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Rititi

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INÍCIO

  • Saudades deve ser isto

    Madrid fica feio quando regresso, o céu tão longe da nossa cabeça e o vento da serra violento e frio às 8 da manhã, as consoantes desta língua fazem um eco de discussões exagerado e sem sentido nos ouvidos, os usuários dos autocarros figuram-se pálidos por terem o mar só no fim da linha de comboio, a roupa que está estendida da minha janela não recebe os raios cálidos do sol de Lisboa. Deve ser isto a saudade, comparar o fado ao rock and roll e o cu com a feira da Golegã, um género de um lirismo idiota de quem vive de barriga cheia e com a fronteira perto, mas gostar de alguém também é achar todos os outros feios e incompetentes. Sobretudo depois de três semanas de namoro à beira do mar. E mesmo sabendo que Portugal não pode gostar de mim agora, que nunca seria o amante generoso que mereço, eu sei que um dia regressarei e acordarei com a luz de Lisboa na minha janela.



    Por Rititi @ 2013/09/12 | 5 comentários »


    Até já

     

    Três semanas de baldes, bolas de berlim, construções na areia, areia no rabo, ó-manel-anda-cá-pôr-o-creme, francisco-não-comas-a-areia, cabrões-dos-gaiatos-que-não-dormem-a-sesta, imperiais, percebes, amigos, praia até ao fim da tarde, mais imperiais e mais barriga, preguiça para pintar as unhas, cabelos desgrenhados, beijos com sal, peixinho grelhado, escaldões nas mamas, nenhum acesso à net. Portugal, aí vamos nós, os emigrantes mais bacanos da UE (sim, porque emigas dos States são imbatíveis)



    Por Rititi @ 2013/08/16 | 4 comentários »


    Portugal no Coração

    Concerto de Camané e Mário Laginha ontem em Madrid. O teatro a abarrotar de público, que no final esteve em pé a aplaudir durante vários minutos o virtuosismo e o talento dos músicos, sim, mas sobretudo a voz do fadista que nos encheu o coração de fado. E de Lisboa. E de Tejo. A voz de Camané, com esse tom, com esse sotaque tão lisboeta, com essas vogais que parece que custam a abrir, conquistou-me há anos e ontem, quando o ouvi, confirmei que é sensualidade em estado puro. Obrigada.



    Por Rititi @ 2013/06/24 | 2 comentários »


    A co-adpoção e a modernidade nacional

    Ai, Portugal, que maravilhoso poço de surpresas. Desde que o Parlamento nacional aprovou na generalidade a co-adopção de crianças por casais homossexuais não tenho deixado de ler textos do mais alucinante, desde os de indignados que escrevem que os putos dos orfanatos vão ser sodomizados por gays tarados a bloggers armados em definitivos estandartes da modernidade pátria que ficam muito espantados porque haja quem não ache normal uma criança ter duas mães ou dois pais. Eu percebo que para muito boa gente a possibilidade dos gays poderem adoptar lhes pareça estranha, anormal, anti-natural. Até há muito pouco tempo no nosso querido país não se viam gays na rua de mão dada, nem aos beijos, quanto menos casar, agora imaginem poder adoptar criancinhas. Aliás, em Portugal, tirando em algumas ruas do Bairro Alto ou do Chiado, parece que não existem gays. Da política à magistratura, passando pela alta finança aos opinion-makers, não me lembro de nenhum gay ou lésbica declarados. Nada. Só na televisão há gays, que nem sequer são gays: são maricas, bichas, porque assim se representam nas séries, talk-shows e concursos, repetindo os tiques da louca tal como há trinta anos atrás. As lésbicas, então, é para esquecer. E isto é o que vê a Dona Hermínia lá na vila da Beira Interior que como muito tem um primo efeminado que emigrou para Lisboa e que tem muito jeito para a decoração. E esta é a puta da realidade em Portugal, não me lixem. Porque este nosso país, assim tão quietinho e grandoleiro, é uma casa tradicional, conservadora até limites ridículos e bastante pacóvia onde as figuras com responsabilidades políticas ou económicas não saem do armário. Sim, ninguém tem nada a ver com isso, devem dizer os deputados homossexuais, mas o facto é que sabem perfeitamente que no dia em que se assumirem perdem uma carrada de votos. E se um gestor de um banco quer chegar longe na carreira nunca dirá que é gay. Por isso, irrita-me mais o discurso da super-modernidade que parece esquecer que Portugal não é Lisboa que o de pessoas que honestamente não percebem, porque não conhecem homossexuais, nunca falaram com um casal de lésbicas que se ama há vinte anos, com putos que acabam de sair do armário, que não têm referências nenhumas e que acham que todos os gays são paneleiros ou o José Castelo Branco. Não estar de acordo com a co-adopção não faz que uma pessoa seja intolerante, injusta ou homofóbica. Uma pessoa intolerante é outra coisa. É aquela que não quer perceber, porque lhe dá mais jeito agarrar-se aos preconceitos e insultar em nome de Deus, da Igreja, do medo. Uma pessoa homofóbica é aquela que se fecha e que repete uma e mil vezes que um gay não pode ser pai ou mãe porque assim está escrito há milhares de anos, que prefere que o filho de uma lésbica fique entregue aos bichos quando a mãe morre antes que ser entregue à sua outra mãe, que acha que a definição de família está consagrada só no Código Civil, que associa homossexualidade a pedofilia. Sim, a Família, essa palavra enorme que os movimentos conservadores e fundamentalistas usam e abusam como justificação para rejeitar esta lei, é a base da sociedade. E eu quero uma sociedade justa, tolerante, que não se feche em conceitos e ideias inamovíveis. Por isto a lei da co-adopção de crianças por casais homossexuais é importante, justa, necessária. Para as crianças, para os pais e as mães e para o nosso país, até para as Donas Hermínias lá da Beira. Esta é uma lei muito valente. Parabéns, Portugal.



    Por Rititi @ 2013/05/23 | 14 comentários »