciará iquéia, como na pátria lusa) é masculino. Aqui vai-se ao IKEA para ser tratados abaixo de cão, carregar caixas impossíveis, comer cachorros a cinquenta cêntimos ou combinar cadeiras ANTNÄS com estructuras STOLMEN sem ter a mínima noção de interiorismo, engenharia ou sentido geográfico da decoração. Claro que há povo para tudo, que faz excursões ao IKEA como opção lógica ao Prado e cuja biblioteca está composta por catálogos de móveis e tapetes fabricados no Vietnam por meninos explorados, mas da estupidez alheia eu não tenho culpa.
Depois há gente como eu, que vai ao IKEA de Alcorcón porque é tesa e simplesmentee compra uma estante branca, paga o transporte, tira o dia para esperar a entrega que chegará entre as 10 da manhã e as 7 da tarde (aproximadamente) e quando abre a embalagem.... enganou-se na cor da estante! Horror, é preta!!! E tem que a devolver. E não tem carrinha. Só um telefone de atenção ao cliente que nunca é atendido. Duas viagens ao IKEA por uma m30 em obras, uma reclamação por escrito e quinze dias depois, lá foram dois simpáticos brasileiros a minha casa para apanhar a puta da estante. Primeiro passo superado, agora é só esperar a estante branca. Passados outros quinze dias e porque o cabrão de telefone de assistência não assistia nada, lá tive de voltar ao IKEA. Então e a minha estante branca? Em sua casa, diz a menina fardada atrás do balcão. NÃO!!! Após explicações, mais reclamações por escrito e a ameaça física derivada do meu evidente estado de prenhez consegui fazer-me entender: QUERO A MINHA ESTANTE (ou a devolução dos 250 aurélios). Tábem abelha. Outro mês e da estante, népias. Pergunto-me para que precisarei eu de uma estante e quando já me tinha feito à ideia do minimalismo como modo de vida, pimba, lá atendo o telefonema mágico: hoje vamos levar a sua estante preta. Preta? Mas eu queria o modelo branco! A sério? Palavra de honra, juro-lhe pela alminha da minha gata morta que sim. Mas o cabrão do brasileiro diz-me que não, que me foda, que ou fico com a preta ou nada. E outra vez telefonar para o telefone de assistência ao cliente (e atender é mentira, claro) e outra vez sair do trabalho a correr para ir aos filhodaputadoscabrões dos armazéns suecos de los cojones que estão no cu Judas e outra vez perguntar à menina fardada atrás do balcão se acha se eu sou estúpida (que o devo ser, pois não faço nada mais que gritar e abanar uma factura cobrada há três meses atrás) ou atrasada mental ou se sou simplesmente vítima de um sádico exercício de pós-venda nórdico, basado nos fillmes do Bergman e nos índices de suicídio na Suécia. À minha volta gritam um inglês cuja jugular rebentará em breves segundos, um espanholito com cara de veraneante na Figueira da Foz, um casal de fufas despenteadas e uns velhinhos com pinta de terem sido muito pacientes até esse momento.
O IKEA tira muita gente do sério, com a política de faça você mesmo, da nivelação democrática por baixo, do todos podemos apresentar um programa de bricolage graças aos estupdendos manuais de montagem, das meninas fardadas que nos tratam como uma estúpida superioridade dada pelo computador e o "sistema diz que não", do telefone de assistência onde se reclama por monossílabos e pela igualdade por catálogo. A minha estante, já agora, uma semana depois chegou a casa, onde foi montada por um voluntarioso Mr. Pinheiro aos pontapés contra as peças de contraplacado. Nunca mais voltei ao IKEA e preferi procurar lojas de bairro, mais caras e mais lentas, onde não me dêem um pontapé no cu cada vez que tenho um problema com o suposto eficaz sistema de venda. O meu objectivo está posto nas exclusivas lojas do Bairro de Salamanca, mas até lá também não preciso que tratem como uma besta suburbana. Até porque o IKEA é mais barato, mas não é grátis e a mim custa-me muito ganhar o meu parco ordenado.
