PREMIO VAI AO CU A TI: A LIGA DO LEITE MATERNO
E então lá foi a jovem Rititi-Leiteira, a das mamas cheias de vida e paparoca, à farmácia comprar um biberão, peça fundamental para a Operação Desmame que tanta falta está a fazer à minha saúde mental, física e conjugal. Por favor era um biberão, e ela, a farmacêutica, que para quê, que se o meu leite não era bom, e se o é, porquê privar o criaturo desse manjar de vida eterna, e que não me vendia não senhora, que até aos seis meses não voltasse, chau e um queijo da serra, sua mãe desnaturada, sua vaca dumcaralho, vai mazé desmamar para outra freguesia e que raio de mania destas gajas de agora, egoístas de merda, fora, fora, que te parta um raio. E assim fiquei eu, com cara de parva, à porta da farmácia, banhada em lágrimas, a sentir-me uma genocida do leite artificial, capaz de dar lexívia ao meu filho com tal de me voltar a drogar, porque é para isso que quero deixar de dar a mama, para ser uma drogoindependente, uma louca da noite, uma vividora sem complexos... Mas quéstamerda!? Que fundamentalismo leiteiro é este? E quem são estas gajas, pediatras e farmacêunticas, flipadas da maternidade para acharem que têm algum direito sobre as que decidimos seguir em frente? Sim, o leitinho é muto bom, e faz muito bem, mas também seria perfeito se vivêssemos todos no campo, sem contaminação, maus nas ruas, merda na televisão e sapatos que fazem doer os pés. Chega um momento em que a vida deve, tem que continuar. Mas não para estas piradas da mama, para quem o papel da mãe passa por um servilismo absoluto, uma dedicação doentiamente exclusiva à criança, a quem se tem que alimentar só com leite da mama, e as vezes que ela pedir, sem horários, a qualquer momento do dia e da noite, e se tu não dormes, fodes-te. Esquecem-se estas psicopatas que para que o meu filho esteja bem, eu tenho que estar melhor, e para isso tenho que me sentir independente, adulta, sexy, trabalhadora e sobretudo, descansada. Como se não fosse suficiente com ser mães primorosas, magras, divertidas, sociáveis, modernas e inteligentes, junta-se agora a estas exigências externas ser escrava da mama, do filho, do parece bem, como se o leite artificial fosse ácido sulfúrico e o puto ficasse traumatizado por começar a ser alimentado pelo pai. Tive que respirar dez vezes, fumar um cigarro, desejar um chiribiti e meia garrafa de uísque para voltar atrás, entrar na farmácia e pedir, de novo, um biberão, se faz o favor, e já agora, uma lata de leitinho desse de mentira, que me vai trazer a minha vida de volta. Obrigada e vá para o caralho.
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