Terça-feira, Abril 29, 2008

ESTA SEMANA NÃO ESPEREM NADA DE MIM



De Carmela Soprano curiosamente pouco foi dito, como se a estética da unhaca lacada de meio metro fosse suficiente para resumir a complexidade desta abelha-rainha do subúrbio manfio. Mas ainda faltam dez capítulos para me poder dedicar ao blogue com seriedade, tenham paciência. E aliás, hoje começo com as aulas de preparação para o parto, conhecido a partir de agora como O Mestrado.

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Segunda-feira, Abril 28, 2008

ESTA SEMANA NÃO ESPEREM NADA DE MIM



Estou encerrada* em casa a ver a sexta temporada dos Sopranos, temporada esta que tive que comprar na Fnac do Chiado porque em Madrid népias, puff, nem sonham quando a terão à venda. Para que logo digam que Espanha é um país avançado, moderno e que merece estar no G-8. O caralhinho, é o que é.
(*encerrada = afundada no sofá e alimentada a soro)

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Sexta-feira, Abril 25, 2008

Nasci um ano depois do 25 de Abril e por muito que leia ou estude sou incapaz de pensar a vida em ditadura, olhando sempre para trás, duvidando do confidente, escondendo livros, pensando no meu irmão morto na Guiné, precisando de autorização do meu pai-marido para comprar um carro. E ouvir vozes saudosas de um passado a preto e branco, vozes que lamentam tempos de morte numa guerra longínqua parece-me horrendo, sinal de gente muito mesquinha, pobre da cabeça e miserável, até. Esta semana, o poeta argentino Juan Gelman recebeu o Premio Cervantes da Língua Espanhola com um discurso terrivelmente dramático que reivindicava a força da memória contra o terror da ditadura, a necessidade de nunca esquecer a morte de inocentes (na Argentina foram desaparecidas mais de 30.000 pessoas, em Portugal uma geração perdeu-se numa guerra que só interessava a uma pandilha de lunáticos agarrados a uma certa ideia de historia) e a urgência do resgate da memória como “único caminho para construir uma consciência civil sólida que abra as portas do futuro”.

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Quarta-feira, Abril 23, 2008

E HOJE EM MADRID, A NOITE DOS LIVROS



E conferências de Juan Gelman e Michel Houellebecq e concertos grátis e livrarias abertas até à meia noite e programação infantil nas bibliotecas e concursos de poesia sms e livros, muitos livros, com descontos, de segunda mão, gastos e assinados pelos autores, à venda nas praças, à porta das lojas e nas ruas, porque é nas ruas que Madrid vive, se expande, de copo na mão e livro na outra, a falar, a trocar umas ideias, a festejar. Por sorte, vivo numa cidade que usa qualquer pretexto para sair à rua. E o livro é uma belíssima razão para celebrar com os amigos, que raio.

Adenda:
Hoje, também foi a entrega do Prémio Cervantes Juan Gelman:



"Para San Agustín, la memoria es un santuario vasto, sin límite, en el que se llama a los recuerdos que a uno se le antojan. Pero hay recuerdos que no necesitan ser llamados y siempre están ahí y muestran su rostro sin descanso. Es el rostro de los seres amados que las dictaduras militares desaparecieron. Pesan en el interior de cada familiar, de cada amigo, de cada compañero de trabajo, alimentan preguntas incesantes: ¿cómo murieron? ¿Quiénes lo mataron? ¿Por qué? ¿Dónde están sus restos para recuperarlos y darles un lugar de homenaje y de memoria? ¿Dónde está la verdad, su verdad? La nuestra es la verdad del sufrimiento. La de los asesinos, la cobardía del silencio. Así prolongan la impunidad de sus crímenes y la convierten en impunidad dos veces." (o discurso completo no El País)

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Segunda-feira, Abril 21, 2008

