Segunda-feira, Junho 23, 2008

(Fim de) Vida de Prenha



Ainda estou grávida. O cabrão do relógio deve estar estragado.

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Quarta-feira, Junho 18, 2008

(Fim de) Vida de Prenha



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Segunda-feira, Junho 16, 2008

OBJECTIVO PÓS-PARTO (II)


iJam, uma nova experiência organoléptica

Um bocadillo de jamón ibérico e uma caña. Pronto, vá lá, e um bife de lomo argentino escorrendo sangue e molho chimi-churri. E uma sande de chouriço de Estremoz. E toucinho cru e um copinho de vinho. O importante é que venha mal passado para o prato.

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Sexta-feira, Junho 13, 2008

OBJECTIVO PÓS-PARTO (I)


(Elsa Pataky para a Elle)

Seis meses, no máximo. Já não há pachorra para estar grávida, quanto mais gorda. Que cabrão de mau aspecto.

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Quarta-feira, Junho 11, 2008

MÉTODO RITITI DE PREPARAÇÃO PARA O PARTO



Madeixas em dois tons previamente testados segundo a pigmentação da pele, a idade e a estação do ano, tratamento hidratante capilar intensivo e restauração de pontas e raízes; SpaManicura à base de aloe vera, ceramidas, pantenol e vitaminas; pedicura e fricções de azeites da árvore do chá, mácaras de fango, toalhinhas quentes e masagem a nível articular com creme de arpagofito; depilação com cera quente de rosas feita à mão por criancinhas de um país remoto e terceiro-mundista; (mais outra) massagem relaxante aromaterápica com óleos essenciais, fuminhos e músicas de baleias em fornicação e, finalmente, exfoliação, tonificação e limpeza facial completa para purificar as capas superficiais da pele e tirar o stress. Dizem que lá fora há greve. E eu ralada.

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Domingo, Junho 08, 2008

MÚSICAS PARA O RITITI-BOY (VII)


Camané - Sei de um Rio

E esse errrrre impossível, esse rio espelho de tardes de esplanada e imperial com caracóis, essa Lisboa cada dia mais de ontem, Lisboa de urgência de te ver como eras, cidade das memórias do amor que me pôs prenha e se mudou quando ainda faltava tanto fazer. Recordações de calçada portuguesa, o som do eléctrico preso por um carro mal estacionado no Poço dos Negros, vistas com chiribiti em Santa Luzía, um domingo de manhã na Bica e o cheiro de uma salada de pimentos bem temperada.

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Segunda-feira, Junho 02, 2008

MÚSICAS PARA O RITITI-BOY (VI)


Antonio Vivaldi - Stabat mater (por Andreas Scholl, escondido atrás da partitura)

Acho que nunca aqui o disse: Vivaldi é o meu compositor favorito. Mais que Corelli, o primeiro que comprei e cujos concerti grossi ouvi até a exaustão e decorei antes de fazer 25 anos, mais que o matematicamente perfeito Bach e a inigualável Cantata BWV 21, mais que o floral Haendel, muito mais que o superior Mozart. As minhas tardes de limpeza de cutis com o Beatus Vir nunca terão comparação, por não falar das experiências místico-desportivas proporcionadas pelo Magnificat. E amo as Estações, todinhas as quatro, que deveriam ser de audição obrigatória em tudo o que é liceu.

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Segunda-feira, Maio 26, 2008

Tirorirooooo, tirorirori, tiroriro, tiroritorirori


Europe - The Final Countdown

We're leaving ground
Will things ever be the same again?
It's the final countdown...

É o único que se me ocorre dizer a um mês de parir. Mas sem laca. Tirorirooooo.

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Quarta-feira, Maio 21, 2008

VIDA DE PRENHA: AS AULAS DE PREPAÇÃO PARA O PARTO (II)


(era mais ou menos isso, querida Sofia)