Aqui, querido Pedro, no reino zapatero, IKEA (que nunca se pronunciará iquéia, como na pátria lusa) é masculino. Aqui vai-se ao IKEA para ser tratados abaixo de cão, carregar caixas impossíveis, comer cachorros a cinquenta cêntimos ou combinar cadeiras ANTNÄS com estructuras STOLMEN sem ter a mínima noção de interiorismo, engenharia ou sentido geográfico da decoração. Claro que há povo para tudo, que faz excursões ao IKEA como opção lógica ao Prado e cuja biblioteca está composta por catálogos de móveis e tapetes fabricados no Vietnam por meninos explorados, mas da estupidez alheia eu não tenho culpa.
Depois há gente como eu, que vai ao IKEA de Alcorcón porque é tesa e simplesmentee compra uma estante branca, paga o transporte, tira o dia para esperar a entrega que chegará entre as 10 da manhã e as 7 da tarde (aproximadamente) e quando abre a embalagem.... enganou-se na cor da estante! Horror, é preta!!! E tem que a devolver. E não tem carrinha. Só um telefone de atenção ao cliente que nunca é atendido. Duas viagens ao IKEA por uma m30 em obras, uma reclamação por escrito e quinze dias depois, lá foram dois simpáticos brasileiros a minha casa para apanhar a puta da estante. Primeiro passo superado, agora é só esperar a estante branca. Passados outros quinze dias e porque o cabrão de telefone de assistência não assistia nada, lá tive de voltar ao IKEA. Então e a minha estante branca? Em sua casa, diz a menina fardada atrás do balcão. NÃO!!! Após explicações, mais reclamações por escrito e a ameaça física derivada do meu evidente estado de prenhez consegui fazer-me entender: QUERO A MINHA ESTANTE (ou a devolução dos 250 aurélios). Tábem abelha. Outro mês e da estante, népias. Pergunto-me para que precisarei eu de uma estante e quando já me tinha feito à ideia do minimalismo como modo de vida, pimba, lá atendo o telefonema mágico: hoje vamos levar a sua estante preta. Preta? Mas eu queria o modelo branco! A sério? Palavra de honra, juro-lhe pela alminha da minha gata morta que sim. Mas o cabrão do brasileiro diz-me que não, que me foda, que ou fico com a preta ou nada. E outra vez telefonar para o telefone de assistência ao cliente (e atender é mentira, claro) e outra vez sair do trabalho a correr para ir aos filhodaputadoscabrões dos armazéns suecos de los cojones que estão no cu Judas e outra vez perguntar à menina fardada atrás do balcão se acha se eu sou estúpida (que o devo ser, pois não faço nada mais que gritar e abanar uma factura cobrada há três meses atrás) ou atrasada mental ou se sou simplesmente vítima de um sádico exercício de pós-venda nórdico, basado nos fillmes do Bergman e nos índices de suicídio na Suécia. À minha volta gritam um inglês cuja jugular rebentará em breves segundos, um espanholito com cara de veraneante na Figueira da Foz, um casal de fufas despenteadas e uns velhinhos com pinta de terem sido muito pacientes até esse momento.
O IKEA tira muita gente do sério, com a política de faça você mesmo, da nivelação democrática por baixo, do todos podemos apresentar um programa de bricolage graças aos estupdendos manuais de montagem, das meninas fardadas que nos tratam como uma estúpida superioridade dada pelo computador e o "sistema diz que não", do telefone de assistência onde se reclama por monossílabos e pela igualdade por catálogo. A minha estante, já agora, uma semana depois chegou a casa, onde foi montada por um voluntarioso Mr. Pinheiro aos pontapés contra as peças de contraplacado. Nunca mais voltei ao IKEA e preferi procurar lojas de bairro, mais caras e mais lentas, onde não me dêem um pontapé no cu cada vez que tenho um problema com o suposto eficaz sistema de venda. O meu objectivo está posto nas exclusivas lojas do Bairro de Salamanca, mas até lá também não preciso que tratem como uma besta suburbana. Até porque o IKEA é mais barato, mas não é grátis e a mim custa-me muito ganhar o meu parco ordenado.
Etiquetas: blogosfera, IKEA
MOMENTO GINA: GRELAME POWER

"Mi cuerpo es lindo. ¿Por qué no enseñarlo?": Soraia Chaves, em entrevista ao EL PAIS, enquanto encaixa à hora de almoço umas migas de batata e ovo, amêijoas à bulhão pato, ensopado de borrego e uma garrafa de tinto Quinta do Portal. Esta sim é a verdadeira emancipação da mulher.
