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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • Uma das minhas crónicas favoritas

    DOIDA DE AMOR

    Foi infanta de Castela e Aragão, arquiduquesa de Áustria, duquesa de Borgonha e Brabante, condessa de Flandres, rainha proprietária de Castela e Leão, Navarra, Granada, Valência, Galiza, Murcia, Sevilha, Jaen, Toledo, Algeziras, os Algarves e Jerusalém, Gibraltar, ilhas Canárias e Índias Ocidentais e de Nápoles e Sicília, condessa de Barcelona e senhora de Biscaia, Molina e Álava e duquesa de Atenas e Neopátria. Herdeira por sangue e legitimidade, irmã da que foi a razão do cisma luterano, mãe de quatro rainhas e dois Sacro-Imperadores, fluente em latim, francês, português, catalão e castelhano, dotada para a música, dança e poesia, princesa educada sem mais pretensão ou sexo que a de ser, um dia, líder, consorte ou rainha. E, no entanto, ficou conhecida para a história, as artes e a lenda popular simplesmente como Joana, a Louca.

    Em pleno século XVI, numa Europa de Estados embrionários e coroas com ânsias de expansão, a política internacional exigia o sacrifício da prole e os Reis Católicos, Isabel e Fernando, foram os mais hábeis estrategas do seu tempo. Portugal, Inglaterra e a casa de Habsburgo foram os destinos escolhidos pelos grandes engenheiros do que hoje conhecemos como Espanha como os alvos de uma conquista que só o sangue e o tempo lhes daria razão. E Joana, a terceira de cinco filhos com destinos desiguais, foi encarregue de garantir, com 17 anos, os laços dinásticos e económicos de Castela e Aragão cansando-se com Filipe, o Belo, filho de Maximiliano I de Áustria, o Sacro-Imperador romano-germânico. E lá foi ela, de barco e inocência, a caminho da rica e pecaminosa Flandres.

    Mas a História não se escreve só com pactos e casamentos. Não imaginavam os Reis Católicos, tão devotos e entregues à contemplação mística, que a sua promissora e culta menina ficasse subitamente rendida aos encantos físicos do prometido. Tal foram os calores uterinos provocados pela beldade flamenga que Joana – a poliglota, a leitora de filosofia, a grande esperança da diplomacia castelhana – exigiu um casamento instantâneo, sem mais cerimónias que a formalização do que sentiu assim que olhou para Filipe: um amor desmedido. Sim, Joana enlouqueceu, mas de amor, como todas as mulheres que amam porque sim, que têm a certeza que este é o sentimento pelo que vale a pena viver. E morrer. Filipe, uma vez saciada a curiosidade naquela carne espanhola, prosseguiu as suas conquistas viris noutras camas, noutras peles, fazendo de Joana a heroína de uma história de ciúmes e perseguições, pois esta mulher não entendia que um marido que a tomava de um modo tão ardente, tão real, que a desejava e amava debaixo dos lençóis com toda a potência do físico, não se bastasse unicamente com a sua paixão. E assim começou a lenda e o fim de Joana. Desnorteada, vagava pela corte, demandando do consorte entrega e fidelidade, mostrando aos súbditos os desassossegos de um corpo carente de amor e sexo. A morte repentina de Filipe deixou um cadáver recente e uma viúva desesperada, uma rainha sem cabeça para a coroa e o caminho demasiado fácil às guerras palacianas.  E a solução foi o cativeiro de Joana, como uma princesa dos contos da carochinha, num castelo frio e triste. Mas nenhum príncipe apareceu montado num corcel branco para a salvar da sua torre de melancolia e tristeza e ela foi-se deixando morrer nas névoas da saudade, agarrada à memória de um fantasma belo e traidor, durante 46 anos. Morreu rainha e só.

