Sábado, Maio 31, 2008

Devo ser eu, que dou muito valor ao meu dinheirinho



Que esperavam os 90.000 marmelos que pagaram 50 e tal aurélios para ver uma gaja objectiva, pública e sinceramente alcoólica e cuja canção mais conhecida diz alguma coisa assim como rehab, no, no, nooo? Um espectáculo das princesas da disney sobre o gelo, coca-colas e pipocas, uma declaração amor ao chá de limão, um pedido de desculpas? Devem estar a gozar comigo! Cambada de ofendidinhos com excesso de sobriedade, é o que é.

Sexta-feira, Maio 30, 2008

GENTE NORMAL

«Na televisão matinal uma senhora de bata e permanente ao mais puro estilo salão de beleza Linda Cristina fala dos direitos das famílias a veranear sem serem agredidas na sua sensibilidade visual. Parece que esta senhora é a representante para os meios de comunicação de um grupo de banhistas que se faz chamar (aproximadamente) Associação para a Protecção das Praias Familiares e que defende a decência nas areias espanholas pejadas de rabos, mamocas e carnes no seu esplendor. “As famílias normais”, sincera-se esta senhora com óbvios motivos abdominais para não vestir um biquíni se tiver testemunhas por perto, “temos direito a passar um dia na praia sem sobressaltos. Por isso queremos que se proíbam nas praias familiares o top-less e o fio dental. Por agora”. Estas declarações provocam-me sempre o mesmo pensamento: há gente com demasiado tempo livre. E estas donas de casa armadas em porta-vozes de associações demagógicas vêm demonstrar a urgente necessidade de pôr o maior número possível de mulheres no mercado de trabalho a fim de evitar o aparecimento deste tipo de ligas da moral e do que é pior, da defesa da família». (...)
(O resto da crónica, no Pnet Mulher)

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Terça-feira, Maio 27, 2008

Sydney Pollack (1934-2008)



Nos Sopranos, como o médico-assassino Warren Feldman que tenta inutilmente um diagnóstico redentor para o cancro de Johnny Sack. Uma personagem deliciosa para o final de uma vida.

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É PORTUGAL UM PAÍS DE GENTE ESTÚPIDA?

Não? Então que caralho de inquérito é este no Correio da Manhã?

» VOCÊ DECIDE
Cristiano Ronaldo pode sofrer com Núria por perto?


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Segunda-feira, Maio 26, 2008

Tirorirooooo, tirorirori, tiroriro, tiroritorirori


Europe - The Final Countdown

We're leaving ground
Will things ever be the same again?
It's the final countdown...

É o único que se me ocorre dizer a um mês de parir. Mas sem laca. Tirorirooooo.

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Sexta-feira, Maio 23, 2008

Vernice Priscilla, comentadora política

"Desde que devido a esta prenhez que me ocupa deixei de poder ver o meu corpo debaixo da zona do umbigo e muito menos tocar, cortar e pintar as unhas dos pés, tive que recorrer aos serviços de restauração física da dona Vernice Priscilla Souza Jatobá, uma brasileira emigrada ilegalmente das terras para lá do sol posto, ou como ela própria diz, “dum lugar de onde não falam nem as novelas da Globo”. E posso dizer, sem que se me caiam os anéis e com certo orgulho cosmopolita, que entre a dona Vernice Priscilla e eu se estabeleceu uma espécie de relação íntima derivada não só da purificação dos poros faciais ou da depilação com cera e mel natural, como da análise económica, social e sobretudo política da realidade espanhola e europeia. Não há tema que se nos escape nas nossas sessões de pedicura e o nível de profundidade nas reflexões é tal que uma vez por semana sou obrigada a recorrer à sua perspicaz opinião para poder escrever aqui, manter uma conversa num restaurante ou até entender o que nos jornais internacionais vou lendo. Os resultados são óbvios, nunca antes tive a pele tão tersa e as ideias tão fundamentadas, pelo que se estiver por aí um director de algum programa de debates da televisão por cabo que me queira contratar, está à vontade: garante-se uma opinion-maker bonita, depilada, com os pés em perfeito estado e com conhecimento total dos males que corrompem do mundo".
(o resto da crónica, no Pnet Mulher)

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Quarta-feira, Maio 21, 2008

VIDA DE PRENHA: AS AULAS DE PREPAÇÃO PARA O PARTO (II)


(era mais ou menos isso, querida Sofia)

