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Rititi

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INÍCIO

  • A minha última crónica na Revista Penthouse: LUV Madonna

    A partir deste mês deixo de escrever na revista Penthouse. Com muitíssima pena minha, juro. Adorei escrever na revista Penthouse, rodeada de coninhas depiladas, mamocas, rabos alçados e declarações fabulosas das estrelas de cada número (“a primeira coisa que reparo num homem são as mãos”, “sou meiguinha mas selvagem na cama”….). Durante um ano e meio escrevi todos os meses sobre sexo, as relações de cama, as expectativas, as mentiras típicas, ou seja, detudo e nada de jeito, porque de sexo toda a gente sabe (ou devia saber) e o meu papel não era estar a dar lições a ninguém (e muito menos a gajos que compram uma revista com miúdas com as pernas abertas até às orelhas). Obrigada aos leitores, às meninas, às coninhas e ao Zé Mascarenhas um beijo enorme.

    Aqui vos deixo a minha última crónica, dedica à DIVA:

    “Todos temos os nossos ídolos. E eu, que não sou menos que ninguém, tenho o meu. Eu adoro a Madonna, que fazer. Percebo quando me dizem que não tem nada de especial, que é uma mulher pequena e magrelas sem nenhum rasgo físico que a faça parecer espectacular, assim do género Cindy Crawford (sim, eu sei, sou de outra época, caros leitores, mas esta que vos escreve já tem uma certa idade), dona de uma voz a atirar para o banal e ainda por cima está a ficar velha. Mas mesmo assim, ela é magnética, transmite uma força que nem que a Lady Gaga metesse os dedos numa tomada conseguiria nunca ter, é moderna, é deslumbrante, é uma diva. Ela é a Diva. Como tantos milhões de madonna-adicts do mundo vi dezenas de vezes o novo teledisco (ou será videoclip que se diz?), comentei no Facebook feita groupie adolescente o show que deu na Superbowl e já tenho uns quantos estilismos copiados para quando sair à noite com os meus amigos gays. Sou uma histérica, mas vivo bem com isto.

    Porque a Madonna sempre esteve aí, comigo, desde a minha adolescência. Era uma espécie de referência e mesmo que a minha mãe me proibisse expressamente sair de casa naqueles preparos eu imitava-a em frente ao espelho, com a franja cardada e umas meias rotas nas mãos a fazer de luvas. Patético. Mas não era a roupa ou o estilo dela que me fizeram adorá-la e tê-la como referente: foi o sexo. A sua visão da sexualidade, aberta, descarada, ilimitada, abriu-nos os olhos a milhões de adolescentes que, com cara de parvos em frente à televisão, percebemos que não havia nada de mal em gostar físicamente de outros, de muitos, aos pares, do mesmo sexo, de diferente raças, em várias posições e muitas vezes. O sexo, que nunca deixará de ser tabu e estará sempre vigiado pelos talibãs da moralidade alheia, nessa altura pareceu-me menos tabu, menos proibido e mais saudável. Uma mulher que me dizia que eu, mulher como ela, era a única dona do meu corpo, que não havia mais autoridade que a minha em relação à minha sexualidade, que o prazer é um assunto íntimo sem necessidade de supervisão ou autorização, e que a ninguém tinha que dar justificações sobre o que fazia ou deixava de fazer. E isso, foi a Madonna, com o Like a Virgin, o Vogue, o Satisfy my Love, que conseguiu. Uma epifania pop, toma lá.

    E agora é vê-la outra vez na televisão, sempre rodeada de marmanjos 25 anos mais novos que ela, já sejam namorados ou dançarinos que a acompanham nos espectáculos, a dançar feita uma ginasta soviética nos Jogos Olímpicos de 1975, dobrada sobre si própria e cada dia mais magra-magríssima, mais musculada e mais operada, numa tentativa louca, já não de manter nova, mas sim de parecer mais nova que há trinta anos atrás, lutando contra o tempo, a gravidade e a Historia Universal. Numa Cher, numa Demi Moore, até numa Sharon Stone todo este batalhar contra o inevitável me parece artificial, absurdo, mas em Madonna não. É o normal. Está a passar a mesma a mensagem: eu sou a dona, eu mando aqui. E a mim, deste lado da realidade, este recado vale-me tanto como valeu quando eu tinha quinze anos: eu sou sexy, mesmo passados os trinta, mesmo que já não pese o que marcam os tamanhos das roupas nas lojas que deveria pesar, mesmo que as minhas mamas vão evoluindo (não encontrei melhor eufemismos para dizer “já não são o que eram, as desgraçadas”) não há quem possa comigo. E em quanto ao sexo se refere, saber que até a Madonna, esse ser magricelas, baixinho e sem nenhum talento natural para nada (a não ser para ser ela própria) tem sempre atrelado um gajo que parece uma estátua grega é uma fonte de inspiração. E não há nada mais feminista que isto, nem mais optimista e mais valente. L.U.V Madonna!”