    Estava assim tão doida a Joana? Talvez fosse esquizofrénica, talvez o amor lhe tenha podido com o sentido das coisas ou talvez se estive borrifando bem de alto para a dinastia Trastâmara, a fatalidade da Ibéria ou o que de ela se sussurrava nos corredores de palácio. Talvez só não gostou de ver como o marido se acamava com a sua aia de confiança e montou-lhe umas cenas valentes, dramáticas e talvez patéticas. Certo é que não foi mais maluca que Calígula, Rasputine, Filipe V de Espanha ou Henrique VIII de Inglaterra. Só que a eles, paranóicos, suicidas ou dementes, não lhes arrebatou esse poder incontrolável que suprime a vontade e a calma e que não se compra nem com a promessa da eterna juventude. Eles foram violentos, assassinos, cruéis, injustos e medonhos por vezes, mas nunca depostos do poder, mesmo sendo doidos de atar e um perigo para os seus semelhantes. Mas a Joana de Castela o que a perdeu foi a sinceridade das vísceras, esquecendo que esta naturalidade no sentir serviria como argumento perfeito de ataque aos seus inimigos políticos (começando por Felipe, o Belo): a feminidade no seu esplendor, reflectida na suposta incapacidade de toda mulher para dominar o útero, as hormonas e as emoções mais básicas. Hoje trataríamos a loucura de Joana com pastilhinhas às cores e um par de visitas ao terapeuta, mas não deixa de ser curioso ver como passados quinhentos anos as mulheres continuam a ser questionadas pela falta de controlo ou serenidade, como se nos faltasse o parafuso do sentido comum por oposição aos cabais homens. Deixamos cair uma lágrima e estamos péssimas dos nervos, prontinhas para o internamento, dizemos palavrões e somos umas rameiras e amigas pouco recomendáveis, apaixonamo-nos e já nem sabemos o que fazemos. Histéricas, já o disse Freud. E pouco mudou deste então.



    Por Rititi @ 2010/09/14 | 6 comentários »


    re post proposito da radio blogue da

    Re-post a propósito da Rádio Blogue da Bomba Inteligente

    TRINTA POR CENTO

    Em Portugal trinta por cento dos deputados serão mulheres por força da lei e da maioria parlamentar. Trinta por cento, que nem é metade, nem chateia demais o cinzentismo de gravata da Assembleia e cala as vozes das feministas, essas gordas histéricas por depilar que exigem disparates como a despenalização do aborto ou a criação de mais creches públicas. Usando os valores do 25 de Abril que tanto jeitinho dão quando a valentia política não chega para mais, os responsáveis pelo desenvolvimento do meu país decidem que desta maneira absurda se resolve “esse problema” que, acham eles, é a dificuldade de acesso da mulher ao Poder. Arruma-se o decreto na prateleira das boas intenções e o país já pode continuar a debater temas de verdade, os importantes, como a falência da Segurança Social ou os filhos que ninguém quer parir, sem que nenhum dos nossos excelsos senhores deputados tenha reparado na ligação uterina desses dois assuntos à mulher.
    A metade da população do país, quando não é ignorada, é tratada com pinças, fechada num dossier que se vota, se eleva a categoria de lei e, com muita sorte, salta à imprensa como polémica fugaz. De repente não há mulher decente que se reveja no sistema de quotas, nenhuma quer ser empurrada para o gueto dos desprotegidos. Se somos iguais, porque nos querem tratar como inferiores? Acaso não estudamos, acaso não pagamos impostos e a metade da prestação da casa, da escola, da compra do supermercado, dos jantares nos restaurantes?
    O problema é que não somos iguais. A nenhum homem que eu conheça lhe perguntaram numa entrevista de emprego se tinha filhos. E a nossa República, tão masculina, está tão obcecada com o Poder que não teve os tomates para compreender que o que a nós nos tira do sério é não ter as mesmas oportunidades reais que eles. E essas oportunidades reflectem-se nas reuniões da escola, na gestão da casa, na doença dos filhos, como se o ónus da maternidade nos excluísse automaticamente de uma carreira a favor da deles. Eles caçam e nós tratamos da caverna, na esperança que as mentalidades vão mudando com tempo ou algum milagre. Mas as mentalidades também se alteram com a força da lei. A paridade não acontecerá nunca se as mulheres ganham em média quarenta por cento menos por trabalhos iguais. Essas são as percentagens que deveriam importar e não que um terço da Assembleia use saias e tenha que sair mais cedo para ir buscar os miúdos ao colégio.

    (Crónica publicada na Revista Atântico em Março de 2007)



    Por Rititi @ 2008/12/09 | 8 comentários »


    acho que esta cronica antiga faz

    ACHO QUE ESTA CRÓNICA ANTIGA FAZ SENTIDO HOJE

    FEMINISTA, EU?

