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Rititi

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INÍCIO

  • Repairwear Laser Focus e a minha ignorância cosmética

    Saturday night fever e nós encostados um ao outro no sofá, a ver como os Brangelinos brincam aos espiões sexys e magros, ele todo sangrante e macho e ela, enfim, ela linda de camisa esburacada e botas pelo joelho, linda de saia tubo e sapatos de chupa-me-o-tacão, linda a disparar duas bazucas totalmente imutável, linda em geral com ou sem operações plásticas, botox ou efeitos do photoshop. Se há mulher a quem eu lamberia sem complexos, ela é a Angelina Jolie. E a Sofia Vergara. E a Kate Moss. Já a Mónica Belucci não me apetece tanto, assusta-me ter à minha frente tanta carnalidade em estado puro. E enquanto me entretenho com estes pensamentos lésbicos de sábado burguês, o filme dos Brangelinos dá-nos um descanso com um desses intermináveis intervalos que demoram tanto tempo que podemos fazer mais um filho, arrumar a cozinha, regar as plantas e deitar fora o lixo (e ter um caso com o profissional dos dejectos). Talvez influenciados pela deslumbrante beleza da mãe dos quinze filhos do Brad Bitt, os programadores televisivos decidem dedicar o 98% do espaço da publicidade à mais brutal das campanhas a favor do extermínio da ruga que faria ruborizar a cúpula nazi, destacando para isso as últimas inovações tecnológicas ao serviço da epiderme do gajedo. E tudo num discurso altamente científico, altamente estructurado, altamente asséptico. Um quarto de hora a ver aquela merda e não percebo nada: Repairwear Laser Focus, Wrinkle Correcting Eye Cream, turnaround concentrate renewer, Serum De-Puffing Eye Massage, tratamentos Re-Substanciadores, tecnologia Lumi-GenTM, Elasti-Flex, Synchronized Recovery Complex, Firming/Sculpting Face and Neck, como se a industria cosmética finalmente tivesse encontrado a fonte da eterna juventude dentro de um laboratório químico. E a mim, que sou de letras, isto soa-me tão incompreensível como a mais exaustiva explicação da Teoria das Cordas. Ou será um novo dogma de fé redefinir o contorno do olho metendo a cabeça dentro de um balde de serum hialurónico? Havia vida antes da toxina botulínica? Onde estava eu quando descobriram a niacinamida? As nanoesferas são pequenas naves espaciais? Porquê ninguém me contou nada disto? Quando faltam poucos minutos para voltar ao filme do Brad e da Angelina sinto-me a única gaja que não aderiu à Irmandade do Serum. Serei a última fêmea sobre a face da Terra com os olhos cheios de rugas, os lábios sem vigor, nunca a minha pele será luminosa, nem flexível, nem se rejuvenescerá e tudo por minha culpa, porque sou uma absoluta analfabeta cosmética, a hare krishna dos lipossomas, a última pele com idade da raça humana. Merda. E quando já estou pronta para retirar as tristes poupanças do fundo para universidade dos meus filhos para comprar litros de retinaldeído-turnaround-Wrinkle-Correcting aparece-me a puta da Diane Kruger vestida de Chanel a pomover a linha de skinkcare e a dizer que a beleza está no interior. No interior do quê? Da embalagem? E o que é que o hialurónico tem a dizer disto tudo? Olha, entendam-se. Eu vou continuar a ver os Brangelinos e a sonhar com lamber a Jolie, que para isso não preciso ter a pele radiante. Porra.



    Por Rititi @ 2013/10/14 | 11 comentários »


    Riam-se, caralho!