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Terça-feira, Março 11, 2008
RITITI NO AR
Hoje pelas nove da manhã, os mais fiéis leitores poderão ouvir-me na Antena 1. Desde Madrid, na estação de Atocha, entre a memória dos corpos mutilados, a dor pela incompreensão e a necessidade de continuar vivo. Pelos que foram, pelos que serão, por nós. (Imagens no site da Antena 1)
UM ANO
(Texto publico no DNa em Março de2005, no primeiro aniversário do 11-M)
Num ano há tempo para muita coisa: parir, mudar de casa e de penteado, deixar de fumar, começar a beber, perder umas eleições, ganhar a Taça dos Campeões, casar, dar a volta ao mundo, chorar por quem partiu, fundar um partido político, recordar. Num ano uma capital europeia restaura prédios, amplia a rede do metro, cria guetos, inaugura escolas, restringe a hora fecho de bares, recebe líderes mundiais. E Madrid, nesse ano, teve tempo para montar um casamento real, candidatar-se aos Jogos Olímpicos, fechar as ruas do centro ao trânsito, abrir as portas à legalização de emigrantes sem papéis e lamber as feridas.
Há um ano dez bombas acordaram-me. A imagem de quatro comboios retorcidos em Atocha, estupidamente impedidos de chegar ao destino, levantaram-me da cama e acabaram com a ressaca de quem dormiu três horas porque preferiu ficar nos copos com os amigos e dançar samba num bar brasileiro a ser uma responsável profissional dos tempos modernos. Anestesiada com o cheiro de uma morte que poderia ter sido a minha, o dia 11 de Março de 2004 passei-o a olhar para um ecrã de computador carrasco, sessenta, oitenta e quatro cadáveres, centenas de feridos, notícias de telemóveis perdidos nas carruagens rebentadas que ninguém queria atender, cento e cinquenta mortos, pedaços de carne, linhas telefónicas impedidas, estás bem, sim Mãe, gosto muito de ti, lágrimas, muitas. Quem foi, porquê nós, não é justo. E os mortos que não paravam de aumentar, e as filas para doar sangue, e as mantas oferecidas pelos vizinhos da estação, e cidadãos anónimos que exerceram de psicólogos e amigos naquela macabra morgue improvisada num pavilhão de feira, e as manifestações espontâneas na Porta do Sol, e as gentes perdidas de dor nas ruas, desespero e fúria, e meu amor vamos para casa, hoje preciso de me agarrar a ti. E o medo de andar de metro, e a manifestação de dois milhões de pessoas debaixo da chuva. E dizer não. Nunca mais. Já chega.
Espanha levantou estátuas em homenagem às cento e noventa e uma vítimas mortais e aos que ficaram amputados de filhos, irmãos ou amigos; aos voluntários o Alcalde da capital dedicou uma placa em mármore de sincero agradecimento nas portas do Ayuntamiento; aumentaram as câmaras de vídeo e guardas nos transportes públicos; institui-se uma comissão parlamentar para apurar responsabilidades políticas; prenderam-se maus da fita; caiu um governo mentiroso e renovou-se a Assembleia.
E a capital voltou à vida e aos bares cheios, aos mendigos que elogiam as pernas das mulheres apressadas, ao trânsito impossível, aos saldos e à histeria para conseguir um vestido da colecção de Karl Lagerfeld para a H&M, ao emprego que não satisfaz mas paga a renda da casa, à gata com o cio e às estações do ano. Porque a vida deve continuar. Madrid, apesar de assustada, casou um Príncipe herdeiro com uma plebeia, e agora, a um ano das bombas e da morte, as conversas giram em torno à não gravidez da Princesa, à sua extrema magreza e aos sapatos que compra no Bairro de Salamanca. As páginas dos jornais discutem as amizades perigosas da Câmara Municipal com os construtores civis, Ronaldo dá tema a programas do coração com sórdidas histórias de cama envolvendo modelos com sede de fama e o Atlético de Madrid nunca mais ganha um jogo fora de casa. A Audiência Nacional, primus inter pares dos tribunais, abarrota com crimes sexuais, terroristas e financeiros, com o Emílio Botín a protagonizar um suposto escândalo bancário que nem a bolsa mexe, e até Bill Gates visitou a cidade numa visita relâmpago com funções de «marketing».