    «Porque tu, no fundo, és uma feminista». Ser contra o maltrato, a mutilação genital, a burka e a descriminação salarial não faz de mim senão uma pessoa sensata e consciente dos problemas concretos do que se poderia chamar o «meu género» e não uma exaltada activista dos direitos femininos. Aliás, nem todas as mulheres estamos feitas para o feminismo (pelo menos para o conceito estereotipado e antipatriarcal). É um exercício duro, que implica o ensaio diário da desconfiança contra o meio, está mal visto pelos argumentistas de séries de televisão e – recordando o histórico visual das grandes líderes – provoca miopia, daltonismo, crescimento acelerado de pelugem na sovaqueira e flacidez nas até agora consideradas zonas eróticas femininas. São demasiados os inimigos das feministas, demasiadas as causas da opressão, demasiadas as razões para estar sempre de punho levantado e um único culpável pela desigualdade salarial, social, económica, legal, familiar, legislativa, laboral, física, educativa e sexual. Razões, bem vistas as coisas, não nos faltam para a vingança concreta e dolorosa, mas acontece que o alvo favorito das feministas é tão precioso como indispensável: o macho. E a mim, sinceramente, custa-me acreditar nas bondades de um mundo sem homens, sem futebol, sem pugilismo e sem revistas de automóveis.
    E entre as dúzias de razões que me afastam do feminismo está a falta de autocrítica a que fica reduzida este movimento, que mais facilmente prefere sentir-se vítima que reconhecer que muitos dos perigosos preconceitos machistas são transmitidos pelas mães, incapazes por educação, riqueza ou valentia de inculcar o conceito de igualdade entre os sexos. Os grandes pecados do feminismo são a excessiva condescendência com os nossos medos – uterinos ou não – e o constante apelo à maternidade para rebaixar os homens ao nível do fornecedor da semente. As fêmeas somos uma espécie de deusas da vida enquanto eles, coitados, não passam de garrafas de espermatozóides em busca de um lar. Por não falar do rumo que nos últimos tempos têm tomado alguns sectores do feminismo, que sacam as unhas para demandar o que consideram um retorno à real essência do feminino: o importante e menosprezado acto de parir. Um horror. Senão reparem. Parece ser que à «mulher de verdade» já não lhe basta com trabalhar doze horas como executiva terminator, andar sempre impecável sobre uns saltos assassinos, saber combinar cozinha japonesa com a tradição alentejana, estar casada com um Ken qualquer de classe média-alta, votar esquerda e a favor do aborto, ter três filhos poliglotas e um Audi na garagem. Atrás ficou a paridade social e a luta de sexos. Porque agora as feministas lembraram-se que afinal o que aflige a mulher é o preconceito médico, científico e até social, incapaz de entender que ter filhos é tão natural como a vida mesma, a água que corre pelos rios e o canto dos passarinhos. A classe médica, esses fascistas de bata branca, só pretende despachar o parto o mais rapidamente possível para ir jogar golf com as suas amantes as enfermeiras, fazendo uso de instrumentos medievais de tortura como o poldro obstétrico, a sala do hospital ou o corte vaginal.
    No verão de 2006 a jornalista espanhola Rosa Montero chamava a atenção desta terrível realidade na sua coluna do suplemento de domingo do El País, indignada pelo «trauma, pesadelo e sensação de maltrato» a que estão subtemidas as mulheres em Espanha e na América Latina (imagino que Portugal também entre no seu estudo de países terceiro-mundistas e brutais para as parturientes). Lá fora, na Europa civilizada, vitaminada, multicultural e oxigenada as mulheres parem naturalmente num lugar cómodo (a casa, uma tenda de campanha hippie, rodeada de baleias) e : «enquanto dura a dilatação as mães podem mexer-se cómodamente y fazer uso dos meios naturais para paliar a dor: tomar banho, receber uma massagem, sentar-se em grande bolas de borracha». O parto, imaginem, pode demorar horas (dias!), até que o bebé, se a natureza, Deus ou a massagista quiserem, nasça (vivo ou morto, com ou sem paralisia cerebral) e a mãe, essa vaca, tenha sofrido as maiores barbaridades porque em nenhum momento é aceitável a anestesia. Morte à Medicina Moderna! Viva o Matriarcado! E se a criança morrer, que caramba, a mulher pode conceber mais! Ou não é para isso que estamos?
    A mulher, concebida como uma égua, um animal, um ser menor sem curso universitário, sem cartão de contribuinte, sem compromissos sociais, sem horários, sem direitos adquiridos, é assim que a tratam estas desocupadas defensoras da suposta feminilidade natural e real. A mulher despojada de dois mil anos de civilização, reduzida à úbere e trasladada à caverna dos Cromagnon. Este é o feminismo de que renego e que não faz favor nenhum às mulheres que exigimos a paridade salarial, efectivas medidas que permitam a conciliação da vida laboral e familiar, o fim dos abusos de poder físico e sexual ou a discriminação de carácter religioso ou cultural. Feminista eu? Assim, não.
    (publicado na Revista Atlântico, Novembro de 2006)