    Por Rititi @ 2012/05/02 | 5 comentários »


    PENTHOUSE DE MARÇO: UM ORGASMO É UM ORGASMO

    Segundo a Wikipedia, essa fonte de conhecimento da pos-modernidade, “La Petite Mort” é o termo que se refere ao momento imediatamente a seguir ao orgasmo e que está associado a uma pequena perda de consciência, a um ligeiro desvanecimento derivado do supremo êxtase orgásmico.Também é o nome do livro editado pela prestigiosa editora Taschen que recolhe as fotografias de 37 mulheres a masturbar-se que o canadiano Will Santillo foi fazendo ao longo de oito anos por esse mundo fora. Mulheres magras, mulheres gordas, com as calças descidas até aos joelhos, nuas num carro a ser observadas por desconhecidos que também se tocam, mulheres que se masturbam na banheira ou em frente ao espelho, com a mão ou com brinquedos eróticos, sozinhas ou com o parceiro, com pérolas no pescoço, com o sutiã caído, com o rabo alçado, com os dedos enfiados dentro da vagina, com a boca aberta e olhos revirados, mulheres reais, que não são actrizes nem profissionais da pornografia e que faz que este livro tenha uma honestidade brutal. As fotografias são bonitas, claro que sim, a luz é a ideal, a cor reflecte a sensualidade desejada, mas saber que as senhoras que aparecem ali com as pernas abertas e com cara alucinada enquanto se tocam as mamas e o rabo e as pernas depois vão para o escritório acabar o relatório e levam os filhos à escola dá-lhe ao trabalho do fotógrafo a veracidade perfeita para uma obra que tem uma vocação quase metafísica.

    Porque quando se trata da sexualidade feminina parece que a Humanidade ainda está à procura de uma explicação para a génese do prazer das mulheres, da essência primária, das razões e motivações para que uma miúda que vive num apartamento no Fundão com o namorado e o pastor alemão se encerre sozinha na casa de banho e se dê prazer com o chuveiro, se sente no chão de joelhos e se toque uma e outra vez com os dedos, que se venha em silêncio enquanto o mundo lá fora se debate entre as reuniões da Troika e a máquina de lavar a roupa. É fatal como o destino: cada três meses, não há tratado, livro, estudo promovido por uma reconhecida universidade americana que não se debata com o tema do orgasmo feminino. E se se trata de orgasmo em solitário, da masturbação, ainda é mais gritante, como se nesse acto tão privado e tão banal se encerrassem todos os segredos do Universo. Quando uma mulher se masturba nasce uma nova estrela, explode a anti-materia, colidem os planetas. Quando uma mulher se vem renasce a Humanidade.

    Pelo o amor da santa: BASTA! É só um orgasmo, mais um de muitíssimo que as mulheres têm como os homens também têm. Na cama, de manhã, antes de ir ao médico, na casa de banho do trabalho, com o marido, na cozinha: quando nos apetece. Essa é a verdadeira e única razão pela qual as mulheres se masturbam. Um orgasmo é um orgasmo: é essencial para a manutenção da  felicidade intelectual e física, sem ele não há relação sexual ou amorosa que sobreviva e deveria ser obrigatório que todos e cada um dos seres humanos soubessem como fazê-lo em solitário. A masturbação, se não põe os homens cegos, também não deixa as mulheres carecas. Que é muito boa? Claro! Que se deveria practicar mais? Óbvio! Que aliás as mulheres podemos ter vários orgasmos sozinhas e seguidos? Já toda a gente sabe isso. Mas já chega de fazer deste tema a tese de doutoramento sobre a metafísica da humanidade. É só um orgasmo, pá!



    Por Rititi @ 2012/04/18 | 8 comentários »


