A passada quinta feira, dia 9 mais concretamente, fiz 37 anos. Ninguém diria, é verdade, pareço muuuuita mais nova, obrigada. E para comemorar esta idade já tão próxima dos 40, valhamedeus, o cada vez menos jovem casal Pinheiro agarrou em si, atirou os putos para casa da avó mais querida e fugiu para Lisboa. Sim, estive aí desse vosso lado na fronteira a celebrar o meu aniversário, que também, mas sobretudo a cidade que mais feliz me faz, e os amigos que tantas saudades deixam, e as iscas com batatas fritas, e as imperiais, e esse rio e essa luz sobre o mar do Guincho. E nós. Fomos a Lisboa comemorar-nos, dar-nos beijinhos e lembrar-nos que apesar da mecânica dos dias com filhos, das manhãs a tropeçar um no outro e das noites em que deixamos que o sono nos vença no sofá, estamos juntos há quinze anos por uma única razão. Porque eu gosto muito dele. E ele de mim (espero, senão esta prosa toda não serve para nada). Estamos juntos porque é assim que faz sentido a nossa vida. A minha vida tem sentido ao pé dele. É o único que não acha disparatados os meus disparates, que me percebe quando o resto ainda está a processar, que me ralha porque sabe que estou a ser parva, ou preguiçosa ou porque sim. Temos uma aliança anterior, sagrada, que nos ajuda a sobreviver ao quotidiano. E não, nós não comemoramos o dia dos namorados (sem maiúsculas porque não merece), nós namoramos todos os dias, não fazemos de conta que há um dia especial, porque especiais já somos nós sem rosas e jantares com menús afrodisíacos. Eu avisei que este era um post lamechas, mas dêem-me um desconto, tenho 37 anos e a idade faz-nos mais parvos.
Por Rititi @ 2012/02/13 | 9 comentários »
Oh baby, please don’t let me be misunderstood

Por Rititi @ 2012/02/02 | 2 comentários »

Não têm coxas, nem rabo, nem carne nas pernas. As mamas apresentam-se como próteses mal coladas sobre uma parede de ossos. E o rabo, enfim, que rabo, alguém o viu? A Luisa Beirão e outras indivíduas cuja identidade desconheço aparecem-me descascadas num anúncio de cuecas de renda, anúncio este que parece ser o supra-sumo do erotismo pátrio, uma sorte de triste versão lusitana Victoria’s Secrect. Estão-me a dizer o quê precisamente com este anúncio, estimados senhores da Triumph: que umas gajas encanzeladas a fazer beicinho com o cu empinado e besuntadas em óleo fula são o novo paradigma de sensualidade? Ou que as suas clientes ideais deveriam ter este aspecto tremebundo? A quem vai dirigida esta campanha realmente? Às mulheres que nunca terão a barriga metida para dentro nem excesso de ossos? Ou aos homens? Nem sequer é para todos os homens, claro. Os senhores da Triumph, ao escolher estas desgraçadas, não pensaram no povão, não. Pobre gosta de gorda. Já os homens sofisticados, esses gajinhos que não param de falar dos relojinhos e as sapatilhinhas e as calcinhas de marca, esses idiotas deslumbrados com as modas lisboas e os bares que são clubes no Cais do Sodré e restaurantes japoneses, esses sofisticados idiotas é que sabem de beleza. Para estes imbecis gaja boa é gaja magra e as mulheres querem-se biafrinhas, de ar enjoadinho, transparentes. Bestas. Porque eu achava que esta mania da infantilização da mulher, sempre representanda sem cu, nem braços, nem pernas era imposta pela paneleiragem que domina o mundo da moda, e até aí tudo bem, porque maricas não come gaja. Mas a ideia de gajos heterossexuais a baterem punhetas com a publicidade da Triumph horroriza-me. A ideia que um homem me ache obesa em comparação com uma carcaça com sutiã que não pesa mais de quarenta e cinco quilos é assustadora. E triste. E cada vez que leio ou ouço um gajo a chamar gorda a uma miúda normal só me apetece mandar-lhe para a puta que o pariu.