    Esta é a capa da revista satírica El Jueves publicada a passada quarta-feira e a União de Comunidades Islâmicas de Espanha não demorou a avisar que apresentará as adequadas medidas legais contra a revista por, como não, ter ofendido os sentimentos religiosos. É que os sentimentos religiosos são fodidos, pelos vistos. Um gajo sente-se atacado, um gajo sente-se ofendido, um gajo brama aos céus e, vendo que os céus se estão literalmente cagando para tamanha ofensa e que o máximo que têm a dizer é mandar uma chuva de granizo que amolgue os carros dos hereges (os céus são assim de insensíveis), vai e põe uma denúncia. Isto com muita sorte, claro. Porque o normal nestes casos (quando alguém goza com o Maomé, o último Profeta,  já sabem, a treta do costume) é queimar bandeiras de Israel e dos Estados Unidos, explodir um par de bombas ou invadir embaixadas. Ou sair em hordas histéricas pelas ruas do Cairo a gritar possuídos pelo tal fervor religioso, ai valha-me Alá, ai que me pintaram o Maomé, blasfémia, blasfémia, alguém me acuda e já agora que se castigue a todo o ser humano que goze com a nossa religião, que se restrinja a liberdade de expressão na Europa, que se proíba o google, que se bombardeiem os budas do Bamiyan (ah, merda, que isso já fizeram). Eu sei, acalmam-se, que não todos os muçulmanos são assim, que há gente de bem e que tem mais coisas que fazer que andar nestes maus aspectos a queimar bonecos com a cara do Obama e a babar-se qual cão raivoso porque alguém, no outro lado do mundo, publica uma caricatura a gozar com um profeta que não lhe diz nada. Sim, eu acredito que existe uma maioria (muito, mas muito silenciosa) que nem dá importância a estes supostos ataques e que até haverá uns quantos que achem piada e que se riam em casa de persianas descidas à escondida dos olhares inquisidores. Mas o problema é que os extremistas fazem mais barulho. E ganham eleições. E dominam o quotidiano dos cidadãos de paz e legislam em nome da intolerância e incitam a violência e quando vamos a ver temos o desgraçado do Presidente dos Estados Unidos a perder tempo na ONU a falar de um vídeo de merda que ofendeu estas mentezinhas idiotas lá no cú de judas e a pedir tolerância e respeito e o caralho, só porque há uns idiotas que nem relativizam, nem têm sentido de humor e castigam tudo o que eles não entendem nem querem entender em nome de uma visão demagógica da religião. A tal União de Comunidades Islâmicas de Espanha já mandou dizer que a capa do Jueves “não consegue a sua pretendida finalidade humorística“. Porquê? Eu fartei-me de rir, desculpem lá. Eu rio-me do que quero, tenho esse direito. A liberdade de expressão também é isso, poder-me rir do que me apetece sem ter uma cambada de ignorantes a matar-me à pedrada por blasfema.

    Mas como também diz o Jueves também esta semana:

     



    Por Rititi @ 2012/09/27 | 3 comentários »


    Prostituição da dor

    A blogosfera tem uma relação infantil com as personagens ditas públicas. Aliás, com tudo. Celebram-se campeonatos de futebol, prémios de cinema, novos discos, nascimentos de filhos de famosos com tanta leveza que tenho dias que acho que a maioria dos blogues são escritos por crianças de 10 anos. Mas mais assustadora é a explosão de sensibilidade quando ocorre a morte de uma pessoa famosa (conhecida não conta, tem de ser famosa e explicada pelo telejornal da TVI para a gente saber mesmo quem é o morto): de Miguel Portas, ao Bernardo Sassetti, passando pela Amy, a Cesaria Évora ou a Whitney Houston, não há blogger que não corra a escarrapachar o obituário com uma urgência atroz, com textos sentidos, tratando os mortos por tu, num tom de proximidade confrangedor e altamente ridículo, como se quisessem demonstrar que eles também gostavam de verdade do artista, do político, da pessoa pública. E quem diz blogues diz twitter e facebook: aqui a cambada não perde oportunidade para se sentir amigo íntimo dos mortos, permitindo-se publicar no mural do FB textos afligidos dedicados, como no caso do desgraçado do Bernardo Sassetti, não só ao morto, mas à mulher, aos filhos, à mãe, chorando a perda da obra, mesmo que nunca tenha ouvido uma puta de uma música escrita por ele. Vergonha na cara, não? Mas quem é esta gente, caramba? Pior que isto, só os posts escritos sobre o MEC e a penosa doença da mulher. Só não sente quem não é filho de boa gente, eu sei, mas estas odes a puxar à lagriminha, toda esta gramática sobre o amor e o cancro (maldita doença, desgraça infinita, bla bla bla) deixa-me envergonhada. É indecente de tão exibicionista.  Ante a doença, a dor, a morte, deveria exigir-se decoro, silêncio, bom-senso, deixar os mortos em paz e os doentes no calor da sua casa, deveria ser obrigatório um luto interior e não este espectáculo público de dor global, num circo ao mais puro estilo a morte-e-beatificação da Lady Di. Choramos aqueles que amamos. O resto é prostituição da dor.