    PENTHOUSE DE JANEIRO: MITOS ERÓTICOS

    E se de repente um homem te diz que as tuas mamas sabem a presunto então esse homem é o Javier Bardem no filme “Jamón, Jamón”, na mítica cena onde o actor quase se engasgava, literalmente, a comer os peitos de uma incipiente boazuda Penlélope Cruz. Eu sei que há um mês já escrevi sobre este filme, mas tenho que vos confessar, caros e fiéis leitores da Penthouse, que esta frase, esta cena e sobretudo este Javier Bardem com umas calças de gangas insultuosamente justas e estratégicamente desabotoadas marcaram-me profundamente e condicionaram a minha percepção futura do género masculino e de todo o seu potencial. Esse Javier Bardem foi o meu primeiro mito erótico, o primeiro de muitos. Porque nós, as mulheres, também precisamos de mitos eróticos, de símbolos extremos de masculinidade, que funcionam como uma imagem deformada, hiperbólica e superlativa do que deveria ser o macho quando se trata de sexo. Neste caso, macho ibérico, claro, porque o que representava Javier Bardem nesta metragem icónica da espanholidade superlativa (com os seus presuntos ibéricos pendurados em todas as paredes, touros e casas de alterne à beira da estrada, seats ibizas e mulheres com mamas bamboleantes) era testosterona em estado puro sem que a personagem em causa tivesse um mínimo de profundidade intelectual ou qualquer rasgo de inteligência, perspicácia ou sensibilidade, por não falar já de falta de noção de como tratar uma mulher fora da cama.
    Sempre agradecerei ao realizador as imagens de um Javier Bardem a tourear completamente nu, só coberto pelo capote de toureio ou lambendo todas as fêmeas que lhe deixavam. Uma maravilha. Cada mulher tem o seu ícone, esse super macho que se idealiza para momentos muito determinados e que a faz estar convencida que com ele não haveria nenhum problema de tempo, nem de tamanho, nem de forma e que só serve para o que serve. Porque acreditar que sem componente romântico e cor-de-rosa as mulheres são incapazes de olhar para um homem ou que uma senhora de certa idade não pode desejar o chavalo da oficina onde leva o carro a arranjar sem querer casar (nem falar!) com ele é uma das grandes falácias da História Universal, além de uma soberba estupidez na qual não deixam de insistir comédias românticas, cançonetas de rádio e best-sellers de verão. O que se consegue com esta lógica redutora é a percepção que uma mulher só pode vibrar com os 300 espartanos de Frank Miller por dois motivos: ou porque precisa urgentemente de estabelecer uma relação sentimental duradoura com o Rei de Esparta porque a sua máscula e imbatível heroicidade é irresistível ao género feminino, ou então a mulher é uma taradona dominada pelo furor uterino incapaz de se conter perante um peito musculado e suado. E não é tão simples. As mulheres não somos só a Doris Day nem a protagonista recauchutada de um filme porno alemão.
    No fundo esta personagem do Bardem armado em bacano mega-macho que persegue as garinas na moto de 250 cc não passa de um garanhão que dá tusa, vá lá, mas que não sai daí. Mas os mitos eróticos são isso, uma projecção erotizada e exageradíssima de um desejo pontual e que não se corresponde de todo com o que realmente as mulheres querem num homem a longo prazo (ou um prazo superior à fabulosa e necessaria imediatez do encontro, à urgência do subir das saias e do descer das calças). Porque por muito que se fantasie com um homem que lambe umas mamas como se fosse uma francesinha com molho especial da Cufra não conheço nenhuma mulher que suportasse ter um gajo esfomeado 24 horas ao dia pegadinho às mamas.



    Por Rititi @ 2012/03/12 | 7 comentários »


    PENTHOUSE DE SETEMBRO: NEM SEI QUE VISTA

    Durante anos a minha caixa de e-mail não parou de receber convites para concertos, estreias de cinema, alguma outra que festa em bares da moda, exposições e lançamentos de livros. Mas nos últimos tempos a temática deu um giro admirável e agora dou por por mim a abrir correios electrónicos de gente que não conheço de lado nenhum mas que insiste em solicitar-me para pertencer a “clubes fashion” (seja lá o que isso signifique) ou a unir-me a redes de “pessoas com estilo”. Estou que nem me acredito, juro pela minha saúde. Ora, eu que sabendo-me relativamente gira (tenho dias), mais ou menos magra (isto depende do século com que se me compare) e com algum jeito para combinar cores às sete e meia da manhã para não ir trabalhar feita um trambolho, nunca pensei que fosse estilosa. Ou fashion. Quanto menos glomourosa. Sou uma mulher de 36 anos que, como todas as mulheres, gosta de sair de casa a sentir-se bonita e sexy e que compra a roupa que acha que lhe assenta razoavelmente bem, após uma dura aprendizagem de anos e anos sobre o próprio corpo, com muitas asneirada pelo meio quando insistia que pesava cinco quilos menos e as minhas mamas eram as da Cindy Crawford. Se gosto de sapatos? Ó pá, sim, mas também gosto de ler livros e de beber copos.
    Mas devo ser a única. Passeando pelos blogues nacionais não há gaja que não publique a vestimenta diária, como se ver uma miúda com jeans e t-shirt da HM fosse fundamental para os destinos do género humano. Mas lá estão centenas de comentários a celebrar a sandaloca de plástico e a pulseira de três euros. Alucinante. As miúdas já não se vestem: têm estilismos, mesmos que estes sejam pavorosos, baratos e repetitivos. Já não há catálogos de colecções das marcas de roupa: há look books. Nem sequer se pode arranjar roupa de verão no verão: em Abril as lojas estão a abarrotar de taradas com cartões de crédito na boca a comprar o que hão de vestir em Agosto, pelo que o simples acto de arranjar um bikini a meio do Julho transformou-se numa odisseia de dimensões bíblicas. Já não se trata de tirania da moda, mas de uma total obsessão do zé povinho em ser um trendsetter da periferia. Haja paciência.
    E esta paranoia, desgraçadamente, já não é exclusivo delas. Qualquer gajo que se queira moderno e cool deve aspirar a estar a par das tendências, do último grito em tamanhos de relógios, dos óculos escuros mais cool da temporada. Até as revistas objectivamente masculinas não renegam da sua secção de moda. Se derem uma volta por uma discoteca da moda entenderão do que estou a falar: tipos cheios de pose e ar enjoadinho que parece que, mais que engatar, estão à espera de ser chamados para a passarelle de Paris, todos eles calcinha arregaçada, lencinho absurdo e um olhar de nojo para todas miúdas que não tenham aspecto famélico e ultra-fashion. Não me tomem por reaccionária, obviamente prefiro um homem bem vestido a um andrajoso cheio de nódoas de tosta mista na camisola da Universidade da Beira Interior, mas às vezes tenho saudades de ver gajos vestidos de gajos, com as suas calças de ganga, a sua camisa, as suas botas, que nem sabem muito bem a razão do que levam em cima, gajos que não passaram três horas em frente ao espelho debatendo-se se levar ou não meias com os seus novos sapatinhos oxford. Gajos que quando abrem revistas femininas só vêm gajas boas e não tendências e estilismos. Aliás, tenho saudades de gajos que acham que estilismo é uma nova marca de vodka.



