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Rititi

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INÍCIO

  • A Festa, o Livro, a Promoção, Lisboa

    Sou uma mulher feliz. Muito. Quatro dias em Lisboa deram para tanta coisa, que em vez de um post, deveria criar um blogue só par escrever e publicar tudo o que de bom me aconteceu. Ora vamos por partes:

    - Grande visita ao Goucha (ou seja, ao Você na TV, na TVI). Sentadinha ao lado da Fernanda Serrano e da Ana Catarina Afonso, giras e simpáticas de morrer, esta pequeno-burguesa (eu) lá esteve meia hora a conversar sobre o “Manual de Instruções para Sobreviver aos 40″. O Manel Luis Goucha é O entrevistador, com um sentido de humor muito inteligente, esperto até dizer chega e muito rápido. Aqui me declaro a sua fã número um. Respect!

    -  Tarde na Prova Oral, na Antena 3, com o meu querido editor Fernando Alvim. Gosto tanto, mas tanto de ir à Prova Oral,  gosto tanto do Fernando Alvim que podia ser convidada todos os dias. Ou semanas. Estás a ouvir, ó Alvim?

    - Também passei uma rica noite no 5 para a Meia Noite com o Pedro Fernandes, mais o Pedro Lamy e  Sir Scratch. Um dos programas mais simpáticos onde fui. E o Pedro Fernandes não pode ser mais giro.

    - Como se tudo isto não fosse suficiente, ainda fui visitar a querida Carla Rocha, no Rocha no Ar, na RFM (o podcast ainda não está disponível, mas foi tão bom. Obrigada, mesmo).

    -  E porque a mim me sobra o tempo, ainda voltei à Antena 3 para gravar as Manhãs da 3, com o Pedro Beja. Já disse que adoro ir à radio?

    E depois, sexta feira, aconteceu a maravilhosa apresentação do livro na Pensão Amor, pelo Fernando Alvim e a Joana Azevedo. Tanta gente, tantos bons amigos, tantos leitores, bloggers, tanta família, tanta boa onda. Obrigada. Sentada naquele estrado, a olhar para a Pensão Amor a abarrotar, com a gente de pé, senti-me a mulher mais afortunada do mundo. Nunca terei palavras suficientes para vocês, nunca poderei expressar o grata que me sinto.

    E obrigada, muito obrigada, ao Fernando Alvim, o melhor editor que uma mulher pode ter. Atencioso, paciente e que me obrigou, numa noite em frente a uma garrafa de vinho em minha casa, a sentar-me a escrever. Às vezes, tantas vezes, é preciso que nos empurrem, que nos atirem para a folha em branco, que nos abanem. E  a Cego Surdo e Mudo, tão despretensiosa , tão despachada, tão atenta, tão Alvim, é o sonho de editora. Obrigada.

     

    Na apresentação com a Joana Azevedo e o Fernando Alvim. Mais simpático não podia ser.

    Eu e o Alvim, em plena galhofa (foto da querida Tati, que tem uma reportagem completa no blogue dela). Mais fotos da apresentação no Facebook do blogue e da Cego Surdo e Mudo.

    A pequeno-burguesa (eu) com as giraças da Fernanda Serrano e da Ana Catarina Afonso na TVI. Os sapatos, lindos, são da marca EMMA GO, feitos para mim porque uma gaja só lança um livro duas vezes na vida (por agora). Gracias Leo!!

    Momento “rabo de 20 anos” no 5 para a Meia Noite, com o Pedro Lamy e o querido do Pedro Fernandes

    A Grande Obra da Literatura Universal na Fnac. Ao lado de “Os homens preferem-nas roliças”. Acho que apanharam o espírito.

    O livro está, por agora, na Fnac, no Corte Inglês e em algumas livrarias. Mais fácil, mesmo, é comprá-lo no site da Cego Surdo e Mudo. O Manual custa a barbaridade de 4,90. Mais simpático, impossível, minha gente.

    E agora vou descansar um bocado. Tanta emoção não é bom para uma mulher da  minha idade.