     

     



    Por Rititi @ 2012/05/17 | 26 comentários »


    Gordas e Magras

    Quando escrevi o texto sobre as meninas da Triumph recebi todo o tipo de comentários. O normal nestes casos: quando se escreve sobre mamas e cus de gajas toda a gente tem uma opinião. As mamas das gajas são o novo futebol, não há taxista que não ache que as apalpava melhor que o treinador. E obviamente o taxista é gajo. Uma gaja não pode escrever sobre gajas e muito menos para criticar, para expressar uma opinião negativa, para censurar ou simplesmente reflectir. A gaja (e as mamas da gaja) ainda é território masculino. E eu não tinha nada que andar a mijar dentro do cesto dos gajos. Mas também recebi dezenas de comentários de gajas indignadas. A maioria diziam-se ofendidas porque elas próprias eram magras e sofriam com isso. E eu estava a ser insensível e brutal (seca). As magras devem ser as novas gordas, estigmatizadas porque medem metro e oitenta e pesam cinquenta quilos. O horror. O curioso é que tanto eles como elas chegavam à mesma conclusão: se eu critico a extrema magreza de certas modelos que nos impingem então eu estou gorda. Eu SOU gorda. Balofa. Banhenta. Asquerosa e ordinária nos meus quilos a mais no cu, nos braços, nas ancas. A perversão da beleza, do que nos dizem que é beleza, é tanta que o ideal para muitas mulheres é ser muito magra. Pesar muito pouco, nem que para isso se passe fome à base de dietas proteicas, purgas, limpezas aos intestinos, noites a comer uma triste sopa, visitas ao médico, horas a fio no spinning, PT no ginásio, corridas de madrugada. Fome, muita fome. O povo vibra com a Gwyneth Paltrow (vejam só que magra que estava nos Oscar), uma gaja que não come carne, nem bebe imperiais, nem come pastéis de nata e que tem um treinador privadíssimo com quem se esfalfa todos os dias durante horas para ter um corpo rijo sem curvas. As gajas amam a Demi Moore, uma tipa que se nega a envelhecer nem que seja a subtemer-se a tratamentos horríveis com sangue-sugas. A Demi Moore é exemplo do quê? Eu olho para as fotos e só vejo uma senhora com ar cadavérico e doente, a arrastrar-se nas red carpets como quem pede desculpa por ser velha. O pior é que nenhuma das mulheres que conheço tem dinheiro para pagar tratamentos milionários que estiquem, estimulem, rejuvenesçam ou escondam os anos no corpo, nem sequer vida para não comerem, nem beberem ou passarem temporadas em spas com treinadores. As mulheres reais não são a Demi Moore. As mulheres reais têm filhos e um pneu que a duras penas vão tentando esconder debaixo de camisolas super giras da Zara. As mullheres reais começam uma dieta e depois vão jantar fora com as amigas e bebem quatro copos de vinho. As mulheres reais não estão gordas porque não cabem na 36. As mulheres reais têm que começar a ter juízo e deixarem de se olhar num espelho que é mentira. E não eu não estou gorda, minha gente, sou é uma gaja que teve dois filhos e está cada dia mais gira. E não é por ser magra. Chama-se amor próprio e calças do meu tamanho



    Por Rititi @ 2012/03/20 | 34 comentários »


    Muito bons são eles

    Ri-me tanto. Obrigada Revista Sábado por me proporcionares grandes gargalhadas a meio de uma manhã chuvosa e triste nesta terra madrilena. Obrigada, a sério. Só um optimista pode acreditar que o Mel Gibson é o presidente da Alemanha, só alguém. Amei. E ao contrário do 95% dos portugueses não fiquei consternada, nem muito menos indignada com a qualidade da “nossa” juventude, não me senti desiludida com os futuros engenheiros, psicólogos e desempregados com mestrado deste país. Do que é que estavam à espera? Acaso vocês que tão chocados estão não sabem com quem trabalham, não ouvem as conversas no metro, não lêem blogs? Esperavam o quê? Dissertações sobre o último livro de Philip Roth à porta da Faculdade? Este meu país não pára de me surpreender, de facto. Estas criaturas são filhas do Portugal dos últimos 20 anos, de uma classe média bêbada de Euros e auto-estradas grátis, idiotizada pela sensação de novo-riquismo à base de subsídios do que antes chamávamos a CEE, que se acreditou europeia e por tanto com direito a ter tudo novo. E teve. Os últimos carros, os últimos telemóveis, as últimas férias nos resorts, os últimos restaurantes da moda, a última mala da Carolina Herrera. Uma classe média que associou o ter para ser alguma coisa de jeito. Conheço malta cheia de MBA, bmw e iphones que passa férias de barco em Ibiza e bebe o melhor e mais caro vinho e que não diz nada de jeito, que não vai a um concerto se não é convidado por algum banco ou associação de advogados, gente que não pisa museus, só galerias de arte. Conheço directores gerais que não sabem o que significa a palavra “antologia”. Conheço professores que não têm livros nas estantes de casa, médicos que só viajam em cruzeiros, advogados que não sabem que foi D. João II. Estou a falar de uma classe média que não se importa de pagar balúrdios absurdos pela educação dos filhos, pagando-lhes aulas extra de piano, inglês, ténis e chinês mandarim mas que não têm a menor curiosidade em saber o que aprendem. Os pais, já sabemos, são muito bons no que fazem, são maravilhosos gestores/advogados/técnicos/jornalistas/doutores em sociologia germânica, mas o resto, religião, cultura geral, literatura, filosofia, política, pois é, não é com eles. Muito bons são os putos. Ao menos não acabaram na Casa dos Segredos, que mau aspecto, que aquilo é só grunhos de classe baixa.



