Sexta-feira, Agosto 29, 2008

SEPTORRINOPLASTIAS ESTIVAIS


(A Biblia)
Sinceramente, se a operação nasal da nossa Leti Princesa estava programada para ser a noticia-rosa do verão, pufff, grande desilusão, ficou-se num suspiro, numa tentativa de escândalo, recebida por uma tediosa indiferença pelos meios e o público em geral, mais preocupados os primeiros em inventar causas para o acidente aéreo de Barajas (excepto, claro, para o inefável Jaime Peñafiel, quem ainda não percebeu que os seus dias de lambe-cus real como director da Hola não serviram para nada mais que umas recordações fotográficas e um par de talheres roubados nalguma recepção oficial) e os segundos em sobreviver ao Euribor e aos excessos estivais do cartão de crédito. Em geral, caca de la vaca para tu napia, Leti, que é como quem diz, ai filha, já não interessas um peido às classes consumidoras do mundo do coração. Às princesas do povo é de rigor exigir-se empatia com as mortais que compram na feira local copias baratas dos saltos de Jimmy Choo, e todas as que seguimos os looks da agenda oficial e oficiosa de Leti Princesa sabemos que empatia é coisa nunca trabalhada, desnecessária para este real ser esquelético de quem ninguém recorda um acto de honesta descontracção, uma gargalhada. Já sabem, o povo é muito dado a estas mostras de naturalidade, sobretudo porque não é possível ir lá ver se a rapariga é tão simpática como dizem os biógrafos do reino. Yo soy antipática (pero muy profesional) porque el mundo y la tele me han hecho así, y ahí os quedáis, con un palmo. De narices. Querem empatia? Vão adorar a Máxima da Holanda, que é gorda e simpática. Ou a Matilde da Bélgica, a do ar maternal e as golas à branca de neve. Leti Princesa não precisa de empatia. Basta-se com as filhas e os fatos de Felipe Varela.
Ou não. Porque eu (ai, eu, sempre eu, que mania de me dar importância) que carrego um nariz aquilino, superlativo (segundo Francisco Quevedo), ou simplesmente grande, porra, pá, fiquei-me com essa sensação de azia vital (e nasal) ao ver como o apêndice
real de Leti Princesa era suavizado, a bem da harmonia facial. Cumcaralho, pensei enquanto mudava a fralda ao Rititi-Boy (observem como os oficios maternais não me limitam os pensamentos profundos), conquentão trata-se de um caso de empatia nasal. Leti Princesa imaginou que umas horas de martelar o tabique nasal fariam o trabalho sujo de encurtar o caminho com o povão ausente às portas de palacio. Leti Princesa sentia-se sozinha, sem sopeiras que a mimassem, tal a indiferença que causa nas aparições públicas às potenciais legiões de fãs do revistame, demasiado passada a ferro, demasiado fria, demasiado incapaz de lidar com os entraves do protocolo e dos apertos de mão de Estado. E aquele nariz curvado, um tanto maléfico quando conjugado com o queixo, pensou Leti Princesa, era o culpado de a fazer parecer distante, antipática. E foi ao martelo, como quem faz uma cura de consciência e promete a si mesma que nunca mais vai bater nos amiguinhos da escola.
Ai, quando uma não nasce princesa , quando uma não está preparada para ser ridiculizada pelo nariz ou pela suposta falta de jeito para as distâncias curtas, quando uma não sabe, que fodido é estar à altura das circunstâncias. Que pena, agora não passa de uma miúda (real e de iate) magricelas, com um penteado como as outras, vestida como as outras, e com o nariz como as outras, suavizado e harmónico. Mas igual de antipática e distante que quando passeava aquele nariz antigo, distinto, original e portentoso. A empatia não se opera, trabalha-se. Bastava que tivesse sido a capa do primeiro número da Vanity Fair espanhola. Nem precisava de ter sofrido uma septorrinoplastia estival.

