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Rititi

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INÍCIO

  • Trambolhos D’Ouro: Os Oscar de 2014

    Saí da mina para vos dizer uma coisa, minha gente: a partir de agora só vou fazer os Trambolhos municipais, tipo Festa da Espuma de Valpaços e as Celebrações da Uva de Dióspiros de Cima. Credo, que esta coisa dos Oscar é uma seca! Sem Byoncés, Helenas Bonham Carters, Bjorks doidas, gordas estridentes, anorécticas nuas, estas red carpets não nos dão jogo nenhum. Queremos menopáusicas sem complexos, caralho! Queremos mamas, queremos celulites, queremos vestidos amarrotados, com nódoas de suor, queremos diversão!  Mas mesmo assim algumas ainda andem aí, por muito estilista que contratem.

    Jesus te ama!

    Gabourey Sidibe. Toda ela.

    Sim, eu estive a abocanhar a Gabourey Sidibe. Coisas de vampiras.

    Branqueei os dentes e não tenho medo de os mostrar!

    Alguém sabe onde está o bar?

    O bar está aqui! O bar está aqui!

    Um travesti de meia idade cheio de dignidade chamado Alfre Woodard.

    Helen Lasischa e o filho adoptado dos Brangelinos

    Grrrrrrrrrr… Sexy!

    A Presidente da Associação de Patinadoras Lésbicas e uma Princesa da Disney desorientada.

    Ó pá, eu sou de esquerdas e não acredito na moda.

    E eu sou a Elsa Pataky e não acredito em sutiãs.

    Que Inverno de merda, foda-se.



    Por Rititi @ 2014/03/03 | 7 comentários »


    Eu também sou uma Mãe Querida

    E até escrevo coisas como esta:

    Sim, definitivamente hoje é um dia em que não me apetece ser mãe de ninguém. E escrevo isto sem nenhum tipo de complexos numa web chamada “Mãe Querida”. Sim, este é um dia em que quero fugir daqui para fora, para um spa, para a pensão ao fundo da rua, para esse sítio onde estão proibidas as crianças, um lugar paradisíaco sem choros nem birras, sem roupa espalhada na casa de banho ou jantares para fazer, sem aulas de judo, sem putos que aturar. Porque por muito que adore os meus filhos e todo esse blablabla que parece obrigatório nos blogues maternais eu preciso estar sozinha. Reformulo: preciso estar sem eles. 

     



    Por Rititi @ 2014/01/19 | 11 comentários »