31 SEMANAS



Tenho o quarto preparado, o carrinho do bebé, quilos de roupa azul claro e a pele, as unhas e o cabelo numa forma estupenda. Tenho livros de auto-ajuda para antes, durante e depois do parto, a casa limpa de ácaros e até tenho o puto matriculado, inscrito e prometido na creche do bairro. Tenho a família revolucionada e a minha mãe doida por ser avó e uma irmã com ataques de compra compulsiva nas lojas da roupinha mais bonita para a criança que todos esperam. E tenho um marido, amante mais que nunca, que se me abraça à barriga e a todo este meu corpo superlativo, imenso e cheio de vida interior e que me faz perder o equilíbrio e o centro de gravidade, mas que me orgulha de tão bonita que me sinto. E tenho também um medo que me acorda a meio da noite, uma espécie de cagufa da que ninguém me falou e que me obriga a perguntar-me se o farei bem e onde se compra o cabrão do livro de instruções, porque para tudo deveria haver manuais, até para saber onde se desliga, onde se tiram férias da maternidade ou se o amor materno-filial é automático como dizem. Porque uma coisa é estar grávida e outra muito mais fodida, ai, é ser mãe. Não posso ficar prenha mais um par de anos?

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Domingo, Abril 20, 2008

O CAPÍTULO QUE FALTOU NOS SOPRANOS


(Bento XVI em NY)

Tony e Carmela Soprano, com os rebentos Meadow e AJ, nas primeiras filas da Catedral de Saint Patrick, em Nova York a ouvir a homilia de Bento XVI. Com as consabidas invejas de Paulie Walnuts, quem apesar de ter pago inutilmente vinte mil dólares em donativos ao Padre Phil não consegue arranjar convites para a missa, de Christopher Moltisanti que ainda acha que Tony lhe deve esse favor por se ter sincerado sobre a traição de Adriana, do patético Artie Bucco e, claro, de Janice, a cabra da irmã que se (re)converteu ao catolicismo há cinco episódios atrás, quando se soube da visita de Ratzinger aos USA. O único apoio de Tony nesta crise ecuménica que já custou um contrato de obras em New Jersey, um carregamento de camiões roubados nas docas e uma ataque de ansiedade com visita de urgência à Dr. Jennifer Melfi é, como sempre, o fiel consigliere Silvio Dante.
Daqui não se vê, mas podemos imaginar o ar de relativa satisfação de Tony Soprano, a meio da eucaristia e sentado ao lado do Governador do Estado, de pequenos e morenos advogados latinos e as suas recauchutadas mulheres, de chefes da polícia irlandenses e de líderes da próspera comunidade italo-americana, e pensa, what the fuck, para alguma coisa deve servir ser o chefe de uma empresa de recolha de lixo. "All due respect, you got no fucking idea what it's like to be number one."

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Sexta-feira, Abril 18, 2008

Pôr a carroça na frente dos bois



"Parece que volta o mito das duas Espanhas irreconciliáveis e antagónicas. Por um lado na televisão falam-me da Espanha Zapatera, paritária e consagrada pela Lei da Violência de Género e o Ministério da Igualdade, uma Espanha onde uma grávida passa revista a um exército que até há trinta anos servia os desígnios de uma ditadura nascida da guerra civil, uma Espanha de deputados e deputadas, de ministras e ministros, de cidadãos e cidadãs, de espanhóis e espanholas por decreto de lei e por cojones."
(E mais, como todas as sextas, no
PNET Mulher)

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QUE SE FODAM OS ANOS 80


Beverly Hills 90210

Podia ter escolhido Twin Peaks, mas o pedantismo não me seduz o suficiente. Eu sou mais de séries hormonais, roupa gira, sofrimentos de colégio de freiras, complexos sobre o tamanho das mamas e o fim da ortodontia e amores nascidos nas discotecas da moda. Aliás, Laura Palmer já estava morta quando a encontraram, que grande codilho.

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Terça-feira, Abril 15, 2008

RITITI EDUCA O POVÃO: HÁ VIDA ALÉM DE MACARENA


NAJWAJEAN - Crime

Para os pirosos que acham que em Espanha só se compõem músicas que rimam com torero, que Chayanne é o herói nacional e que os espanhóis são incapazes geneticamente de verbalizar mais de duas palavras seguidas em inglês, deixo-vos a tomar o pequeno almoço com o último projecto de Najwa Nimri e Carlos Jean, dois seres que quando se juntam se transformam em Najwajean. Um mimo.
E agora vou tomar banho a pensar precisamente no complexo pequenino e vergonhoso que têm os portugueses em relação a Espanha. Já cá volto.