As aulas de preparação para o parto (daqui para a frente O Mestrado) deveriam ser obrigatórias para qualquer prenha pós-moderna, urbana, arejada da hormona e que se queira livre de complexos sobre fatos de treino e tishertes de algodão. Se estiver por aí uma grávida saberá do que falo: depois de 36 semanas a sofrer uma estrita dieta saudável (PRECISO DE COMER JAMÓN!!!!) e abstinência total de bebício e fumício, o desaparecimento da cintura, a transformação de seios sensuais em imensas glândulas mamárias, a leitura enciclopédica de manuais sobre gravidez, parto, pós-parto, aleitamento e criança de bebés, aprender a discernir entre roupinha amorosa e panos objectivamente pirosos e, como não, levar com os sábios conselhos, caganças e opiniões de qualquer ser humano que se aproxime a um perímetro mínimo de cinco metros, depois de oito meses de gravidez, digo, o único que nos apetece a qualquer incubadora humana é que nos tratem com normalidade. E sem essa condescendência irritante das experientes, essas vacas que não só se esqueceram das suas próprias dúvidas e medos quando estavam grávidas como ainda nos tratam às prenhas primeiras como histéricas incapazes de relativizar, uma doidas, enfim, com demasiado tempo para pensar. Talvez nos odeiem porque (ainda) não somos umas mulheres com um bebé pendurado da mama. Não sei se me aguento por mais tempo, palavra de honra, mais uma palmadinha nas costas e mando a experiente relativizar para a putacapariu.
Por isso estou tão encantada com o meu Mestrado: duas horas semanais de vídeos, ginástica para velhas, treinos com bonecos e respirações e, sobretudo, duas horas para comprovar que não tem mal nenhum estar cagada de medo, que as minhas dúvidas são as mesmas que as daquela mamalhuda que não pára de tirar apontamentos (???) e, o melhor de tudo, que há gajas a quem a prenhez lhes assenta bem pior e que, comparada, ai eu, sou das grávidas com o melhor corpo da zona. Aqui entre nós, até estou bem boazuda, não tenho celulite, os meus braços continuam magros, as pernas firmes e meu rabo incrivelmente no sítio. Obrigada, creme hidratante! E tudo dentro de um ambiente esterilizado, em palestras dadas por parteiras e ginecologistas, profissionais do útero, enfim, e as únicas pessoas do universo a quem eu, a um mês de parir, dou importância, ouvidos e razão.
Porque os gajos, por muito que queiram, ao máximo que chegam, e ai deles, é a gostar muito de nós, a aconchegar-nos os temores e a beberem o máximo de uisques possíveis até à hora do parto. Uma grávida precisa de um homem sensato ao lado e não de um marido cagado de medo por osmose, que sinta as nossas mesmas contracções, hiperventile ou tenha medo de entrar na sala de partos. Para nervos bastam-me os meus, que histerismo.

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Domingo, Maio 18, 2008

QUE SE FODAM OS ANOS 80 (6)


Björk - Big Time Sensuality (Debut, 1993)

E que me dizem desta explosão de música de dança sem complexos, culta e divertida e banda sonora da última geração, a nascida nos fabulosos 70, que saiu à noite sem precisar que os pais lhes esperassem às quatro da manhã à porta da nisconaite? Saberão os menininhos de vinte e tal pedir um táxi?

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Sexta-feira, Maio 16, 2008

O Sexo, a Cidade e o direito a amar Jimmy Choo



"
Uma vida como a das espectadoras, mas melhor vestida. Porque este foi o grande segredo da série: apresentar ao mundo existências que repetem tópicos universais (o amor, a segurança, a família), mas metidas num embrulho mais bonito, mais limpo e mais caro. Nós já sabemos que a vida é uma merda, que há pessoas que morrem de cancro e de amores impossíveis, que há desemprego, alzheimer, ordens de despejo, frustrações, celulites e cornos, que nem todas podemos ficar grávidas e as que ficam nunca mais voltarão a caber numa 38. Mas quem é que gosta de ver filmes de Ken Loach? Eu, sinceramente, prefiro rir-me, fantasiar, e chorar com aquele último capítulo da série, quando o conto de fadas de cada uma das personagens se faz realidade e o mundo volta a ser um lugar que, apesar de doloroso e frustrante, nos pode fazer felizes. Eu não tenho complexos nenhuns com isto, era o que mais faltava."
(E o resto da crónica, já sabem, segue no Pnet Mulher. Façam o favor)

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RITITI EDUCA O POVÃO: MESMO GIRA


Scarlett Johansson - Falling Down

E canta bem, até o críptico Tom Waits. E é dona de um estilo sofisticado, refinado e fresco. Uma diva como deve ser, impecável, limpa e original. Gostamos muito. Mesmo.

