Quando escrevi o texto sobre as meninas da Triumph recebi todo o tipo de comentários. O normal nestes casos: quando se escreve sobre mamas e cus de gajas toda a gente tem uma opinião. As mamas das gajas são o novo futebol, não há taxista que não ache que as apalpava melhor que o treinador. E obviamente o taxista é gajo. Uma gaja não pode escrever sobre gajas e muito menos para criticar, para expressar uma opinião negativa, para censurar ou simplesmente reflectir. A gaja (e as mamas da gaja) ainda é território masculino. E eu não tinha nada que andar a mijar dentro do cesto dos gajos. Mas também recebi dezenas de comentários de gajas indignadas. A maioria diziam-se ofendidas porque elas próprias eram magras e sofriam com isso. E eu estava a ser insensível e brutal (seca). As magras devem ser as novas gordas, estigmatizadas porque medem metro e oitenta e pesam cinquenta quilos. O horror. O curioso é que tanto eles como elas chegavam à mesma conclusão: se eu critico a extrema magreza de certas modelos que nos impingem então eu estou gorda. Eu SOU gorda. Balofa. Banhenta. Asquerosa e ordinária nos meus quilos a mais no cu, nos braços, nas ancas. A perversão da beleza, do que nos dizem que é beleza, é tanta que o ideal para muitas mulheres é ser muito magra. Pesar muito pouco, nem que para isso se passe fome à base de dietas proteicas, purgas, limpezas aos intestinos, noites a comer uma triste sopa, visitas ao médico, horas a fio no spinning, PT no ginásio, corridas de madrugada. Fome, muita fome. O povo vibra com a Gwyneth Paltrow (vejam só que magra que estava nos Oscar), uma gaja que não come carne, nem bebe imperiais, nem come pastéis de nata e que tem um treinador privadíssimo com quem se esfalfa todos os dias durante horas para ter um corpo rijo sem curvas. As gajas amam a Demi Moore, uma tipa que se nega a envelhecer nem que seja a subtemer-se a tratamentos horríveis com sangue-sugas. A Demi Moore é exemplo do quê? Eu olho para as fotos e só vejo uma senhora com ar cadavérico e doente, a arrastrar-se nas red carpets como quem pede desculpa por ser velha. O pior é que nenhuma das mulheres que conheço tem dinheiro para pagar tratamentos milionários que estiquem, estimulem, rejuvenesçam ou escondam os anos no corpo, nem sequer vida para não comerem, nem beberem ou passarem temporadas em spas com treinadores. As mulheres reais não são a Demi Moore. As mulheres reais têm filhos e um pneu que a duras penas vão tentando esconder debaixo de camisolas super giras da Zara. As mullheres reais começam uma dieta e depois vão jantar fora com as amigas e bebem quatro copos de vinho. As mulheres reais não estão gordas porque não cabem na 36. As mulheres reais têm que começar a ter juízo e deixarem de se olhar num espelho que é mentira. E não eu não estou gorda, minha gente, sou é uma gaja que teve dois filhos e está cada dia mais gira. E não é por ser magra. Chama-se amor próprio e calças do meu tamanho
Por Rititi @ 2012/03/20 | 34 comentários »
Ri-me tanto. Obrigada Revista Sábado por me proporcionares grandes gargalhadas a meio de uma manhã chuvosa e triste nesta terra madrilena. Obrigada, a sério. Só um optimista pode acreditar que o Mel Gibson é o presidente da Alemanha, só alguém. Amei. E ao contrário do 95% dos portugueses não fiquei consternada, nem muito menos indignada com a qualidade da “nossa” juventude, não me senti desiludida com os futuros engenheiros, psicólogos e desempregados com mestrado deste país. Do que é que estavam à espera? Acaso vocês que tão chocados estão não sabem com quem trabalham, não ouvem as conversas no metro, não lêem blogs? Esperavam o quê? Dissertações sobre o último livro de Philip Roth à porta da Faculdade? Este meu país não pára de me surpreender, de facto. Estas criaturas são filhas do Portugal dos últimos 20 anos, de uma classe média bêbada de Euros e auto-estradas grátis, idiotizada