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Segunda-feira, Abril 14, 2008

VIDA DE PRENHA: URGÊNCIAS



Fumar já sei que não... Mas, e um cházinho, não dava?

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Domingo, Abril 13, 2008

PRÉMIO VAI AO CU A TI: RUI GOMES DA SILVA



Se Portugal fosse um país onde as mulheres não estivessem catalogadas como cidadãs de segunda categoria; se os direitos das mulheres, a paridade ou a conciliação laboral para os grandes partidos significassem outra coisa que 30% na estúpida política das quotas; se a sociedade civil fosse algo mais que audiências de telenovelas; se as deputadas do PSD tivessem vergonha na cara; se a teoria da mulher de César se aplicasse a todos os favores e nomeações para cargos públicos que todas as semanas lemos nos jornais sem que a ninguém pareça indignar (alguém se lembra de Gonçalo Santana Lopes, de Jorge Coelho e a Mota-Engil, da recente polémica da Caixa Geral de Depósitos, de Armando Vara? ah, pois);
se a maioria dos colunistas/bloggers não fosse uma cambada de machistas que estão a esfregar as mãos e a rir baixinho pela suposta humilhação pública de Fernanda Câncio (alguém a pôs no sítio!); se aqui os gelados não se anunciassem com mulheres de boca semi-aberta, sutiãn à mostra e em poses nítidamente eróticas ou um canal de televisão por cabo não usasse a imagem de três adolescentes em absoluto estado de excitação sexual, então Rui Gomes da Silva seria corrido à estalada da Assembleia da República, os telejornais começariam um debate sobre o machismo na política portuguesa e o PSD pediria desculpas públicamente à senhora Fernanda Câncio, jornalista com mais de 20 anos de experiência demonstrada e que nunca fez publicidade ou notícia da sua vida privada. Talvez daqui a um par de de décadas a todos se nos caia a cara de vergonha.

(ler ainda Francisco José Viegas, José Pacheco Pereira e Ferreira Fernandes.)

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Sábado, Abril 12, 2008

MUSICAS PARA O RITITI-BOY (IV)


Prince - Musicology

O sentido do ritmo e a coordenação como pilares para uma educação do século XXI. Sempre se engata mais exibindo o domínio da anca.

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ACHO MAL


Calle 13 - Japón

Querido amigo Nuno Vargas, venho por este meio apresentar-te a minha mais profunda indignação. Eu cheia de vida interior e presa a um certificado médico para voar a Lisboa e tu, meu ...*, de férias no Japão. Por muito menos começou a Primeira Guerra Mundial.

*escolher o insulto afectuoso mais adequado para estes casos de dor de cotovelo

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Sexta-feira, Abril 11, 2008

PORNOGRÁFICO



"Não conheço a Fernanda Câncio, não é minha amiga (...) E não sei se é namorada de José Sócrates. Porque é disto de que trata toda esta polémica encabeçada por esse tal de Senhor Branquinho que fala de pornografia na contratação da jornalista para um programa da RTP. Fernanda Câncio, para o PSD (o partido que representa a alternativa de governo, credo!) só vale por quem a acompanha na cama. Este é o tema que inquieta o PSD, os colunistas, as boas cabeças do meu país: a reputação, a qualidade da mulher a quem confiaram um programa na televisão." (mais no Pnet Mulher).

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Quarta-feira, Abril 09, 2008

