PENTHOUSE DE DEZEMBRO: PARVOS SÃO VOCÊS
Que o sexo vende, toda a gente sabe. E que quando mais se abusa dele em campanhas de publicidade mais se falará do produto que se tenta vender. É um básico, basta lembrar os mais famosos e reconhecidos anúncios das televisões por cabo ou das cervejas nacionais, onde um par de mamas sempre acaba escarrapachado em primeiro plano como reclame definitivo. Do turismo, passando a automóveis até chegar a desodorizantes, não há agência de publicidade que poupe em rabos, decotes e pernas de escândalo se quer chamar a atenção de um público masculino pelos vistos sempre sedento de gajas boas em pelotas.
Agora, o que eu nunca tinha visto era o sexo ser usado num anúncio de produtos de limpeza. Pensava que uma máquina de lavar loiça não passava disso, de uma máquina de lavar loiça. Que tira-nódoas e tusa eram dois conceitos irreconciliáveis. Que uma cozinha por arrumar nunca inspiraria um realizador a filmar um casal em roupa interior em grandes apalpanços e lambidelas. Uma gaja nunca acaba de aprender, acreditem. Este verão, enquanto as almas sensíveis estávamos a banhos e a tentar não morrer desidratados pelo calor, o realizador de cinema espanhol Bigas Luna – conhecido por ter apresentado ao mundo o fornido Javier Bardem (ai valha-me Nossa Senhora) e a Penélope Cruz pré-aumento mamário num filme chamado Jamón Jamón – estreou-se no mundo da publicidade com três anúncios a um desengordurante desses que tanto tira as nódoas de chocolate como as de óleo de camião. Mas como Bigas Lunas deve ser, posssivelmente, o cineasta mais hiper-sexualizado do universo, o que seria um banal anúncio do género “limpe com X e a sua casa ficará limpa” transformou-se numa porno-chanchada de dimensões altamente cómicas, numa espécie de homenagem ao feminismo de subúrbio como vocações de cabaret e lingerie com rendinhas. Isto para não dizer que o anúncio é uma estupidez bíblica, vá lá.
Em todas as histórias o denominador comum é o mesmo: uma cozinha, uma miúda gira e um chavalo musculado só equipado com toalha/calça de pijama/boxer. Numa delas o casal está em feliz e acelerado estado pré-coital na bancada da cozinha quando (oh, horror!) a miúda repara que está rodeada de gordura e sujidade. Vai daí, saca da mala o produto de limpeza mágico e o amante (obviamente) deixa rapariga meio nua e de perna aberta e dedica-se a limpar alegremente a casa, os móveis e os sapatos sujos. Só quando tudo brilha e cheira a novo o macho tem direito a acabar o que começou. Uma mulher satisfeita é uma mulher feliz. Ou vice-versa, porque aqui não se percebe se o que dá mais prazer à protagonista é ter um gajo em tronco nu a limpar a casa, uma cozinha imaculada ou um produto que visto o resultado final do anúncio até é bem capaz de ter propriedades afrodisíacas.
Eu, que sempre usei este tira-nódoas e me considero a presidenta do clube de fãs, sinto-me enganada, altamente decepcionada. Diga-me, Senhor Bigas Luna, em que momento da lida doméstica me aparecerá um adónis depilado na cozinha disposto a facilitar-me a vida? Para quando um marmajo tesudo em cima da vitrocerâmica? A minha empregda não tem nada que me dizer sobre isto? Porque o que aqui me vendem não são as qualidades prodigiosas do detergente, que como disse é extremamente eficaz, mas a promessa de sexo excitante, seguro e constante enquanto se põem os pratos na máquina de lavar a loiça. Outra coisa é que o Senhor Bigas Luna ache que as mulheres somos umas simples e que lá porque os gajos vão a correr comprar uma marca de cerveja e não outra por causa da boazuda que aparece no anúncio nós façamos o mesmo com um tira-nódoas. Desculpe mas somos um bocado mais espertas e complexas do que isto.
Por Rititi @ 2012/01/21 | Sem comentários »
PENTHOUSE DE NOVEMBRO: HOMEM NÃO FALA
Durante uma curta viagem de autocarro a caminho do trabalho, ouço como um grupo de miúdas fala animadamente e com uma surpreendente leveza sobre um tema para mim desconcertante: as expectativas vitais não cumpridas. Às oito manhã, toma lá, e iam misturando no debate tópicos como a imperiosa chamada do corpo para a maternidade, os inevitáveis conflitos com a mãe, o preço exagerado do cabeleireiro, a vontadinha de esmurrar o chefe de secção, os quilos a mais e, claro, os namorados e o que lhes fazem e o que não lhes fazem e quantas vezes e por aonde. Assim somos as mulheres: falamos sempre, muito e sobre tudo o que nos vem à cabeça. Precisamos fisicamente de falar, porque sabemos que pôr cá para fora o que nos vai na alminha equivale a uma boa sessão de cabeleireiro.