As aulas de preparação para o parto (daqui para a frente O Mestrado) deveriam ser obrigatórias para qualquer prenha pós-moderna, urbana, arejada da hormona e que se queira livre de complexos sobre fatos de treino e tishertes de algodão. Se estiver por aí uma grávida saberá do que falo: depois de 36 semanas a sofrer uma estrita dieta saudável (PRECISO DE COMER JAMÓN!!!!) e abstinência total de bebício e fumício, o desaparecimento da cintura, a transformação de seios sensuais em imensas glândulas mamárias, a leitura enciclopédica de manuais sobre gravidez, parto, pós-parto, aleitamento e criança de bebés, aprender a discernir entre roupinha amorosa e panos objectivamente pirosos e, como não, levar com os sábios conselhos, caganças e opiniões de qualquer ser humano que se aproxime a um perímetro mínimo de cinco metros, depois de oito meses de gravidez, digo, o único que nos apetece a qualquer incubadora humana é que nos tratem com normalidade. E sem essa condescendência irritante das experientes, essas vacas que não só se esqueceram das suas próprias dúvidas e medos quando estavam grávidas como ainda nos tratam às prenhas primeiras como histéricas incapazes de relativizar, uma doidas, enfim, com demasiado tempo para pensar. Talvez nos odeiem porque (ainda) não somos umas mulheres com um bebé pendurado da mama. Não sei se me aguento por mais tempo, palavra de honra, mais uma palmadinha nas costas e mando a experiente relativizar para a putacapariu.
Por isso estou tão encantada com o meu Mestrado: duas horas semanais de vídeos, ginástica para velhas, treinos com bonecos e respirações e, sobretudo, duas horas para comprovar que não tem mal nenhum estar cagada de medo, que as minhas dúvidas são as mesmas que as daquela mamalhuda que não pára de tirar apontamentos (???) e, o melhor de tudo, que há gajas a quem a prenhez lhes assenta bem pior e que, comparada, ai eu, sou das grávidas com o melhor corpo da zona. Aqui entre nós, até estou bem boazuda, não tenho celulite, os meus braços continuam magros, as pernas firmes e meu rabo incrivelmente no sítio. Obrigada, creme hidratante! E tudo dentro de um ambiente esterilizado, em palestras dadas por parteiras e ginecologistas, profissionais do útero, enfim, e as únicas pessoas do universo a quem eu, a um mês de parir, dou importância, ouvidos e razão.
Porque os gajos, por muito que queiram, ao máximo que chegam, e ai deles, é a gostar muito de nós, a aconchegar-nos os temores e a beberem o máximo de uisques possíveis até à hora do parto. Uma grávida precisa de um homem sensato ao lado e não de um marido cagado de medo por osmose, que sinta as nossas mesmas contracções, hiperventile ou tenha medo de entrar na sala de partos. Para nervos bastam-me os meus, que histerismo.

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Segunda-feira, Maio 12, 2008

VIDA DE PRENHA: AS AULAS DE PREPAÇÃO PARA O PARTO (I)


Fantasia - A Dança das Horas

Ora então é basicamente isto, uma dúzia de gordas em fato de treino, de cu para o ar, arfando que nem cadelas e a tentar executar uns exercícios de elasticidade para velha caquéticas enquanto partilhamos informações sobre a dilatação, o fluxo vaginal, a depilação anterior ao parto, a incontinência ou a importância das bolas chinesas. Isto promete.

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Domingo, Maio 11, 2008

MÚSICAS PARA O RITITI-BOY (V)



Elvis Presley - Can't help falling in love

E uma necessária reflexão dominical sobre a má qualidade do macho actual, sobre a pouca validade da maioria dos homens que enchem os nossos passeios, as oficinas bancáricas, os postos médicos, as colunas dos jornais, os cafés e as salas de cinema, homens públicos e privados, em geral e sem país determinado. São feios, mas isso é o de menos; mais alarmante é a falta de estilo, as péssimas formas à mesa e na fala, os pontapés óbvios na semântica e nos modos que qualquer pessoa mínimamente consideraria básicos. Mais que higiene, cordura, gosto ou magreza, o que falta aos homens do mundo moderno é educação masculina, uns cursos elementares de hombridade. Por favor, deixem de se comportar como mulheres. E isto é uma súplica.

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Sexta-feira, Maio 02, 2008

VIDA DE PRENHA: EU NÃO SOU MAMÃ DE NINGUÉM

"
Mas o que me tira do sério e já me dá comichões alérgicas da impressão intra-uterina é que terceiros me tratem por mamã. “Olá, mamã” e a mim só me apetece sacar da kalashnikov que todas as grávidas deveríamos receber nas aulas de preparação para o parto e, já não digo armar-me em Lara Croft de sete meses e meio (aliás, a minha imagem em mini-calções de cabedal deixa muito a desejar a estas alturas do campeonato), mas pelo menos impor, de uma vez por todas, algum respeito. Mamã? e lá ficam esses seres com um ar do mais satisfeito, como se participassem activamente da minha gravidez e até da minha nova e alargada família, porque afinal esta parece ser a intenção última destes intrusos com pele de cordeiro, ser partícipes, dar palpites, armar-se, achar. Infelizmente, 99% dos casos de interferência é protagonizado por mulheres, a maior parte delas mães recentes ansiosas de partilhar com o mundo (e com a grávida mais próxima) experiências vitais como a obrigação de qualquer recém-parida de comprar um lençol especial para o berço que alerte da morte súbita do bebé. Quem não acha não é gente, deve ser um novo lema de vida destas mulheres, armadas em líderes de opinião, e que parecem ter um CD Rom de pedagogia, puericultura, ginecologia e educação infantil enfiados no cu." (ler o resto da crónica no PnetMulher)