Mas Madrid não esquece. Um ano depois, os feridos, os voluntários, os órfãos e os viúvos continuam a chorar as mágoas e a reclamar as indemnizações prometidas. Uma paragem abrupta do metro encolhe o coração e um incêndio num arranha-céus faz lembrar que o perigo está aí. Todas as semanas noticiam que mais um cabecilha do massacre do 11-M foi apanhado, até então mais um ser anónimo com direito a uma existência corriqueira num bairro de Madrid, namorada espanhola e cartão de residente. Ninguém está a salvo do medo de voltar a andar de comboio ou de perder um amigo.
Porque fomos todos os madrilenos o alvo da infâmia cometida nesse dia que só prometia chuva, ressaca e banalidade. E madrilenos somos os que cá vivemos, equatorianos, moldavos, espanhóis «de toda la vida», os que viajam de comboio, ilegais e expatriados, donas de casa, meninos de colo, até executivos de passagem no aeroporto, universitários sem bolsa de estudos, portugueses emigrados, pedintes, bancários, médicos e putas da Calle Montera. Os assassinos que planearam durante anos o atentado não visaram aniquilar quem tem o poder de invadir países. A chantagem, o ódio e a cobardia escolheram como vítima o que representa o quotidiano, o crédito à habitação, as férias de verão e as eleições cada quatro anos – o nosso direito a escolher a existência que queremos viver, a possibilidade de fumar quando nos apraz, de amar e de dar vida. E há um ano Madrid optou por continuar em frente, às vezes com medo, outras com lágrimas a recordar uma dor que ainda não se foi embora, mas em frente.
Num ano há tempo para muita coisa, sobretudo para não desistir da vida.
UM ANO
(Texto publico no DNa em Março de2005, no primeiro aniversário do 11-M)
Num ano há tempo para muita coisa: parir, mudar de casa e de penteado, deixar de fumar, começar a beber, perder umas eleições, ganhar a Taça dos Campeões, casar, dar a volta ao mundo, chorar por quem partiu, fundar um partido político, recordar. Num ano uma capital europeia restaura prédios, amplia a rede do metro, cria guetos, inaugura escolas, restringe a hora fecho de bares, recebe líderes mundiais. E Madrid, nesse ano, teve tempo para montar um casamento real, candidatar-se aos Jogos Olímpicos, fechar as ruas do centro ao trânsito, abrir as portas à legalização de emigrantes sem papéis e lamber as feridas.
Há um ano dez bombas acordaram-me. A imagem de quatro comboios retorcidos em Atocha, estupidamente impedidos de chegar ao destino, levantaram-me da cama e acabaram com a ressaca de quem dormiu três horas porque preferiu ficar nos copos com os amigos e dançar samba num bar brasileiro a ser uma responsável profissional dos tempos modernos. Anestesiada com o cheiro de uma morte que poderia ter sido a minha, o dia 11 de Março de 2004 passei-o a olhar para um ecrã de computador carrasco, sessenta, oitenta e quatro cadáveres, centenas de feridos, notícias de telemóveis perdidos nas carruagens rebentadas que ninguém queria atender, cento e cinquenta mortos, pedaços de carne, linhas telefónicas impedidas, estás bem, sim Mãe, gosto muito de ti, lágrimas, muitas. Quem foi, porquê nós, não é justo. E os mortos que não paravam de aumentar, e as filas para doar sangue, e as mantas oferecidas pelos vizinhos da estação, e cidadãos anónimos que exerceram de psicólogos e amigos naquela macabra morgue improvisada num pavilhão de feira, e as manifestações espontâneas na Porta do Sol, e as gentes perdidas de dor nas ruas, desespero e fúria, e meu amor vamos para casa, hoje preciso de me agarrar a ti. E o medo de andar de metro, e a manifestação de dois milhões de pessoas debaixo da chuva. E dizer não. Nunca mais. Já chega.