Já os homens não falam. Não lhes é urgente, nem sequer necessário para a sua sobrevivência, não perdem tempo em partilhar com outros a crise dos quarenta ou a dificuldade de lidar com a incipiente calvície. Os homens não falam: agem, fazem coisas, compram uma mota quando se acham velhos e rapam a cabeça se ficam carecas. Não sei se é uma questão de evolução, desenvolvimento de uma parte determinada do cérebro ou simplesmente os gajos têm mais que fazer. Mas assim são eles, sempre foram e espero que continuem a ser para bem da humanidade e sobretudo das mulheres. Para quê precisaria uma gaja de estar com um homem que lhe fala constantemente dos seus sentimentos, medos e frustrações? Há de verdade mulheres que gostem de homens assim?
Pelos vistos há. E muitas. Um reflexo disto é o cinema e a televisão. Dando uma vista de olhos nas séries ou nas comédias românticas as personagens femininas perdem o sentido e apaixonam-se perdidamente por lindos e robustos heróis urbanos (bombeiros, médicos, advogados dedicados a boas causas) que não só as percebem e as ouvem como falam sem parar do seu amor, ou falta dele, do que sentiram quando fizeram sexo, das saudades arrebatadoras quando elas não estão. E falam do mesmo com os amigos, a quem fazem partícipes e cúmplices das suas relações amorosas, crises existências e o caneco. O termo ficção nunca fez tanto sentido. Os homens aqui não são homens, passaram a ser concretização das expectativas de umas criaturas que não acreditam na ordem natural do Universo e que acham que a igualdade entre os sexos consegue-se com a absurda feminização de todo o género masculino.
Por sorte existe o Chuck Lorre, criador de duas séries deliciosas e super-masculinas chamadas Two and a Half Men e The Big Bang Theory. Se a primeira era protagonizada até à pouco tempo por um Charlie Sheen que fazia de si próprio (bêbedo, mulherengo incorrigível, infiel, jogador compulsivo) as personagens principais de The Big Ban Theory são quatro jovens adultos, grandes cientistas, loucos por banda desenhada e ficção científica e com sérios problemas de relacionamento com o resto da sociedade e sobretudo com as mulheres. Uns nerds, vá lá. O que têm em comum estas séries é a falta de empatia destes gajos com as mulheres. Não as entendem, mesmo que se esforcem até ao infinito, tudo quando dizem elas soa-lhes a chinês, e o melhor disto para o espectador é a ausência total de diálogos românticos, nem sequer sensíveis ao mais puro estilo de séries tão enfadonhas como Anatomia de Grey ou Irmãos e Irmãs. Séries de gajas que transformam homens em seres ridículos que debitam sem descanso frases que parecem copiadas de telenovelas venezuelanas. O melhor de isto tudo é que por fim vemos personagens masculinas divertidas, que olham para as mulheres com incompreensão mas cheios de desejo e que, cada um à sua maneira, tenta engatar mesmo que no caso dos nerds os resultados sejam desastrosos e quase sempre ridículos. Mas lá está: homem que é homem não fala. Faz.
Por Rititi @ 2012/01/21 | 4 comentários »
PENTHOUSE DE OUTUBRO: VIVA O PRODUTO NACIONAL
Nesta altura em que os dias se vão encurtando, os céus se escurecem com promessas de frio e de chuva e que todos começamos a tirar os casacos e as botas do armário, a mim entram-me umas saudades doidas do verão. Saudades das férias. Saudades da praia. Dos biquinis. Dos corpos quase nus que correm pela praia e descansam na areia. Dos peitos bronzeados dos homens. Saudades dos rabos das mulheres. E que belos rabos que têm as mulheres portuguesas, senhores! Das praias de Espinho às de Portimão, passando pela Figueira da Foz ou Vila Nova de Milfontes, o areal português é um festival de nádegas lisas e triunfantes, como se de uma competição se tratasse. Durante anos fartei-me de ouvir gabar as espanholas, todas elas produzidas e desembaraçadas, as francesas, as mais desinibidas, as inglesas, doidonas e sempre prontas para a festa, ou as suecas, loiras com todas as suas consequências. E as portuguesas? Porquê esta discriminação em relação ao produto nacional? Nunca percebi. A portuguesa, além de ser a que vos calha mais à mão, tem o melhor rabo do mundo. Um rabo orgulhoso, rijo, um rabo que sem ginásio enxovalha os desenxabidos rabos alemães, que até podem muito ricos e desenvolvidos, mas que não passam de sacos fofos e tristonhos. E não me falem das brasileiras: os portugueses inventámos a bunda, por tanto não conta. A semente é nossa. O rabo primigénio é o nosso. Pronto.