    Por Rititi @ 2008/05/05 | 3 comentários »


    nus recostados viver em madrid alheia

    NUS RECOSTADOS

    Viver em Madrid, alheia à frenética actividade cultural portuguesa tem as suas consequências mais ou menos desastrosas: palavra de honra que não sabia quem era essa promessa das artes cinematográficas pátrias chamada Soraia Chaves até o dia em que o EL PAIS a entrevistou. Protagonista total da última página do jornal, a jovem foi retratada pelo Miguel Mora, o correspondente em Lisboa, como o requinte da sensualidade lusitana (“os olhos, a boca, as maçãs do rosto, a cabeleira, a pele branquíssima, o top, os dentes brilhantes, os saltos altos de agulha, as calças de ganga debaixo da cueca de fio dental bege…”), um ícone sexual com uma fome a roçar a lascívia (“de maneira que pede um ensopado de borrego, franze os lábios, sorri com uma excitação que parece involuntária, coloca o decote na vertical do prato e devora-o com uma curiosa mistura de glamour y apetite”) e a razão pela qual vale a pena tirar o curso de jornalismo, nem que seja só para almoçar amêijoas à bulhão pato com a mulher que encheu as salas de cinema portuguesas graças às cenas tórridas protagonizadas num filme chamado Call Girl. Nunca Shakespeare foi tão inútil para roçar os 200.000 espectadores em menos de um mês e nem falta que lhe parece fazer à moça, pois ela mesma afirma ao jornalista ao ponto do colapso cardíaco que “o meu corpo é lindo. Porque não mostrá-lo?”.
    E com estas francas afirmações ainda na retina e a verificação do meu evidente estado de prenha de sete meses e setenta (e um) quilos, meto-me no Museu Thyssen-Bornemisza em hora de ponta para ver a exposição de outros corpos nus, os pintados por Modigliani, sensualmente reclinados sobre fundos vermelhos, expoentes da sensualidade do Montparnasse do principio do século XX e o motivo da enchente do museu madrileno antes da hora de almoço. Excursões de adolescentes em pleno apogeu hormonal e senhoras reformadas com ânsias de expansão cultural quase impediam o normal visionamento dos quadros de mulheres nuas, lindas e no auge da sexualidade mais extrema, a dada pela nudez sincera das nádegas, das coxas, dos peitos que se apresentam firmes e cálidos nas paredes da minha pinacoteca favorita, a de Carmen -Tita Cervera -Thyssen, hoje digna e milionária mecenas das artes pictóricas e há três décadas atrás também ela protagonista pela nudez da capa da revista Interviu. Com um peito de fora, uma maminha discreta e sem os aditivos do látex actual, ali estava a Baronesa Thyssen em 1977, muito comedida e pacata se comparada com qualquer imagem que possamos encontrar hoje no Google da nossa bomba sexual lusa Soraia Chaves. Vendo as fotos qualquer um diria que há problema de chuva em Portugal, tal a quantidade de humidade no ar e no corpo enxuto da jovem artista, credo.
    É assim o escândalo: não é o nu que ofende, mas o olho que o procura. Que o digam aos usuários do Metro de Londres, que antes de abrir a boca já tinham sido proibidos de ver o cartaz de uma exposição de um pintor do S. XVI na Royal Academy of Arts por exibir o corpo de uma Vénus nua de gargantilha ao pescoço. “Devemos respeitar todos os viajantes e tentar não ofender ninguém”, dizem os responsáveis pelas sensibilidades suburbanas londrinas, talvez cientes dos distúrbios provocados no Paris de 1917 por uma populaça indignada pela quantidade de mulheres nuas pintadas por Modigliani como belas adormecidas após uma doce noite de haxixe e luxúria. Se eu trabalhasse no Metro também não queria ver turbas moralistas a queimarem quadros de virgens da Renascença. Pergunto-me se as autoridades metropolitanas também teriam tido tanta cautela se em vez de uma Vénus o cartaz reproduzisse o corpo de um fornido, musculoso e definido Adonis, um super-macho que espevitasse da modorra matinal as enfermeiras, as contabilistas, as antropólogas e as executivas agressivas contribuintes do PIB inglês. Questão de menor quantidade de libido na retina feminina? Talvez para os censores da moral pública as mulheres não sejamos ainda o suficientemente badalhocas para sermos susceptíveis de ofensa pela nudez. Como muito, somos um entretém para a publicidade de roupa interior da Armani com um David Beckham excessivamente recheado nas partes pudendas, motivo de reportagens “engraçadinhas” nas televisões sobre as reacções de mulheres medianamente excitadas com o potencial debaixo do boxer de uma estrela mediática.
    Remata Soraia Chaves a entrevista afirmando sabiamente que em Portugal há “muita hipocrisia camuflada, falso pudor, repressão, prejuízos, machismo, pouca liberdade”. E que agora vem viver para Espanha. Nem imagino as dificuldades pelas que deve ter passado a jovem Soraia neste país onde sobrevivem tantos preconceitos machistas, tanta ditadura pelo que dirão, tantas normas não escritas sobre o suposto comportamento da mulher, desde se deve beber em público quando o homem não o faz, interromper o chefe numa reunião com clientes ou deixar de trabalhar quando tem filhos. Mas posso dizer-lhe, amiga, que lhe vai fazer bem viver em Madrid: o que aqui não faltam são mulheres bonitas e, sobretudo, gajas realmente boas e prontas para sair à rua e lutar sem piedade e com sutiãn de recheio por uma sociedade sem
    hipocrisia camuflada, falso pudor, repressão, prejuízos e machismo à base de golpe de decote e orvalho sobre a pele húmida e turgente. Quem sabe se não estaremos perante a nova líder do post-feminismo do fio dental, vallha-nos Deus.
    (Com um grande beijo para o Paulo Pinto Mascarenhas)