Espanha levantou estátuas em homenagem às cento e noventa e uma vítimas mortais e aos que ficaram amputados de filhos, irmãos ou amigos; aos voluntários o Alcalde da capital dedicou uma placa em mármore de sincero agradecimento nas portas do Ayuntamiento; aumentaram as câmaras de vídeo e guardas nos transportes públicos; institui-se uma comissão parlamentar para apurar responsabilidades políticas; prenderam-se maus da fita; caiu um governo mentiroso e renovou-se a Assembleia.
E a capital voltou à vida e aos bares cheios, aos mendigos que elogiam as pernas das mulheres apressadas, ao trânsito impossível, aos saldos e à histeria para conseguir um vestido da colecção de Karl Lagerfeld para a H&M, ao emprego que não satisfaz mas paga a renda da casa, à gata com o cio e às estações do ano. Porque a vida deve continuar. Madrid, apesar de assustada, casou um Príncipe herdeiro com uma plebeia, e agora, a um ano das bombas e da morte, as conversas giram em torno à não gravidez da Princesa, à sua extrema magreza e aos sapatos que compra no Bairro de Salamanca. As páginas dos jornais discutem as amizades perigosas da Câmara Municipal com os construtores civis, Ronaldo dá tema a programas do coração com sórdidas histórias de cama envolvendo modelos com sede de fama e o Atlético de Madrid nunca mais ganha um jogo fora de casa. A Audiência Nacional, primus inter pares dos tribunais, abarrota com crimes sexuais, terroristas e financeiros, com o Emílio Botín a protagonizar um suposto escândalo bancário que nem a bolsa mexe, e até Bill Gates visitou a cidade numa visita relâmpago com funções de «marketing».
Mas Madrid não esquece. Um ano depois, os feridos, os voluntários, os órfãos e os viúvos continuam a chorar as mágoas e a reclamar as indemnizações prometidas. Uma paragem abrupta do metro encolhe o coração e um incêndio num arranha-céus faz lembrar que o perigo está aí. Todas as semanas noticiam que mais um cabecilha do massacre do 11-M foi apanhado, até então mais um ser anónimo com direito a uma existência corriqueira num bairro de Madrid, namorada espanhola e cartão de residente. Ninguém está a salvo do medo de voltar a andar de comboio ou de perder um amigo.
Porque fomos todos os madrilenos o alvo da infâmia cometida nesse dia que só prometia chuva, ressaca e banalidade. E madrilenos somos os que cá vivemos, equatorianos, moldavos, espanhóis «de toda la vida», os que viajam de comboio, ilegais e expatriados, donas de casa, meninos de colo, até executivos de passagem no aeroporto, universitários sem bolsa de estudos, portugueses emigrados, pedintes, bancários, médicos e putas da Calle Montera. Os assassinos que planearam durante anos o atentado não visaram aniquilar quem tem o poder de invadir países. A chantagem, o ódio e a cobardia escolheram como vítima o que representa o quotidiano, o crédito à habitação, as férias de verão e as eleições cada quatro anos – o nosso direito a escolher a existência que queremos viver, a possibilidade de fumar quando nos apraz, de amar e de dar vida. E há um ano Madrid optou por continuar em frente, às vezes com medo, outras com lágrimas a recordar uma dor que ainda não se foi embora, mas em frente.
Num ano há tempo para muita coisa, sobretudo para não desistir da vida.
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Segunda-feira, Março 10, 2008
CARAS NOVAS PARA A ESPANHA DE FUTURO

TAMARA FALCÓ, capa da Biblía
Requetevotado o futuro da outra vez Espanha Zapatera, mais obrigação não temos que esquecer estadísticas, sondagens e vozes de autoperitos radiofónicos e ignorar toda rumorologia e teoria conspirativa que desculpe a derrota que já vinha cantada e uma vitória por castigo. O PP perdeu sozinho, sem ajuda de ningúem, puntopelota.