Agora que andamos todos macambúzios com a crise, os recortes nos subsídios de Natal, o aumento do IVA e a certeza que seremos mais pobres e menos viajados do que fomos há uns anos atrás, se calhar não era nada mal pensado começar a ver as coisas pela positiva. É verdade, estamos fodidos pela Troika, pelos mercados, todos os dias os jornais acordam-nos com uma nova péssima notícia. Teremos que esquecer as férias em Punta Cana, a compra do novo BMW, mudar-nos para um T3 com vistas para o Tejo não passará de um sonho impossível. E depois? Sejam optimistas! Temos um sol fabuloso em Portugal! As nossas mulheres têm corpos lindos! Eu sei que custa ser positivos a estas alturas do campeonato, mas lembrem-se dos rabos. Um rabo é sempre uma boa maneira de encarar a vida. Quando de manhã se cruzarem no elevador com a vizinha gira e solteira do andar de cima imaginem-a dentro dum biquini minúsculo a sair da água na Costa da Caparica. Maravilha. Se forem à pastelaria ao lado do vosso escritório olhem bem para a miúda que vos serve o café. Não vos parece bonita? O que terá debaixo da farda? Sorriam-lhe. Até a podem convidar a dar uma volta, beber um copo lá em casa, quem sabe se não tomarão o pequeno almoço na cama. Atrás da empregada assustadora das Finanças tenho a certeza que há uma mulher atraente, com pica, com graça, porquê não tentar engatá-la? O que podem perder? Nada, garanto-vos. Como muito levam com os pés, mas já dizia o outro: Paris bem vale uma missa.
O dinheiro não traz a felicidade, mas ajuda. Já o sexo, ai, faz muita gente feliz. E o sexo é grátis, assim como o engate, a sedução genuína, o desejo, essas cócegas que nos surpreendem a meio da tarde. Sexo que não custa nada, que se consegue quando se quer saber o que faz a nova colega quando apaga o computador e vai para casa, como se comportará essa rapariga quando está longe das amigas. Mas, claro, para isso é preciso aprender a olhar para o que temos ao lado. E o que têm ao lado, do outro lado da porta, a mulher portuguesa, não só vos irá surpreender como terá, sem dúvida, o melhor rabo do mundo.
Por Rititi @ 2012/01/21 | 3 comentários »
PENTHOUSE DE SETEMBRO: NEM SEI QUE VISTA
Durante anos a minha caixa de e-mail não parou de receber convites para concertos, estreias de cinema, alguma outra que festa em bares da moda, exposições e lançamentos de livros. Mas nos últimos tempos a temática deu um giro admirável e agora dou por por mim a abrir correios electrónicos de gente que não conheço de lado nenhum mas que insiste em solicitar-me para pertencer a “clubes fashion” (seja lá o que isso signifique) ou a unir-me a redes de “pessoas com estilo”. Estou que nem me acredito, juro pela minha saúde. Ora, eu que sabendo-me relativamente gira (tenho dias), mais ou menos magra (isto depende do século com que se me compare) e com algum jeito para combinar cores às sete e meia da manhã para não ir trabalhar feita um trambolho, nunca pensei que fosse estilosa. Ou fashion. Quanto menos glomourosa. Sou uma mulher de 36 anos que, como todas as mulheres, gosta de sair de casa a sentir-se bonita e sexy e que compra a roupa que acha que lhe assenta razoavelmente bem, após uma dura aprendizagem de anos e anos sobre o próprio corpo, com muitas asneirada pelo meio quando insistia que pesava cinco quilos menos e as minhas mamas eram as da Cindy Crawford. Se gosto de sapatos? Ó pá, sim, mas também gosto de ler livros e de beber copos.
Mas devo ser a única. Passeando pelos blogues nacionais não há gaja que não publique a vestimenta diária, como se ver uma miúda com jeans e t-shirt da HM fosse fundamental para os destinos do género humano. Mas lá estão centenas de comentários a celebrar a sandaloca de plástico e a pulseira de três euros. Alucinante. As miúdas já não se vestem: têm estilismos, mesmos que estes sejam pavorosos, baratos e repetitivos. Já não há catálogos de colecções das marcas de roupa: há look books. Nem sequer se pode arranjar roupa de verão no verão: em Abril as lojas estão a abarrotar de taradas com cartões de crédito na boca a comprar o que hão de vestir em Agosto, pelo que o simples acto de arranjar um bikini a meio do Julho transformou-se numa odisseia de dimensões bíblicas. Já não se trata de tirania da moda, mas de uma total obsessão do zé povinho em ser um trendsetter da periferia. Haja paciência.
E esta paranoia, desgraçadamente, já não é exclusivo delas. Qualquer gajo que se queira moderno e cool deve aspirar a estar a par das tendências, do último grito em tamanhos de relógios, dos óculos escuros mais cool da temporada. Até as revistas objectivamente masculinas não renegam da sua secção de moda. Se derem uma volta por uma discoteca da moda entenderão do que estou a falar: tipos cheios de pose e ar enjoadinho que parece que, mais que engatar, estão à espera de ser chamados para a passarelle de Paris, todos eles calcinha arregaçada, lencinho absurdo e um olhar de nojo para todas miúdas que não tenham aspecto famélico e ultra-fashion. Não me tomem por reaccionária, obviamente prefiro um homem bem vestido a um andrajoso cheio de nódoas de tosta mista na camisola da Universidade da Beira Interior, mas às vezes tenho saudades de ver gajos vestidos de gajos, com as suas calças de ganga, a sua camisa, as suas botas, que nem sabem muito bem a razão do que levam em cima, gajos que não passaram três horas em frente ao espelho debatendo-se se levar ou não meias com os seus novos sapatinhos oxford. Gajos que quando abrem revistas femininas só vêm gajas boas e não tendências e estilismos. Aliás, tenho saudades de gajos que acham que estilismo é uma nova marca de vodka.