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Segunda-feira, Maio 12, 2008

VIDA DE PRENHA: AS AULAS DE PREPAÇÃO PARA O PARTO (I)


Fantasia - A Dança das Horas

Ora então é basicamente isto, uma dúzia de gordas em fato de treino, de cu para o ar, arfando que nem cadelas e a tentar executar uns exercícios de elasticidade para velha caquéticas enquanto partilhamos informações sobre a dilatação, o fluxo vaginal, a depilação anterior ao parto, a incontinência ou a importância das bolas chinesas. Isto promete.

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Domingo, Maio 11, 2008

MÚSICAS PARA O RITITI-BOY (V)



Elvis Presley - Can't help falling in love

E uma necessária reflexão dominical sobre a má qualidade do macho actual, sobre a pouca validade da maioria dos homens que enchem os nossos passeios, as oficinas bancáricas, os postos médicos, as colunas dos jornais, os cafés e as salas de cinema, homens públicos e privados, em geral e sem país determinado. São feios, mas isso é o de menos; mais alarmante é a falta de estilo, as péssimas formas à mesa e na fala, os pontapés óbvios na semântica e nos modos que qualquer pessoa mínimamente consideraria básicos. Mais que higiene, cordura, gosto ou magreza, o que falta aos homens do mundo moderno é educação masculina, uns cursos elementares de hombridade. Por favor, deixem de se comportar como mulheres. E isto é uma súplica.

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Sexta-feira, Maio 09, 2008

QUEM DISSE QUE ESPANHA IGNORA PORTUGAL?


Spot Burger King, Extreme Brava

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Cronista feminina que se queira digna de respeito literário faz auto-censura, tem temas que são tabu e dos quais, por muito que lhe doa a alma (mal do que sofremos todas as cronistas femininas, até aquelas que se recusam ir ao cabeleireiro) nunca escreverá, por bem da sua reputação pública e da cada vez mais insípida e anestesiante literatura de fim de semana. Temas que encaixariam dentro do que (mal) se deu a conhecer como Universo Sex and the City e dos que fogem a sete pés todas aquelas que pretendam apresentar-se com certa elevação intelectual, temendo ser catalogadas como seres fúteis e amantes da moda e das dietas rápidas. Assim, assuntos tão importantes para o bem estar global e interplanetário como a “operação biquíni”, “oh meu deus, a minha sogra vem passar uma semana a casa” ou “ será possível voltar a caber dentro da 38 depois de parir?” transformaram-se nos verdadeiros párias do mundo da crônica escrita, nos temas intocáveis por supor um rebaixamento cultural e uma suposta vergonha para todas aquelas que um dia se quiseram comparar, pela nivelação idiota, com os grandes machos da coluna semanal.

E mais no Pnet Mulher, o sítio das sextas feiras

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Quinta-feira, Maio 08, 2008

MOMENTAZO GINA: SÓ PARA HOLA-LOVERS


A Biblia

Qualquer leitor rititiniano minimamente dedicado à minha causa já deveria saber a estas alturas do campeonato, pela conta que lhe traz, da minha adoração t-o-t-a-l pela ¡HOLA! do meu coraçãozinho de rosas engomado e, mais ainda, pela baronesa Thyssen-Bornemisza, a rainha das artes penduradas que, mesmo que lhe ameacem de morte ou rapto dos quadros de Hopper, nunca-jamais-ever entrará num cabeleireiro. E uma capa como a desta semana, com exclusiva de 28-páginas-28 com a apresentação das gémeas adoptadas (Sabina e Carmen, obrigada santo deus por este momento), as fotos dos seres dormindo plácidamente na pink house (ahhhhh), os detalhes das personalidades das criaturas, os restos de botox nos lábios baronesos... Ai, toda uma explosão orgásmica de piroseira, toneladas de euros desperdiçados em alcatifas de hello-kity e amor maternal que nem a melhor telenovela venezolana poderia oferecer. Há dias felizes .

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Terça-feira, Maio 06, 2008

RITITI NO AR - FINALMENTE ACTUALIZADO



Já está disponível a minha entrevista na Antena 1 ao Pedro Rolo Duarte. (Ouçam sem medo, que por respeito à audiência matutina do canal público só disse um palavrão, e foi sem querer). Obrigada, Pedro, mais uma vez e, desde Madrid, um grande beijo.

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Segunda-feira, Maio 05, 2008

ACHO QUE ESTA CRÓNICA ANTIGA FAZ SENTIDO HOJE

FEMINISTA, EU?