Adiante que se faz tarde e o amanhã já exige novas respostas, novas caras, novos ídolos de massas para quatro anos de nacionalporreirismo que se adivinha em nome da esquerda moderna, baixa em calorias, não fumadora, anti-taurina e linguisticamente correcta com as sensibilidades femininas, transexuais, republicanas, arábicas, laicas, nacionalistas e anti-israelitas. E sabendo que o Blogue Rosa-Cueca é referência mundial para tudo o relacionado com o socialaite, tendências e bom gosto em geral (quatro anos de blogosfera dão para muita coisa) adianto-me às necessidades e proponho informar a colectividade rititiniana das personagens do futuro, das caras que encherão capas de revista, programas de televisão, primeiras filas na passarela de Milão, lojas de luxo e bares da moda. Porque nem só de Isabel Pantoja vive uma leitora da Hola!, porque a Baronesa Thyssen também tem um filho que é notícia, porque Penélope Cruz vende mais que Julio Iglesias, começa hoje uma nova série imprescindível para sobreviver ao quotidiano maldito e soporífero das nove às cinco.
Hoje, Tamara Falcó, filha de Isabel Presley e de Carlos Falcó y Fernández de Córdoba, que é como quem diz a herdeira da monarca absoluta das revistas do coração e do Marquês de Griñón, Grande de Espanha, primo da Casa de Alba e um dos maiores vinicultores das terras ibéricas. Toda uma genealogia regada em €uros e pedigree total que faz de Tamara a pura-sangue da alta sociedade espanhola, com esse toque de pijerío na fala e tontice na forma imprescindíveis para ser admirada e gozada em doses iguais por paparazzis e jornalistas órfãos de verdadeiras celebrities e intoxicados de tanta ordinarice rosa composta por actrizes de telenovelas com ares de famosas de saldo, cantoras que mal se sabem vestir quanto mais soletrar v-a-n-i-t-y-f-a-i-r, vizinhas do prédio periférico da que se diz amante do concurrente anónimo de quinto bigbrother.
Desde aqui elevamos Tamara a novo ídolo do mundo do coração, por ser a genuína sucessora do estilo Hola!, refinado, altivo, multimilionário e sem qualquer interesse pelo mundo real, esse que contam os telejornais que existe mas que é chato, miserável, sujo, vulgar e não sabe da existência de Aspen, Forbes, a Côte d'Azur, aviões privados e compras em Ortega y Gasset. Só cultura gratuita, para que logo se queixem que não vos ensino nada.
Adiante que se faz tarde e o amanhã já exige novas respostas, novas caras, novos ídolos de massas para quatro anos de nacionalporreirismo que se adivinha em nome da esquerda moderna, baixa em calorias, não fumadora, anti-taurina e linguisticamente correcta com as sensibilidades femininas, transexuais, republicanas, arábicas, laicas, nacionalistas e anti-israelitas. E sabendo que o Blogue Rosa-Cueca é referência mundial para tudo o relacionado com o socialaite, tendências e bom gosto em geral (quatro anos de blogosfera dão para muita coisa) adianto-me às necessidades e proponho informar a colectividade rititiniana das personagens do futuro, das caras que encherão capas de revista, programas de televisão, primeiras filas na passarela de Milão, lojas de luxo e bares da moda. Porque nem só de Isabel Pantoja vive uma leitora da Hola!, porque a Baronesa Thyssen também tem um filho que é notícia, porque Penélope Cruz vende mais que Julio Iglesias, começa hoje uma nova série imprescindível para sobreviver ao quotidiano maldito e soporífero das nove às cinco.
Hoje, Tamara Falcó, filha de Isabel Presley e de Carlos Falcó y Fernández de Córdoba, que é como quem diz a herdeira da monarca absoluta das revistas do coração e do Marquês de Griñón, Grande de Espanha, primo da Casa de Alba e um dos maiores vinicultores das terras ibéricas. Toda uma genealogia regada em €uros e pedigree total que faz de Tamara a pura-sangue da alta sociedade espanhola, com esse toque de pijerío na fala e tontice na forma imprescindíveis para ser admirada e gozada em doses iguais por paparazzis e jornalistas órfãos de verdadeiras celebrities e intoxicados de tanta ordinarice rosa composta por actrizes de telenovelas com ares de famosas de saldo, cantoras que mal se sabem vestir quanto mais soletrar v-a-n-i-t-y-f-a-i-r, vizinhas do prédio periférico da que se diz amante do concurrente anónimo de quinto bigbrother.