Por Rititi @ 2011/12/13 | 62 comentários »
Ri-me tanto. Obrigada Revista Sábado por me proporcionares grandes gargalhadas a meio de uma manhã chuvosa e triste nesta terra madrilena. Obrigada, a sério. Só um optimista pode acreditar que o Mel Gibson é o presidente da Alemanha, só alguém. Amei. E ao contrário do 95% dos portugueses não fiquei consternada, nem muito menos indignada com a qualidade da “nossa” juventude, não me senti desiludida com os futuros engenheiros, psicólogos e desempregados com mestrado deste país. Do que é que estavam à espera? Acaso vocês que tão chocados estão não sabem com quem trabalham, não ouvem as conversas no metro, não lêem blogs? Esperavam o quê? Dissertações sobre o último livro de Philip Roth à porta da Faculdade? Este meu país não pára de me surpreender, de facto. Estas criaturas são filhas do Portugal dos últimos 20 anos, de uma classe média bêbada de Euros e auto-estradas grátis, idiotizada pela sensação de novo-riquismo à base de subsídios do que antes chamávamos a CEE, que se acreditou europeia e por tanto com direito a ter tudo novo. E teve. Os últimos carros, os últimos telemóveis, as últimas férias nos resorts, os últimos restaurantes da moda, a última mala da Carolina Herrera. Uma classe média que associou o ter para ser alguma coisa de jeito. Conheço malta cheia de MBA, bmw e iphones que passa férias de barco em Ibiza e bebe o melhor e mais caro vinho e que não diz nada de jeito, que não vai a um concerto se não é convidado por algum banco ou associação de advogados, gente que não pisa museus, só galerias de arte. Conheço directores gerais que não sabem o que significa a palavra “antologia”. Conheço professores que não têm livros nas estantes de casa, médicos que só viajam em cruzeiros, advogados que não sabem que foi D. João II. Estou a falar de uma classe média que não se importa de pagar balúrdios absurdos pela educação dos filhos, pagando-lhes aulas extra de piano, inglês, ténis e chinês mandarim mas que não têm a menor curiosidade em saber o que aprendem. Os pais, já sabemos, são muito bons no que fazem, são maravilhosos gestores/advogados/técnicos/jornalistas/doutores em sociologia germânica, mas o resto, religião, cultura geral, literatura, filosofia, política, pois é, não é com eles. Muito bons são os putos. Ao menos não acabaram na Casa dos Segredos, que mau aspecto, que aquilo é só grunhos de classe baixa.
Por Rititi @ 2011/11/23 | 14 comentários »
Estou a preparar um especial Trambolhos D’ouro 2011, com as suas secções de política, casamentos, red carperts, famositos de meio pêlo e, porque não, blogs de moda, desses onde as gajas enfesadinhas se fotografam em posições absurdas com roupas feias como a merda que se alguma de nós usasse para ir trabalhar era despedida. Um mundo, só vos digo. E o que me falta por descobrir.
Por Rititi @ 2011/11/14 | 9 comentários »

Por Rititi @ 2011/11/13 | 4 comentários »
A semana passada aconteceram tantas coisas, que até pareceu mal não ter vindo aqui cagar uma posta de pescada. O fim (?) de ETA, a morte de mais um tirano que até antes de ontem era amigo íntimo do coração a quem recebíamos a troco de petrodólores e terroristas islamistas, a entrega dos Prémios Príncipe de Asturias e o discurso do queridíssimo Ricardo Mutti que só consegui ver em diferido e via web. Pois é, não deu. Não tive tempo. Aliás, tive, mas preferi usa-lo para adormecer no sofá depois de ter atirado os putos para a cama, com a baba a escorrer entre algum capítulo repetido do CSI e a digestão da massa com frango. Eu sei que a vossa vida é fabulosa, a minha está a roçar o patético. Se não fosse pelo uísque que anda cá por casa era igual à de qualquer dona de casa de Lavacolhos, mais coisa menos coisa. Enfim, hoje tive tempo para escrever. Pouquinho porque já sabem que daqui a nada tenho que ir buscar as crias aos respectivos centros educativos, porque o meu mais velho já vai à escola. Uma escola pequena, pública, laica e aqui do bairro, na qual o meu Rititi Boy deve ser muito feliz, porque o gajo não me conta nada. Tudo bem? Sim. E que fizeste? Não me lembro. O meu filho, se alguém tinha dúvidas, é um gajo. Mais informação não recebo, a não ser umas fotocópias metidas no bolso do bibe, num estilo instrução militar, do género paguem as aulas de música ou dedique um tempo da sua vida a fazer uma bruxa para a festa de Halloween que festejaremos esta semana. Alto aí!! Halloween?? Masquestamerda? Estamos a falar do mesmo colégio laico que não comemora o Dia da Mãe porque é uma festa religiosa? E Halloween é o que, exactamente? Ou se calhar além de laicos, os directores deste colégio têm também uma vocação global e espera-me um ano lectivo de comemorações multiculturais e multinacionais desde o Fim de Ano chinês, passando pelo 25 de Abril turco e Dia da Independência do Uganda? Ou acaso são simplesmente ignorantes e ninguém lhes disse que aqui, nesta nossa terra e nesta nossa cultura, nos nossos genes, Halloween não existe e que aqui celebramos o Dia de Todos os Santos, dos nossos defuntos, que aqui honramos a memória dos nossos seres queridos sem precisar de máscaras e bruxas e pintelhices pirosas? E agora, se me dão licença, vou passar um “tempo de qualidade” com o filho de três anos enquanto EU recorto cartolinas às cores, tento pintar um chapéu com papel de alumínio e faço um vestido para a puta da bruxa com o saco do lixo enquanto gajo caga para mim e vê os desenhos animados. Ainda bem que me falta tempo para ir à escola e meter o pau da vassoura da bruxa por onde eu bem sei.