pela sensação de novo-riquismo à base de subsídios do que antes chamávamos a CEE, que se acreditou europeia e por tanto com direito a ter tudo novo. E teve. Os últimos carros, os últimos telemóveis, as últimas férias nos resorts, os últimos restaurantes da moda, a última mala da Carolina Herrera. Uma classe média que associou o ter para ser alguma coisa de jeito. Conheço malta cheia de MBA, bmw e iphones que passa férias de barco em Ibiza e bebe o melhor e mais caro vinho e que não diz nada de jeito, que não vai a um concerto se não é convidado por algum banco ou associação de advogados, gente que não pisa museus, só galerias de arte. Conheço directores gerais que não sabem o que significa a palavra “antologia”. Conheço professores que não têm livros nas estantes de casa, médicos que só viajam em cruzeiros, advogados que não sabem que foi D. João II. Estou a falar de uma classe média que não se importa de pagar balúrdios absurdos pela educação dos filhos, pagando-lhes aulas extra de piano, inglês, ténis e chinês mandarim mas que não têm a menor curiosidade em saber o que aprendem. Os pais, já sabemos, são muito bons no que fazem, são maravilhosos gestores/advogados/técnicos/jornalistas/doutores em sociologia germânica, mas o resto, religião, cultura geral, literatura, filosofia, política, pois é, não é com eles. Muito bons são os putos. Ao menos não acabaram na Casa dos Segredos, que mau aspecto, que aquilo é só grunhos de classe baixa.
Por Rititi @ 2011/11/23 | 15 comentários »
Desde quando, Henrique, abortar é um acto de irresponsabilidade? A sério, explica-te, que eu esta não percebi.
Por Rititi @ 2011/09/06 | 15 comentários »
Prémio vai ao cu a ti: um parvalhão na RTP
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(fotografia da Vanity Fair Espanha)
A semana passada, numa noite de preguiça lisboeta, esbarrei na televisão com um afectadíssimo Malato a conduzir outro concurso banal com perguntas tão fáceis que os burros dos concorrentes, por uma questão de integridade, se negavam a responder. Enfim, continuemos. Umas das perguntas, cuja resposta era “Duque de Alba”, derivou num ameno monólogo sobre Cayetana Fitz-James Stuart, a actual Duquesa, que tem 85 anos. “Ah, pois, a Duquesa, aquilo é só homens mais novos”, debitava o Malato, “uma maluqueira, um atrás do outro”, e lá ia mandando insinuações num tom absolutamente desrespeitoso e infantil sobre uma da mulheres mais ricas, cultas, interessantes e viajadas de Europa, uma figura fundamental para compreender a história recente de Espanha e dona de uma fortuna fabulosa, que inclui latifundios, palácios e obras de Tiziano ou Goya. O Malato insultou, assim, na televisão pública portuguesa, paga pelos vossos impostos, uma senhora. E tão contente. Sim, que querem, aquela merda chateou-me, incomodaram-me esses risinhos histéricos, essa pose de gajo interessante que se acha sabedor de um segredo que partilha com a audiência ansiosa de cusquices mal-dizentes. Vejam lá, a velha farta-se de atacar putos, ahahah! Ora, o que faz da Cayetana uma ganda maluca, segundo o iluminado de turno, é ter um namorado 25 anos mais novo. Chiiiii, imaginem… Taradona da velha. Pois bem, a taradona vai-se casar com esse puto (de 60 anos, por amor de Deus!!) porque diz que está apaixonada e pelos vistos ele também. Maravilha. Ou porque não quer morrer sozinha. Ou porque lhe apetece. Continuo à espera de ouvir as mesmas anormalidades sobre o piroso do Flavio Briatore e da boazuda da mulher, que por acaso só tem 30 anos menos que ele. Que farta que estou de gente estúpida, caralho.
Por Rititi @ 2011/08/23 | 10 comentários »
PRÉMIO VAI AO CU A TI: STRAUSS-KHAN E O ELOGIO DO MANGALHO
- Espero que Strauss-Khan passe o resto da vida a penar por essa incontinência da entreperna. Que se foda ele e mais a inevitabilidade da pila. Que apodreça envergonhado, na prisão ou no desprezo público.