VIDA DE PRENHA: OS MANDAMENTOS

1 - Ama o teu marido até a exaustão: é o único homem do Universo que te achará sexy com setenta quilos e os mamilos que nem bolachas maria.
2 - Confia na tua mãe como se tivesses cinco anos outra vez. Ou então aprende a coser, a decorar um quarto infantil, a cozinhar cinco pratos em simultâneo ou a tirar nódoas de gordura com areia.
3 - Se precisares de sítio no autocarro, não te acanhes: a agressão física está permitida se esse careca gordo filhodaputa não se levantar do lugar reservado para grávidas. Atirar velhas pelo buraco do metro também não é reprovável.
4 - Sentar-se de pernas abertas é feminino, educado e até sensual.
5 - Abre a tua mente ao fabuloso mundo da hemorróide.
6 - A única pessoa no mundo com gosto és tu (e a tua mãe, ver ponto 2).
7 - Não há nem nunca haverá moda de jeito para grávidas. A única roupa que interessa é que podem usar as miúdas de dezoito anos e com menos de cinquenta quilos.
8 - As aulas de preparação para o parto são essenciais: é o único lugar do mundo onde verás mulheres mais gordas que tu.
9 - Estar grávida não obriga a gostar de crianças.
10 - Curte a gravidez ao máximo. Daqui a um par de meses serás só a vaca que amamenta o príncipe da casa.

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Segunda-feira, Abril 07, 2008

NUS RECOSTADOS

Viver em Madrid, alheia à frenética actividade cultural portuguesa tem as suas consequências mais ou menos desastrosas: palavra de honra que não sabia quem era essa promessa das artes cinematográficas pátrias chamada Soraia Chaves até o dia em que o EL PAIS a entrevistou. Protagonista total da última página do jornal, a jovem foi retratada pelo Miguel Mora, o correspondente em Lisboa, como o requinte da sensualidade lusitana (“os olhos, a boca, as maçãs do rosto, a cabeleira, a pele branquíssima, o top, os dentes brilhantes, os saltos altos de agulha, as calças de ganga debaixo da cueca de fio dental bege...”), um ícone sexual com uma fome a roçar a lascívia (“de maneira que pede um ensopado de borrego, franze os lábios, sorri com uma excitação que parece involuntária, coloca o decote na vertical do prato e devora-o com uma curiosa mistura de glamour y apetite”) e a razão pela qual vale a pena tirar o curso de jornalismo, nem que seja só para almoçar amêijoas à bulhão pato com a mulher que encheu as salas de cinema portuguesas graças às cenas tórridas protagonizadas num filme chamado Call Girl. Nunca Shakespeare foi tão inútil para roçar os 200.000 espectadores em menos de um mês e nem falta que lhe parece fazer à moça, pois ela mesma afirma ao jornalista ao ponto do colapso cardíaco que “o meu corpo é lindo. Porque não mostrá-lo?”.
E com estas francas afirmações ainda na retina e a verificação do meu evidente estado de prenha de sete meses e setenta (e um) quilos, meto-me no Museu Thyssen-Bornemisza em hora de ponta para ver a exposição de outros corpos nus, os pintados por Modigliani, sensualmente reclinados sobre fundos vermelhos, expoentes da sensualidade do Montparnasse do principio do século XX e o motivo da enchente do museu madrileno antes da hora de almoço. Excursões de adolescentes em pleno apogeu hormonal e senhoras reformadas com ânsias de expansão cultural quase impediam o normal visionamento dos quadros de mulheres nuas, lindas e no auge da sexualidade mais extrema, a dada pela nudez sincera das nádegas, das coxas, dos peitos que se apresentam firmes e cálidos nas paredes da minha pinacoteca favorita, a de Carmen -Tita Cervera -Thyssen, hoje digna e milionária mecenas das artes pictóricas e há três décadas atrás também ela protagonista pela nudez da capa da revista Interviu. Com um peito de fora, uma maminha discreta e sem os aditivos do látex actual, ali estava a Baronesa Thyssen em 1977, muito comedida e pacata se comparada com qualquer imagem que possamos encontrar hoje no Google da nossa bomba sexual lusa Soraia Chaves. Vendo as fotos qualquer um diria que há problema de chuva em Portugal, tal a quantidade de humidade no ar e no corpo enxuto da jovem artista, credo.
É assim o escândalo: não é o nu que ofende, mas o olho que o procura. Que o digam aos usuários do Metro de Londres, que antes de abrir a boca já tinham sido proibidos de ver o cartaz de uma exposição de um pintor do S. XVI na Royal Academy of Arts por exibir o corpo de uma Vénus nua de gargantilha ao pescoço. “Devemos respeitar todos os viajantes e tentar não ofender ninguém”, dizem os responsáveis pelas sensibilidades suburbanas londrinas, talvez cientes dos distúrbios provocados no Paris de 1917 por uma populaça indignada pela quantidade de mulheres nuas pintadas por Modigliani como belas adormecidas após uma doce noite de haxixe e luxúria. Se eu trabalhasse no Metro também não queria ver turbas moralistas a queimarem quadros de virgens da Renascença. Pergunto-me se as autoridades metropolitanas também teriam tido tanta cautela se em vez de uma Vénus o cartaz reproduzisse o corpo de um fornido, musculoso e definido Adonis, um super-macho que espevitasse da modorra matinal as enfermeiras, as contabilistas, as antropólogas e as executivas agressivas contribuintes do PIB inglês. Questão de menor quantidade de libido na retina feminina? Talvez para os censores da moral pública as mulheres não sejamos ainda o suficientemente badalhocas para sermos susceptíveis de ofensa pela nudez. Como muito, somos um entretém para a publicidade de roupa interior da Armani com um David Beckham excessivamente recheado nas partes pudendas, motivo de reportagens “engraçadinhas” nas televisões sobre as reacções de mulheres medianamente excitadas com o potencial debaixo do boxer de uma estrela mediática.
Remata Soraia Chaves a entrevista afirmando sabiamente que em Portugal há “muita hipocrisia camuflada, falso pudor, repressão, prejuízos, machismo, pouca liberdade”. E que agora vem viver para Espanha. Nem imagino as dificuldades pelas que deve ter passado a jovem Soraia neste país onde sobrevivem tantos preconceitos machistas, tanta ditadura pelo que dirão, tantas normas não escritas sobre o suposto comportamento da mulher, desde se deve beber em público quando o homem não o faz, interromper o chefe numa reunião com clientes ou deixar de trabalhar quando tem filhos. Mas posso dizer-lhe, amiga, que lhe vai fazer bem viver em Madrid: o que aqui não faltam são mulheres bonitas e, sobretudo, gajas realmente boas e prontas para sair à rua e lutar sem piedade e com sutiãn de recheio por uma sociedade sem
hipocrisia camuflada, falso pudor, repressão, prejuízos e machismo à base de golpe de decote e orvalho sobre a pele húmida e turgente. Quem sabe se não estaremos perante a nova líder do post-feminismo do fio dental, vallha-nos Deus.
(Com um grande beijo para o Paulo Pinto Mascarenhas)