    Por Rititi @ 2008/04/07 | 2 comentários »


    mais uma mulher sexy e machista e bem

    MAIS UMA

    MULHER SEXY É MACHISTA

    “E bem feita também para a Ryanair, essa companhia aérea gerida por uma cambada de sexistas malfeitores que publicou a meados de Dezembro um calendário de hospedeiras em biquíni com o fim de ajudar uma associação benéfica infantil chamada Angel Quest. Graças à sinistra, mas atenta, associação “FACUA -Consumidores en Acción” a companhia, antes conhecida por vender bilhetes de avião mais baratos que uma bica, passará a engrossar as filas de empresas denunciadas por usar imagens degradantes para o género feminino. Quem lhes manda aos responsáveis da companhia sacar proveito das mamas do pessoal de bordo?
    Ninguém. A verdade é que a brilhante idéia de aparecer com o rabo alçado dentro do cockpit a soprar sensualmente o colete salva-vidas foi das próprias hospedeiras que copiaram uma iniciativa até ontem considerada inofensiva. Acontece que a miúdas esqueceram-se da sua “condição” e não se lembraram de pedir autorização ao Instituto da Mulher, aos meios de comunicação bem pensantes, às feministas por depilar, à Brigada dos Amigos das Mulher, à esquerda paritária e a todos aqueles que se apresentam como porta-vozes dos direitos do género feminino porque nos acham inferiores, incapazes e directamente estúpidas. (Daniel Oliveira, do Bloco de Esquerda, a propósito da polémica sobre a cerveja Tagus referia-se à inconveniência de fazer anedotas sobre os gays e as mulheres, porque são minorias. Uma alegria.)”

    Mulheres à Solta, na Atlântico número 34.