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Quinta-feira, Agosto 28, 2008

HÁ VIDA PARA ALÉM DA MAMA


(imagem retira do site da RTVE)

A tarde é tempo de fazer coisas sérias, adultas. Como ler o número 1 da versão espanhola da Vanity Fair. Impecável: contra a horrenda crise que nos ameaça, tão do povo, tão real, tão de ir ao bolso e à verbalização do fim do mês, venha a materialização do luxo, Rafa Nadal no jet privado, os it bags, Cayetano, o escritório de Elena Benarroch e as coisas bonitas e caras, vaidades.

Quarta-feira, Agosto 27, 2008

ESTE NÃO É UM BABY-BLOG

"Estos días me los he pasado cavilando sobre tu situación, cada día más difícil. El olor de la cebolla que comes me llega hasta aquí y mi niño se sentirá indignado de mamar y sacar zumo de cebolla en vez de leche. Para que lo consueles, te mando esas coplillas que le he hecho, ya que para mí no hay otro quehacer que escribiros a vosotros o desesperarme. Prefiero lo primero, y así no hago más que eso..." (Carta de Miguel Hernández a Josefina Manresa de 12 de setembro de 1939, desde a prisão de Torrijos em Madrid)



NANAS DE LA CEBOLLA

La cebolla es escarcha
cerrada y pobre.
Escarcha de tus días
y de mis noches.
Hambre y cebolla,
hielo negro y escarcha
grande y redonda.

En la cuna del hambre
mi niño estaba.
Con sangre de cebolla
se amamantaba.
Pero tu sangre,
escarchada de azúcar,
cebolla y hambre.

Una mujer morena
resuelta en luna
se derrama hilo a hilo
sobre la cuna.
Ríete, niño,
que te traigo la luna
cuando es preciso.

Alondra de mi casa,
ríete mucho.
Es tu risa en tus ojos
la luz del mundo.
Ríete tanto
que mi alma al oírte
bata el espacio.

Tu risa me hace libre,
me pone alas.
Soledades me quita,
cárcel me arranca.
Boca que vuela,
corazón que en tus labios
relampaguea.

Es tu risa la espada
más victoriosa,
vencedor de las flores
y las alondras
Rival del sol.
Porvenir de mis huesos
y de mi amor.

La carne aleteante,
súbito el párpado,
el vivir como nunca
coloreado.
¡Cuánto jilguero
se remonta, aletea,
desde tu cuerpo!

Desperté de ser niño:
nunca despiertes.
Triste llevo la boca:
ríete siempre.
Siempre en la cuna,
defendiendo la risa
pluma por pluma.

Ser de vuelo tan lato,
tan extendido,
que tu carne es el cielo
recién nacido.
¡Si yo pudiera
remontarme al origen
de tu carrera!

Al octavo mes ríes
con cinco azahares.
Con cinco diminutas
ferocidades.
Con cinco dientes
como cinco jazmines
adolescentes.

Frontera de los besos
serán mañana,
cuando en la dentadura
sientas un arma.
Sientas un fuego
correr dientes abajo
buscando el centro.

Vuela niño en la doble
luna del pecho:
él, triste de cebolla,
tú, satisfecho.
No te derrumbes.
No sepas lo que pasa ni
lo que ocurre.

(Miguel Hernández, Cancionero y romancero de ausencias, 1939)

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Sábado, Agosto 23, 2008

MÚSICAS PARA O RITITI-BOY (IX)


Your Song - Elton John
How wonderful life is while you're in the world...
E quando ele me sorri daquela maneira só me apetece lambê-lo.

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Quinta-feira, Agosto 21, 2008

DOIDA DE ALEGRIA



Estou a um botão de caber nas minhas calças de ganga da Era Pre-Maternidade. Força, Rititi! Preparada para o reencontro com a gaja boa que habita em ti?

