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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • Coitadinho do Obama

    Passaram-se dois dIas e não há jornal “de referência” que não tenha feito a gracinha sobre o ciúme da Michelle ou sobre a exuberância da loira que tira selfies com o Cameron e o Obama. O que ainda não li em lado nenhum lado foi uma ressenha, uma minúscula análise sequer, sobre as figuras de urso que invarialmente fazem os gajos quando estão à frente de uma mulher bonita, já sejam mandatários ou trolhas de Lavacolhos. As gajas ou são umas histéricas que não sabem controlar as emoções em público ou umas víboras sem escrúpulos que provocam sempre os desprevenidos machinhos que, como sempre, “só passavam por ali”. A culpa é sempre da desequilibrada da mulher ou da cabra da loira. Eles, desgraçados, são sempre as vítimas da vontade indómita da pila. A merda do costume, portanto.



    Por Rititi @ 2013/12/12 | 11 comentários »


    O que é ser bela

    Hormonal como ando, é normal ter acabado de ver este vídeo da Dove com uma lágrima a escorrer-me pela cara abaixo. Porque é bonito, é verdade, e tem uma musiquinha com esse tom condescendente de anúncio de penso higiénico e as senhoras no fim comovem-se, choram e falam num inglês muito articulado sobre a sua imagem. Mas, tirando tudo isto, o anúncio da Dove reflecte sobre um tema muito delicado para as mulheres: a percepção da beleza. A nossa percepção. Não é que nunca estejamos satisfeitas, é que simplesmente não gostamos do nosso reflexo. Mas que raio de espelhos usamos nós que tanto amplificam as nossas imperfeições, que transformam um banal sinal numa verruga ou um nariz recto num focinho monstruoso? Que necessidade temos nós de nos afundarmos (ainda mais) na merda? Não nos chega com as nossas desgraças diárias, ainda temos que passar o dia a escrutinar a flacidez das mamas e a celulite do rabo? Não nos chega que nos subam os impostos e o IVA e os putos fiquem sempre doentes à segunda feira? Não, nós precisamos de odiar o nosso queixo, comparar a pele com os das modelos, abominar a falta de luminosidade do nosso cabelo. E quanto mais perto estamos dos 40 mais se agrava, como se não servisse para nada fazer anos e aprender alguma coisa com isso. Ver as mulheres do anúncio da Dove frente à “sua” imagem desenhada é brutal. Parecem dizer “quem é essa?”. Não se reconhecem, porque essa imagem não existe, não é real. E isto é a beleza: a percepção real de nós. Nós somos o espelho. E gostar do que somos é só um princípio para que nos vejam sempre mais bonitas. Ou realmente bonitas.



    Por Rititi @ 2013/04/19 | 20 comentários »


    Foder é que não

    Uma miúda linda (linda não, boa) prova o armário inteiro em frente ao espelho enquanto decide que de este ano não passa, que vai para a cama com o chefe que também é bom todos os dias e que lhe vai meter a mão ali mesmo, ai, uf, vozes orgásmicas, a ele que lhe ficam tão bem as t-shirts e que se lixem as de contabilidade, toma, toma, porque ela merece e tal e pronto, hoje vai para a cama com ele e até mais de uma vez, sim, ui, ufa, ufa. E claro, o twitter, essa fábrica de pensadores, falou da campanha da Desigual durante uma semana inteira. Machista, horrenda, simples clamaram uns, brilhante e valente, fabuloso, twitaram outros, entre textos de grande eloquência onde se debateram questões fundamentais para a humanidade como o papel da mulher na publicidade, a liberdade sexual, a promiscuidade e o sexo dos anjos. Por um lado uns perguntavam-se qual é o problema de ter uma gaja a dizer que vai foder com o chefe se a Axe faz campanhas sincera e orgulhosamente sexistas (um gajo banal borrifa-se de desodorizante e três dúzias de modelos russas tesudas brotam nuas por arte de magia dentro da cama dele). Por outro, questionavam se este é o ideal de mulher liberada, realizada e plena, cujo único fim parece ser ter sexo com um gajo só porque “está bueno”. Bem, para já este anúncio não tem a piada dos anúncios da Axe, que usa e abusa de gajas boas (sim), mas também da ironia na mensagem: sim és feio, magrelas e sem gracinha nenhuma, mas se usas a Axe vais continuar a ser feio e magrelas mas as gajas vão cair que nem tordos aos teus pés. Sim, o anúncio da Desigual é uma merda. Mas também é verdade que a miúda do espelho não diz que tem como único propósito na vida foder o chefe; talvez esteja a acabar o MBA, tenha três filhos, seja cirurgiã de renome internacional, sei lá, mas o caso é que esta noite especificamente o plano dela é mandar uma queca valente com o homem e já está. Ou seja, continuamos na mesma: uma gaja não poder ter sexo porque sim. Os machistas chamam-lhe puta e as feministas básica, ignorante e irresponsável e em ambos os casos pela mesma razão: uma mulher deve querer mais do que simples sexo. Amor, filhos, carreira, projecção, ambição e o caralho. Foder é que não. E muito menos falar disso.  O costume, depois de tantos séculos. Vamos bem, vamos.



    Por Rititi @ 2012/12/18 | 11 comentários »


    Voltei a caber na 38. Voltei a comprar vestidos curtos. Voltei a pesar 57 quilos. Mas não voltei ao meu corpo. Explico-me. As minha mamas, as desgraçadas, não são nem a sombra do que foram num passado glorioso, aquelas mamas soberbas que tantas alegrias me deram. Nada, uma pena, maravilhas da maternidade, do aleitamento materno e da puta da gravidade. E tenho na barriga uma bóia de banha com todo o aspecto de querer ficar-se instalada com carácter permanente, a ordinária. Ah, e as ancas alargaram. Desta não estava à espera. Nem sei que dizer em relação às minhas ancas novas, nem se gosto, se desgosto, ainda nos estamos a conhecer, dêem-nos tempo. Ou seja, tenho um corpo antigo cheio de aplicações novas. Mas, olha, estou contente. Vejo-me ao espelho dentro deste vestidinho novo que comprei a semana passada na Zara por, acho, trinta e tal euros, e acho-me gira, mesmo gira. Ora se eu marco 36 anos no BI e pari dois filhos, porque carga de água o meu corpo deveria ter 25? Sim, claro, posso matar-me a spinning e a disparatadas corridas de duas horas à volta do Retiro, puxar as mamas para cima, besuntar-me com cremes anti-idade, recachutar-me e remodelar-me, mas o meu corpo continuaria com 36 anos. Posso voltar a pagar 140 aurélios por duas aulas semanais de pilates, mas a quem quero enganar? Quero parecer a idade que tenho. Não quero ser a Demi Moore, nem a Sharon Stone, que, desculpem-me, não estão nada bem para a idade que têm porque elas odeiam (por muito que confessem às Vogues e Elles o sábias que se sentem) ser velhas, têm horror dos braços flácidos e das rugas do pescoço. E isso não é estar bem, é ser-se muito infeliz com o corpo, com o esqueleto que nos sustenta. É ser-se escravo de uma fantasia absurda. E eu não quero que essa fantasia me persiga quando fizer 40 anos e a celulite acampar alegremente nas coxas, ou quando aos 50 as minhas mãos apresentarem rugas e manchas. Não é resignação, é aprender a sorrir todos os dias quando me olho ao espelho.



    Por Rititi @ 2011/07/08 | 10 comentários »