     

     

     



    Por Rititi @ 2013/06/17 | 3 comentários »


    A capa mais gira do ano

     

    … do livro mais giro do ano. Um “Manual de Instruções para Sobreviver aos 40… e continuar sexy, com alguma vida sexual e não parecer uma lontra”. Ou não. A partir de 4 de Junho estará nas bancas no nosso país. Os que não conseguirem aguentar até lá, saibam que já está disponível site da Cego Sudo e Mudo.

    A meio do mês teremos uma fabulosa festa de apresentação, com música, gins tónicos, conversa e uma onda muito, mas muito divertida. Porque este pequeno manual serve para isso, para dar uma risadas valentes e tentar relativizar sobre o nosso físico, a nossa (cada vez mais inexistente) vida social ou as tentativas de ter uma carreira profissional decente sem dar em doida. E sobre ter sexo sem nos deixarmos adormecer no sofá depois de jantar. Dizem  que existem por aí super-mulheres que são magríssimas e viajam a destinos exóticos cada três meses e são as super chefas do lugar e mães pacientes e amantes tesudas e cozinheiras primorosas e leitoras inveteradas e fashionistas convencidas e até violinistas nas horas livres. Mas eu não sou capaz. Pelo menos não são capaz de ser tudo isso ao mesmo tempo. Eu não sou uma super-mulher, desisto, caguei. E acho, sinceramente, que a maioria das mulheres que eu conheço são maravilhosas, divertidas, espertas, boas profissionais, grandes mães e melhores amantes, sim, mas aos bocadinhos, com dias de merda, que têm direito a estar cansadas, angustiadas ou com preguiça. Este ”Manual de Instruções para Sobreviver aos 40…” é para todas essas mulheres, as mulheres de verdade. Espero que gostem.

     



    Por Rititi @ 2013/05/28 | 9 comentários »


    A co-adpoção e a modernidade nacional

    Ai, Portugal, que maravilhoso poço de surpresas. Desde que o Parlamento nacional aprovou na generalidade a co-adopção de crianças por casais homossexuais não tenho deixado de ler textos do mais alucinante, desde os de indignados que escrevem que os putos dos orfanatos vão ser sodomizados por gays tarados a bloggers armados em definitivos estandartes da modernidade pátria que ficam muito espantados porque haja quem não ache normal uma criança ter duas mães ou dois pais. Eu percebo que para muito boa gente a possibilidade dos gays poderem adoptar lhes pareça estranha, anormal, anti-natural. Até há muito pouco tempo no nosso querido país não se viam gays na rua de mão dada, nem aos beijos, quanto menos casar, agora imaginem poder adoptar criancinhas. Aliás, em Portugal, tirando em algumas ruas do Bairro Alto ou do Chiado, parece que não existem gays. Da política à magistratura, passando pela alta finança aos opinion-makers, não me lembro de nenhum gay ou lésbica declarados. Nada. Só na televisão há gays, que nem sequer são gays: são maricas, bichas, porque assim se representam nas séries, talk-shows e concursos, repetindo os tiques da louca tal como há trinta anos atrás. As lésbicas, então, é para esquecer. E isto é o que vê a Dona Hermínia lá na vila da Beira Interior que como muito tem um primo efeminado que emigrou para Lisboa e que tem muito jeito para a decoração. E esta é a puta da realidade em Portugal, não me lixem. Porque este nosso país, assim tão quietinho e grandoleiro, é uma casa tradicional, conservadora até limites ridículos e bastante pacóvia onde as figuras com responsabilidades políticas ou económicas não saem do armário. Sim, ninguém tem nada a ver com isso, devem dizer os deputados homossexuais, mas o facto é que sabem perfeitamente que no dia em que se assumirem perdem uma carrada de votos. E se um gestor de um banco quer chegar longe na carreira nunca dirá que é gay. Por isso, irrita-me mais o discurso da super-modernidade que parece esquecer que Portugal não é Lisboa que o de pessoas que honestamente não percebem, porque não conhecem homossexuais, nunca falaram com um casal de lésbicas que se ama há vinte anos, com putos que acabam de sair do armário, que não têm referências nenhumas e que acham que todos os gays são paneleiros ou o José Castelo Branco. Não estar de acordo com a co-adopção não faz que uma pessoa seja intolerante, injusta ou homofóbica. Uma pessoa intolerante é outra coisa. É aquela que não quer perceber, porque lhe dá mais jeito agarrar-se aos preconceitos e insultar em nome de Deus, da Igreja, do medo. Uma pessoa homofóbica é aquela que se fecha e que repete uma e mil vezes que um gay não pode ser pai ou mãe porque assim está escrito há milhares de anos, que prefere que o filho de uma lésbica fique entregue aos bichos quando a mãe morre antes que ser entregue à sua outra mãe, que acha que a definição de família está consagrada só no Código Civil, que associa homossexualidade a pedofilia. Sim, a Família, essa palavra enorme que os movimentos conservadores e fundamentalistas usam e abusam como justificação para rejeitar esta lei, é a base da sociedade. E eu quero uma sociedade justa, tolerante, que não se feche em conceitos e ideias inamovíveis. Por isto a lei da co-adopção de crianças por casais homossexuais é importante, justa, necessária. Para as crianças, para os pais e as mães e para o nosso país, até para as Donas Hermínias lá da Beira. Esta é uma lei muito valente. Parabéns, Portugal.