Por Rititi @ 2011/09/29 | 22 comentários »
PENTHOUSE DE AGOSTO: GOSTAR DE GAJOS
Quando o José Mascarenhas me convidou para fazer parte da revista Penthouse, só tive uma coisa clara: nunca escrever como se os homens fossem parvos, idiotas ou simplesmente ignorantes. Eu gosto muito de homens e sinto muitíssimo respeito por eles, razão pela qual esta coluna nunca serviria para explicar aos leitores como se faz um minete, quais os truques infalíveis para alongar o orgasmo feminino ou outros usos a dar às ferramentas de cozinha. Eu sei que vocês sabem. De sexo, quanto muito, sei do meu. A vocês pouco poderia esclarecer: estou convencida que os leitores da Penthouse são homens inteligentes, experientes e curiosos que quando têm dúvidas as resolvem com as namoradas, as mulheres ou os engates a meia tarde no escritório porque é a elas a quem têm que dar satisfações na cama (ou no sofá, no chão da cozinha, ou contra a porta da casa de banho). Eu, como muito, estou aqui para escrever sobre que gosto e o que não.
Infelizmente, esta declaração de intenções sobre a inteligência masculina, que a mim me parece básica para facilitar as relações e a vida entre os sexos, não é fácil de encontrar no dia-a-dia. Estou farta de ouvir mulheres a refilar porque os homens em geral e os maridos e os namorados em particular são uns autênticos imbecis, uns desgraçados a quem têm que passar o dia a dar instruções como se de seres inúteis e acéfalos se tratassem. Desde revistas e programas de rádio a conversas de café, parece que não há mulher que não se queixe dos gajos: não cozinham, não arrumam a casa, ignoram o normal funcionamento da máquina de lavar roupa, se têm filhos são uns trastes capazes de os deixar morrer à fome, uma desgraça. Também não percebem nada de moda, os desgraçados, nem de decoração de interiores; se não fosse pelas namoradas eram gajos para ir em calças de ganga e ténis ao casamento da prima e não acertam nunca com as prendas do dia dos namorados. Só se interessam por futebol, a contratação do Coentrão pelo Real Madrid e as novas aplicações do iPad. Os gajos são uns merdas, pronto, um castigo inevitável que as mulheres sofrem desde os primórdios dos tempos, uma espécie de período, de depilação, de celulite permanentes. Ainda bem que estamos cá nós para endireitar os destinos da Humanidade. Nem sei como não demos todas em lésbicas, palavra de honra.
E depois, estas mesmas mulheres que tratam os namorados como se fossem crianças, sempre a corrigir-lhes os erros com esse tonzinho displicente de “deixa lá, criatura, que eu trato”, queixam-se que o sexo não é bom. Dizem que eles não dão uma para a caixa, que o sexo oral é desastroso, que não querem saber das suas fantasias, que não se aproximam, não as seduzem. Ó minha boa gente: mas do que é que estavam à espera? Os gajos nem se atrevem, tal é a perspectiva a levar com uma censura se se enganam a desabotoar o sutiã, ou se o coito demora pouco tempo, ou se entretêm demais a brincar com as mamas, ou não acertam lá em baixo com a confusão de pernas, lençóis e a escuridão do quarto. “Porra”, devem pensar, ”o melhor é estar-me quietinho, não vá ser que ainda leve na cabeça”. Se ela gosta da posição do missionário então fica-se por aí e assunto resolvido. E elas, amuadas, lá vão a correr a fazer queixinhas às amigas. E conversar com o homem que escolheram para partilhar a vida e a cama, não? E que tal abandonarem essa postura mãezinhas e começarem a gostar deles, a relacionarem-se com os homens de iguais a iguais, a puxar por eles, a mostrar-lhes como querem que ser beijadas, lambidas, tocadas? O sexo é uma coisa de dois (ou de três, vá lá, com um bocado de sorte), assim que mais vale tirar as dúvidas com quem gostamos. Ninguém nasce ensinado, nem sequer vocês, suas chatas!
Por Rititi @ 2011/09/18 | 9 comentários »
PENTHOUSE DE JULHO – FIGURAS TRISTES
Sentada numa esplanada no centro de Madrid, vejo como se aproxima à minha mesa um grupo de mulheres eufóricas comemorando uma despedida de solteira, gritando hinos anti-machos e marchando decididas como um batalhão de enfermeiras boazudas, todas elas ligas, cuecas fio dental e decotes até ao umbigo que deixam ver sem o mínimo recato sutiãs de rendas e mamas ao limite da explosão. Para rematar a cena estas amazonas descascadas coroam as cabeças com pilas. Pilas rosadas, enormes, hirtas e que brilham como espadas-láser dos Jedis. Há dias em que uma gaja não devia sair de casa, palavra de honra. Não se confundam: não tenho nada contra as representações da pila, aliás, sou super a favor de vibradores, dildos, coelhinhos incansáveis, hipopótamos mágicos e de tudo que faça a vida (e a sexualidade) das mulheres mais feliz. Mas não me sinto nada cómoda com estas manifestações do suposto orgulho feminino, como se levar um mangalho na cabeça nos fizesse melhores que os homens, mais mulheres, mais poderosas, mais fortes. Mentira, só nos faz parecer mais ridículas.