    Sempre alerta

    Começar o 2014 em Madrid sentindo-me em 1984. Ou até antes, como nos tempos a preto e branco quando as mulheres precisavam de autorização para comprar um carro, assinar um contrato de trabalho ou até casar. Estar quase a fazer 39 anos, mas sabendo que para o Governo espanhol não tenho a maioria de idade legal nem a maturidade intelectual para tomar decisões que afectam não só o meu corpo, como também a minha vida e a da minha família. Assim estou eu graças ao miserável ante-projecto da Lei do Aborto (pomposamente chamada “Ley de Protección de la Vida del Concebido y de los Derechos de la Mujer Embarazada”) ideado por um ser ultra-católico com pele de bacano chamado Alberto Ruiz Gallardón, empenhado em liderar uma cruzada contra a generalidade da mulheres a quem logicamente considera inferiores e incapazes. Se esta lei for aprovada (que será, pois o PP tem a maioria absoluta no Parlamento) regressa o aborto por supostos. Volta a excepção ao destino natural do gajedo, o parto. O aborto só será permitido em dois únicos supostos: em caso de violação ou de grave perigo para a vida ou a saúde física ou psíquica da mulher. A malformação fetal não será motivo de aborto. Uma mulher não poderá controlar a sua maternidade, a sua vida. E estará dependente do informe de dois médicos, da assistência moral de um trabalhador social, do papel carimbado da polícia que comprove que não só foi violada como que também o denunciou oportunamente às autoridades competentes e de um labirinto burocrático, doloroso e injusto para poder pôr fim, se assim for autorizada, a uma gravidez que não pode ou não quer levar a termo. Se esta lei for aprovada, as mulheres que vivemos em Espanha deixaremos de ser consideradas adultas perante a lei, deixaremos de ser as donas do nosso corpo, deixaremos de ser cidadãs de primeira. Quando esta lei for aprovada em Espanha toda a mulher que ficar grávida será obrigada a parir um feto que não ama fruto de uma má noite de sexo, ou um feto com sindroma de down, ou que não pode manter porque o cabrão do marido que lhe batia finalmente foi preso ou porque foi despedida. Sim, eu sei que estou a escrever feto. E não bebé. Ou filho. Ou lindo espelhismo de vida que se vê na ecografia das 12 semanas. Eu que sou mãe escrevo feto. Tenho autoridade moral para o fazer. Eu pari dois filhos. Mas graças a esta liga de tarados que nos governa que é incapaz de entender que há mais realidade para além das suas teses religiosas particulares o feto agora vale mais que uma mulher adulta. Um feto vale mais que a Vida cá fora. A Vida que inclui contas que não encaixam, despistes, uma pílula que falha, decisões profissionais, crises no casal, malformações terríveis que condenarão milhares de crianças prostradas em camas a morrer todos os dias até que os órgãos deixem de funcionar; a Vida de adolescentes mal-informadas, de mulheres que se arrependem, de seres humanos de verdade. No dia 20 de Dezembro, com toda Espanha com o carro carregado para passar o Natal em casa dos pais ou dos sogros, este cobarde Ministro de Justiça chamado Alberto Ruiz Gallardón anunciou o seu asqueroso ante-projecto de Lei. Ao final desse dia pintei o olho, armei-me com meus saltos altos e fui até à porta do Ministério. Éramos poucos, menos de mil, nessa manifestação convocada via twitter. Mas fui. Com frio. Rodeada de polícias e sobrevoada por helicópteros. Fui porque não consinto que nenhuma ideologia, seita ou grupo religioso controle a minha  vida. E com quase 39 anos, 2 filhos e às portas de 2014 gritei “Nosotras parimos, nosotras decidimos”. As mulheres nunca nos poderemos relaxar. Enquanto houver uma cambada de gajos que não suportem que decidamos sozinhas as mulheres nunca poderemos dormir sossegadas. Sempre alerta. Defendendo os nossos direitos.

     



    Por Rititi @ 2014/01/10 | 17 comentários »


    Coitadinho do Obama

    Passaram-se dois dIas e não há jornal “de referência” que não tenha feito a gracinha sobre o ciúme da Michelle ou sobre a exuberância da loira que tira selfies com o Cameron e o Obama. O que ainda não li em lado nenhum lado foi uma ressenha, uma minúscula análise sequer, sobre as figuras de urso que invarialmente fazem os gajos quando estão à frente de uma mulher bonita, já sejam mandatários ou trolhas de Lavacolhos. As gajas ou são umas histéricas que não sabem controlar as emoções em público ou umas víboras sem escrúpulos que provocam sempre os desprevenidos machinhos que, como sempre, “só passavam por ali”. A culpa é sempre da desequilibrada da mulher ou da cabra da loira. Eles, desgraçados, são sempre as vítimas da vontade indómita da pila. A merda do costume, portanto.



    Por Rititi @ 2013/12/12 | 9 comentários »


    Suspiro

    Mãããããe o Francisco não me deixa, Mãããããe o Manel não me dá, Mãããããe quero, Mããããããe dá-me, Mããããããe onde está, Mããããe tenho fome, sede, vontade de fazer xixi, Mããããããããããããããããããããããe…
    PO-RRA-JU-RO-QUE-EU-HO-JE-DOU-OS-CA-BRÕES-DOS-PU-TOS-EM-A-DOP-ÇÃO-FO-DA-SE!