Desde aqui elevamos Tamara a novo ídolo do mundo do coração, por ser a genuína sucessora do estilo Hola!, refinado, altivo, multimilionário e sem qualquer interesse pelo mundo real, esse que contam os telejornais que existe mas que é chato, miserável, sujo, vulgar e não sabe da existência de Aspen, Forbes, a Côte d'Azur, aviões privados e compras em Ortega y Gasset. Só cultura gratuita, para que logo se queixem que não vos ensino nada.
Etiquetas: MUNDO ROSA
Domingo, Março 09, 2008
RITITI EDUCA O POVÃO - MÚSICA CLÁSSICA (III)
Chavela Vargas - En el último trago
Tómate esta botella conmigo
en el último trago nos vamos
quiero ver a qué sabe tu olvido
sin poner en mis ojos tus manos
Esta noche no voy a rogarte
Esta noche te vas que de veras
que difícil tener de olvidarte
y que sienta que ya no me quieras
Nada me han enseñado los años
siempre caigo en los mismos errores
otra vez a brindar con extraños
y a llorar por los mismos dolores
Tómate esta botella conmigo
en el último beso nos vamos
esperemos que no haya testigos
por si acaso nos diera vergüenza
Si algún día sin querer tropezamos
no te agaches ni me hables de frente
simplemente la mano nos damos
y después que murmure la gente
Nada me han enseñado...
Etiquetas: Rititi educa o Povão
Sábado, Março 08, 2008

(laço roubado ao João Vacas)
Em Portugal, os jonais "de referência" não acham importante o assassinato de um homem inocente, desprotegido, a mãos dos filhos da puta da ETA. As grande reportagens vão para meninas desaparecidas, marchas de grevistas, notícias da vida. Não temos nada a ver com isso, devem pensar os editores da imprensa nossa, trata-se de um problema local, de um acto de um grupo de ideólogos que também tem direito a manifestar a sua opinião, ai, ainda bem que nós nos livrámos dos cabrões dos espanhóis.
Deste lado da fronteira, se alguém quer saber, a dor é imensa. Já estamos fartos destes mercenários que sempre são protegidos pelos mesmos: pelo Partido Nacionalista Vasco, pela esquerda que só condena quando há mortos no chão mas que é capaz de pactar em câmaras municipais em nome duma ideia idiota da República e da democracia, e pela a imprensa - como a portuguesas, sim - que até entende que a luta pela autodeterminação e a liberdade tem os seus custos. Eu vos direi quais são os custos: a liberdade de todos nós, a nosso direito a levantar a voz e a dizer que não, a capacidade de votar e decidir quem deve e não estar nos parlamentos. Em Espanha alguns assassinos (não lunáticos, não loucos, não simples filhos da puta) pretendem que vivamos todos calados. Matam, põem bombas, ameaçam com cartas, disparam pelas costas. Há quem nos jornais portugueses não ache isto importante. É a doce sabedoria do sopor.
Deste lado da fronteira, se alguém quer saber, a dor é imensa. Já estamos fartos destes mercenários que sempre são protegidos pelos mesmos: pelo Partido Nacionalista Vasco, pela esquerda que só condena quando há mortos no chão mas que é capaz de pactar em câmaras municipais em nome duma ideia idiota da República e da democracia, e pela a imprensa - como a portuguesas, sim - que até entende que a luta pela autodeterminação e a liberdade tem os seus custos. Eu vos direi quais são os custos: a liberdade de todos nós, a nosso direito a levantar a voz e a dizer que não, a capacidade de votar e decidir quem deve e não estar nos parlamentos. Em Espanha alguns assassinos (não lunáticos, não loucos, não simples filhos da puta) pretendem que vivamos todos calados. Matam, põem bombas, ameaçam com cartas, disparam pelas costas. Há quem nos jornais portugueses não ache isto importante. É a doce sabedoria do sopor.
Sexta-feira, Março 07, 2008
MOMENTO GINA: UMA REFLEXÃO PARA O DIA DO GRELO
(Póster soviético de 1932 para o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora)
Enquanto não inventarem um verniz das unhas que resista a uma crónica de, mínimo, 2.500 caracteres continua a fazer sentido celebrar o dia 8 de Março. Chamem-lhe exigências do pós-feminismo, sei lá, mas não conheço nenhum homem que sofra do sindroma da manicura arruinada por um teclado. Só ralações da mulher moderna, nem imaginam.