Há uns anos atrás vi-me metida numa despedida de solteira. Uma amiga casava-se dias depois e uma das convidadas teve a infeliz ideia de nos levar a um clube especializado neste tipo de festas para jovens casadouras e com enorme facilidade para se embebedar rapidamente à base de bebidas doces e coloridas. Dezenas de mulheres histéricas dançavam imitando a protagonista de um videoclip chungoso de delinquentes da MTV, ansiosas para assistir ao excitante show da noite. E esse grande momento chegou encarnado num sargento da GNR com o peito depilado, um garanhão de ginásio insuflado a anabolizantes e manifestamente gay que debaixo da farda de plástico escondia o gigantesco objecto de desejo das assistentes ao espectáculo. O sargento abanava o rabo, as mulheres gritavam. O sargento apalpava-se o inchaço da entreperna, as mulheres babavam-se. O sargento arrancou as calças de plástico e as mulheres atiravam-se-lhe às pernas, gemendo como se lhes fosse a vida nisso. Até que o sargento escolheu entre o público uma embevecida futura noiva em estado de êxtase místico-vaginal a quem sentou no meio do palco. Já imaginam como acaba a história: enquanto o sargento se roçava alarvemente na cara dela, a eleita ao ponto do desmaio gritava “isto é o melhor que me aconteceu na vida! Mais! Mais! Não pares!”. E essa foi a altura ideal para fugir daquele filme de terror e ir beber um copo a um bar cheio de homens heterossexuais vestidos com t-shirts folgadas e incapazes de mexer a anca ao som da música pop.
Que o melhor que te aconteça na tua existência seja que um gay te esfregue a pila na cara enquanto as tuas amigas uivam de prazer não só é medonho, é penoso, vergonhoso e tristemente patético. Como seriam as relações sexuais daquela desgraçada? Casava-se para quê, aliás, se obviamente o namorado era incapaz de a excitar e fazer-se babar? E, o que é mais importante, por quê esta necessidade absurda das gajas de imitar o pior dos homens? Acaso precisamos mesmo de assistir a shows de striptease masculinos para nos acharmos iguais aos homens? Usar bandoletes com forma de pilas luminosas é o sonho do feminismo pós-moderno? Meninas, tenham juízo. De certeza que não achavam piadinha nenhuma ver os vossos homens perdidos de bêbedos na rua com um colar de mamas ao pescoço. No mínimo pensavam que os gajos eram idiotas. A sério que gostavam de ter sexo com alguém assim? Pois é.
Por Rititi @ 2011/08/22 | 8 comentários »
PENTHOUSE DE JUNHO – PORNO PARA ELAS
Duas mulheres jantam numa cozinha, bebem vinho e conversam, beijam-se, despem-se, masturbam-se, usam brinquedos sexuais, mandam os pratos para o chão, riem e falam, lambem-se, têm orgasmos, vários orgasmos. Suam e gritam, mexem-se, torcem-se, dão gargalhadas, puxam do cabelo, esticam as pernas, agarram nas mamas, gozam, nota-se que têm prazer. Esta cena onde se vê como duas mulheres normais fazem sexo em cima da mesa da cozinha pertence a “Five hot stories for her”, uma delícia de filme pornográfico dirigido pela sueca Erika Lust, uma das realizadoras fundamentais para entender a pornografia no feminino. Uma pornografia feita por mulheres e para mulheres, onde as protagonistas se comportam como mulheres de verdade que têm trabalhos, conversam com as amigas, vão às compras, engatam no metro, têm fantasias com o vizinho de lado e quando têm orgasmos gritam e gemem como as mulheres de verdade fazem. Uma pornografia altamente recomendável para a menina e, já agora, para o menino que não percebe por quê a namorada não quer ver os filmes porno com ele.
Não quer porque não gosta. Nem conheço nenhuma mulher que goste nem se reveja no porno feito para homens, nesses filmes que teimam em repetir até à exaustão uma história que nem dá pica, nem é divertida, nem tem pontinha por onde se lhe pegue. Se não vejamos: uma tipa vestida com péssimo gosto e com uma mamas absurdamente gigantescas vai ao médico/entrevista de emprego/stand de automóveis (ou então está em casa à espera que algo tremendamente excitante lhe aconteça) quando é atendida por um fornido médico/empresário da construção/comercial/canalizador. Vinte segundos mais tarde esta mulher, já sem a roupa de polliester mas com os sapatos de tacão de agulha calçados, está de pernas abertas/de joelhos/atravessada em cima do capô dum Toyota de segunda mão a berrar feita doida como se estive a atingir o mais intenso dos orgasmos de toda a sua vida.