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Terça-feira, Agosto 19, 2008

ALENTEJANANDO



O jovem casal Pinheiro junto com um cada mais superlativo Rititi-Boy* está retirado algures na Serra D'Ossa, no que se poderiam considerar as primeiras férias de interior no histórico estival do casal. Do retiro só nos retira a deficiente transmissão por parte da RTP dos Jogos Olímpicos, o nascimento do cabritinho filho da cabra Lisa e as tentativas da águia da serra de capturar os pintainhos. E claro, a constatação da estupidez profunda dos apresentadores dos magazines televisivos lusos. Estamos fodidos, tirando o Júlio Isidro e a moreninha amorosa que o acompanha na Volta em bicicleta pela paisagem das terras pátrias, a televisão portuguesa está entregue a peixeiras analfabetas, bichonas histéricas agarradas ao sonho húmido de ser colunáveis, gordas recheadas de ignorância e botox deficiente e gentalha mal-formada e ordinária cuja única função é tentar gozar com o público e os convidados dos programas, com as gentes que eles acham inferiores, pobres, do povão. O que não sabem é que o povão são eles, merdosos gritões e feios com ares de suburbanos em saldos de um centro comercial qualquer.
(* é óbvio: o Rititi-Boy é tão superlativo que até vem com ligação à internet. Ou como é que acham que foi publicado este post?)

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Segunda-feira, Agosto 11, 2008

Mãe-pós-ideológica


A grande vitória sobre o determinismo pós-parto, Luís, é conseguir ler, sem interrupções, 70 páginas do "Assassinato no Comité Central" de Vázquez Montalbán.

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32º e um bocadinho de vento


Concha Buika - La falsa moneda


Queria retomar o género da Copla para repensar o tema da mal chamada luta dos sexos e como o amor não tem nada a ver com teorias de igualdades e paridades zapateras. Mas o Rititi-Boy reclama a mamoca materna. Tenham um filho para verem o que é sentir-se desejadas.

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Quinta-feira, Agosto 07, 2008

32º e um bocadinho de vento


Elis Regina - Atrás da porta

E pensar que me tinha esquecido desta canção, ela que me fez pensar no grau de patetismo que só as mulheres podemos alcançar graças à merda do amor. Não vale pena: não há paneleiro, drag queen e rainha do carnaval do Rio que nos supere neste campeonato de cortar as veias e desgarrar da alma por um gajo.
E agora, vou dar a mama. Voltarei ao tema.

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32º e um bocadinho de vento


(Façam de conta que as imagens não são uma merda)

Temperatura mais que perfeita para uma dose de Extremoduro e o novo single "Dulce introducción al caos" de um esperadíssimo disco que "cuando esté terminado, saldrá. Que las prisas no son buenas".Con los cojones, que para isso é um dos meus grupos favoritos desde os verões de botellón e canutitos em secano. Música e gente honesta para um Agosto de contemplação no berço e heavy-metal no i-pod.

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Quarta-feira, Agosto 06, 2008

42º NO MUNDO EXTERIOR


E para quando uma praia com ondas e surfistas (destes) na Extremadura espanhola?

Terça-feira, Agosto 05, 2008

42º NO MUNDO EXTERIOR


Até que não voltem as temperaturas dignas da Europa civilizada a este blogue não se lhe pode exigir mais que homens bonitos em tronco nu. Resmas de gajos para lamber ecrãs do portátil. Que querem, tenho o cérebro fervido do calor.

Segunda-feira, Agosto 04, 2008

Momento Gina: AUTO-ORDENHO



Palavra de honra de nunca imaginei tratar assim as minhas mamas. Tudo por umas imperiais fresquinhas, uma dúzia de ostras, camarãozinho de Espinho, o merecido reencontro com o SG Ventil e o mundo sem gente pegada ao carrinho de bebé e por esse conceito quase esquecido chamado independência. Viva a minha mãe! Viva a tecnologia moderna! Viva este invento do diabo que me ia sugando os mamilos! E agora vou ao cabeleireiro. Que coño, hombreya, que eu só tive um filho!

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