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MANEL
Trata bem do teu nome, Manel, porque nele estão escondidas as histórias de todos os outros Manéis que te compõem mesmo sem tu saberes, de Manéis anteriores mas importantes e antigos, que foram à guerra e cruzaram oceanos para voltar atrás, Manéis que se enamoraram cantando nas ceifas, de ontem, de um passado a preto e branco, que perduram em molduras velhas, de Manéis de hoje, generosos e optimistas, orgulho fraterno e vontade de abraços, e até de Manéis que não foram nunca, que ficaram pelo caminho antes de ser. Tem o teu nome, Manel, a importância dos que estão chamados a ser eternos, porque nele está guardado o eco dos heróis da nossa família, lendas na maioria, mas lendas nossas, que se vão passando como tesouros à hora da sobremesa, relíquias de copo vazio e cinzeiro cheio. Lembra-te que a nós não nos interessam contos inúteis, mas sim saber da razão das coisas, dos nomes que nos compõem, tão importantes como as ossadas que nos sustentam. O teu nome, Manel, é exclusivo, único, mesmo que se vá repetindo de geração em geração, como a estrofe de uma canção nossa que todos devemos aprender para não morrer sem saber o que somos, de onde viemos, o que queremos que digam de nós. Manel, que inveja têm os outros do teu nome e dos amores que representam. Não deixes, Manel, de saber de nós quando fores grande e importante, não permitas que a vida te afaste do que és, da herança do teu nome, da raiz do que cada um de nós é feito. Não tenhas medo das tuas moléculas, que não te assustem as sendas do teu genoma, filho, porque delas aprenderás a corrigir-te, a corrigir-nos a todos que te antecedemos, a corrigir os erros de todos os Manéis, que como tu, vieram para ser recordados, para pertencer à galeria dos imortais, para ser amados sem tempo.
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