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Segunda-feira, Abril 21, 2008

31 SEMANAS



Tenho o quarto preparado, o carrinho do bebé, quilos de roupa azul claro e a pele, as unhas e o cabelo numa forma estupenda. Tenho livros de auto-ajuda para antes, durante e depois do parto, a casa limpa de ácaros e até tenho o puto matriculado, inscrito e prometido na creche do bairro. Tenho a família revolucionada e a minha mãe doida por ser avó e uma irmã com ataques de compra compulsiva nas lojas da roupinha mais bonita para a criança que todos esperam. E tenho um marido, amante mais que nunca, que se me abraça à barriga e a todo este meu corpo superlativo, imenso e cheio de vida interior e que me faz perder o equilíbrio e o centro de gravidade, mas que me orgulha de tão bonita que me sinto. E tenho também um medo que me acorda a meio da noite, uma espécie de cagufa da que ninguém me falou e que me obriga a perguntar-me se o farei bem e onde se compra o cabrão do livro de instruções, porque para tudo deveria haver manuais, até para saber onde se desliga, onde se tiram férias da maternidade ou se o amor materno-filial é automático como dizem. Porque uma coisa é estar grávida e outra muito mais fodida, ai, é ser mãe. Não posso ficar prenha mais um par de anos?

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Segunda-feira, Abril 14, 2008

VIDA DE PRENHA: URGÊNCIAS



Fumar já sei que não... Mas, e um cházinho, não dava?

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Sábado, Abril 12, 2008

MUSICAS PARA O RITITI-BOY (IV)


Prince - Musicology

O sentido do ritmo e a coordenação como pilares para uma educação do século XXI. Sempre se engata mais exibindo o domínio da anca.

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Quarta-feira, Abril 09, 2008

VIDA DE PRENHA: OS MANDAMENTOS

1 - Ama o teu marido até a exaustão: é o único homem do Universo que te achará sexy com setenta quilos e os mamilos que nem bolachas maria.
2 - Confia na tua mãe como se tivesses cinco anos outra vez. Ou então aprende a coser, a decorar um quarto infantil, a cozinhar cinco pratos em simultâneo ou a tirar nódoas de gordura com areia.
3 - Se precisares de sítio no autocarro, não te acanhes: a agressão física está permitida se esse careca gordo filhodaputa não se levantar do lugar reservado para grávidas. Atirar velhas pelo buraco do metro também não é reprovável.
4 - Sentar-se de pernas abertas é feminino, educado e até sensual.
5 - Abre a tua mente ao fabuloso mundo da hemorróide.
6 - A única pessoa no mundo com gosto és tu (e a tua mãe, ver ponto 2).
7 - Não há nem nunca haverá moda de jeito para grávidas. A única roupa que interessa é que podem usar as miúdas de dezoito anos e com menos de cinquenta quilos.
8 - As aulas de preparação para o parto são essenciais: é o único lugar do mundo onde verás mulheres mais gordas que tu.
9 - Estar grávida não obriga a gostar de crianças.
10 - Curte a gravidez ao máximo. Daqui a um par de meses serás só a vaca que amamenta o príncipe da casa.

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Terça-feira, Março 18, 2008

MUSICAS PARA O RITITI-BOY (III)


Camarón de la Isla - Sevillanas

Se o meu filho perceber a importância deste homem para a cultura universal, já me dou por satisfeita. Depois Bach, Mozart ou Beatles já entrarão sozinhos.

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Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008

MÚSICAS PARA O RITITI BOY (II)


Marvin Gaye & Tammi Terrell - Ain't no Mountain High Enough

É fisicamente impossível que um homo sapiens cujo único fim do mundo é mamar e cagar prefira os moranguitos a Marvim Gaye.
Outra coisa é a publicidade encapotada em programas supostamente didácticos dirigidos a chupar o sangue e o ordenado de pais recém-paridos em nome do chamanismo do desenvolvimento psicoemotivo, social e humano de minis-seres vivos. Eu sei do que falo: há uma semana que ando a ver creches pelo meu bairro madrileno. 500 Euros ao mês. Sem comida. Sem fraldas. Das 9 às 5. Vão mazépáputacuspariu. Voltarei ao tema, palavra de honra.

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Domingo, Fevereiro 17, 2008

MUSICAS PARA O RITITI-BOY (I)


Ojos De Brujo - Tiempo de Solea

Temas de um best of para aquele que há-de ser.