- Dá-me nojo, muito nojo, a classe política francesa e essa desculpabilização do furor genital deste velho asqueroso. Pior, cada declaração de um líder, diputado ou intelectual francês não é mais que um elogio do mangalho. Bravo pelo macho! Olé a pila do FMI! E que puritanos que somos os outros, incapazes de alegrar-nos que um senhor de esta idade espalhe virilidade por esse mundo fora, despejando poder pelas empregadas de hotel, jornalistas e estagiárias!
- Como sempre, a culpa é nossa, das gajas, que nos pomos a jeito. Aliás, estamos aqui para ser assobiadas, apalpadas, tocadas, violadas, fodidas cada vez que um homem tem a urgência de se aliviar. Isto não é só em França. Portugal, Espanha, Itália… As gajas temos que entender, desculpar e até agradecer as bocas dos trolhas, o elogio do chefe às nossas pernas, a graçola cómica do desconhecido sobre as nossas mamas, como estamos giras com esse vestido. Sempre a mesma merda. Se usamos decotes é porque queremos ser comidas. Se andamos com passo seguro com uma mini-saia temos que estar preparadas para ser galadas por um imbecil qualquer. Se cruzamos as penas no autocarro mais nos vale aguentar o olhar lascivo do idiota que está à nossa frente. A mim não me apetece um caralho ouvir mais supostos elogios de gajos merdosos, dá-me asco. Eu não sou uma égua. Sou uma igual por muito que lhes doa e incomode a uma importante percentagem da população masculina. Porque quem acha que tem direito a comer-me com os olhos pensa que em algum momento também pode levantar-me a saia e foder-me ali mesmo. Para todos vocês, seus merdas, fodei-vos!
Por Rititi @ 2011/05/22 | 10 comentários »
À falta de tempo para escrever deixo-vos este belíssimo texto da Ana Margarida Craveiro
Evidências que não o são – condição feminina
Surpreende-me que em pleno século XXI ainda seja preciso discutir este género de questões:
1. em Portugal, um violador de uma grávida de 8 meses (pior, um prestador de cuidados médicos) sai impune, porque a juíza considera que não houve violência (é a chamada violação gentil, ou com jeitinho). Como se uma violação não fosse violência suficiente.
2. em Inglaterra, discute-se a diferença entre violação a sério, e violação mais ou menos (parece que há umas que têm vontade de ser violadas).
3. em França (e também por aqui), um homem poderoso é um santo, e tudo o que faz em privado são meros pecadilhos (incluindo a tentativa de violação). A polícia e o sistema judicial são abusadores deste mesmo homem, ou jogadores numa teoria internacional de conspiração. A vítima? Não interessa nada, é só uma empregada de hotel.
Um problema europeu? Pois, parece bem que sim. Na Europa, aparentemente é perigoso ser-se mulher. E eu confesso que não o sabia.
(no Delito de Opinião)
Por Rititi @ 2011/05/19 | 2 comentários »
“Portugal é um país de egoístas, de preguiçosos, de pessoas que até queriam ter mais filhos mas não dá é a crise temos de ser responsáveis mas que fico com pena fico porque o meu santiago merecia um irmão ele que merece tudo não lhe dou o suficiente, que ficam em casa dos pais e precisam de comprar o último modelo do tdi que já tem gps dá imenso jeito também fico só a pagar mais 46 euros por mês, um país de filhos únicos, filhos simultaneamente mimados e ignorados, príncipes do vazio, ligados a todas as tecnologias, a todas as redes, ele merece tudo, é o meu anjo, esperei 39 anos por ele, que não tem culpa, eu vi o que aconteceu à carreira das que engravidaram antes dos 30, onde estão elas agora?, não se chega a sub-directora ficando em casa a mudar fraldas, se não fosse o divórcio se calhar tinha ido ao segundo, mas era irreconciliável, já só gritávamos, agora que olho para a nossa lua-de-mel tudo me parece há anos sem fim, foi só há quatro, o Vietname é lindo naquela altura do ano, o governo não apoia a natalidade, a culpa é da licença de maternidade e dos benefícios fiscais, ter filhos é um sacrifício muito grande, abdica-se de muito, a qualidade de vida baixa e agora uma pessoa já estava habituada, é a crise, é a crise, estou atrasado para o concerto de logo à noite.”
Lourenço, no grande Complexidade e Contradição.
