SEPTORRINOPLASTIAS ESTIVAIS

(A Biblia)
Sinceramente, se a operação nasal da nossa Leti Princesa estava programada para ser a noticia-rosa do verão, pufff, grande desilusão, ficou-se num suspiro, numa tentativa de escândalo, recebida por uma tediosa indiferença pelos meios e o público em geral, mais preocupados os primeiros em inventar causas para o acidente aéreo de Barajas (excepto, claro, para o inefável Jaime Peñafiel, quem ainda não percebeu que os seus dias de lambe-cus real como director da Hola não serviram para nada mais que umas recordações fotográficas e um par de talheres roubados nalguma recepção oficial) e os segundos em sobreviver ao Euribor e aos excessos estivais do cartão de crédito. Em geral, caca de la vaca para tu napia, Leti, que é como quem diz, ai filha, já não interessas um peido às classes consumidoras do mundo do coração. Às princesas do povo é de rigor exigir-se empatia com as mortais que compram na feira local copias baratas dos saltos de Jimmy Choo, e todas as que seguimos os looks da agenda oficial e oficiosa de Leti Princesa sabemos que empatia é coisa nunca trabalhada, desnecessária para este real ser esquelético de quem ninguém recorda um acto de honesta descontracção, uma gargalhada. Já sabem, o povo é muito dado a estas mostras de naturalidade, sobretudo porque não é possível ir lá ver se a rapariga é tão simpática como dizem os biógrafos do reino. Yo soy antipática (pero muy profesional) porque el mundo y la tele me han hecho así, y ahí os quedáis, con un palmo. De narices. Querem empatia? Vão adorar a Máxima da Holanda, que é gorda e simpática. Ou a Matilde da Bélgica, a do ar maternal e as golas à branca de neve. Leti Princesa não precisa de empatia. Basta-se com as filhas e os fatos de Felipe Varela.
Ou não. Porque eu (ai, eu, sempre eu, que mania de me dar importância) que carrego um nariz aquilino, superlativo (segundo Francisco Quevedo), ou simplesmente grande, porra, pá, fiquei-me com essa sensação de azia vital (e nasal) ao ver como o apêndice real de Leti Princesa era suavizado, a bem da harmonia facial. Cumcaralho, pensei enquanto mudava a fralda ao Rititi-Boy (observem como os oficios maternais não me limitam os pensamentos profundos), conquentão trata-se de um caso de empatia nasal. Leti Princesa imaginou que umas horas de martelar o tabique nasal fariam o trabalho sujo de encurtar o caminho com o povão ausente às portas de palacio. Leti Princesa sentia-se sozinha, sem sopeiras que a mimassem, tal a indiferença que causa nas aparições públicas às potenciais legiões de fãs do revistame, demasiado passada a ferro, demasiado fria, demasiado incapaz de lidar com os entraves do protocolo e dos apertos de mão de Estado. E aquele nariz curvado, um tanto maléfico quando conjugado com o queixo, pensou Leti Princesa, era o culpado de a fazer parecer distante, antipática. E foi ao martelo, como quem faz uma cura de consciência e promete a si mesma que nunca mais vai bater nos amiguinhos da escola.
Ai, quando uma não nasce princesa , quando uma não está preparada para ser ridiculizada pelo nariz ou pela suposta falta de jeito para as distâncias curtas, quando uma não sabe, que fodido é estar à altura das circunstâncias. Que pena, agora não passa de uma miúda (real e de iate) magricelas, com um penteado como as outras, vestida como as outras, e com o nariz como as outras, suavizado e harmónico. Mas igual de antipática e distante que quando passeava aquele nariz antigo, distinto, original e portentoso. A empatia não se opera, trabalha-se. Bastava que tivesse sido a capa do primeiro número da Vanity Fair espanhola. Nem precisava de ter sofrido uma septorrinoplastia estival.
Ou não. Porque eu (ai, eu, sempre eu, que mania de me dar importância) que carrego um nariz aquilino, superlativo (segundo Francisco Quevedo), ou simplesmente grande, porra, pá, fiquei-me com essa sensação de azia vital (e nasal) ao ver como o apêndice real de Leti Princesa era suavizado, a bem da harmonia facial. Cumcaralho, pensei enquanto mudava a fralda ao Rititi-Boy (observem como os oficios maternais não me limitam os pensamentos profundos), conquentão trata-se de um caso de empatia nasal. Leti Princesa imaginou que umas horas de martelar o tabique nasal fariam o trabalho sujo de encurtar o caminho com o povão ausente às portas de palacio. Leti Princesa sentia-se sozinha, sem sopeiras que a mimassem, tal a indiferença que causa nas aparições públicas às potenciais legiões de fãs do revistame, demasiado passada a ferro, demasiado fria, demasiado incapaz de lidar com os entraves do protocolo e dos apertos de mão de Estado. E aquele nariz curvado, um tanto maléfico quando conjugado com o queixo, pensou Leti Princesa, era o culpado de a fazer parecer distante, antipática. E foi ao martelo, como quem faz uma cura de consciência e promete a si mesma que nunca mais vai bater nos amiguinhos da escola.
Ai, quando uma não nasce princesa , quando uma não está preparada para ser ridiculizada pelo nariz ou pela suposta falta de jeito para as distâncias curtas, quando uma não sabe, que fodido é estar à altura das circunstâncias. Que pena, agora não passa de uma miúda (real e de iate) magricelas, com um penteado como as outras, vestida como as outras, e com o nariz como as outras, suavizado e harmónico. Mas igual de antipática e distante que quando passeava aquele nariz antigo, distinto, original e portentoso. A empatia não se opera, trabalha-se. Bastava que tivesse sido a capa do primeiro número da Vanity Fair espanhola. Nem precisava de ter sofrido uma septorrinoplastia estival.
Etiquetas: Casa Real, Letizia, septorrinoplastia