(Desculpem-me, mas nesta casa não entram canções de baleias em cio no Pacífico Sul, coleccionáveis de Mozart para sopeiras à venda no Continente, contos islandeses politicamente correctos sobre de anões vegetarianos. Aqui a gravidez não é uma religião new-age)

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Quarta-feira, Fevereiro 06, 2008

VIDA DE PRENHA: SENSIBILIDADES

Estou farta de andar sóbria. Estou farta de não perceber os meus amigos depois do terceiro copo. Estou farta de me divertir a pêlo, de acordar ao domingo sem ressaca, de ter a pele perfeita por não fumar, de não ter um miserável chiribiti à minha espera ao fim do dia, de organizar almoços porque tenho sono depois das onze da noite. Não se enganem: eu não quero beber um gin tónico. Eu preciso de me afogar dentro de um litro e meio de uisque, de me arrastrar até cair podre de bêbeda na cama uma quinta-feira qualquer porque sim, de me matar a SG Ventis, de não haver amanhãs.
Continuo à espera que me fulmine o cabrão do raio da sensibilidade maternal.

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Domingo, Fevereiro 03, 2008

VIDA DE PRENHA - AS COISAS CLARAS

Eu não estou gorda. Estou grávida.

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VIDA DE PRENHA - O CARINHO QUE NOS DEFINE



Com um beijo prolongado para esta blogosfera generosa que conheço, me felicita por e-mail, me telefona, me/nos deseja o melhor e especialmente para a Ticcia (criar um homem, que responsabili dade, mulhê), a Miss Pearls, o Espumante (adivinha, não tive um único enjoo), o Lourenço (boa escolha, sim senhor!), a Tati (esta grávida está linda, com uma pele soberba, o cabelo brilhante, a carne rija e cheia de vida interior), o Paulo Pinto Mascarenhas, o Bilhas (e vocês, como estão?) e o meu querido Nuno (y yo a ti, corazón).

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Segunda-feira, Janeiro 28, 2008

VIDA DE PRENHA - A SÉRIE INEVITÁVEL


Ai, que complexa é esta vida da prenha e deste corpo que de repente já não me pertence. Que se desenganem as moçoilas parideiras, uma grávida nunca é a verdadeira dona do seu corpo, quanto mais do útero e do que lhe vai crescendo lá dentro. Olhem para mim, uma noite era essa gaja boazuda que fazia a prova do predictor e ao dia seguinte passei a engrossar as filas das mulheres-incubadoras, esses seres abstractos portadores de vida e portanto sujeitos a análise (ao sangue, ao mijo, à tensão, à tesão e ao peso) e ao escrutínio dum povão que poderá não ter acabado a quarta classe e jurar a pés juntos que Judeia é um centro Comercial algures no Feijó, mas que domina como um Licenciado em Medicina Cum Laude na Univeridade de Harvard o sempre fascinante (?) tema da prenhez da outra.
Não há quem se resista a dar uma opiniãozinha baseada em princípios fundamentais como o empinanço da barriga, a qualidade da pele do cu, o crescimento das unhas, a posição da Lua e dos satélites de Marte em relação à folhagem do Passeio do Prado ou o resultado de uma equação que mete o número do sapato, as quartas-feiras do ano e a idade da bisavó quando engendrou o décimo filho. A ciência é fodida, mas todos sabem mais que o meu ginecologista, coitado do home, nem sei porque insisto em pagar-lhe. E não importa a relação, a intimidade, o grau de parentesco que os outros tenham comigo, sempre há alguma coisita a dizer, mais uma sentença a cagar, em voz alta, com público e à procura de outros peritos na gravidez alheia que confirmem tamanhas certezas. Se a minha barriga é redonda, é menina, e se é bicuda também, porque o importante são os tornozelos, os pulsos e o branco dos olhos, e quanto pesas já, porque estás gorda, é melhor andares muito, mas não nades que ainda tens alergias e se és alérgica ao presunto o melhor é congelar, mas pouco, ou muito, porque depende, mas as meias que sejam de grávida por causa das varizes, e as calças que não te apertem e tem cuidado com as estrias, posso tocar, e senão também toco, e não podes fazer madeixas, nem depilar-te a cera quente, nem vás ao ginásio, nem à sauna, e não comas sushi, nem ostras, e as saladas lava-as com lixívia, e vê lá se usas creme para a barriga, e que marca, e como o espalhas, que não seja o mesmo das mamas, porque as mamas, estás cá com umas mamas, ai Rititi, que grandes estão as tuas mamas, toquem toquem...
Ai, as mamas. Só o tema (e o tamanho) das mamas poderia alimentar o meu blogue (e metade do continente africano) até ao nascimento do Rititi-Boy. Mas atendendo ao que sempre foram, não entendo tamanha preocupação: era inevitável que atingissem esta dimensão de hipermercado lácteo. Meus queridos amigos/colegas/familiares em terceiro grau: não se ralem que eu não caio de boca. E até dizem que já inventaram os aparelhos chamados sutiãs que dão muito jeito nestes casos determinados. E aliás, a única pessoa interessada neste tema não só não se queixou como parece estar bastante satisfeito com a evolução da coisa.

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