«Porque tu, no fundo, és uma feminista». Ser contra o maltrato, a mutilação genital, a burka e a descriminação salarial não faz de mim senão uma pessoa sensata e consciente dos problemas concretos do que se poderia chamar o «meu género» e não uma exaltada activista dos direitos femininos. Aliás, nem todas as mulheres estamos feitas para o feminismo (pelo menos para o conceito estereotipado e antipatriarcal). É um exercício duro, que implica o ensaio diário da desconfiança contra o meio, está mal visto pelos argumentistas de séries de televisão e – recordando o histórico visual das grandes líderes - provoca miopia, daltonismo, crescimento acelerado de pelugem na sovaqueira e flacidez nas até agora consideradas zonas eróticas femininas. São demasiados os inimigos das feministas, demasiadas as causas da opressão, demasiadas as razões para estar sempre de punho levantado e um único culpável pela desigualdade salarial, social, económica, legal, familiar, legislativa, laboral, física, educativa e sexual. Razões, bem vistas as coisas, não nos faltam para a vingança concreta e dolorosa, mas acontece que o alvo favorito das feministas é tão precioso como indispensável: o macho. E a mim, sinceramente, custa-me acreditar nas bondades de um mundo sem homens, sem futebol, sem pugilismo e sem revistas de automóveis.
E entre as dúzias de razões que me afastam do feminismo está a falta de autocrítica a que fica reduzida este movimento, que mais facilmente prefere sentir-se vítima que reconhecer que muitos dos perigosos preconceitos machistas são transmitidos pelas mães, incapazes por educação, riqueza ou valentia de inculcar o conceito de igualdade entre os sexos. Os grandes pecados do feminismo são a excessiva condescendência com os nossos medos – uterinos ou não – e o constante apelo à maternidade para rebaixar os homens ao nível do fornecedor da semente. As fêmeas somos uma espécie de deusas da vida enquanto eles, coitados, não passam de garrafas de espermatozóides em busca de um lar. Por não falar do rumo que nos últimos tempos têm tomado alguns sectores do feminismo, que sacam as unhas para demandar o que consideram um retorno à real essência do feminino: o importante e menosprezado acto de parir. Um horror. Senão reparem. Parece ser que à «mulher de verdade» já não lhe basta com trabalhar doze horas como executiva terminator, andar sempre impecável sobre uns saltos assassinos, saber combinar cozinha japonesa com a tradição alentejana, estar casada com um Ken qualquer de classe média-alta, votar esquerda e a favor do aborto, ter três filhos poliglotas e um Audi na garagem. Atrás ficou a paridade social e a luta de sexos. Porque agora as feministas lembraram-se que afinal o que aflige a mulher é o preconceito médico, científico e até social, incapaz de entender que ter filhos é tão natural como a vida mesma, a água que corre pelos rios e o canto dos passarinhos. A classe médica, esses fascistas de bata branca, só pretende despachar o parto o mais rapidamente possível para ir jogar golf com as suas amantes as enfermeiras, fazendo uso de instrumentos medievais de tortura como o poldro obstétrico, a sala do hospital ou o corte vaginal.
No verão de 2006 a jornalista espanhola Rosa Montero chamava a atenção desta terrível realidade na sua coluna do suplemento de domingo do El País, indignada pelo «trauma, pesadelo e sensação de maltrato» a que estão subtemidas as mulheres em Espanha e na América Latina (imagino que Portugal também entre no seu estudo de países terceiro-mundistas e brutais para as parturientes). Lá fora, na Europa civilizada, vitaminada, multicultural e oxigenada as mulheres parem naturalmente num lugar cómodo (a casa, uma tenda de campanha hippie, rodeada de baleias) e : «enquanto dura a dilatação as mães podem mexer-se cómodamente y fazer uso dos meios naturais para paliar a dor: tomar banho, receber uma massagem, sentar-se em grande bolas de borracha». O parto, imaginem, pode demorar horas (dias!), até que o bebé, se a natureza, Deus ou a massagista quiserem, nasça (vivo ou morto, com ou sem paralisia cerebral) e a mãe, essa vaca, tenha sofrido as maiores barbaridades porque em nenhum momento é aceitável a anestesia. Morte à Medicina Moderna! Viva o Matriarcado! E se a criança morrer, que caramba, a mulher pode conceber mais! Ou não é para isso que estamos?
A mulher, concebida como uma égua, um animal, um ser menor sem curso universitário, sem cartão de contribuinte, sem compromissos sociais, sem horários, sem direitos adquiridos, é assim que a tratam estas desocupadas defensoras da suposta feminilidade natural e real. A mulher despojada de dois mil anos de civilização, reduzida à úbere e trasladada à caverna dos Cromagnon. Este é o feminismo de que renego e que não faz favor nenhum às mulheres que exigimos a paridade salarial, efectivas medidas que permitam a conciliação da vida laboral e familiar, o fim dos abusos de poder físico e sexual ou a discriminação de carácter religioso ou cultural. Feminista eu? Assim, não.
(publicado na Revista Atlântico, Novembro de 2006)