    Por Rititi @ 2011/09/29 | 22 comentários »


    PENTHOUSE DE AGOSTO: GOSTAR DE GAJOS

    Quando o José Mascarenhas me convidou para fazer parte da revista Penthouse, só tive uma coisa clara: nunca escrever como se os homens fossem parvos, idiotas ou simplesmente ignorantes. Eu gosto muito de homens e sinto muitíssimo respeito por eles, razão pela qual esta coluna nunca serviria para explicar aos leitores como se faz um minete, quais os truques infalíveis para alongar o orgasmo feminino ou outros usos a dar às ferramentas de cozinha. Eu sei que vocês sabem. De sexo, quanto muito, sei do meu. A vocês pouco poderia esclarecer: estou convencida que os leitores da Penthouse são homens inteligentes, experientes e curiosos que quando têm dúvidas as resolvem com as namoradas, as mulheres ou os engates a meia tarde no escritório porque é a elas a quem têm que dar satisfações na cama (ou no sofá, no chão da cozinha, ou contra a porta da casa de banho). Eu, como muito, estou aqui para escrever sobre que gosto e o que não.
    Infelizmente, esta declaração de intenções sobre a inteligência masculina, que a mim me parece básica para facilitar as relações e a vida entre os sexos, não é fácil de encontrar no dia-a-dia. Estou farta de ouvir mulheres a refilar porque os homens em geral e os maridos e os namorados em particular são uns autênticos imbecis, uns desgraçados a quem têm que passar o dia a dar instruções como se de seres inúteis e acéfalos se tratassem. Desde revistas e programas de rádio a conversas de café, parece que não há mulher que não se queixe dos gajos: não cozinham, não arrumam a casa, ignoram o normal funcionamento da máquina de lavar roupa, se têm filhos são uns trastes capazes de os deixar morrer à fome, uma desgraça. Também não percebem nada de moda, os desgraçados, nem de decoração de interiores; se não fosse pelas namoradas eram gajos para ir em calças de ganga e ténis ao casamento da prima e não acertam nunca com as prendas do dia dos namorados. Só se interessam por futebol, a contratação do Coentrão pelo Real Madrid e as novas aplicações do iPad. Os gajos são uns merdas, pronto, um castigo inevitável que as mulheres sofrem desde os primórdios dos tempos, uma espécie de período, de depilação, de celulite permanentes. Ainda bem que estamos cá nós para endireitar os destinos da Humanidade. Nem sei como não demos todas em lésbicas, palavra de honra.
    E depois, estas mesmas mulheres que tratam os namorados como se fossem crianças, sempre a corrigir-lhes os erros com esse tonzinho displicente de “deixa lá, criatura, que eu trato”, queixam-se que o sexo não é bom. Dizem que eles não dão uma para a caixa, que o sexo oral é desastroso, que não querem saber das suas fantasias, que não se aproximam, não as seduzem. Ó minha boa gente: mas do que é que estavam à espera? Os gajos nem se atrevem, tal é a perspectiva a levar com uma censura se se enganam a desabotoar o sutiã, ou se o coito demora pouco tempo, ou se entretêm demais a brincar com as mamas, ou não acertam lá em baixo com a confusão de pernas, lençóis e a escuridão do quarto. “Porra”, devem pensar, ”o melhor é estar-me quietinho, não vá ser que ainda leve na cabeça”. Se ela gosta da posição do missionário então fica-se por aí e assunto resolvido. E elas, amuadas, lá vão a correr a fazer queixinhas às amigas. E conversar com o homem que escolheram para partilhar a vida e a cama, não? E que tal abandonarem essa postura mãezinhas e começarem a gostar deles, a relacionarem-se com os homens de iguais a iguais, a puxar por eles, a mostrar-lhes como querem que ser beijadas, lambidas, tocadas? O sexo é uma coisa de dois (ou de três, vá lá, com um bocado de sorte), assim que mais vale tirar as dúvidas com quem gostamos. Ninguém nasce ensinado, nem sequer vocês, suas chatas!