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Domingo, Abril 06, 2008

Are you gay?


Stronger than me (in Frank, 2003)

Amy Winehouse antes de Rehab, de protagonizar capas de revistas pelas drogas que os sóbrios da decência pública gostariam de tomar, de ser musa capilar de Karl Lagerfeld e de criar tendências até com uma seringa pendurada do braço. E com uma proposta muito pertinente para os dias que correm: you should be stronger than me, ó meu, deixa-te de paneleirices e de precisar de mimo que nem uma gaja, de querer que eu conheça a tua mãe, ó porra. Ah, quanta sabedoria encerra esta canção, ó santo padroeiro dos colhões no sítio, e quanto ser que se diz homem deveria reflectir sobre a desistência do tomatame. Que querem, um gajo compra Vogue antes que eu não me merece muito respeito, a não ser que seja gay.

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Sexta-feira, Abril 04, 2008

SEXTA FEIRA NO PNET MULHER



Hoje podem comer o croquete lendo o caso do homem grávido. Eu não sei vocês, mas a mim dá-me muito nojinho todo este tema.

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HÁ VINTE ANOS EU AINDA NÃO TINHA MAMAS



Mas descobri que queria ser una chica Almodovar. Estou quase, quase lá.

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Quarta-feira, Abril 02, 2008

5 ANOS DE BOMBA INTELIGENTE



Uma versão aflamencada do tango "En una tarde gris" e uma grande salva de palmas para a Charlotte, a Bomba e a blogosfera em geral... y que cumpla muchos mááááás!

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I'm Fucking Ben Affleck



Em resposta ao "I'm Fucking Matt Damon" de Sarah Silverman, eis esta obra de arte de Jimmy Kimmel: "I'm Fucking Ben Affleck".
Ai, que me engasgo.

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