    Por Rititi @ 2013/05/23 | 13 comentários »


    Extra! Extra! Novo livro Rititi!

    Minha boa gente, leitores que me acompanham depois de tantos e tantos anos, há novidades, e das boas, in da house! Esta vossa blogger favorita acabou de mandar um livro todo catita para a editora. Estará nas livrarias já em Junho, para o poderem comprar e levar para a praia, a piscina ou até para o parque de campismo, oferecer às cunhadas, às melhores amigas, às colegas de trabalho! Sim, para elas, para vocês, raparigas e moças do nosso país, porque este simpático livro que está a ser editado pela Cego Surdo e Mudo, será um “Manual de Instruções”. De instruções de quê? Ah, isso já vos direi mais à frente. Mas estejam descansados, que isto não é um livro de auto-ajuda, que não dei em guru da vida dos outros. Enquanto tiver a capa, mostro.

     

     



    Por Rititi @ 2013/05/08 | 9 comentários »


    O que é ser bela

    Hormonal como ando, é normal ter acabado de ver este vídeo da Dove com uma lágrima a escorrer-me pela cara abaixo. Porque é bonito, é verdade, e tem uma musiquinha com esse tom condescendente de anúncio de penso higiénico e as senhoras no fim comovem-se, choram e falam num inglês muito articulado sobre a sua imagem. Mas, tirando tudo isto, o anúncio da Dove reflecte sobre um tema muito delicado para as mulheres: a percepção da beleza. A nossa percepção. Não é que nunca estejamos satisfeitas, é que simplesmente não gostamos do nosso reflexo. Mas que raio de espelhos usamos nós que tanto amplificam as nossas imperfeições, que transformam um banal sinal numa verruga ou um nariz recto num focinho monstruoso? Que necessidade temos nós de nos afundarmos (ainda mais) na merda? Não nos chega com as nossas desgraças diárias, ainda temos que passar o dia a escrutinar a flacidez das mamas e a celulite do rabo? Não nos chega que nos subam os impostos e o IVA e os putos fiquem sempre doentes à segunda feira? Não, nós precisamos de odiar o nosso queixo, comparar a pele com os das modelos, abominar a falta de luminosidade do nosso cabelo. E quanto mais perto estamos dos 40 mais se agrava, como se não servisse para nada fazer anos e aprender alguma coisa com isso. Ver as mulheres do anúncio da Dove frente à “sua” imagem desenhada é brutal. Parecem dizer “quem é essa?”. Não se reconhecem, porque essa imagem não existe, não é real. E isto é a beleza: a percepção real de nós. Nós somos o espelho. E gostar do que somos é só um princípio para que nos vejam sempre mais bonitas. Ou realmente bonitas.