    Por Rititi @ 2011/11/23 | 15 comentários »


    Irresponsável, a tua tia

    “O aborto não é um direito, meus caros. Se uma pessoa quer fazer um aborto, tem bom remédio: pagar do seu bolso. A irresponsabilidade não pode ser recompensada. A irresponsabilidade não pode ser subsidiada. A irresponsabilidade não pode ser transformada num direito. E, acima de tudo, a irresponsabilidade não pode ser colocada no mesmo patamar da responsabilidade que é assumir uma gravidez e ter um filho.”

    Desde quando, Henrique, abortar é um acto de irresponsabilidade? A sério, explica-te, que eu esta não percebi.



    Por Rititi @ 2011/09/06 | 18 comentários »


    Prémio vai ao cu a ti: um parvalhão na RTP

    (fotografia da Vanity Fair Espanha)

    A semana passada, numa noite de preguiça lisboeta, esbarrei na televisão com um afectadíssimo Malato a conduzir outro concurso banal com perguntas tão fáceis que os burros dos concorrentes, por uma questão de integridade, se negavam a responder. Enfim, continuemos. Umas das perguntas, cuja resposta era “Duque de Alba”, derivou num ameno monólogo sobre Cayetana Fitz-James Stuart, a actual Duquesa, que tem 85 anos. “Ah, pois, a Duquesa, aquilo é só homens mais novos”, debitava o Malato, “uma maluqueira, um atrás do outro”, e lá ia mandando insinuações num tom absolutamente desrespeitoso e infantil sobre uma da mulheres mais ricas, cultas, interessantes e viajadas de Europa, uma figura fundamental para compreender a história recente de Espanha e dona de uma fortuna fabulosa, que inclui latifundios, palácios e obras de Tiziano ou Goya. O Malato insultou, assim, na televisão pública portuguesa, paga pelos vossos impostos, uma senhora. E tão contente. Sim, que querem, aquela merda chateou-me, incomodaram-me esses risinhos histéricos, essa pose de gajo interessante que se acha sabedor de um segredo que partilha com a audiência ansiosa de cusquices mal-dizentes. Vejam lá, a velha farta-se de atacar putos, ahahah! Ora, o que faz da Cayetana uma ganda maluca, segundo o iluminado de turno, é ter um namorado 25 anos mais novo. Chiiiii, imaginem… Taradona da velha. Pois bem, a taradona vai-se casar com esse puto (de 60 anos, por amor de Deus!!) porque diz que está apaixonada e pelos vistos ele também. Maravilha. Ou porque não quer morrer sozinha. Ou porque lhe apetece. Continuo à espera de ouvir as mesmas anormalidades sobre o piroso do Flavio Briatore e da boazuda da mulher, que por acaso só tem 30 anos menos que ele. Que farta que estou de gente estúpida, caralho.



    Por Rititi @ 2011/08/23 | 13 comentários »


    PRÉMIO VAI AO CU A TI: STRAUSS-KHAN E O ELOGIO DO MANGALHO

    - Espero que Strauss-Khan passe o resto da vida a penar por essa incontinência da entreperna. Que se foda ele e mais a inevitabilidade da pila. Que apodreça envergonhado, na prisão ou no desprezo público.

