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Rititi

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INÍCIO

  • o sistema financeiro explicado

    O SISTEMA FINANCEIRO EXPLICADO À BLOGOSFERA

    Fazendo contas à vida e à quantidade de fatos de calça e casaco que habitam o meu armário dei-me conta que já lá vão dez anos desde que aterrei no fascinante mundo financeiro. Juro que foi sem querer; não acredito que haja gente decente que de criança brincasse a ser gestor, contabilista ou gerente de banca. Mas suspeito que exista uma espécie neste universo paralelo que tantas vezes parece ignorar o mundo real que já era assim de pequena, uma fauna com um ego desmesurado que nos últimos anos se fez com o poder absoluto para gerir as tesourarias dos bancos, os fundos de investimento, as grandes fortunas nacionais e que, bem vistas as coisas, tem uma grande quota de responsabilidade neste grande imbróglio económico de contornos mundiais em que estamos metidos.
    São os analistas, os gestores de fundos, os reis do research e das análises dos indicadores macroeconómicos. Estes machos-alfa do mundo financeiro que tratam os banqueiros e chefes de governo por tu, donos de uma cultura financeira não apta para cardíacos ou despistados, apresentam-se como os gurus dos mercados interplanetários, sempre ligados às bolsas de meio mundo graças à Blackberry e às conference-calls transatlânticas como se os dias tivessem setenta e duas horas e não houvesse família, casa ou vida social que atender. Recomendo vivamente uma reunião com estes seres, pois trata-se de uma experiência impagável. Se não souber inglês, não se preocupe, a maioria dos termos que utilizam também não existe, são conceitos, interpretações da realidade aplicada a produtos financeiros sumamente complexos cuja rentabilidade estará indexada à evolução dos futuros sobre algo tão surreal como o crescimento do pepino na Papua Nova Guiné. O dinheiro, em si, não existe, flutua, aplica-se, desinveste-se, retorna e volta-se a aplicar. Outro conceito.
    Na última década estes grandes gestores foram reis e senhores dos dinheiros do mundo, aplicando capitais alheios e gerando grandes lucros através de complicadas engenharias financeiras interplanetárias. Acontece que ninguém se lembrou de fiscalizar ou pedir uma auditoria ao milagre dos pães e dos peixes. Até que o engenho pifou. Os activos estavam podres, a crise da subprime mortgage fez quebrar bancos e arruinou a Islândia, os hedge funds de Bernard L. Madoff não eram mais que uma fraude de 50.000 milhões de dólares, os Estados Unidos anunciam medidas intervencionistas soviéticas para evitar a deflação e o Fed desce as taxas de juro quase a zero, o investidor farto de perder dinheiro volta ao depósito a prazo, arregaçam-se as mangas para salvar o nosso estilo de vida e o capitalismo.
    E eles? Que é feito dos machos-alfa? Continuam agarrados à Blackberry de reunião em reunião, justificando investimentos e transferindo culpas para os investidores, de quem só cumpriam ordens. Mas se eu fosse um destes gurus, se eu dominasse tanta informação secreta, se eu acordasse todos os dias com a Bloomberg ligada ao cu, a estas alturas estaria invadida por uma imensa vergonha por não ter previsto esta crise, por ter sido incapaz de me antecipar ao fim da borbulha, por não ter questionado os ratings de algumas empresas, a credibilidade de uma série de fundos sedeados em paraísos fiscais ou rentabilidades que não se ajustavam à marcha da economia real. E o que é pior, sentir-me-ia tremendamente estúpida, quase tão ignorante como o senhor da mercearia que nunca leu o Financial Times na vida. Mas duvido que estes machos-alfa se sintam estúpidos, ignorantes, nabos ou envergonhados. A culpa, e esta é uma das máximas de qualquer gestor, é sempre do mercado.



    Por Rititi @ 2009/05/14 | 15 comentários »