E como se não lhe bastasse estar a ser montada por este portento da masculinidade, aparece em cena outro fulano hiper-musculado que, sem dignar a dizer um simples olá tudo bem, tira as calças e, como estes super-machos da pornografia não têm nenhuma necessidade de usar roupa interior, em menos de cinco segundos já está no truca-truca, assim, sem aquecimento nem nada, porque os protagonistas dos filmes porno nem precisam de se tocar um bocadinho para ficar todos excitados e prontos para se satisfazerem. Por não falar já das cenas lésbicas, onde invariavelmente uma das mulheres reproduz o papel do homem, com direito a introdução de dildos titânicos, gemidos absurdos, posturas irreais e o mais que certo convite ao macho para rematar o trabalhinho, porque obviamente elas sozinhas não sabem dar conta do recado.
Tudo isto é tão ridículo, tão absurdo, tão irreal que nem sequer vale a pena ser visto. Pelo menos por nós. As mulheres gostamos de histórias bem contadas, sejam elas histórias românticas, de terror ou pornográficas. Porque o sexo não é só toma lá, ó minha, a ver se gostas. O sexo implica roce, cumplicidade, ironia, picardia, sedução, gargalhadas e muita surpresa, porque assim são as fantasias femininas, que obviamente, metem sexo com desconhecidos, trios e cenas lésbicas. Iguaizinhas às fantasias masculinas? Talvez. Mas à hora de as transformar num filme para nosso uso e desfrute (que é disso que se trata) as mulheres gostamos de nos ver retratadas como seres activos, com iniciativa, com tusa, que dizem abertamente o que gostam e o que não, se querem mais e por onde e com quem e quantas vezes. Gostamos de nos ver retratadas como o que somos. Porque assim é o nosso sexo. Porque não somos bonecas insufláveis. Vejam lá se aprendem.
Por Rititi @ 2011/06/29 | 8 comentários »
PENTHOUSE DE ABRIL: O QUE AS GAJAS QUEREM
Numa discoteca qualquer às tantas da manhã, entre risadas com amigos e litradas de gin tónico, observo a fauna que dança os hits do momento. Há trintinhas, modernos, quarentões despistados, casais que se comem a beijos, malta que não larga o twitter no telemóvel, bêbedos deprimentes, alcoolizados eufóricos e muita muída gira, magra e insultantemente nova para os meus trinta e largos anos. Não há nada mais apaixonante que a noite e os seus meandros. Os habituais de bares e discotecas movem-se, dançam, olham-se, tocam-se como se o dia seguinte não existisse, com essa embriagante sensação que se quisessem poderiam esticar a noite durante horas infinitas, sem medo à ressaca e a uma recordação pouco apropriada. O povo é livre quando sai à noite. As mulheres trocam as roupinhas de secretária pelos jeans sexys y os decotes generosos, os homens ganham coragem, há calor e desejo, frases divertidas, engate sem remorsos, gente que se procura. Durante a noite as mulheres estão mais receptivas para que lhe falem ao ouvido, lhe agarrem pela cintura, disponíveis para a surpresa de um beijo inesperado, para um convite para um último copo lá em casa. Durante a noite os homens acham-se campeões, comportam-se como os machos alfa que sempre deveriam ser, sabem-se confiantes e estão desejosos de aventuras na parte escura do bar. Todos deveríamos sair mais à noite. Pelo bem da espécie humana.
Pena que à luz do dia toda esta valentia desapareça, pena que esses mesmos homens que acariciavam o pescoço de uma desconhecida na pista de dança troquem o fato de conquistador destemido pelo de chefe de secção das nove às cinco, tímidos, tristes, cinzentos. Pena que o tipo que elogiava as pernas das miúdas ao balcão da discoteca não se atreva sequer convidar a um café à rapariga do quiosque onde todos os dias compra o jornal. Pena que o engatatão da noite tenha medo de olhar fixamente para a colega gira que se senta na secretária do lado. Pena que os que se achavam os machos-alfa da noite, assim que se encaram com a crueza da luz, sem fumos e álcool que estimulem a língua, se tenham que esconder atrás de um carro sobrado de cilindradas, de uns óculos de sol caros, de um relógio de marca, de acessórios para disfarçar a falta de pinta, de graça, de conversa. Pena porque, a verdade, nós não precisamos de máscaras, de enfeites, de manias. Nós não nos queremos acamar com um cobardolas que desvia o olhar. Não queremos um tipo armado em pavão porque para malas, sapatos, relógios e pulseiras já estamos nós e as nossas amigas. Queremos um gajo que seja gajo, que se comporte como um gajo, que nos fale como os gajos falam, que nos olhe e nos agarre por detrás, que nos faça tremer quando nos sussurra ao ouvido, que nos dê a volta com firmeza, com coragem, como só os gajos sabem fazer. Queremos um gajo que nos dê tusa. Sim, tusa.