Por Rititi @ 2011/04/27 | 11 comentários »
Só queria informar os idiotas que chegam a este blogue com a vã tentativa de me insultar que eu apago os comentários que considero ofensivos. Assim, sem direito a contraditório, ai coiso e tal, mas tu e eu e o caneco. Apago e pronto. Vão-se catar, mas é.
Por Rititi @ 2011/03/10 | 8 comentários »
Coitados dos deolindos, esses putos de 25 anos que apesar de terem uma licenciatura em gestão de artes cénicas não encontram trabalho na sua área e que como muito são contratados para um estágio onde não recebem mais de quinhentos euros e que não têm dinheiro para comprar uma casa com três quartos no Chiado e por isso vivem com os pais em vez de partilhar um apartamento com mais três deolindos e que são obrigados a andar de transportes porque não há banco que lhes dê um crédito para comprar um Golf. É fodido ter 25 anos e confirmar que a vida lá fora não respeita as mordomias a que estávamos habituados em casa dos pais. É fodido não receber 2.000 Euros porque “fartei-me de estudar”, é fodida a incerteza de um contrato de trabalho merdoso, é fodido. Eu acho bem que os deolindos se queixem à porta da Bicaense, que bramem contra as injustiças do liberalismo, que cantem hinos no festival da Zambujeira. Pois. O que eu já acho mesmo fodido é que os Deolinda, esse grupo de intervenção estilo Lux, não cantem a essa geração de trabalhadores das fábricas de São João da Madeira que se matam a trabalhar de sol a sol e pelo salário mínimo, se é que recebem, porque muitas das vezes os patrões declaram-se em falência para abrir outra fábrica mesmo ao lado. Fodido mesmo é que o Bloco de Esquerda, os líderes da esquerda betinha e fracturante, nunca se tenha lembrado dos salários miseráveis das educadoras de infância, das empregadas de supermercado, das cabeleireiras, das senhoras da limpeza, porque esta gente não canta hinos, não é gira, não tem um curso superior em Cultura Visual, não lê Paul Auster, não tem tempo para se queixar porque passa a vida a trabalhar. Básicamente, estes defensores da suposta geração perdida são incapazes de sentir empatia pelo povão, pela que sempre se chamou classe trabalhadora e que é realmente a geração desperdiçada, gente cuja força bruta e capacidade de sacrifício e de trabalho ninguém aproveitou mais que para encher centros comerciais e estádios de futebol. Gente que acorda de madrugada para dar de comer aos filhos e a uns pais cuja reforma não passa dos cem euros, que paga empréstimos, crédito habitação, impostos, segurança social, tem os putos em escolas e ATL, mas que chega ao fim do mês sem capacidade de poupança porque não lhes dá o ordenado para mais e que não sai da cepa torta, incapaz de pertencer à classe média, que é a que levanta o país e que realmente deveria interessar ao Bloco, aos deolindas e a todos estes indignados. Mas esta gente que não interessa a ninguém porque não vai a concertos no Coliseu ouvir os Deolinda porque não têm dinheiro nem pais a quem continuar a chular as entradas enquanto se queixam que são escravizados.
Por Rititi @ 2011/02/21 | 40 comentários »
Eu sei que me repito, mas não me conformo, a sério que não. Portugal merece mais e melhor. Portugal não pode ser só a pátria do Carlos Castro e do menino do saca-rolhas que é gay mas não é mais aquelas taradas que mandam as cinzas do morto para os respiradouros do metro de NY. É que não temos famosos normais em Portugal? Ou é tudo uma cambada de gentinha ordinária, pindérica, mal-formada, egocêntrica, vaidosa e atacada dos cornos, palavra de honra? Como é possível que seres como Luciana Abreu e (deixa-me lá fazer copy/paste) Yannick Djaló tenham direito de antena? Quem é esta gente? E que porra de nome é Lyonce Viiktórya? E mais, quanto pagaram ao funcionário do Registo para registar essa anormalidade? E o comunicado, credo? Eis algumas das pérolas:
- “Somos 3 em 1″
- “A titi Luisa (…) não sabia se pegava nela se tirava fotos primeiro”
- “A filha (…) será para sempre o meu reflexo”.
Bela merdinha de qualidade de famosos, é o que é. Assim o país não sai da cepa torta, ai foda-se!
Por Rititi @ 2011/01/20 | 11 comentários »