    Por Rititi @ 2013/04/19 | 18 comentários »


    A realidade deixa-me louca

    Eu sei que vos devo muitos textos. O Papa Francisco. Chipre. O Mourinho. Madrid. As procissões. Coreia do Norte. Grandes textos que nunca escrevi. Como a constituição como arguida da filha do Rei de Espanha, a Cristina, no caso onde o marido, o ex-jugador de andebol (andebolista?), ex-guapo e ex-favorito Urdangarín, está acusado de desviar milhões de euros de dinheiro público e, já que estava com as mãos na massa, de fraude fiscal. Até hoje nem o juiz nem o procurador tinham tido os tomates de a chamar a declarar, quanto mais transformar uma Borbón de primeira linha em arguida, argumentando sempre que o papel da filha do rei era meramente formal, nunca executivo, nas fundações que – supostamente – tinham como único fim roubar fundos públicos. Urdangarín está fartinho de jurar que a mulher não sabia nada-de-nada sobre os negócios, pactos y convénios assinados pelas fundações, apesar de estar nas Juntas Directivas e de ter poder de voto e decisão. Talvez essa coisa de “a minha mulher só assinava, mas não lia” ainda funcione em certas tardes de bridge e criada interna, mas um juiz não tem nada a ver com o anacronismo de género ou linhagem monárquica. Quem assina é imputável. Aqui o único inimputável é o Rei, assine, mate elefantes ou tenha uma  amante alemã depositada na casinha do jardim do Pardo e que negoceia em nome de Espanha com petro-magnates russos. E então dia 27 de Abril lá irá a Cristina Federica de Borbón y Grecia ao tribunal, responder, como uma cidadã (que não contribuinte) mais às perguntas do juiz Castro. Incrível. Como não escrever sobre isto? Acharia realmente o semental Urdangarín que ninguém o apanharia a defraudar, que poderia enriquecer-se sem que ninguém desse por isso? E a Cristina, credo? Só alguém que nunca viveu do fruto do seu trabalho poderia acreditar que um ex-jogador de andebol com o décimo segundo ano ficaria multimilionário em dez anos. Ser Infanta de Espanha é sinónimo de imbecilidade? Não lhe basta ser a filha do Rei, princesa ou infanta, herdeira de favores, privilégios, vénias e trabalhos super remunerados? Quem faz mais pela República neste caso: os porta-bandeiras dos costume ou quem desonra a instituição, a sua própria casa, a sua família? Impressionante, nem nos seus sonhos mais húmidos os membros do comité central do PC espanhol teriam imaginado que a Monarquia seria dinamitada desde dentro. Cambada. Um Rei que se nega a abdicar e uma Rainha a viver em Londres como se isto não fosse com ela. Não posso deixar de pensar na Letizia, aquela que acabaria com a Monarquia, aquela que não estava preparada nem à altura e que não tinha sido educada para um lugar destes, aquela que não saberia ver o limites. Pois. Aquela que a maior merda que fez foi transformar a sua cara e a forma de falar com Príncipe. Nada acontecerá à Cristina, claro está, nem sequer ao Urdangarín. O Rei morrerá sentado no trono e os seus filhos herdarão uma fortuna que segundo o NYT poderia chegar aos 1.800 milhões de Euros. Ao Príncipe, se não for Rei, trabalho não lhe faltará, nem que seja só por causa da sua agenda. Por tanto e como já dizia o outro, é preciso que tudo mude para que nada mude. Se apetece escrever sobre a Monarquia? Então não! Era mulher para escrever uma série sobre ela para uma revista, do género “Borbones, de bestiais a bestas e tal”. Se vivesse em Portugal até me podiam contratar para os programas da tarde como “especialista na Monarquia Espanhola”, ao lado da Maia (ainda existe?) e do Cláudio Ramos. Bem era capaz de dedicar um monográfico à Corinna, a nova Barbie feminista do mundo dos negócios, para uma revista séria, como a Lux. Enfim. Não me posso pôr a escrever, que me distraio. Se não me contratam na Lux esta semana ainda vos venho contar sobre a Corinna (e aqui ficava tão bem “a puta fina” mas uma gaja não quer levar com um processo nos cornos, já sabem).



