
Por Rititi @ 2012/03/08 | Sem comentários »
Oh baby, please don’t let me be misunderstood

Por Rititi @ 2012/02/02 | 2 comentários »

Voltei a caber na 38. Voltei a comprar vestidos curtos. Voltei a pesar 57 quilos. Mas não voltei ao meu corpo. Explico-me. As minha mamas, as desgraçadas, não são nem a sombra do que foram num passado glorioso, aquelas mamas soberbas que tantas alegrias me deram. Nada, uma pena, maravilhas da maternidade, do aleitamento materno e da puta da gravidade. E tenho na barriga uma bóia de banha com todo o aspecto de querer ficar-se instalada com carácter permanente, a ordinária. Ah, e as ancas alargaram. Desta não estava à espera. Nem sei que dizer em relação às minhas ancas novas, nem se gosto, se desgosto, ainda nos estamos a conhecer, dêem-nos tempo. Ou seja, tenho um corpo antigo cheio de aplicações novas. Mas, olha, estou contente. Vejo-me ao espelho dentro deste vestidinho novo que comprei a semana passada na Zara por, acho, trinta e tal euros, e acho-me gira, mesmo gira. Ora se eu marco 36 anos no BI e pari dois filhos, porque carga de água o meu corpo deveria ter 25? Sim, claro, posso matar-me a spinning e a disparatadas corridas de duas horas à volta do Retiro, puxar as mamas para cima, besuntar-me com cremes anti-idade, recachutar-me e remodelar-me, mas o meu corpo continuaria com 36 anos. Posso voltar a pagar 140 aurélios por duas aulas semanais de pilates, mas a quem quero enganar? Quero parecer a idade que tenho. Não quero ser a Demi Moore, nem a Sharon Stone, que, desculpem-me, não estão nada bem para a idade que têm porque elas odeiam (por muito que confessem às Vogues e Elles o sábias que se sentem) ser velhas, têm horror dos braços flácidos e das rugas do pescoço. E isso não é estar bem, é ser-se muito infeliz com o corpo, com o esqueleto que nos sustenta. É ser-se escravo de uma fantasia absurda. E eu não quero que essa fantasia me persiga quando fizer 40 anos e a celulite acampar alegremente nas coxas, ou quando aos 50 as minhas mãos apresentarem rugas e manchas. Não é resignação, é aprender a sorrir todos os dias quando me olho ao espelho.
Por Rititi @ 2011/07/08 | 8 comentários »
Há dias em que eu nem sei o que sou. Se em relação ao post sobre Strauss-Khan me enviaram e-mails furibundos a chamarem-me feminista histérica e recalcitrante, no outro dia, durante um jantar, quase fui apelidada de machista a propósito do caso da ministra de Defesa espanhola que aceitou o cargo estando grávida e que decidiu não gozar a totalidade da baixa maternal. Como já escrevi aqui, algures em 2008, acho um piadão de primeira que enquanto o Parlamento Europeu tenta que a baixa maternal se amplie a cinco meses para todas as mães uma ministra socialista diga, através dos seus actos, que não precisa de estar o tempo todo que a lei lhe permite com o seu filho, porque é ministra e tem que governar o mundo, os exércitos, o caralho. Se a directora geral de uma empresa privada não quer, é problema e decisão dela (e de todas as suas subordinadas, claro), mas que a mesma ministra que se apresenta como estandarte do feminismo porque passa revista às tropas prenha de sete meses transmita a mensagem que a baixa maternal é prescindível, fode-me soberanamente. Pode-se partilhar a baixa com o pai? Sim, claro, mas estamos a falar de símbolos, da necessidade de dizer aos empresários (os mesmos que não têm o mínimo problema em despedir grávidas) que quando temos um filho precisamos, mãe e filho, de tempo (superior a seis semanas) para nos conhecer-nos, para aprender a amar, não se trata só de alimentação ou de dar o peito. E que uma mulher se comporte igual que um gajo não é sinónimo de paridade, nem de igualdade, estes dois estandartes a que se agarrou este nefasto e ridículo governo de Zapatero. Chamem-me machista, vá lá, por achar que a maternidade vai mais além de parir, que os bebés precisam do cheiro, da nossa voz, do roce, do amor da mãe. E não acontece nada nem se acaba o mundo se durante quatro ou cinco meses se para um bocadinho. Mas claro, é mais importante ser ministra de Defesa.
Por Rititi @ 2011/06/09 | 8 comentários »
À falta de tempo para escrever deixo-vos este belíssimo texto da Ana Margarida Craveiro
Evidências que não o são – condição feminina
Surpreende-me que em pleno século XXI ainda seja preciso discutir este género de questões:
1. em Portugal, um violador de uma grávida de 8 meses (pior, um prestador de cuidados médicos) sai impune, porque a juíza considera que não houve violência (é a chamada violação gentil, ou com jeitinho). Como se uma violação não fosse violência suficiente.
2. em Inglaterra, discute-se a diferença entre violação a sério, e violação mais ou menos (parece que há umas que têm vontade de ser violadas).
3. em França (e também por aqui), um homem poderoso é um santo, e tudo o que faz em privado são meros pecadilhos (incluindo a tentativa de violação). A polícia e o sistema judicial são abusadores deste mesmo homem, ou jogadores numa teoria internacional de conspiração. A vítima? Não interessa nada, é só uma empregada de hotel.
Um problema europeu? Pois, parece bem que sim. Na Europa, aparentemente é perigoso ser-se mulher. E eu confesso que não o sabia.
(no Delito de Opinião)
Por Rititi @ 2011/05/19 | 2 comentários »
“Portugal é um país de egoístas, de preguiçosos, de pessoas que até queriam ter mais filhos mas não dá é a crise temos de ser responsáveis mas que fico com pena fico porque o meu santiago merecia um irmão ele que merece tudo não lhe dou o suficiente, que ficam em casa dos pais e precisam de comprar o último modelo do tdi que já tem gps dá imenso jeito também fico só a pagar mais 46 euros por mês, um país de filhos únicos, filhos simultaneamente mimados e ignorados, príncipes do vazio, ligados a todas as tecnologias, a todas as redes, ele merece tudo, é o meu anjo, esperei 39 anos por ele, que não tem culpa, eu vi o que aconteceu à carreira das que engravidaram antes dos 30, onde estão elas agora?, não se chega a sub-directora ficando em casa a mudar fraldas, se não fosse o divórcio se calhar tinha ido ao segundo, mas era irreconciliável, já só gritávamos, agora que olho para a nossa lua-de-mel tudo me parece há anos sem fim, foi só há quatro, o Vietname é lindo naquela altura do ano, o governo não apoia a natalidade, a culpa é da licença de maternidade e dos benefícios fiscais, ter filhos é um sacrifício muito grande, abdica-se de muito, a qualidade de vida baixa e agora uma pessoa já estava habituada, é a crise, é a crise, estou atrasado para o concerto de logo à noite.”
Lourenço, no grande Complexidade e Contradição.
Por Rititi @ 2011/04/27 | 11 comentários »
A modos de explicação: gajas giras