    voltei madrid

    Voltei a Madrid.
    Depois do Natal em Espinho, bacalhau cozido, passagem por Lisboa, capital às escuras, esburacada, capital de casas frias, húmidas, sem aquecimento porque a luz está cara e não há para isolamento nas janelas, capital do comércio tradicional à beira da extinção sempre por culpa do governo que não proíbe as grandes superfícies, capital deprimente de um país de deprimidos. Sim, Portugal é um país afogado numa depressão da que não se quer curar, numa depressão que curte e da que se orgulha. Olhei durante uma semana para a televisão do meu país e vi programas para o povo apresentados por mamalhudas analfabetas especializadas em entrevistar famílias de desdentados que se queixam de casas a cair de podres, telejornais feitos de entrevistas de rua a um povão que se queixa da subida do euribor, comentaristas políticos que se queixam da crise do BCP, o líder da oposição que se queixa porque não pode controlar a Caixa Geral de Depósitos. A queixa é líder de audiências na televisão portuguesa.
    E que faz o Governo na quadra natalícia com o povo neste estado? Brindá-lo com mensagens de esperança? Não, fecha serviços de urgências no interior abandonado do país na véspera de Natal, manda cartas de penhora de contas, proibe fumar, ameaça com a ASAE (notazinha mental – não me fodam pá: enquanto toda a Europa premia o produto artesanal e manda levar no cu os burocratas de Bruxelas, neste meu país gerido por atrasados mentais penalizam-se os métodos tradicionais e os meios de subsistência centenários), deixa que as iluminações natalícias de Lisboa sejam patrocinadas pelo Santander. E avisa que a coisa só vai melhorar graças ao esforço do Governo. No discurso natalício do Primeiro Ministro não se ouve uma palavra de agradecimento pelo sacrifício das economias familiares, uma voz de ânimo, força, estamos quase lá! Que arrogante, este pequeno Sócrates que se pensa o fazedor de tratados só porque consta no título o nome de Lisboa, só porque se abraça ao namorado da Carla Bruni, só porque trata por tu o Zapatero.
    Sim, voltei a Madrid, fugida de uma Lisboa que sempre amei e que agora me dá urticárias. Não posso com tanta queixa feita cancro de nós, não posso com este rame-rame obrigatório, com este modo de viver que recompensa a lamúria. Tenho pena e queria desejar-vos Bom Ano, que sejais felizes, mas só se me ocorre pedir-vos para desligar a televisão. Saiam à rua, encham os bares, obriguem os donos dos restaurantes a ligarem o aquecimento, iluminem as ruas de Lisboa com as luzes das vossas árvores de Natal, fujam dos centros comerciais e levem os vossos filhos aos jardins, namorem nos bancos dos parques e esqueçam que somos uma campanha publicitária chamada a Costa Oeste de Europa. Somos um país de gente pouco alegre, bem sei, mas também não merecemos estar sempre a levar nos cornos, caralho.


    Por Rititi @ 2007/12/30 | 20 comentários »


    por que no te callas uf nem imagino o

    Por qué no te callas?

    Uf, nem imagino o gosto que deve dar na alminha mandar calar aquele cacique ordinário vestido de chefe dos escuteiros que comanda um país de desgraçados à pala dos petrodólares e do terror nas ruas! Que inveja lhe tenho eu a Juan Carlos, o único líder de um país civilizado que em voz alta tratou o imbecil da Venezuela como o que é, a gorda pedinchona da turma a quem só lhe tocam nas mamas porque o pai é polícia ou vive numa casa com piscina. E Juan Carlos, fartinho desta merda porque também tem piscina, é o chefe das polícias e por acaso até pode tocar nas mamas de quem lhe apetecer, e até os cojones de lhe ouvir as putas das queixinhas mandou-o dar banho ao cágado. Que fartura, homem, deixa lá o ZP falar, caralho… E Chávez, calou-se ou não? Pois claro. E levantar-se à metade do choradinho acomplexado de Ortega? “Es que Nicaragua ha tenido menos tiempo que España”. Ah, mas estavas à espera do que, ó palhaço, de tratamento VIP para um país em vias de subdesenvolvimento?
    Que Rei, gritaram o ABC, o PP, a esquerda envergonhada de ser sempre acusada de nacionalporreirismo, os monárquicos de toda la vida, que extraordinária defesa dos interesses pátrios, que par de tomates, que macho ibérico, viva Espanha, viva o Rei, uau que ainda me venho! Mas por acaso esteve mal o Rei. A mim também me apetece partir-lhe a boca ao Chávez, sim, e se estivesse estado na Cimeira a ver-lhe cagar pela boca fora acusações falsas sobre o país que governo também seria mulher para o mandar calar com o maior dos desprezos. Mas eu não sou um Rei, a mim não se me exige paciência, não me pagam para representar diplomaticamente Espanha, não fui educada para humilhar subtilmente nem sei como com o protocolo se ignora um palhaço. Eu posso pôr-me ao nível do Chávez, mandar o gajo páputaquetepariu, mas Juan Carlos não, nem pode permitir que esse caudilho utilize a sua actuação (invejável) para dar rédeas à típica demagogia de líder populista de um país de analfabetos. Demorou pouco Chávez a mandar a boquinha “eu pelo menos fui eleito”: o que lhe faltava a Juan Carlos a estas alturas do campeonato, com a Espanha cheia de esquerdalhos a queimaram fotos e fascistas com saudades do Franco desejando a chegada da III República.



    Por Rititi @ 2007/11/12 | 11 comentários »