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Enquanto não aparece o podcast do programa de ontem

"Es una historia muy personal, lo sé, pero la cuento por la parte enternecedoramente común que tiene. ¿Qué queda de todo eso? Una particular aversión a las ironías que con frecuencia se usan para hablar de las mujeres embarazadas, una convicción de que en España no hemos superado el arraigado desprecio por lo femenino. Carme Chacón, embarazada pasando revista. Y qué. El bombo, se ha llegado a decir. De ese bombo venimos todos. Así que de los bombos habría que hablar quitándose el sombrero. Un cartel americano antiguo que tengo frente a mi mesa reza: "Ellas traen los votantes al mundo, déjalas votar". Pero si fuera amiga de esa mujer inteligente que es Carme Chacón le diría: no tengas prisa, disfruta del pequeño Dios, el tiempo pasa tan rápido que no hay ministerio que se le compare.
Al presidente le diría: tal vez el mensaje esté equivocado; una embarazada no es una enferma, pero es incomprensible que tenga que visitar un lugar de riesgo, lo que necesitamos es tener la seguridad de que el puesto que merecemos nos estará esperando cuando estemos dispuestas a volver. Sin prisa. A los lectores les diría: éste no es un artículo sólo para mujeres."

Elvira Lindo, na sua coluna habitual do suplemento Domingo do El País, sobre a sua gravidez, a condescendência das chefias, os direitos a que não deveríamos renunciar, sobre uma historia muito pessoal.

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Domingo, Maio 04, 2008

RITITI NO AR



Liguem os aparelhos, rápido que ainda vão a tempo, e vão ouvir-me na Antena 1 às 11 da manhã, no programa do Pedro Rolo Duarte. Finalmente, dizem vocês, mas que querem, os voôs Madrid-Lisboa ainda não me saem grátis.

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Sexta-feira, Maio 02, 2008

VIDA DE PRENHA: EU NÃO SOU MAMÃ DE NINGUÉM

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Mas o que me tira do sério e já me dá comichões alérgicas da impressão intra-uterina é que terceiros me tratem por mamã. “Olá, mamã” e a mim só me apetece sacar da kalashnikov que todas as grávidas deveríamos receber nas aulas de preparação para o parto e, já não digo armar-me em Lara Croft de sete meses e meio (aliás, a minha imagem em mini-calções de cabedal deixa muito a desejar a estas alturas do campeonato), mas pelo menos impor, de uma vez por todas, algum respeito. Mamã? e lá ficam esses seres com um ar do mais satisfeito, como se participassem activamente da minha gravidez e até da minha nova e alargada família, porque afinal esta parece ser a intenção última destes intrusos com pele de cordeiro, ser partícipes, dar palpites, armar-se, achar. Infelizmente, 99% dos casos de interferência é protagonizado por mulheres, a maior parte delas mães recentes ansiosas de partilhar com o mundo (e com a grávida mais próxima) experiências vitais como a obrigação de qualquer recém-parida de comprar um lençol especial para o berço que alerte da morte súbita do bebé. Quem não acha não é gente, deve ser um novo lema de vida destas mulheres, armadas em líderes de opinião, e que parecem ter um CD Rom de pedagogia, puericultura, ginecologia e educação infantil enfiados no cu." (ler o resto da crónica no PnetMulher)

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Quinta-feira, Maio 01, 2008

FIM


E agora? Quem preencherá este meu vazio vital? Grey's Anatomy, essa paneleiragem protagonizada por pós-adolecentes que se comportam como animais em cio com curso de medicina incapazes de controlar um simples impulso sexual e dirigida a gentinha cujos pensamentos têm sempre Celine Dion como banda sonora? Ou a eterna repetição de "aparece um gajo doente no hospital, ai que ele está quase a morrer, façam em dez minutos cinquenta provas médicas que custam um olho do cu e que em Portugal demorariam dez anos em ser autorizadas, pronto é cancro da cartilagem da orelha esquerda, abram-lhe o cérebro à martelada, oh não cuidado que afinal é só alergia ao malmerquer, viva o Dr. House"? Ou talvez Lost, a epopeia do xamanismo televisivo que perdeu o norte há três temporadas, mais ou menos quando os argumentistas decidiram que fazia todo o sentido pôr um urso polar numa ilha do Pacífico Sul? Prenha e sem série favorita, a minha vida em frente ao aparelho mais importante da casa está fodida. De que falarão os que não têm televisão?

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