SANTA ESTUPIDEZ JORNALÍSTICA, VALHA-ME NOSSA SENHORA DA CORNAMENTA
Caro João Pedro Fonseca, Editor do Cidades do DN e, já agora, estimada Senhora Jornalista Sónia Correia dos Santos:
- A Praça de Touros de Lisboa chama-se Campo Pequeno. A única Monumental está em Madrid e chama-se Las Ventas.
- A Jornalista Sónia relata exactamente um concurso de quê? Novilheiros a cavalo ou a pé? Já tomaram a alternativa? E se eram matadores, morreram os touros e foram todos presos? Havia prémio monetário ou apoderamento especial?
- Já agora, de que ganadaria eram os touros? Não se informa já da tipologia ou idade das reses? Eram nobres, mansos, bravos, algum defeituoso, bem apresentados, afeitados, bons, maus, encastados, com trapío ou sem presença?
- Qual foi o prémio atribuído pelo público a cada toureiro (ainda estou sem saber se é novilheiro ou matador): volta, ovação, apitos, silêncio?
- A jornalista Sónia pode precisar o que é "muito público"? Dois terços? Meio aforo? Não há bilhetes?
- Quem apodera os (acho eu) novilheiros? Foi uma corrida com ou sem picadores? Quem exerceu de "inteligente"?
- Que tipo de faena é, jornalista Sónia, "uma lide brilhante, com passes originais e criativos"? Houve tercio de capote, sorte de varas? Os touros foram recebidos em porta de toriles, por gaoneras? Houve quites? Quem pôs as banderilhas, os próprios ou a quadrilha? Pode explicar ao leitor se o touro humilhava ante a muleta, se os passes eram longos, em frente a que tendido foram toureados? Que tal descrever os muletazos, pases de pecho e molinetes? A morte, simulada, foi ao natural? Houve avisos?
- Gostei especialmente da importância dada pela jornalista Sónia aos "olés", "Aí touro, venga", "los pasodobles", que resume na perfeição a ideia que tem a cronista do mundo do touro, da corrida, dos tempos, dos tercios, dos ritos e da tradição centenária.
- Aproveito para recomendar à jornalista Sónia que evite escrever sobre touros como se fosse uma analfabeta funcional ou, directamente, imbecil. Penso que na TV Guia há sempre trabalho. E ao Senhor Editor da Secção Cidades, por respeito aos aficionados, amantes da Festa e portugueses em geral, aconselho que se abstenha de publicar estas barbaridades que ofendem a inteligência de qualquer leitor que compra o jornal para estar informado e não para que lhe contem pamplinas mal escritas e sem sentido nenhum.
Que o DN não tenha a decência de procurar um jornalista que saiba relatar uma corrida de touros não só é penoso e patético, como também revela a classe de jornalismo de pacotilha (e de agência e estagiário) que impera nas redacções portuguesas. Mais valia não terem escrito nada a fazer esta figura triste e tão insultuosamente pobre para a Tauromaquia portuguesa. Que vergonha, é o que é.
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