Etiquetas: direitos das mulheres
Quarta-feira, Março 05, 2008
RITITI, ANALISTA POLÍTICA
Porque o ego de uma grávida é, de facto, coisa fodida, aqui vos deixo o vídeo do Jornal da Noite da SIC de 4 de Março. Gira e despachada, como me ratificou a minha mãe por telefone, podem ver-me a opinar sobre a fascinante (?) campanha eleitoral espanhola. Só é pena que não se aprecie o poder da minha prenhez, agora que está exultante.
Mas se o Enrique Pinto-Coelho me tivesse dado mais meia horinha para falar sobre os debates (trinta segundos nunca serão suficientes para uma verdadeira rititi), teria dito que foi vergonhosa a forma em como foram preparados, desde o papel de árbitro de ténis que jogaram os dois moderadores à apresentação de temas que ninguém parecia estar interessado em aprofundar por falta de preparação ou respeito ao público, passando pela utilização de dados falsos e cujas fontes não foram referidas e o desprezo à inteligência da audiência. Nenhum dos dois falou de Europa, nenhum dos dois mostrou uma visão global de Espanha para além de um estado movido por políticas provincianas e localistas, nenhum dos dois soube argumentar a favor ou em contra da emigração sem passar pela xenofobia ou a caridade, nenhum dos dois apresentou um verdadeiro pacote de reformas de política económica que não caissem na demagogia do subsídio ou saldos na fiscalidade, nenhum dois dois foi capaz de dar uma imagem decente, de líder respeitável e preparado para falar para um público que lhes vai votar e pagar o ordenado. Nenhum falou da perseguição de mulheres que abortaram legalmente ou morreram por maus-tratos, das centenas de casos de nojenta e milionária corrupção urbanística nas câmaras municipais lideradas por ambos partidos, da inutilidade da Lei da Igualdade ou da impossibilidade de aplicar a Lei de Dependência. Ainda bem que não posso votar cá, as hipóteses são lamentáveis.
Mas se o Enrique Pinto-Coelho me tivesse dado mais meia horinha para falar sobre os debates (trinta segundos nunca serão suficientes para uma verdadeira rititi), teria dito que foi vergonhosa a forma em como foram preparados, desde o papel de árbitro de ténis que jogaram os dois moderadores à apresentação de temas que ninguém parecia estar interessado em aprofundar por falta de preparação ou respeito ao público, passando pela utilização de dados falsos e cujas fontes não foram referidas e o desprezo à inteligência da audiência. Nenhum dos dois falou de Europa, nenhum dos dois mostrou uma visão global de Espanha para além de um estado movido por políticas provincianas e localistas, nenhum dos dois soube argumentar a favor ou em contra da emigração sem passar pela xenofobia ou a caridade, nenhum dos dois apresentou um verdadeiro pacote de reformas de política económica que não caissem na demagogia do subsídio ou saldos na fiscalidade, nenhum dois dois foi capaz de dar uma imagem decente, de líder respeitável e preparado para falar para um público que lhes vai votar e pagar o ordenado. Nenhum falou da perseguição de mulheres que abortaram legalmente ou morreram por maus-tratos, das centenas de casos de nojenta e milionária corrupção urbanística nas câmaras municipais lideradas por ambos partidos, da inutilidade da Lei da Igualdade ou da impossibilidade de aplicar a Lei de Dependência. Ainda bem que não posso votar cá, as hipóteses são lamentáveis.
Etiquetas: crónicas de españa
Domingo, Março 02, 2008
RITITI EDUCA O POVÃO - MÚSICA CLÁSSICA (II)
Amália Rodrigues - Gaivota
(Alexandre O'Neill / Alain Oulman)
Se uma gaivota viesse
Trazer-me o céu de lisboa
No desenho que fizesse,
Nesse céu onde o olhar
É uma asa que não voa,
Esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração
No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro,
Dos sete mares andarilho,
Fosse quem sabe o primeiro
A contar-me o que inventasse,
Se um olhar de novo brilho
No meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração
No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida
As aves todas do céu,
Me dessem na despedida
O teu olhar derradeiro,
Esse olhar que era só teu,
Amor que foste o primeiro.
Que perfeito coração
Morreria no meu peito,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde perfeito
Bateu o meu coração.
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