    -  Dá-me nojo, muito nojo, a classe política francesa e essa desculpabilização do furor genital deste velho asqueroso. Pior, cada declaração de um líder, diputado ou intelectual francês não é mais que um elogio do mangalho. Bravo pelo macho! Olé a pila do FMI! E que puritanos que somos os outros, incapazes de alegrar-nos que um senhor de esta idade espalhe virilidade por esse mundo fora, despejando poder pelas empregadas de hotel, jornalistas e estagiárias!

    - Como sempre, a culpa é nossa, das gajas, que nos pomos a jeito. Aliás, estamos aqui para ser assobiadas, apalpadas, tocadas, violadas, fodidas cada vez que um homem tem a urgência de se aliviar. Isto não é só em França. Portugal, Espanha, Itália… As gajas temos que entender, desculpar e até agradecer as bocas dos trolhas, o elogio do chefe às nossas pernas, a graçola cómica do desconhecido sobre as nossas mamas, como estamos giras com esse vestido. Sempre a mesma merda. Se usamos decotes é porque queremos ser comidas. Se andamos com passo seguro com uma mini-saia temos que estar preparadas para ser galadas por um imbecil qualquer. Se cruzamos as penas no autocarro mais nos vale aguentar o olhar lascivo do idiota que está à nossa frente. A mim não me apetece um caralho ouvir mais supostos elogios de gajos merdosos, dá-me asco. Eu não sou uma égua. Sou uma igual por muito que lhes doa e incomode a uma importante percentagem da população masculina. Porque quem acha que tem direito a comer-me com os olhos pensa que em algum momento também pode levantar-me a saia e foder-me ali mesmo. Para todos vocês, seus merdas, fodei-vos!



    Por Rititi @ 2011/05/22 | 10 comentários »


    À falta de tempo para escrever deixo-vos este belíssimo texto da Ana Margarida Craveiro

    Evidências que não o são – condição feminina

    Surpreende-me que em pleno século XXI ainda seja preciso discutir este género de questões:

    1. em Portugal, um violador de uma grávida de 8 meses (pior, um prestador de cuidados médicos) sai impune, porque a juíza considera que não houve violência (é a chamada violação gentil, ou com jeitinho). Como se uma violação não fosse violência suficiente.

    2. em Inglaterra, discute-se a diferença entre violação a sério, e violação mais ou menos (parece que há umas que têm vontade de ser violadas).

    3. em França (e também por aqui), um homem poderoso é um santo, e tudo o que faz em privado são meros pecadilhos (incluindo a tentativa de violação). A polícia e o sistema judicial são abusadores deste mesmo homem, ou jogadores numa teoria internacional de conspiração. A vítima? Não interessa nada, é só uma empregada de hotel.

    Um problema europeu? Pois, parece bem que sim. Na Europa, aparentemente é perigoso ser-se mulher. E eu confesso que não o sabia.

    (no Delito de Opinião)



    Por Rititi @ 2011/05/19 | 2 comentários »


    Era mesmo isso

    “Portugal é um país de egoístas, de preguiçosos, de pessoas que até queriam ter mais filhos mas não dá é a crise temos de ser responsáveis mas que fico com pena fico porque o meu santiago merecia um irmão ele que merece tudo não lhe dou o suficiente, que ficam em casa dos pais e precisam de comprar o último modelo do tdi que já tem gps dá imenso jeito também fico só a pagar mais 46 euros por mês, um país de filhos únicos, filhos simultaneamente mimados e ignorados, príncipes do vazio, ligados a todas as tecnologias, a todas as redes, ele merece tudo, é o meu anjo, esperei 39 anos por ele, que não tem culpa, eu vi o que aconteceu à carreira das que engravidaram antes dos 30, onde estão elas agora?, não se chega a sub-directora ficando em casa a mudar fraldas, se não fosse o divórcio se calhar tinha ido ao segundo, mas era irreconciliável, já só gritávamos, agora que olho para a nossa lua-de-mel tudo me parece há anos sem fim, foi só há quatro, o Vietname é lindo naquela altura do ano, o governo não apoia a natalidade, a culpa é da licença de maternidade e dos benefícios fiscais, ter filhos é um sacrifício muito grande, abdica-se de muito, a qualidade de vida baixa e agora uma pessoa já estava habituada, é a crise, é a crise, estou atrasado para o concerto de logo à noite.”

    Lourenço, no grande Complexidade e Contradição.



    Por Rititi @ 2011/04/27 | 11 comentários »