Sexta-feira, Outubro 31, 2008

RITITI NA IMPRENSA SÉRIA

No Jornal de Negócios pelo meu querido Paulo Pinto Mascarenhas



"Trata-se de uma oportunidade para falar de um dos melhores sítios individuais portugueses, escrito por uma das autoras mais interventivas da Internet nacional, ainda que viva e trabalhe em Espanha. Também conhecido por "O Blogue Rosa Cueca", existe há quase cinco anos. A dona da casa chama-se Rita Barata Silvério, já editou um livro a partir de textos do seu blogue e escreveu no "DNA" e na revista "Atlântico", entre outras publicações portuguesas e espanholas. A Rita, ou Rititi, foi mãe de um rapaz chamado Manuel em Junho deste ano e tem escrito nos últimos tempos sobre essa experiência. No último sábado, por exemplo, publicou uma "Oferta de Emprego": "Procuro redactor para o rititi ponto com. Eu dito e ele escreve. Assinado: jovem mãe que se empenha em dar jantares regados de vinho e uísque, mesmo sabendo que a criatura acordará às oito da manhã. Em ponto. Ai, isto não é uma ressaca". Vá ler o resto pelos seus próprios olhos. Mas prepare-se porque, como a própria avisa, "o Rititi é um blogue pessoalíssimo, que não dá explicações a ninguém". Nem precisa."

Um beijo, Paulo, e obrigada!

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Quinta-feira, Agosto 30, 2007

ISTO TAMBÉM É A RITITI


Loquillo - Cadillac Solitario (1983)
Siempre quise ir a L.A.
dejar un día esta ciudad.
Cruzar el mar en tu compañía.
Pero ya hace tiempo que me has dejado,
y probablemente me habrás olvidado.
No sé que aventuras correré sin ti.
Y ahora estoy aquí sentado
en un viejo Cadillac de segunda mano
junto al Mervellé, a mis pies mi ciudad
y hace un momento que me ha dejado,
aquí en la ladera del Tibidabo,
la última rubia que vino a probar
el asiento de atrás.
Quizás el "martini" me ha hecho recordar
nena, ¨por qué no volviste a llamar?
Creí que podía olvidarte sin más
y aún a ratos, ya ves.
Y al irse la rubia me he sentido extraño,
me he quedado solo, fumando un cigarro,
quizás he pensado, nostalgia de ti
y desde esta curva donde estoy parado
me he sorprendido mirando a tu barrio,
y me han atrapado luces de ciudad.
El amanecer me sorprenderá
dormido, borracho en el Cadillac,
junto a las palmeras luce solitario
y dice la gente que ahora eres formal
y yo aquí borracho en el Cadillac
bajo las palmeras luce solitario.
Y no estás tú, nena.

Naquele limbo hormonal da minha terrorífica adolescência, os rapazes mais populares, os que estudavam nos Maristas, esperavam as miúdas mais bonitas da minha turma à porta do colégio de freiras em Badajoz. A mim, é verdade, não me esperava ninguém. Sonhava, secretamente, que um dia o David Rodríguez se apaixonasse por mim e deixasse a linda e solicitada Rocío de cabelos loiros presos por laços de Don Algodón, ele que também era loiro e dono de uma magnífica lambreta vermelha que conduzia sem capacete e até já saía até às duas da manhã. Rita y David, ai, quantos corações pintei eu no meu caderno de matemática, suspirando por um amor que podia e devia ser possível se a minha existência fosse um capítulo de uma série americana com final feliz. Mas nem o David Rodriguez me esperou nunca, nem abandonou a cada vez mais boazuda da Rocío, nem o meu cabelo ficou loiro e assim andava a minha triste vida, de aparelho nos dentes e mamas que me cresciam infinitamente, fazendo o meu magríssimo corpo parecer uma esfregona com balões de água pendurados à metade. Patético.
Mas, uma tarde, ele apareceu-me em casa num videoclipe musical, mais macho que nenhum outro, de t-shirt branca de camionista, gritando "y no estás tú, nena", abrindo-me os olhos e a líbido e pondo ordem na minha confusão hormonal. A prioridade nunca mais seriam esses seres borbulhentos de corpo desengonçado e voz em crescimento que esperavam as lindezas do meu colégio: não eram nem seriam jamais a metade de homens que Loquillo, de joelhos, suplicante e ressacado no seu Cadillac de segunda mão, homem de braços fortes, fumador de Ducados, blusão de cabedal preto, o último dos roqueiros e apaixonado pela mulher fatal que esse dia imaginei ser. O David, esse, nunca mais o vi, mas disseram-me que ficou careca e que conduz a mesma lambreta vermelha sem capacete e ainda sai, só, até às duas da manhã.

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Terça-feira, Fevereiro 06, 2007

TENTATIVA DE SOTAQUE BRASILEIRO



A garota mais lindona do país tropicau mi pergunta, ué, si eu tenho segredinhos. Oba, eles mi sobram, mulé!

- Ocê sabia qui passo horrores vendo filme di morto, espírita e assombrado? Nem consigo ir ao banheiro sozinha: penso qui demônio maligno vai sair do espelho pra mi levar pro mais escuro dos inferno; imagino cadáveres dentro do chuveiro, lagartos saindo do wc. Triste, bem sei, mas é bem pior roubar qui dizer verdade.

- Uma veiz, sendo moleca, encontrei uma revista de muléris nua na casa de um amigo dos meus papais. Desmaiei, imagina, não de ver tanto pêlo escuro no meio da entriperna daquela goiaba com cara de fome, mais de pensar qui a minha passarinha si iria transformar em algo muito parecido a um animau pré-histórico.

- Num deveria contar este segredo, pois uma diva assim como a genti, querida Ticcia, deve estar por cima de todo defeito físico. Mas ocê pergunta e não dá pra mentir a istrela da nete como tu: tenho um calo no pé isquerdo que me istá matando de dor, dente traseiro cariado e um cabelo qui pra estar de espetáculo na foto precisa de arranjo semanal. Nada di mau: defeitos em nóis dão charme e pitadinha de humor na poesia.

Querida, tentei falar assim como ocê, mas isto, sem trópico nem cachaça, mi faz sentir bem ridícula (olha, outro segredo!)

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