    Por Rititi @ 2013/11/20 | 7 comentários »


    Repairwear Laser Focus e a minha ignorância cosmética

    Saturday night fever e nós encostados um ao outro no sofá, a ver como os Brangelinos brincam aos espiões sexys e magros, ele todo sangrante e macho e ela, enfim, ela linda de camisa esburacada e botas pelo joelho, linda de saia tubo e sapatos de chupa-me-o-tacão, linda a disparar duas bazucas totalmente imutável, linda em geral com ou sem operações plásticas, botox ou efeitos do photoshop. Se há mulher a quem eu lamberia sem complexos, ela é a Angelina Jolie. E a Sofia Vergara. E a Kate Moss. Já a Mónica Belucci não me apetece tanto, assusta-me ter à minha frente tanta carnalidade em estado puro. E enquanto me entretenho com estes pensamentos lésbicos de sábado burguês, o filme dos Brangelinos dá-nos um descanso com um desses intermináveis intervalos que demoram tanto tempo que podemos fazer mais um filho, arrumar a cozinha, regar as plantas e deitar fora o lixo (e ter um caso com o profissional dos dejectos). Talvez influenciados pela deslumbrante beleza da mãe dos quinze filhos do Brad Bitt, os programadores televisivos decidem dedicar o 98% do espaço da publicidade à mais brutal das campanhas a favor do extermínio da ruga que faria ruborizar a cúpula nazi, destacando para isso as últimas inovações tecnológicas ao serviço da epiderme do gajedo. E tudo num discurso altamente científico, altamente estructurado, altamente asséptico. Um quarto de hora a ver aquela merda e não percebo nada: Repairwear Laser Focus, Wrinkle Correcting Eye Cream, turnaround concentrate renewer, Serum De-Puffing Eye Massage, tratamentos Re-Substanciadores, tecnologia Lumi-GenTM, Elasti-Flex, Synchronized Recovery Complex, Firming/Sculpting Face and Neck, como se a industria cosmética finalmente tivesse encontrado a fonte da eterna juventude dentro de um laboratório químico. E a mim, que sou de letras, isto soa-me tão incompreensível como a mais exaustiva explicação da Teoria das Cordas. Ou será um novo dogma de fé redefinir o contorno do olho metendo a cabeça dentro de um balde de serum hialurónico? Havia vida antes da toxina botulínica? Onde estava eu quando descobriram a niacinamida? As nanoesferas são pequenas naves espaciais? Porquê ninguém me contou nada disto? Quando faltam poucos minutos para voltar ao filme do Brad e da Angelina sinto-me a única gaja que não aderiu à Irmandade do Serum. Serei a última fêmea sobre a face da Terra com os olhos cheios de rugas, os lábios sem vigor, nunca a minha pele será luminosa, nem flexível, nem se rejuvenescerá e tudo por minha culpa, porque sou uma absoluta analfabeta cosmética, a hare krishna dos lipossomas, a última pele com idade da raça humana. Merda. E quando já estou pronta para retirar as tristes poupanças do fundo para universidade dos meus filhos para comprar litros de retinaldeído-turnaround-Wrinkle-Correcting aparece-me a puta da Diane Kruger vestida de Chanel a pomover a linha de skinkcare e a dizer que a beleza está no interior. No interior do quê? Da embalagem? E o que é que o hialurónico tem a dizer disto tudo? Olha, entendam-se. Eu vou continuar a ver os Brangelinos e a sonhar com lamber a Jolie, que para isso não preciso ter a pele radiante. Porra.



    Por Rititi @ 2013/10/14 | 11 comentários »


    A sensualidade, segundo Joel Neto.