Por Rititi @ 2011/10/24 | 11 comentários »
Ontem o meu Rititi-boy mais novo fez um ano. Bichinho querido. E enquanto o lambia e beijava e lhe cheirava o pescoço amoroso pensava no pouco tempo que me resta para o mimar, amassar, dar-lhe colinho com fartura, morder-lhe os dedinhos dos pés. Que merda, os gajos crescem, depressa, muito depressa. Daqui a nada já está a pedalar feito uma besta, a perder os dentes, a levar pontos na cabeça e no queixo, a querer jogar na PS2 aquelas merdas horríveis onde simulam mortes e mutilações, até chegar à puta da adolescência, essa fase da vida que não serve para nada, a não ser para criar complexos aos putos e dar cabo da cabeça dos pais. Agradeço desde já que os eventuais psicólogos, pedagogos ou educadores que aqui me visitam me poupem as teses de doutoramento sobre a importância desta fase para o desenvolvimento cognitivo da criança ou a necessidade do enquadramento do indivíduo da sociedade. O caralhinho, é o que é. Eu não sei vocês, mas eu tive uma adolescência de merda. Passei de ser uma criança magricela e com franja a ser um trambolho magricelas e com franja e com um par de mamas que não sabia onde esconder nem para quê serviam. E com pêlos escuros e que teimavam em aparecer em sítios que antes ignorava que existiam. E com este nariz, ai criatura, que tentava simular evitando (!) que o resto da humanidade visse de perfil. Pena de mim. Por não falar da boca que crescia ao ritmo das mamas e que me obrigou a levar até aos 17 anos um aparelho que afundava (ainda mais) a minha pobre auto-estima. Perdão, ninguém tinha nessa altura auto-estima: ou eras como todas as outras miúdas ou então tinhas um complexo de cavalo. E o que eu queria mesmo era ser loira, não ter mamas, medir metro e cinquenta, ter um namorado com mota (já tocaremos o tema dos namorados noutro capítulo) e que alguém me compreendesse. Porque a mim ninguém me percebia. A minha mãe era uma adulta de trinta e tais (velha, portanto), magra e altíssima que se vestia com muitíssima pinta, razões de sobra para me envergonhar, que como é lógico esse era o seu objectivo, fazer-me a vida negra. Os meus irmãos mais novos, esses, viviam no mundo da fantasia e nem de longe estavam à minha altura emocional e intelectual, umas crianças que nem podiam imaginar por tudo o que eu estava a passar, o que sofria em silêncio, as minhas transcendentais dúvidas metafísicas. Quem poderia entender-me? Só as minhas amigas que, lógicamente, eram muito mais bonitas e mais loiras e tinham imeeeeenso êxito com os rapazes, que eram a fonte a minha dor interior. Rapazes que eu achava que nem me olhavam, que não sabiam quem eu era, a que colégio ia. Rapazes que escolhiam sempre outras. Horror de adolescência. Nada saquei de proveito daquela época tremenda, só me deu insegurança, complexos de gaja feia mas muito espertinha (gente do mundo, nunca comparem duas irmãs com essa simpática frase filhadaputa “esta é muito gira, já a outra é muito…. estudiosa”), complexos aliás que só passaram a partir da faculdade, quando reparei que não tinha que provar nada a uma cambada de miúdos imberbes e com mania que eram giros. E agora é imaginar os meus putos daqui a uns anos, a cara feita terra fértil de borbulhas, pelugem no bigode patético, o nariz desproporcionado, a voz que mais parece um rádio estragado, braços simiescos, enfiados num mundo de silêncios, palavras estranhas, medo do outro, sem que nada eu possa fazer, senão esperar a que esta época passe e se transformem em seres humanos mais ou menos normais, mas humanos, ao fim ao cabo.