    Por Rititi @ 2013/04/03 | 11 comentários »


    Almodóvar está velho

    Um novo filme de Almodóvar é um acontecimento social em Espanha. Os críticos ficam doidos (o Carlos Boyero então nem se conta), os meios não falam de outra coisa, as vozes dividem-se entre os que odeiam e veneram a obra do realizador. E este último filme do Almodóvar, Los Amantes Pasajeros, não é excepção. E eu, que sou uma almodovariana confessa, eu que vi todos os filmes do manchego, eu que chorei sozinha no cinema a ver Volver, eu que sei diálogos de cor do Qué he hecho yo para merecer esto?, eu que delirei com Tacones Lejanos e que nem achei assim tão horríveis La mala de educación o  Los abrazos rotos, pronto, lá fui ver esta (suposta) comédia. E digo, já: B-E-LA-M-E-R-D-A! Assim, sem piu-piu-piu nem eufemismo. Não me lembro de ter saído nunca de um filme tão decepcionada, a apetecer-me ir bater à porta da casa do gajo e pedir que me devolvesse os 10 EUROS que me custou a puta da entrada. Não me ri uma única vez. Passei o filme todo à espera desse momento “testiga de Jeovah” da Chuz Lampreave nas Mujeres al borde ou duma cagasésima parte da honestidade da Agrado no Todo sobre mi madre. Ou de honestidade em geral. Nada, népias. Tudo é tão artificial, fake, ridículo, a roçar o absurdo. Os diálogos não valem um chavo. O argumento não tem pés nem cabeça. As personagens parecem criadas por um adolescente hiperssexuado. E não tem nada a ver com a paneleirice do filme. A sério, gays venham a mim. Eu também tenho os meus dias gays. Porque o filme nem sequer é paneleiro. É idiota. Pôr as personagens a dizer “polla-follar-polla-follar” vezes sem conta não tem graça, senhor Almodóvar. Pôr as personagens a foder em grupo não é transgressor a estas alturas do campeonato. Já todos vimos isto. As coreografias gays, a divas do bondage com o seu coração de ouro, os heteros que são gays mas que não sabem apesar de fazerem broches a gays, a virgem que cheira os mortos… Really??? Era isto necessário, senhor Almodóvar? Não, não era. Com a madurez alguns realizadores, como o Clint Eastwood, ficam mais delicados, mais finos; outros, como o Woody Allen, querem é fazer turismo e filmar o decote da Penélope Cruz. E depois está o Almodóvar, obcecado por parecer moderno: a moda, os decorados, a literatura, a música, o sexo. Mas nada é moderno: andamos a ouvir o Look de Metronomy há anos, todos falámos o que tínhamos a falar do 2666 de Bolaño, David Delfin já deu o que tinha a dar. E o sexo, senhor Almodóvar, com ou sem mezcalina, com conhecidos ou estranhos, já não escandaliza ninguém, pelo menos nestes termos adolescentes e burros. E isto não é moderno: é seca. Sorry.



    Por Rititi @ 2013/03/13 | Sem comentários »


    VIVA EU

    Todos os dias.



    Por Rititi @ 2013/03/08 | 4 comentários »


    Muy recuperada

    Uma gaja abre a web da Revista Hola e dá de caras com isto: “Shakira reaparece (…), un mes después de dar a luz. Con un total look en negro, sin pareja y muy recuperada después de haber dado a luz hace sólo un mes“. Muy recuperada. Demos graças ao Senhor, ela que, milagrosamente, conseguiu recuperar a figura um mês depois de parir. Aleluia! Que exemplo para o resto das mulheres recém paridas! Obviamente, a revista esqueceu mencionar que este  fabuloso caso de recuperação de cintura se deveu a uma cirurgia estética praticada no mesmo momento em que a criatura teve o filho, conhecida como “mommy makeover”. Ou seja, quando lhe retiraram a placenta aproveitaram para lhe aparar as mamas, além de dar um jeitinho à zona abdominal e, se calhar, ainda levou com uma lipoaspiração para pôr tudo no sítio. Por mim perfeito. Se eu tivesse dinheiro talvez até era mulher para ir à faca e assim poupar-me o ano e meio que demorou este meu corpo de mulher felliniana a ficar “muy recuperado”. Na boa. Mas que as Holas deste mundo me vendam a Skakira como um modelo de emagrecimento invejável já não me agrada tanto. Aliás, toca-me a fibra sensível, que também a tenho. O que me querem dizer exactamente?: “Vês, sua vaca, como é possível, tu é que és uma desleixada, uma preguiçosa que te entregaste às benesses do gelado de chocolate branco” ou então “Queridas leitoras, como se não tivessem suficiente com a vossa vida de merda, tomem lá mais uma razão para e afundarem no sofá”?. Já não nos bastam com os insultos constantes das revistas femininas que insistem que aos 40 devemos estar tão enxutas como as adolescentes de 20, como agora nem respeitam os pós-parto, essa época em que o nosso corpo se deve recuperar ao seu ritmo? Quantas de nós não nos deprimimos aos seis meses (ou ao ano!) de parir, quando vemos que apesar de comer bem e ter voltado ao pilates, a puta da barriga (flácida, asquerosa) se resiste em abandonar-nos? Que a Shakira está “muy recuparada” nós já sabemos, mas não omitam que foi graças a uma operação que terá custado várias dezenas de milhares de Euros. E as mulheres reais não somos Shakira. Cada uma recupera-se a seu tempo, com mais ou menos sorte, mais ou menos desgostos, mas recupera-se. Custa. É deprimente. Mas vai lá. Sem cirurgia. E ficamos muy recuperadas, à borla, ainda por cima.