    “Suspiram: “Mas será que os homens só pensam em rabos e em mamas? Será que a mulher tem mesmo de continuar a ser reduzida a um objecto?”
    É uma confusão comum. Mas é uma confusão.
    Sim, os homens valorizam os rabos e as mamas muito mais prontamente do que os olhos, as mãos ou a (facilitemos) beleza interior. E, porém, o corpo não se torna por isso um objecto.
    O corpo é uma intimidade. E a vantagem dos rabos e das mamas sobre as mãos ou os olhos é que a sua intimidade é mais evidente, mais imediata.
    De resto, a isso, e salvos os delírios e as vulgaridades, se resume tudo: à intimidade. À penetração (suponho que a palavra não seja inocente) nessa intimidade. À posse, talvez. Ao roubo dela. Ao usufruto de um pedaço dela.
    O corpo é essencial por isso, não por ser um objecto. Ou então é por isso que é um objecto e só como objecto é essencial.
    A sensualidade não passa, pois, da capacidade que um corpo tem de sugerir-se proprietário de diferentes camadas de intimidade. De patentear uma hierarquia, degraus – uma escala de intimidade através do qual poderá ser descoberto. De insinuar um mistério.
    Daí que uma mulher bonita, às vezes, seja totalmente desprovida de sensualidade. Se é rasa, sem demãos, sem profundidade, jamais será sensual. Por muito bela que seja: não tem intimidade. Ou a sua vaga intimidade não chega a ser passível de cobiça.
    De desejo.
    O corpo é maravilhoso mesmo quando é feio. Tem é de ser íntimo. Profundo. Abissal, misterioso. Convidativo. Tem de fazer-nos apetecer mergulhar nele. E depois mergulhar mais fundo ainda.
    Nada disto é novo, mas às vezes é preciso recordá-lo, como tudo o que é importante. O corpo é tudo o que importa e tudo vem dar ao corpo, ainda que apenas ao seu espectro. Não é uma questão de beleza, ou sequer de sexo.
    É de intimidade. A – ela, sim – suprema beleza.”

    Joel Neto. Sensual, digo eu agora, é escrever assim.



    Por Rititi @ 2013/10/08 | 4 comentários »


    Ode à uber mulher

    Depois da liga do leite materno, das audazes inimigas da depilação enquanto símbolo da machocracia castradora e das amantes das mamas à solta, agora descubro a última bandeira do pós-feminismo: a copa menstrual. Eu, que vivia na mais absoluta e escura ignorância em relação aos meus líquidos menstruais, fiquei a saber pelos foruns de gajas, páginas do facebook e vídeos no youtube, que “o natural” não é andar com tampões que sequestram o nosso amado sangue, não, “o natural” é pôr um copo de silicone na vagina (eu escrevi vagina?), enchê-lo (até à marquinha que se vê na foto) e depois ir despejando o fruto da nossa femininade nas casas de banho públicas. “O NATURAL”. Essa parece ser a nova exigência sobre o nosso corpo, a essência da uber-mulher. A uber-mulher é uma fêmea antes de tudo, não tem vergonha de ovular, menstruar ou de limpar a copa menstrual na casa de banho da discoteca às 3 da manhã; a uber-mulher não tem medo do sangue, ele é o resumo, o símbolo da sua natureza de mãe, animal, mamífera; a uber-mullher dorme com os filhos na mesma cama sem preconceitos ou cuecas; a uber-mulher tem umas mamas que balançam, saltitam e cedem à força da gravidade livremente, felizes por terem sido arrancadas ao jugo da tenebrosa sociedade patriarcal; aliás, as mamas da uber-mulher nem sequer lhe pertencem, são dos filhos que nelas encontram aconchego e comida sem restrições horárias ou físicas. Porque é natural. Porque assim está escrito no baloiçar dos ramos das árvores, no sussurro do vento, nos cheiros ancestrais da terra. A uber-mulher é tudo aquilo que eu nunca serei, a suprema sacerdotisa do grelo que rejeita as madeixas e a pedicura (haverá alguma coisa mais natural que um calo?). Contam as usuárias da copa que é comodíssima, que se pode andar a cavalo e de bicicleta, tomar banho na piscina, escalar o Everest ou escrever um best-seller, que traz uma poupança considerável ao orçamento familiar (dura anos e anos, como as pilhas duracell) e que é amiga do ambiente. Só é chato, dizem, quando faz vácuo. Ou se entorna. Ou quando fica amarela. Ou cheira mal. Também há algumas que não a encontram lá dentro. Minúcias, para uma uber-mulher, claro. Eu só de imaginar-me na casa de banho comunitária do meu trabalho com a copa cheia de sangue na mão, a fazer malabarismos para não me sujar e a tentar lavá-la na bacia enquanto a secretária do meu chefe me olha atónita ou directamente vomita, é razão suficiente para continuar oprimida pela tirania do tampão que impede que os meus fluidos circulem livremente. Tanta naturalidade só me faria escrava do meu corpo 24 horas por dia. Obrigadinha, mas não.