    Por Rititi @ 2011/09/18 | 9 comentários »


    PENTHOUSE DE JULHO – FIGURAS TRISTES

    Sentada numa esplanada no centro de Madrid, vejo como se aproxima à minha mesa um grupo de mulheres eufóricas comemorando uma despedida de solteira, gritando hinos anti-machos e marchando decididas como um batalhão de enfermeiras boazudas, todas elas ligas, cuecas fio dental e decotes até ao umbigo que deixam ver sem o mínimo recato sutiãs de rendas e mamas ao limite da explosão. Para rematar a cena estas amazonas descascadas coroam as cabeças com pilas. Pilas rosadas, enormes, hirtas e que brilham como espadas-láser dos Jedis. Há dias em que uma gaja não devia sair de casa, palavra de honra. Não se confundam: não tenho nada contra as representações da pila, aliás, sou super a favor de vibradores, dildos, coelhinhos incansáveis, hipopótamos mágicos e de tudo que faça a vida (e a sexualidade) das mulheres mais feliz. Mas não me sinto nada cómoda com estas manifestações do suposto orgulho feminino, como se levar um mangalho na cabeça nos fizesse melhores que os homens, mais mulheres, mais poderosas, mais fortes. Mentira, só nos faz parecer mais ridículas.
    Há uns anos atrás vi-me metida numa despedida de solteira. Uma amiga casava-se dias depois e uma das convidadas teve a infeliz ideia de nos levar a um clube especializado neste tipo de festas para jovens casadouras e com enorme facilidade para se embebedar rapidamente à base de bebidas doces e coloridas. Dezenas de mulheres histéricas dançavam imitando a protagonista de um videoclip chungoso de delinquentes da MTV, ansiosas para assistir ao excitante show da noite. E esse grande momento chegou encarnado num sargento da GNR com o peito depilado, um garanhão de ginásio insuflado a anabolizantes e manifestamente gay que debaixo da farda de plástico escondia o gigantesco objecto de desejo das assistentes ao espectáculo. O sargento abanava o rabo, as mulheres gritavam. O sargento apalpava-se o inchaço da entreperna, as mulheres babavam-se. O sargento arrancou as calças de plástico e as mulheres atiravam-se-lhe às pernas, gemendo como se lhes fosse a vida nisso. Até que o sargento escolheu entre o público uma embevecida futura noiva em estado de êxtase místico-vaginal a quem sentou no meio do palco. Já imaginam como acaba a história: enquanto o sargento se roçava alarvemente na cara dela, a eleita ao ponto do desmaio gritava “isto é o melhor que me aconteceu na vida! Mais! Mais! Não pares!”. E essa foi a altura ideal para fugir daquele filme de terror e ir beber um copo a um bar cheio de homens heterossexuais vestidos com t-shirts folgadas e incapazes de mexer a anca ao som da música pop.
    Que o melhor que te aconteça na tua existência seja que um gay te esfregue a pila na cara enquanto as tuas amigas uivam de prazer não só é medonho, é penoso, vergonhoso e tristemente patético. Como seriam as relações sexuais daquela desgraçada? Casava-se para quê, aliás, se obviamente o namorado era incapaz de a excitar e fazer-se babar? E, o que é mais importante, por quê esta necessidade absurda das gajas de imitar o pior dos homens? Acaso precisamos mesmo de assistir a shows de striptease masculinos para nos acharmos iguais aos homens? Usar bandoletes com forma de pilas luminosas é o sonho do feminismo pós-moderno? Meninas, tenham juízo. De certeza que não achavam piadinha nenhuma ver os vossos homens perdidos de bêbedos na rua com um colar de mamas ao pescoço. No mínimo pensavam que os gajos eram idiotas. A sério que gostavam de ter sexo com alguém assim? Pois é.



    Por Rititi @ 2011/08/22 | 8 comentários »


    PENTHOUSE DE JUNHO – PORNO PARA ELAS

    Duas mulheres jantam numa cozinha, bebem vinho e conversam, beijam-se, despem-se, masturbam-se, usam brinquedos sexuais, mandam os pratos para o chão, riem e falam, lambem-se, têm orgasmos, vários orgasmos. Suam e gritam, mexem-se, torcem-se, dão gargalhadas, puxam do cabelo, esticam as pernas, agarram nas mamas, gozam, nota-se que têm prazer. Esta cena onde se vê como duas mulheres normais fazem sexo em cima da mesa da cozinha pertence a “Five hot stories for her”, uma delícia de filme pornográfico dirigido pela sueca Erika Lust, uma das realizadoras fundamentais para entender a pornografia no feminino. Uma pornografia feita por mulheres e para mulheres, onde as protagonistas se comportam como mulheres de verdade que têm trabalhos, conversam com as amigas, vão às compras, engatam no metro, têm fantasias com o vizinho de lado e quando têm orgasmos gritam e gemem como as mulheres de verdade fazem. Uma pornografia altamente recomendável para a menina e, já agora, para o menino que não percebe por quê a namorada não quer ver os filmes porno com ele.
    Não quer porque não gosta. Nem conheço nenhuma mulher que goste nem se reveja no porno feito para homens, nesses filmes que teimam em repetir até à exaustão uma história que nem dá pica, nem é divertida, nem tem pontinha por onde se lhe pegue. Se não vejamos: uma tipa vestida com péssimo gosto e com uma mamas absurdamente gigantescas vai ao médico/entrevista de emprego/stand de automóveis (ou então está em casa à espera que algo tremendamente excitante lhe aconteça) quando é atendida por um fornido médico/empresário da construção/comercial/canalizador. Vinte segundos mais tarde esta mulher, já sem a roupa de polliester mas com os sapatos de tacão de agulha calçados, está de pernas abertas/de joelhos/atravessada em cima do capô dum Toyota de segunda mão a berrar feita doida como se estive a atingir o mais intenso dos orgasmos de toda a sua vida.
    E como se não lhe bastasse estar a ser montada por este portento da masculinidade, aparece em cena outro fulano hiper-musculado que, sem dignar a dizer um simples olá tudo bem, tira as calças e, como estes super-machos da pornografia não têm nenhuma necessidade de usar roupa interior, em menos de cinco segundos já está no truca-truca, assim, sem aquecimento nem nada, porque os protagonistas dos filmes porno nem precisam de se tocar um bocadinho para ficar todos excitados e prontos para se satisfazerem. Por não falar já das cenas lésbicas, onde invariavelmente uma das mulheres reproduz o papel do homem, com direito a introdução de dildos titânicos, gemidos absurdos, posturas irreais e o mais que certo convite ao macho para rematar o trabalhinho, porque obviamente elas sozinhas não sabem dar conta do recado.
    Tudo isto é tão ridículo, tão absurdo, tão irreal que nem sequer vale a pena ser visto. Pelo menos por nós. As mulheres gostamos de histórias bem contadas, sejam elas histórias românticas, de terror ou pornográficas. Porque o sexo não é só toma lá, ó minha, a ver se gostas. O sexo implica roce, cumplicidade, ironia, picardia, sedução, gargalhadas e muita surpresa, porque assim são as fantasias femininas, que obviamente, metem sexo com desconhecidos, trios e cenas lésbicas. Iguaizinhas às fantasias masculinas? Talvez. Mas à hora de as transformar num filme para nosso uso e desfrute (que é disso que se trata) as mulheres gostamos de nos ver retratadas como seres activos, com iniciativa, com tusa, que dizem abertamente o que gostam e o que não, se querem mais e por onde e com quem e quantas vezes. Gostamos de nos ver retratadas como o que somos. Porque assim é o nosso sexo. Porque não somos bonecas insufláveis. Vejam lá se aprendem.



