Terça-feira, Fevereiro 06, 2007

TENTATIVA DE SOTAQUE BRASILEIRO



A garota mais lindona do país tropicau mi pergunta, ué, si eu tenho segredinhos. Oba, eles mi sobram, mulé!

- Ocê sabia qui passo horrores vendo filme di morto, espírita e assombrado? Nem consigo ir ao banheiro sozinha: penso qui demônio maligno vai sair do espelho pra mi levar pro mais escuro dos inferno; imagino cadáveres dentro do chuveiro, lagartos saindo do wc. Triste, bem sei, mas é bem pior roubar qui dizer verdade.

- Uma veiz, sendo moleca, encontrei uma revista de muléris nua na casa de um amigo dos meus papais. Desmaiei, imagina, não de ver tanto pêlo escuro no meio da entriperna daquela goiaba com cara de fome, mais de pensar qui a minha passarinha si iria transformar em algo muito parecido a um animau pré-histórico.

- Num deveria contar este segredo, pois uma diva assim como a genti, querida Ticcia, deve estar por cima de todo defeito físico. Mas ocê pergunta e não dá pra mentir a istrela da nete como tu: tenho um calo no pé isquerdo que me istá matando de dor, dente traseiro cariado e um cabelo qui pra estar de espetáculo na foto precisa de arranjo semanal. Nada di mau: defeitos em nóis dão charme e pitadinha de humor na poesia.

Querida, tentei falar assim como ocê, mas isto, sem trópico nem cachaça, mi faz sentir bem ridícula (olha, outro segredo!)

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