    Por Rititi @ 2013/10/03 | 17 comentários »


    Eu sonho com estas coisas….

    - Fazer xixi/cocó, mudar o tampão ou cortar as unhas dos pés sem ter dois marmanjos na casa de banho cada três segundos a pedirem lanche, água, colo ou a paz mundial.
    - Trancar a porta da casa de banho também não resulta: os tais marmanjos continuam a reclamar do outro lado por comida (pelos vistos passam fome), mas com pontapés.
    - Passear pela rua como um ser adulto normal e não como a mãe possuída a gritar “não atravesses a ruaaaaaaa” ou “não faças xixi aiiiiiiiiii”.
    - Experimentar ir às compras com duas crianças que não fazem corridas com os carrinhos de super-mercado.
    - Sentir a doce sensação de viajar de carro em silêncio. Nem que seja durante meia hora. Ou quinze minutos. Ou um. Só peço 1 minuto de silêncio, caralho!
    - Jantar sem concursos de arrotos. Soa ambicioso, mas algum dia lá chegarei.
    - Algum dia deixar de ser o sofá para onde os meus filhos se atiram quando estão cansados. E recuperar o meu sofá também era bonito.
    - Acabar uma conversa com outro adulto quando os putos estão por perto. Que exagero, dizem vocês. Têm razão: acabar uma frase.

    De resto, é óptimo ter filhos.



    Por Rititi @ 2013/09/20 | 14 comentários »


    Sim, eu também li as Sombras do Grey. E sobrevivi.