    Por Rititi @ 2011/06/29 | 8 comentários »


    PENTHOUSE DE ABRIL: O QUE AS GAJAS QUEREM

    Numa discoteca qualquer às tantas da manhã, entre risadas com amigos e litradas de gin tónico, observo a fauna que dança os hits do momento. Há trintinhas, modernos, quarentões despistados, casais que se comem a beijos, malta que não larga o twitter no telemóvel, bêbedos deprimentes, alcoolizados eufóricos e muita muída gira, magra e insultantemente nova para os meus trinta e largos anos. Não há nada mais apaixonante que a noite e os seus meandros. Os habituais de bares e discotecas movem-se, dançam, olham-se, tocam-se como se o dia seguinte não existisse, com essa embriagante sensação que se quisessem poderiam esticar a noite durante horas infinitas, sem medo à ressaca e a uma recordação pouco apropriada. O povo é livre quando sai à noite. As mulheres trocam as roupinhas de secretária pelos jeans sexys y os decotes generosos, os homens ganham coragem, há calor e desejo, frases divertidas, engate sem remorsos, gente que se procura. Durante a noite as mulheres estão mais receptivas para que lhe falem ao ouvido, lhe agarrem pela cintura, disponíveis para a surpresa de um beijo inesperado, para um convite para um último copo lá em casa. Durante a noite os homens acham-se campeões, comportam-se como os machos alfa que sempre deveriam ser, sabem-se confiantes e estão desejosos de aventuras na parte escura do bar. Todos deveríamos sair mais à noite. Pelo bem da espécie humana.

    Pena que à luz do dia toda esta valentia desapareça, pena que esses mesmos homens que acariciavam o pescoço de uma desconhecida na pista de dança troquem o fato de conquistador destemido pelo de chefe de secção das nove às cinco, tímidos, tristes, cinzentos. Pena que o tipo que elogiava as pernas das miúdas ao balcão da discoteca não se atreva sequer convidar a um café à rapariga do quiosque onde todos os dias compra o jornal. Pena que o engatatão da noite tenha medo de olhar fixamente para a colega gira que se senta na secretária do lado. Pena que  os que se achavam os machos-alfa da noite, assim que se encaram com a crueza da luz, sem fumos e álcool que estimulem a língua, se tenham que esconder atrás de um carro sobrado de cilindradas, de uns óculos de sol caros, de um relógio de marca, de acessórios para disfarçar a falta de pinta, de graça, de conversa. Pena porque, a verdade, nós não precisamos de máscaras, de enfeites, de manias. Nós não nos queremos acamar com um cobardolas que desvia o olhar. Não queremos um tipo armado em pavão porque para malas, sapatos, relógios e pulseiras já estamos nós e as nossas amigas. Queremos um gajo que seja gajo, que se comporte como um gajo, que nos fale como os gajos falam, que nos olhe e nos agarre por detrás, que nos faça tremer quando nos sussurra ao ouvido, que nos dê a volta com firmeza, com coragem, como só os gajos sabem fazer. Queremos um gajo que nos dê tusa. Sim, tusa.

