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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • cabras estas nao

    CABRAS? ESTAS NÃO.

    Maléfica (A Bela Adormecida da Disney).
    Não confundir nunca pura maldade com cabrice. Maléfica invoca Lucifer, fala com corvos, enfeitiça reinos e belas herdeiras… Mas qual é a verdadeira razão de tanto trabalho? Merece a pena condenar um bebé à morte só porque não se foi convidada a um baptizado? Um pena que a vilã mais fashion, magra e glamourosa de toda a Disney seja a menos sofisticada.


    Mrs. Mott / Peyton Flanders (The Hand That Rocks the Cradle)

    Toda a cabra que se preze sabe que a vingança é um excelente motivo para cometer actos pérfidos, horrendos, reprováveis e mal-cheirosos. Toda a cabra que se preze sabe também da importância de mandar nas vozes que tantas vezes fazem eco nas cabeças mais despenteadas. Porque cabrice não é (só) maluqueira, a doida da Peyton teria dado uma excelente cabra se não fosse precisamente isso, doida.


    Mrs. Danvers (Rebecca)
    Tem maldade, sede de vingança, é invejosa, mentirosa, retorcida, silenciosa e conhecedora dos medos da tão angelical Mrs. de Winter. Uma cabra de livro? O problema é que não é dela este ódio sobrenatural. A verdadeira cabra deste filme está morta e chama-se Rebecca. Mrs. Danvers não passa de um fantoche trasloucado, de uma pobre velha fufa histérica perseguida por um fantasma que a domina, que se lhe mete na cama e lhe molha os sonhos.



    Por Rititi @ 2007/11/08 | 2 comentários »


    sem desesperos nem angustias img ja

    SEM DESESPEROS NEM ANGÚSTIAS


    (img)

    “Já agora, alongando a discussão com recursos youtubescos, entre Ava Gardner, a perdida e Grace, a casta, que tal uma Lauren Bacall. Uma sensualidade sem desespero nem angústia, simplesmente sensualidade feliz. Entre as Avas e as Graces do mundo, eu cá prefiro as Lauren.”
    Pois é, querido Rui, mas isso não dá para escrever uma série.


    Por Rititi @ 2007/11/08 | Sem comentários »


    junho de 2005 repost ou citando me mim

    Junho de 2005: REPOST OU CITANDO-ME A MIM MESMA

    AS GRANDES CABRAS DA FICÇAO: MOGAMBO
    MRS NORDLEY, A SONSA COM CARÊNCIAS

    Mrs. Nordley (Grace Kelly) é uma senhora, bem passada a ferro, inocente, tão loira e recatada, tão fiel ao marido, tão como uma mulher deve ser. O penteado que não se lhe desmancha, as palavras estudadas, ai, o sonho de qualquer Victor Marswell (Clark Gable) que deseja acabar os dias sentado à lareira com a dama perfeita. Não chateia, não fuma, sorri o necessário. A beleza fria da fêmea que não berra na cama nem envergonha os sogros. Ou não. Claro que não. Basta pôr os pés em África para que à querida Mrs. Nordley se lhe caia a máscara e se mostre como a sonsa mal comida que deseja fugir das noites de sociedade, a entediada esposa do antropólogo apaixonado pelos gorilas da selva.
    Coitada de Mrs. Nordley. Que fazer? Confessar ao marido a sua paixão pelo caçador velho? Fugir, gozar o amor que descobriu? Não, claro que não. Porque Mrs. Nordley, de tão pura e educada, prefere mentir a que pensem mal dela, a que a critiquem, a que lhe manchem a honra. Porque a honra numa senhora é muito importante, mesmo que Mr. Nordley seja o cornudo mais famoso da expedição e o tonto de Marswell faça o ridículo esperando que a virgem lhe redima dos pecados de ontem.
    Entretanto Eloise Kelly (Ava Gardner), a badalhoca, a que se embebeda, fuma e diz palavrões, a que aparece em África vinda de todas as histórias de desamor, a putéfia que todos os homens esperam ter na cama mas não na mesa, aguarda. Também chora, confessa-se, indigna-se, vocifera contra a hipocrisia da beta com falta de um bom par de fodas. Mas espera. Só para ver o que acontece, como se o amor que sente por Victor Marswell já não fosse importante. E quando tem a oportunidade para humilhar a cabra loira, a santinha, a que a insultou, a que lhe atirou à cara os amantes e o mau nome, cala-se. À inveja sobrepõe a dignidade de quem nada tem a esconder. Mais, defende a tão importante honra da amorosa e inocente Mrs. Nordley. Porque é isso que as senhoras fazem. E dessas já há poucas.
    Que uma mulher não se enxovalhe pelo passado, que mantenha a cabeça bem alta, que não a abatam as vozes das puras deste mundo tão falto de sexo e amor, é muito perigoso. As invejas rebentam por todo o lado, os olhares reprovadores não perdoam. Puta e mais que puta, é isso o que Mrs. Nordley vê em Eloise Kelly, sem se dar conta que a única que engana, mente e magoa é ela. Mas de nada serve, porque Mrs. Nordley, tão senhora e tão penteada, volta à miséria da vida sem falhas.
    Prefiro mil vezes uma Ava Gardner descalça e com a vida em cima da mesa, sem vergonha ou mais dores que as que lhe causou a história, à virgem ofendida Grace Kelly, mentirosa, ressentida e com a suficiente falta de vergonha para deixar que o marido sofra por ela o que a educação e as noites de sociedade não lhe permitiram gozar.
    O que é uma mulher? Definitivamente, Ava Gardner. Que o mundo prefira as Graces Kellys com ar de sonsas, isso já é outra coisa. E eu não tenho culpa disso.



    Por Rititi @ 2007/11/06 | 5 comentários »