    Que eu amo os meus leitores, é do conhecimiento do povo em geral. Agora, o que ninguém podia imaginar é que este amor sincero e puro me levaria a cometer sacrifícios, pondo de lado a minha integridade intelectual, e dar o corpo ao manifesto pelo simples sentido do dever blogosférico. Tudo por vocês. Tudo porque me entrego à minha legião de fãs. Tudo porque eu sou generosa e, vá lá, tinha uma tarde livre, uma resscaca de cavalo e o livro em PDF no Ipad. Sim, amores, eu li numa tarde o “50 sombras de Grey”. Inteirinho. Quinhentas e tal páginas de uma enfiada, só para vos relatar as minhas sensações com tamanho paradigma do novo erotismo platentário. Porque eu não tenho nada contra a literatura masturbatória, nem contra a pornografia em geral e muito menos contra relatos de universitárias virgens que se entregam ao sexo depravado, perigoso e altamente satisfatório com gajos lindos que por acaso até são multi-milionários e oferecem audis e macs e blackberrys em troca de não usar cuecas num jantar familiar. Infelizmente o sexo nem é depravado, nem perigoso, nem sequer é excitante. Uma gaja pega neste livro para se dar uma alegria uterina e só consegue mandar umas gargalhadas (vá lá, se calhar o riso é o novo sexo). As supostas tendências sado-maso do Sr. Grey ficam-se por contratos de submissão (que não incluem orgias, nem nada que se possa considerar imoral ou humilhante) que por acaso ninguém cumpre. A sério que levar com um cinto de cabedal no rabo é o mais extremo que a desgraçada da Anastasia pode aguentar? Bolas chinesas é sado? Sou uma precursora da nova sexualidade moderna, está-se mesmo a ver… E sobre o sexo ser altamente satisfatório, enfim, o Grey e a virgem fodem que se fartam, pelo que as leitoras (sim, se algum gajo leu isto é roto) podem deleitar-se com aproximadamente duzentas e quarenta e oito variações de alegre (e repetitivo) pinocanço vaginal. Viva o sexo na banheira! Viva o quarto do Desejo Proibido, vivam as fodas na cama de ferro com as mãos atadas com uma gravata cinzenta (estão a perceber a fina ironia, ãh?). E agora é quando eu peço às amigas que estão desse lado do ecrã que já tenham desfrutado desta magnífica obra de humor universal que me ajudem neste dilema que me consome: é impressão minha mas as quecas são mais do estilo rapidinhas, ao modo coelho, fodinhas rápidas que terminam SEMPRE com orgasmos simultâneos?  Sincronia na foda, muito à frente, eis a nova missão das virgens do mundo. Entretanto a gaja não se cala. Acabam uma foda estupenda e lá está a seca a perguntar pela infância do Mestre que de maléfico não deve ter nada se quando lhe mete a mão debaixo da mesa e a Submissa se arma em ofendida não a desmancha em castigos corporais. Mas que raio de SUPER-GAJO-DO-SEXO-BRUTAL é este que se vem logo assim que a chavala morde o lábio? Really?

    Mas claro, mesmo considerando a E. L. James a nova promessa do humor literario e as Sombras do Grey um passatempo fundamental para manter um sorriso nos lábios (os de cima, atenção), uma gaja já tem uma idade. E uma vida sexual. E algum respeito por si propria. E ver como dezenas de milhões de mulheres all over the world têm nesta fantochada o novo manual do pós-feminismo a mim até me dão urticarias, não me fodam. Quanto mal fez ao gajedo planetario a Shonda Rhimes e as séries infantiloides e descerebradas como a Anatomia de Grey ou o Scandal, senhores. Porque em todas elas as mulheres são postas ao nível de acéfalas que não podem ver um gajo giro com profundos problemas de empatia e sociabilidade (e com dinheiro e poder, óbvio) à frente que começam logo a ter convulsões vaginais como se não houvesse amanhã. Da foda ao apaixonamento é um instante, porque uma gaja nasce para amar e ser amada. E transformar um sociopata num marido perfeito. E nesta fabulosa Trilogia Grey (de que só li o primeiro volume porque até eu que vos adoro tenho os meus limites) repete-se o mesmo esquema: gaja sem qualquer tipo de experiência que cai rendida de amor aos encantos do perturbado Charming Prince que no fundo sofre e não sabe o que lhe convém até que não a conhece. E a ama. Porque o amor é todo-poderoso. Porque o amor redime, mesmo que seja à base de submissão (ai, ele é ciumento, ai ele gosta de me mandar fazer broches, ai eu estou fascinada pelo poder sexual) e chibatadas. Amor possessivo e muito luxo. Porque é isso que as gajas querem: demonstrações de amor que incluam viagens de avião ao amanhecer, um carrinho novo, um gajo ciumento que não as larga e sexo extremo, mas só um bocadinho para as assustadiças e complacentes Capuchinhos não fugirem a sete pés. Sinceramente, até a minha Deusa Interior ficou decepcionada. Mas claro, ela não se excita com a promessa de domesticar o Lobo Mau. Deve ser que está habituada a ler literatura para gente crescida.

     

     



    Por Rititi @ 2013/08/12 | 12 comentários »