    E a tusa só tem a ver com atitude. Lembram-se de Tony Soprano, um ser objectivamente abjecto, mal criado, mal falado, mal cheiroso, machista, racista, feio e gordo? Pois é. Atitude. Eu via-o dentro da minha televisão, temporada atrás de temporada, e quanto mais gordo, paranóico e careca ficava mais me apetecia saltar para dentro do ecrã e atirar-me aos braços e à cama dele. As costas peludas, essas camisolas interiores transpiradas, o arrastar dos chinelos eram-me indiferentes. O modo de se atirar às mulheres, a certeza da conquista era absolutamente afrodisíaca. Nada se interpunha no caminho de Tony, queria uma mulher e não descansava até consegui-la. De um modo rude e tosco muitas vezes, desprezando qualquer lei da galanteria básica e dos bons costumes. E conseguia. Afinal pouco é mais sexy que um homem cheio de confiança. E a confiança dá poder. E o poder dá tusa. Nada a ver com os pichas-moles que protagonizam essa série fracota e apaneleirada chamada “Anatomia de Grey”. Que gajos são esses, minha nossa senhora? Sim, são lindos, jovens, atléticos, com uns dentes tão brancos que reflectem o sol, sem olheiras, sem barbas, sem mau hálito, sem unha encravada, sem problemas de sono, sem piadinha nenhuma, cheios de paleio e conversas mansas e com imensa vontade de partilhar com as mulheres sentimentos, sensibilidades, confidências e problemas da alminha sofredora. Credo! São umas gajas! E de gajas nós não gostamos. Venha o Tony, por favor.



    Por Rititi @ 2011/05/26 | 9 comentários »


    PENTHOUSE DE FEVEREIRO – SEXO DO BOM

    No programa da televisão italiana “L’Infedele” debatia-se o penúltimo escândalo político-sexual do Primeiro-Ministro, quando um telespectador indignado chamado Silvio Berlusconi entrou em directo e começou a disparar insultos contra o apresentador, as teses discutidas, o programa em geral e as mulheres que estavam presentes em particular, a quem, segundo Il Cavalieri, nem se podiam chamar de senhoras. “Isto é um prostíbulo televisivo!”, exclamou, pouco antes de desligar o telefone. Todas as mulheres são putas, portanto. Não me estranha: esta é a reacção natural num senhor de 74 anos que está a ficar mundialmente famoso por, supostamente, organizar festas em residências oficiais (ou seja, em edifícios públicos), com miúdas com idade de serem suas netas, algumas menores de idade, que estariam dispostas a agradar e animar sexualmente a uma corja de velhos bronzeados a troco de verdadeiros balúrdios de dinheiro e algum ou outro favor policial.

    Este é o homem mais poderoso de Itália, um líder do Primeiro Mundo, com direito a honras em Bruxelas, lugar fixo no G-8, apoiado pelo Vaticano e que, segundo leio na imprensa, ganharia de novo as eleições se se efectuassem hoje. Itália, esse estranho país que se divide entre a sofisticação do Norte e a balbúrdia do Sul, quando não aplaude a este senhor cujo aspecto mais lembra a um capo da Mafia que a um estadista respeitável, assiste a um deterioro da vida política nacional cujos protagonistas parecem sacados de um filme pornográfico. Para fazer tudo isto mais surreal, nem o famosíssimo actor porno Rocco Siffredi deixou escapar a oportunidade para elogiar o Cavalieri porque, atenção, “todos os italianos estão orgulhosos” dele porque “faz sexo aos 74 anos”.

    Sim, o homem faz sexo aos 74 anos, mas pagando, o que não faz dele um semental, que digamos. Sexo a troco de dinheiro conta? Lamento, mas não. Porque por muito macho que se sinta o Silvio rodeado de velinas nuas nos jacuzzis de palácio, o facto é que elas só estariam dispostas para as orgias e demais festarolas porque são pagas. Que tipo de homem precisa de pagar para ter sexo? Um Adónis irresistível? Um líder com um carisma indiscutível? Não parece que Silvio Berlusconi seja nada disto. Não passa de um idoso que luta cirurgicamente contra o tempo, implantando-se cabelo, botox e dentes, eternamente bronzeado para parecer o que não é – um jovem vigoroso e desejável – e que usa e abusa de um harém de Barbies recauchutadas como prolongação da necessidade genital de exercer o poder, partindo da lógica de que quem paga quer, pode e manda, sem precisar de satisfazer a outra parte. E a isto não se chama ter sexo, mas sim aliviar-se.

    Longe ficou o tempo em que a prostituição tinha essa aura romântica, quase pedagógica. A memória dessas casas de meninas que serviam para que jovens imberbes descobrissem os segredos da cama graças à generosidade de experientes meretrizes que tanto faziam de amantes como de confidentes, desvanece-se nos romances de uma época em que, dizem, o sexo dava medo, ou era pecado ou impossível de encontrar nas raparigas decentes e casadouras. Mas agora, nos tempos de correm, achar que os puticlubes cumprem uma função social, porque ali os desgraçados dos gajos encontram o que em casa lhes é negado é, quanto menos, ofensivo para os próprios homens. Então um homenzarrão de pêlo no peito não tem boca para pedir? Ou será que este tipo de homem – esse habitual da casa de alterne, o que faz a despedida de solteiro no puticlube de estrada, o que acha que as mulheres que só servem para foder – tem um conceito pecaminoso do sexo, como se fosse algo ilegal, sujo, uma coisa que não se faz com a mulher legítima, com a mãe dos filhos?

