Quarta-feira, Junho 20, 2007

Querido Blogue,

Agora que penso nisso, nunca escrevi sobre sexo, assim num estilo erótico-festivo a atirar para o sensual e fogoso, que tão na moda está entre raparigas também elas fogosas e sensuais e que assinam com pseudónimo. E olha não é difícil, é só juntar numa mesma frase espetar, quente, ansiedade e pressa. Por exemplo: espetas-me, como essa tua pressa de macho ansioso, o mais quente que tens, etcétera. Fácil. E até não custa nada ser um bocado mais ordinarota: E eu, húmida, vejo como as pernas, sem forças, levam a minha boca (também ansiosa, já agora) direita ao teu pau duro, blablabla. Desculpem-me, mas é piroso. Imagino sempre o escritor do erótico, numa tentativa de originalidade, a procurar sinónimos para caralho, mama ou tusa ou metáforas que resumam o êxtase de um orgarmo (ah, grandes momentos de literatura universal, jorrava paixão, não se conteve sobre o imperativo da carne alva) numa casa dos subúrbios enquanto a mulher estende a roupa. Patético. E dos leitores, no metro, doidinhos ante tanta luxúria narrativa, que me dizem? Caminho do trabalho mal pago, com o livro forrado com a capa de um tratado de História Medieval, lambendo-se a ler tanto peito turgente, lábios enraivecidos e vulvas molhadas. Que tristeza.
Mas parece que vende, que está na moda, que os homens gostam de ler e as mulheres de esparramar no papel o que antes não podiam dizer, que é moderno e que excita as mentes, que o mundo precisa de sexo nas letras e nos anúncios de televisão, que há editores para histórias de putas e fufas que nem se importam de partilhar com o mundo como se lambe e para que serve o cotovelo. E a mim, parece-me, palavra de honra, que a malta ou não tem sexo em casa ou então fode muito mal e que era muito mais útil arregaçar as mangas e descer a cuequinha e, em vez de se aquecerem com tanto símil e floreado, ver se de verdade as vulvas, os peitos e as coxas se humedecem e se é assim tão bom como o autor dessa obra imprescindível conta.

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