E a tusa só tem a ver com atitude. Lembram-se de Tony Soprano, um ser objectivamente abjecto, mal criado, mal falado, mal cheiroso, machista, racista, feio e gordo? Pois é. Atitude. Eu via-o dentro da minha televisão, temporada atrás de temporada, e quanto mais gordo, paranóico e careca ficava mais me apetecia saltar para dentro do ecrã e atirar-me aos braços e à cama dele. As costas peludas, essas camisolas interiores transpiradas, o arrastar dos chinelos eram-me indiferentes. O modo de se atirar às mulheres, a certeza da conquista era absolutamente afrodisíaca. Nada se interpunha no caminho de Tony, queria uma mulher e não descansava até consegui-la. De um modo rude e tosco muitas vezes, desprezando qualquer lei da galanteria básica e dos bons costumes. E conseguia. Afinal pouco é mais sexy que um homem cheio de confiança. E a confiança dá poder. E o poder dá tusa. Nada a ver com os pichas-moles que protagonizam essa série fracota e apaneleirada chamada “Anatomia de Grey”. Que gajos são esses, minha nossa senhora? Sim, são lindos, jovens, atléticos, com uns dentes tão brancos que reflectem o sol, sem olheiras, sem barbas, sem mau hálito, sem unha encravada, sem problemas de sono, sem piadinha nenhuma, cheios de paleio e conversas mansas e com imensa vontade de partilhar com as mulheres sentimentos, sensibilidades, confidências e problemas da alminha sofredora. Credo! São umas gajas! E de gajas nós não gostamos. Venha o Tony, por favor.
Por Rititi @ 2011/05/26 | 9 comentários »
PENTHOUSE DE MARÇO – AS NOSSAS CURVAS
Ligo a televisão e não vejo mais que mamas. As mamas da Irina realçadas por um sutiã milagroso que parece que as vai fazer rebentar. As mamas exultantes de maternidade da Penélope Cruz na cerimónia dos Oscar. As mamas de três modelos meio nuas da Victoria’s Secret que abanam a cabeleira, sorriem e dão saltinhos histéricos no telejornal da hora do almoço. Pelos vistos as mamas estão outra vez na moda. Leio reportagens sobre o retorno das formas, sobre o renascimento da feminidade mais acorde com a “mulher real” e, de facto, se há algo que reflicta a rotundidade do corpo da mulher real isso é um par de mamas. Aliás, esta profusão de mamas, este renovado interesse do mundo da moda pelas curvas, decotes, pernas, coxas e rabos é de agradecer, apesar de me parecer ridículo e redundante. Como se as mulheres fôssemos uma tábua de passar a ferro e agora os editores das revistas tivessem descoberto as mamas graças a uma revelação divina! Já não há pachorra, palavra de honra, para estes ideólogos da moda que cada cinco anos nos anunciam, como se tivessem inventado a cura do cancro, que afinal o rabo existe! Ó santa paciência….
Porque no fundo, o mundo da moda é misógino, machista e tremendamente estúpido. Quem cria as tendências que depois enchem revistas, cartazes e as prateleiras das zaras não conhece as mulheres, não gosta das mulheres, acha-as ordinárias, tristemente balofas e mamalhudas, indignas de ser as destinatárias de colecções super exclusivas e inovadoras. Basta ver as passarelles de Milão, Paris, Londres: as miúdas que desfilam com essas caríssimas criações são cabides que não pesam mais de quarenta quilos, estão feias de tão magras, estupidamente ossudas. As chamadas “it girls”, essas raparigas que enchem revistas só porque supostamente vestem tão bem que criam moda e que são sempre fotografadas abraçadas a um Karl Lagerfeld qualquer, não têm mamas, parecem anorécticas e doentes, tristes de tão famélicas e sem gracinha nenhuma por muitos sapatos de quinhentos euros que calcem. As revistas femininas não perdem oportunidade de nos chamar gordas, enchendo as páginas com dietas mágicas para emagrecer num tempo recorde, truques de estética para parecer mais novas, testes para medir o índice corporal. No fundo, os estilistas, editores e ideólogos da moda sentem um desprezo real pelo corpo, pelos subterfúgios da pele, pela essência que desprendem as curvas, as formas, as mamas desafiantes. As mulheres não somos para esta gente egocêntrica mais que consumidoras finais de um conceito pueril de beleza que nos tenta manter como eternas adolescentes.
E o pior é que nós, as mulheres, achamos tudo isto normal. Compramos as revistas, passamos fome e penúrias graças a dietas impossíveis, duvidamos da nossa sensualidade cada vez que nos encaramos com uma miúda mais nova ou mais alta ou mais gira, sofremos por um quilo a mais ou por ter o cabelo menos brilhante, invejamos as pernas esquálidas das top models, olhamo-nos ao espelho uma e mil vezes à espera de encontrar um novo defeito, como se não nos bastassem os que já temos. É normal que os homens digam que não nos percebem, que achem que somos doidas varridas. Eles olham para nós, atacadas dos nervos, sempre insatisfeitas com as nossas coxas e com a barriga que nunca voltará a ter dezoito anos e encolhem os ombros, esperando que num desses arrebatos histéricos à volta do nosso corpo lhes prestemos atenção quando nos dizem ao ouvido que estamos bonitas assim, que qual dieta qual carapuça, que anda cá minha fêmea com as tuas mamas e as tuas banhas. Só temos que deixar de insistir no evidente: que nunca pesaremos quarenta quilos e que não há gajo que goste de dormir com um esqueleto ao lado, por muito capa de revista de moda que seja.
