Domingo, Março 15, 2009

RITITI EDUCA O POVAO: MORANTE DE LA PUEBLA



Cada gaja tem o seu toureiro. E eu sou mulher de toureiros caprichosos, de sentimento, de arte de dentro, de vidas com segredos, de arrebatos, de hoje nao me apertece. Sou uma aficionada tao devota que entendo, e pago, ataques de pânico e de preguiça, porque homens destes merecem ter manias e birras nas tardes de Abril. Afinal, só apostam a vida, quase nada. E este é o meu toureiro, Morante de la Puebla, o meu maestro, aquele a quem seguiria se tivesse vida para isso, o artista de quem sou devota, aquele que me arranca suspiros, olés e qué arte tienes, figura. Começa aqui oficialmente a temporada taurina, que já faz calor na praça.

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Quinta-feira, Junho 07, 2007

MORANTE DE LA PUEBLA



Oxalá o regulamento, El Cossío e a tradição bastassem, oxalá não existisse o Morante. Questão de sensibilidades ou do tendido, das modas, da quantidade de copos que se levem no bucho, da casta do touro, do vento ou dos anos curtindo o rabo em lugares de cimento. E de tempo, tantas vezes menosprezado até neste paralelo onde se deveria exigir que um minuto durasse o dobro. Sim, o mundo seria mais fácil se as certezas mandassem. Porque então todos diríamos que Morante ontem esteve mal, que um touro não faz uma corrida, que foi lamentável a morte quase à machada do terceiro e a faena meteórica do segundo, que a corrida da Beneficencia com Rei no palco, hino, autoridades e uísques a seis euros exige algo mais que capotazos bonitos e uma lenda herdada de outras praças, que o sentido comum não dá lugar a erros garrafais e supostas faltas de respeito ao respetable. Mas apareceu aquele sexto touro e, ai, acabaram-se a dúvidas sobre a genialidade do homem, a finura da pose e compreendemos, de repente, porque estranha razão nos encerramos com ele e mais seis touros numa tarde primeira de Junho, quando há tanta roupa na máquina, marido que nos espera e crónicas para acabar, porque valem a pena todos os desaires e os euros que nos custam horas de vida. E percebemos, finalmente, que Morante está nesta festa para que o malcriemos com tal que nos pare o tempo e nos mostre, no ar, uma faena que não existe porque não se aprende, que está metida na cabeça e que só sai quando o génio aparece e o touro for o perfeito. Morante, naquele último touro, não foi só Morante, foi o toureiro que todos deveriam ser, o refazedor do tempo, lento e sem ouvidos aos avisos que cronometram este arte tão de dentro. E de público, Morante fez-nos mirones e de mirones passamos a nada, porque nada importava mais que Morante e o touro, por muito que a praça fosse olés e mais outra e se cantassem as verónicas, que se pedisse aos céus que o dia não acabasse nunca e que a vida, por favor, nos permita ser morantes e curros, brilhantes, originais e caprichosos.

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