Por Rititi @ 2011/10/17 | 7 comentários »

Uma noiva que dança uma sevilhana quando se acaba de casar é uma noiva feliz.
(E que lindos estão os manos Rivera Ordoñez, coisinhas mais lindas)
Por Rititi @ 2011/10/06 | 14 comentários »
PENTHOUSE DE SETEMBRO: NEM SEI QUE VISTA
Durante anos a minha caixa de e-mail não parou de receber convites para concertos, estreias de cinema, alguma outra que festa em bares da moda, exposições e lançamentos de livros. Mas nos últimos tempos a temática deu um giro admirável e agora dou por por mim a abrir correios electrónicos de gente que não conheço de lado nenhum mas que insiste em solicitar-me para pertencer a “clubes fashion” (seja lá o que isso signifique) ou a unir-me a redes de “pessoas com estilo”. Estou que nem me acredito, juro pela minha saúde. Ora, eu que sabendo-me relativamente gira (tenho dias), mais ou menos magra (isto depende do século com que se me compare) e com algum jeito para combinar cores às sete e meia da manhã para não ir trabalhar feita um trambolho, nunca pensei que fosse estilosa. Ou fashion. Quanto menos glomourosa. Sou uma mulher de 36 anos que, como todas as mulheres, gosta de sair de casa a sentir-se bonita e sexy e que compra a roupa que acha que lhe assenta razoavelmente bem, após uma dura aprendizagem de anos e anos sobre o próprio corpo, com muitas asneirada pelo meio quando insistia que pesava cinco quilos menos e as minhas mamas eram as da Cindy Crawford. Se gosto de sapatos? Ó pá, sim, mas também gosto de ler livros e de beber copos.
Mas devo ser a única. Passeando pelos blogues nacionais não há gaja que não publique a vestimenta diária, como se ver uma miúda com jeans e t-shirt da HM fosse fundamental para os destinos do género humano. Mas lá estão centenas de comentários a celebrar a sandaloca de plástico e a pulseira de três euros. Alucinante. As miúdas já não se vestem: têm estilismos, mesmos que estes sejam pavorosos, baratos e repetitivos. Já não há catálogos de colecções das marcas de roupa: há look books. Nem sequer se pode arranjar roupa de verão no verão: em Abril as lojas estão a abarrotar de taradas com cartões de crédito na boca a comprar o que hão de vestir em Agosto, pelo que o simples acto de arranjar um bikini a meio do Julho transformou-se numa odisseia de dimensões bíblicas. Já não se trata de tirania da moda, mas de uma total obsessão do zé povinho em ser um trendsetter da periferia. Haja paciência.
E esta paranoia, desgraçadamente, já não é exclusivo delas. Qualquer gajo que se queira moderno e cool deve aspirar a estar a par das tendências, do último grito em tamanhos de relógios, dos óculos escuros mais cool da temporada. Até as revistas objectivamente masculinas não renegam da sua secção de moda. Se derem uma volta por uma discoteca da moda entenderão do que estou a falar: tipos cheios de pose e ar enjoadinho que parece que, mais que engatar, estão à espera de ser chamados para a passarelle de Paris, todos eles calcinha arregaçada, lencinho absurdo e um olhar de nojo para todas miúdas que não tenham aspecto famélico e ultra-fashion. Não me tomem por reaccionária, obviamente prefiro um homem bem vestido a um andrajoso cheio de nódoas de tosta mista na camisola da Universidade da Beira Interior, mas às vezes tenho saudades de ver gajos vestidos de gajos, com as suas calças de ganga, a sua camisa, as suas botas, que nem sabem muito bem a razão do que levam em cima, gajos que não passaram três horas em frente ao espelho debatendo-se se levar ou não meias com os seus novos sapatinhos oxford. Gajos que quando abrem revistas femininas só vêm gajas boas e não tendências e estilismos. Aliás, tenho saudades de gajos que acham que estilismo é uma nova marca de vodka.
Por Rititi @ 2011/09/29 | 22 comentários »