Por Rititi @ 2011/04/19 | 9 comentários »
PENTHOUSE DE FEVEREIRO – SEXO DO BOM
No programa da televisão italiana “L’Infedele” debatia-se o penúltimo escândalo político-sexual do Primeiro-Ministro, quando um telespectador indignado chamado Silvio Berlusconi entrou em directo e começou a disparar insultos contra o apresentador, as teses discutidas, o programa em geral e as mulheres que estavam presentes em particular, a quem, segundo Il Cavalieri, nem se podiam chamar de senhoras. “Isto é um prostíbulo televisivo!”, exclamou, pouco antes de desligar o telefone. Todas as mulheres são putas, portanto. Não me estranha: esta é a reacção natural num senhor de 74 anos que está a ficar mundialmente famoso por, supostamente, organizar festas em residências oficiais (ou seja, em edifícios públicos), com miúdas com idade de serem suas netas, algumas menores de idade, que estariam dispostas a agradar e animar sexualmente a uma corja de velhos bronzeados a troco de verdadeiros balúrdios de dinheiro e algum ou outro favor policial.
Este é o homem mais poderoso de Itália, um líder do Primeiro Mundo, com direito a honras em Bruxelas, lugar fixo no G-8, apoiado pelo Vaticano e que, segundo leio na imprensa, ganharia de novo as eleições se se efectuassem hoje. Itália, esse estranho país que se divide entre a sofisticação do Norte e a balbúrdia do Sul, quando não aplaude a este senhor cujo aspecto mais lembra a um capo da Mafia que a um estadista respeitável, assiste a um deterioro da vida política nacional cujos protagonistas parecem sacados de um filme pornográfico. Para fazer tudo isto mais surreal, nem o famosíssimo actor porno Rocco Siffredi deixou escapar a oportunidade para elogiar o Cavalieri porque, atenção, “todos os italianos estão orgulhosos” dele porque “faz sexo aos 74 anos”.
Sim, o homem faz sexo aos 74 anos, mas pagando, o que não faz dele um semental, que digamos. Sexo a troco de dinheiro conta? Lamento, mas não. Porque por muito macho que se sinta o Silvio rodeado de velinas nuas nos jacuzzis de palácio, o facto é que elas só estariam dispostas para as orgias e demais festarolas porque são pagas. Que tipo de homem precisa de pagar para ter sexo? Um Adónis irresistível? Um líder com um carisma indiscutível? Não parece que Silvio Berlusconi seja nada disto. Não passa de um idoso que luta cirurgicamente contra o tempo, implantando-se cabelo, botox e dentes, eternamente bronzeado para parecer o que não é – um jovem vigoroso e desejável – e que usa e abusa de um harém de Barbies recauchutadas como prolongação da necessidade genital de exercer o poder, partindo da lógica de que quem paga quer, pode e manda, sem precisar de satisfazer a outra parte. E a isto não se chama ter sexo, mas sim aliviar-se.
Longe ficou o tempo em que a prostituição tinha essa aura romântica, quase pedagógica. A memória dessas casas de meninas que serviam para que jovens imberbes descobrissem os segredos da cama graças à generosidade de experientes meretrizes que tanto faziam de amantes como de confidentes, desvanece-se nos romances de uma época em que, dizem, o sexo dava medo, ou era pecado ou impossível de encontrar nas raparigas decentes e casadouras. Mas agora, nos tempos de correm, achar que os puticlubes cumprem uma função social, porque ali os desgraçados dos gajos encontram o que em casa lhes é negado é, quanto menos, ofensivo para os próprios homens. Então um homenzarrão de pêlo no peito não tem boca para pedir? Ou será que este tipo de homem – esse habitual da casa de alterne, o que faz a despedida de solteiro no puticlube de estrada, o que acha que as mulheres que só servem para foder – tem um conceito pecaminoso do sexo, como se fosse algo ilegal, sujo, uma coisa que não se faz com a mulher legítima, com a mãe dos filhos?
Porque recorre um homem ao putedo? Não deve ser por falta de oportunidades: há bares, discotecas, ginásios, redes sociais, clubes de swingers, páginas web de encontros e engates, olhares fortuitos no metro, colegas do trabalho, viagens organizadas para solteiros e muita, mas muita mulher disposta a ter sexo – sexo genuíno, o quem vem do desejo entre dois iguais, da urgência da sedução. Sexo do bom, e que ainda por cima é grátis.
Por Rititi @ 2011/03/26 | 6 comentários »