    Por Rititi @ 2008/01/06 | 4 comentários »


    atlantico do mes ou decima vez que

    ATLÂNTICO DO MÊS, OU A DÉCIMA VEZ QUE ESCREVO SOBRE A LETIZIA

    “…. Já a Letizia Ortiz, senhora de Borbón e Princesa das Astúrias, aparece sempre trombuda, com um ar manifestamente antipático e não só distante como incómodo. Um frete de mulher que se veste com conjuntos de solteirona virgem e cuja imagem afasta uma Espanha que desde que se constituiu como Estado sempre se mofou da realeza e que encontrou nesta jornalista um alvo perfeito para maldizeres e canalhadas várias. Talvez a culpa nem seja dela, mas sim de uma Casa Real demasiado presa no Protocolo e confusa nas formas como uma futura rainha se deve comportar em público. Um disparate como a calaram, uma perfeita idiotice aquele beijo na face no dia do casamento, uma castração do mais cruel como lhe cortaram o cabelo, lhe desceram a bainha das saias e lhe podaram a espontaneidade que só beneficiava e refrescava a Instituição. Se por um lado tudo isto a inibe de responsabilidades maiores, também é verdade que Letizia não se soube adaptar à crueldade de um povo que tem como portavozes supostos peritos em Casas Reais que não suportam ter entregue a Monarquia a uma divorciada com apartamento próprio, locutores de rádio pertencentes a uma certa direita saudosista dos tempos da águia e a censura mas que não se atrevem a criticar a figura de Juan Carlos e um grupelho de desocupados que enchem estudos de televisão para difamarem a honra, o bom nome e reputação de uma mulher que o único que fez de mal foi casar por amor…”


    Por Rititi @ 2007/11/04 | 3 comentários »


    leonor de aquitania leonor duquesa de

    LEONOR DE AQUITÂNIA

    Leonor, duquesa de Aquitânia, andava à solta. Talvez demais para o gosto do seu primeiro marido, o beato e centenas de vezes coroado pelas infidelidades da mulher, Luis VII, o rei com a virilidade mais questionada da história de França. E não porque fosse rabeta, mas sim pelas continuas afrontas da duquesa, que em vez de se manter discreta, no segundo plano que se pretendia para as grandes damas do Século XII, revolucionou camas, tratados de guerra e até uma Cruzada à Terra Santa só porque lhe apetecia. E porque podia: quando se é a mulher mais rica da época, herdeira de uma impressionante bagagem intelectual e senhora de meia Europa não é um marido que impõe os limites da cama nem do poder, e muito menos um homem como Luis VII, inseguro ante tanto alarde de vontade própria, independência económica e uma líbido sem obrigações conjugais.
    Em vez de se pôr à altura da franqueza física e moral de Leonor, Luis optou por se acobardar, aceitando tacitamente que a mulher procurasse nos braços de inúmeros amantes a compreensão e a felicidade que tanto o assustava dar-lhe a uma mulher sem pudores mentais. Ao pouco tempo e por exigência da própria Leonor, o Vaticano concedeu-lhes o divórcio. O resto da história já é conhecida: Leonor, de 29 anos e considerada velha, casou com um imberbe Henry II; deu-lhe oito filhos – ente eles Ricardo Coração de Leão e João Sem Terra – promoveu o estudo das artes e potenciou o amor cortesão, os trovadores e as lendas do Rei Artur numa Europa habitada por analfabrutos assustados com o Fim do Mundo; viveu como quis e morreu com mais de oitenta anos, feliz, rica e com todos os dentes na boca.
    Passaram-se oitocentos anos: Fernão de Magalhães e Camões orgulharam Portugal, Mozart compôs a Missa da Coroação, duas Guerras Mundiais assolaram o mundo contemporâneo, a democracia banalizou-se com a mini-saia, o frigorífico e a pílula, Herman José perdeu a piada e ainda assim continuam a causar consternação mulheres como Leonor de Aquitânia, independentes, valentes e com poder absoluto sobre o seu próprio destino.
    Com a Europa levantada como a civilização mais importante da História, curioso é observar como prevalece para as fêmeas um comportamento estereotipado em todos os âmbitos da sociedade, potenciado desde as tradições machistas até ao sistema de quotas que o politicamente correcto pretende perpetuar. E se uma mulher ignora olimpicamente os modelos impostos, ansiosa de ser indivíduo antes que uma “condição”, incorre no risco de ser recordada na História como a pior das Salomés, uma desvairada papa-homens ou simpaticamente “fogosa”. Ou então de encontrar um homem à altura, que é o que acontece na maioria das vezes a aquelas mulheres que não têm medo dos boatos nem das reuniões de beatas para serem felizes.