    Porque recorre um homem ao putedo? Não deve ser por falta de oportunidades: há bares, discotecas, ginásios, redes sociais, clubes de swingers, páginas web de encontros e engates, olhares fortuitos no metro, colegas do trabalho, viagens organizadas para solteiros e muita, mas muita mulher disposta a ter sexo – sexo genuíno, o quem vem do desejo entre dois iguais, da urgência da sedução. Sexo do bom, e que ainda por cima é grátis.



    Por Rititi @ 2011/03/26 | 6 comentários »


    PENTHOUSE DE JANEIRO – I HAVE SEX

    O que aconteceria se uma mulher deixasse cair no meio de um mercado de Abu Dhabi uma mala cheia de preservativos dourados à frente de dezenas de homens locais para quem o sexo é um tema unicamente masculino e a igualdade entre géneros é o maior dos sacrilégios? Que diria essa mulher, por sinal vestida com mini-shorts e blusa decotadíssima a roçar a transparência, a essa horda de machões coléricos preparados para a execução pública da tão indigna rameira? Para Samantha Jones, a protagonista cinquentona, boazuda e sexualmente liberada de Sex and the City 2, a resposta é clara: gritar bem alto “I have sex!” e sair a correr como alminha que leva o diabo antes que algum desses incomodadíssimos e certamente decentes pais de família começasse a atirar-lhe pedregulhos à cabeça em nome de Alá.

    Neste disparatado filme, sequela menor e parva de uma das séries mais divertidas e inteligentes da história da televisão, esta é a cena a reter e a mensagem para mais tarde inscrever nos anais do feminismo do século XXI. Não importa o que uma mulher, neste lado do mundo, tenha construído, ganho e conquistado, os livros lidos, a quantidade de homens que tenha amado, a que partidos haja votado, nada de isso importa quando se chega ao paraíso da pirosice e do mau gosto chamado Emiratos Árabes, uma região deserta governada por uma cambada de pastores machistas para quem a ideia da modernidade passa pela construção de edifícios mastodônticos com cúpulas douradas, ilhas artificiais e circuitos de Fórmula 1 no meio do nada. Se “poderoso caballero es don dinero”, quanto mais não será o petróleo, que faz que o Ocidente coma e cale em nome do reabastecimento dos depósitos dos nossos automóveis. Quem se lixa são elas, as mulheres, tapadas até às sobrancelhas, escondidas debaixo de panos negros, negadas de individualidade, de voz, de autonomia. Por isso o grito de Samantha Jones é fundamental: olhem para mim, isto são preservativos porque eu também faço sexo, seus anormais!

    Mas esse grito também é importante no chamado mundo livre, neste hemisfério onde todos somos iguais, onde os direitos são os mesmos, mas quando se toca o tema do sexo continua a pedir silêncio às mulheres em nome do recato que supostamente nos deve caracterizar. Uma mulher quer-se que seja uma senhora e toda a gente sabe que uma senhora não tem sexo, faz o amor. E o pior é que parece que muitas mulheres, para não ferir susceptibilidades masculinas, estão de acordo com a manutenção desse papel de “lady”, esperando sempre a ser seduzidas, a ser cortejadas, a que lhes abram a porta, as levem para a cama. Até as meninas que são capa e protagonistas da Penthouse, tão descasdas e tão depiladinhas, com o seu rabo a léu e as maminhas ao descoberto, quando são entrevistadas comentam os pratos favoritos, o que preferem dos homens (os olhos e as mãos, oh que surpresa!), como gostam de ser tratadas, mas nunca falam de sexo, como se nunca o praticassem activamente!

    E não só no tema do sexo se nos quer passivas e sossegadas. No trabalho não agradamos se somos agressivas, as feministas têm fama de histéricas mal amadas, as que usam palavões com a mesma naturalidade que os homens não passam de mal-criadonas aloucadas, as grávidas que mostram a barriga de sete meses são consideradas umas exibicionistas, putos de vinte e poucos que namoram com senhoras mais velhas fazem-no por dinheiro e nunca por natural interesse numa mulher bem vivida e potencialmente mais sábia, por não falar da fama miserável das miúdas que insistem em ter uma vida sexual activa e saltitante. Eu digo que é medo. Sim, muitos homens infelizmente têm medo de partilhar mesa e cama com uma igual, uma mulher que lhes faça frente, que se mostre forte e altiva, sem fingimentos sonsos de menininha indefesa. E não deveriam, palavra de honra. Se nós gostamos que os homens sejam fortes e valentes, audazes e potentes, porquê não haveriam eles de preferir que a mulher que os acompanha seja sexy e poderosa? Que ameaça pode constituir para um homem bem resolvido uma fêmea com voz activa e vontades bem claras? Se eu fosse homem estaria bem feliz de encontrar uma mulher com tanta iniciativa ou mais que eu, que me surpreendesse, me excitasse, me desse vontade de mais e melhor cama e que me reclamasse de vez em quando “I have sex”! Mas claro, eu gosto de homens de verdade que gostam de mulheres de verdade.



    Por Rititi @ 2011/02/24 | 6 comentários »