    Por Rititi @ 2013/03/04 | 10 comentários »


    Confissão

    Actualizar um blogue cada três semanas, como está o Mundo, tornou-se num exercício altamente inconveniente. Com tantas coisas a acontecerem ao dia, uma gaja escreve sobre o quê? Meteoritos na Rússia e a falta de pontaria dos Maias? A renúncia do Papa? Os papáveis? A falta de honestidade da classe política? A franja da Senhora Obama? Grândola na AR? Sobre o polícia gordo da AR que expulsou os manifestantes que repetiam sempre a mesma estrofe do hino revolucionário porque obviamente não sabiam a letra? A distinção semântica entre levar e tomar no cu? Cu leva acento? A demonização do Carnaval, uma festa tão nossa (por muito que os autarcas de Torres Vedras o tentem transformar numa burda imitação do pior do Brasil)? Sobre a tristeza e a falta de carne da Quaresma? Ou sobre o facto irrefutável que desde dia 9 de Fevereiro tenho 38 anos? Sim, T-R-I-N-TA-E-O-I-T-O-A-N-O-S. Não é fácil ter 38 anos. Para mim não. Estou já à porta dos 40. E 40 são todos esses anos em que uma gaja já sabe o que quer ser na vida. Ou que, pelo menos, já chegou muito perto ao que quis ser quando tinha vinte e tal. Ora eu já quis ser muitas coisas. Escritora. Excelente profissional da banca. Jornalista. Estudante. Cronista a tempo inteiro. Vencedora do euro-milhões. Celebrity da blogosfera. Mãe de três ou quatro. Corredora de mini-maratonas. Ex-fumadora. E ao contrário dos grandes articulistas da nossa praça que não perdem a oportunidade de escarrapachar em cada texto o orgulhosos que estão dos seus êxitos e explicar ao leitor idiota como é fácil ser-se na vida o que um sempre sonhou só à base de dedicação e muito esforço, eu dou por mim a comprovar que com quase 40 anos ainda estou muito longe de chegar a algum lado, como se o meu caminho fosse mais comprido (ou com mais desvios, pelo menos) que o dos outros. Sim, eu sei, também ajudava concretizar uma meta, e esfalfar-me em cada uma das etapas de montanha ou de contra-relógio, como os ciclistas de renome, mas, que querem, até os ciclistas metem drogas para chegar ao fim, como se chegar fosse o única razão pela que correr. Se calhar eu pertenço a esse pelotão que nunca chegará à meta, não porque desiste ou porque lhe faltam as forças, mas porque encontra alguém pelo caminho e fica à conversa em frente a um imperial e um prato de tremoços, ou porque se lembrou que tinha que acabar outra coisa e já lá vai, ou porque reparou que noutra meta onde lhe esperam os que realmente importam. Faltam-me ainda tantas etapas que a meta parece-me o menos importante. Pelo menos agora. Para o ano já vos conto.



    Por Rititi @ 2013/02/19 | 5 comentários »