    Por Rititi @ 2007/09/18 | 1 Comentário »


    uma gaja na capa da atlantico verao

    Uma gaja na capa da Atlântico!!!



    Verão Azul

    “E quando vejo, ao fim do dia, as famílias a dobrarem as cadeiras de lona, a fecharem os guarda-sóis, a lavarem as lancheiras já vazias com água do mar, quando as velhas de fato de banho preto vestem a bata e levam os netos adolescentes acabadinhos de se apaixonarem para casa, então eu percebo que Verano Azul só poderia ter saído da cabeça de alguém que se sente no verão mais descontaído que nunca, com mais capacidade de amar e jogar ao dominó, de conversar sem tensões com desconhecidos em esplanadas com vistas para o mar e dormir de perna aberta. Porque Verano Azul, como todos os verões da nossa infância, levam-nos de novo a esse tempo quando brincar na areia era a actividade mais importante do dia e no frigorífico sempre nos esperava uma jarra de Tang de laranja bem fresquinha. No fundo isto é o verão, um lugar bonito onde amanhã não escola.”


    Por Rititi @ 2007/08/02 | Sem comentários »


    um homem que nos toureie comodamente

    UM HOMEM QUE NOS TOUREIE

    Comodamente sentada no tendido 2 da praça de touros de Las Ventas, salto alto, gin tónico e à sombra, aplaudo a brilhante faena de Morante de la Puebla ao sexto da tarde. Lá em baixo, o toureiro dá a volta ao ruedo, com a testa rasgada por um violento pitonazo do quinto e a camisa manchada de sangue, orgulhoso da dureza do combate, a cabeleira farta e escura despenteada e eu, desarmada ante tanta arte, admiro essa pose, ai a pose, do herói que precisam estes tempos modernos, esse ser quase imortal, perfeito, o macho em estado puro. E penso, embriagada de tanta valentia, olés e álcool, que assim deveriam ser todos os homens, invencíveis, poderosos, que sozinhos ante a besta são capazes de levantar do seu sítio 23.000 pessoas e pô-las a pedir orelhas. Mas como todas as ressacas, a morantista também se cura à base de ordinária realidade e hoje, rodeada de obrigações laborais e muito mais sóbria, acredito piamente que pouco favor nos fariam os homens se nos obrigassem a vê-los todos os dias de meia cor-de-rosa, maillot e algodão na entreperna. Porque o mundo real não é uma praça de toros e nem todos os homens têm o rabo de Morante de la Puebla.
    (na Revista Atlântico de Julho, já nas bancas)


    Por Rititi @ 2007/06/29 | Sem comentários »


    ainda estao tempo de comprar revista

    AINDA ESTÃO A TEMPO



    de comprar a Revista Atlântico

    As Brigadas dos Amigos da Mulher

    “... A condescendência é uma perigosa lupa que deforma a realidade e reduz as mulheres ao nível dos ursos panda, uns bichinhos amorosos, bonzinhos, queriduchos e completamente inúteis que de tão ingénuos roçam a imbecilidade. Se as pelos vistos “Belas” se meterem no engendro da TVI foi porque os vigias da nivelação não as puderam alertar de quão humilhante é para a condição feminina este tipo de concursos que as obriga a vestir cintos microscópicos e alegrar o povão com a sua espantosa falta de cultura geral. E se são mais burras que as galinhas, culpemos então o Estado, a televisão, a Igreja, os pais tiranos, a falta de apoio psicoemocional na adolescência, a globalização e a queda do sistema comunista, tudo vale, mas nunca a elas, por muito que tenham desistido do liceu para servir copos a lambuzas numa discoteca periférica, sejam alérgicas a qualquer coisa encadernada ou não precisem saber quem é o Jorge Sampaio para dormirem descansadas. Para as Brigadas dos Amigos da Mulher elas só são umas vítimas, todas as mulheres o são, e deveríamos estar indignadas, queimar a sede da TVI e, sisudas e mal-encaradas, impedir ser a chacota dos outros!



    Por Rititi @ 2007/05/08 | 2 comentários »