Por Rititi @ 2011/04/02 | 1 Comentário »
Por Rititi @ 2011/03/09 | 2 comentários »

Não só é horrendo o vestido, fica-lhe mesmo mal. As alças demasiado finas, um decote incapaz de segurar a fúria da maternidade, mamas que sobram por todos os lados, o elástico da cueca de gola alta que aperta as carnes, a insinuação da barriga, os brilhos deste tecido mais próximo ao look Miami Beach que ao glamour que se deseja na red carpets dos Oscars, esse cabelo lambido estilo boazuda latina das telenovelas mexicana… Muito mau tudo. Mas a Pe não é um trambolho, só uma recém parida que fez um esforço brutal para lutar contra a hormona, a neurose pós-parto e os quilos a mais para se enfiar num vestido, subir-se aos saltos altos, banhar o cabelo em botox (pelos vistos a última das invenções holiudienses) e mostrar-se ao mundo com as mamas a abanar e os braços flácidos. As que somos mães, as que lutámos (e continuamos a lutar) contra um corpo que não nos pertence, as que levamos todas as manhãs uma chapada da puta da bóia abdominal, as que nos enfrentamos a umas mamas balofas e tristes que tantas alegrias já nos deram no passado, sabemos do sacrifício mental que supõe sentir-se sexy, desejável, bonita quando o espelho, o armário, as ancas e as calças de ganga nos dizem o contrário. Por isso, Penélope, olé tus ovários, chica, e que viva o grelame pós-parto mesmo que o vestido seja um horror e não te favoreça para nada!
Por Rititi @ 2011/03/01 | 10 comentários »
Meninas nuas e violência de género
A leitora Inês, ali em baixo, diz não perceber “como é que se pode escrever e fazer publicidade a uma revista de pipis e mamocas” e ao mesmo tempo dedicar uma crónica ao tema de violência de género onde me posiciono claramente a favor de uma lei que considera à partida as mulheres sempre vítimas e os homens sempre culpados; uma lei, por tanto, injusta mas necessária. Pode uma mulher como eu, feminista, clara defensora da igualdade e profundamente em contra da prostituição e que poria uma bomba em todos puticlubes começando pelo Elefante Branco, enfim pode uma mulher que acha que Portugal continua a ser um país estupidamente machista escrever numa revista onde as gajas aparecem com o pipi tão depilado que estão à beira da bronco-pneumonia e a debitar grandes sentenças como “gosto de sushi e também de bifinhos com cogumelos”? Pode, sim. Afinal, estas meninas, recauchutadas, rasuradas e a quem os tangas lhes devem dar imensa comichão porque estão sempre a coçar-se o que querem mesmo é que ser fotografadas para as páginas centrais como as gajas boas que se acham que são, sem cuequinha e com o rabinho alçado a subir as escadas do prédio. Que as revistas como a Penthouse perpetuam a ideia da mulher objecto? Ó pá, sim, claro. De objecto sexual, aliás. Duvido que a menina da capa queira outra coisa quando se aperta as mamas com aquele arzinho matreiro. Nem ela nem a namorada do Cristiano Ronaldo quando se deixou fotografar nua para a GQ ou nem a Paz Vega quando se arma em madame de casa de senhoras finas para a DT. Mas querer ser o objecto de desejo de milhares de homens não implica coisificar-se, deixar de ser gente, possuidora de direitos. Ser o objecto de desejo do meu marido não me retira dignidade. Sou algo mais que uma gaja boa, como as miúdas que aparecem na Penthouse ou na Playboy, que quando se vestem continuam a ter preferências musicais, direito ao voto ou prazer em comer bifinhos com cogumelos. Aliás, achar que os gajos que compram estas revistas só são capazes de olhar para as mulheres como seres fodíveis revela muito pouca consideração pelo género masculino. Que há homens broncos que sempre verão as mulheres como coisas, é verdade, mas essem nem precisam de comprar a Penthouse.
Por Rititi @ 2010/12/07 | 6 comentários »
