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Rititi

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INÍCIO

  • A minha última crónica na Revista Penthouse: LUV Madonna

    A partir deste mês deixo de escrever na revista Penthouse. Com muitíssima pena minha, juro. Adorei escrever na revista Penthouse, rodeada de coninhas depiladas, mamocas, rabos alçados e declarações fabulosas das estrelas de cada número (“a primeira coisa que reparo num homem são as mãos”, “sou meiguinha mas selvagem na cama”….). Durante um ano e meio escrevi todos os meses sobre sexo, as relações de cama, as expectativas, as mentiras típicas, ou seja, detudo e nada de jeito, porque de sexo toda a gente sabe (ou devia saber) e o meu papel não era estar a dar lições a ninguém (e muito menos a gajos que compram uma revista com miúdas com as pernas abertas até às orelhas). Obrigada aos leitores, às meninas, às coninhas e ao Zé Mascarenhas um beijo enorme.

    Aqui vos deixo a minha última crónica, dedica à DIVA:

    “Todos temos os nossos ídolos. E eu, que não sou menos que ninguém, tenho o meu. Eu adoro a Madonna, que fazer. Percebo quando me dizem que não tem nada de especial, que é uma mulher pequena e magrelas sem nenhum rasgo físico que a faça parecer espectacular, assim do género Cindy Crawford (sim, eu sei, sou de outra época, caros leitores, mas esta que vos escreve já tem uma certa idade), dona de uma voz a atirar para o banal e ainda por cima está a ficar velha. Mas mesmo assim, ela é magnética, transmite uma força que nem que a Lady Gaga metesse os dedos numa tomada conseguiria nunca ter, é moderna, é deslumbrante, é uma diva. Ela é a Diva. Como tantos milhões de madonna-adicts do mundo vi dezenas de vezes o novo teledisco (ou será videoclip que se diz?), comentei no Facebook feita groupie adolescente o show que deu na Superbowl e já tenho uns quantos estilismos copiados para quando sair à noite com os meus amigos gays. Sou uma histérica, mas vivo bem com isto.

    Porque a Madonna sempre esteve aí, comigo, desde a minha adolescência. Era uma espécie de referência e mesmo que a minha mãe me proibisse expressamente sair de casa naqueles preparos eu imitava-a em frente ao espelho, com a franja cardada e umas meias rotas nas mãos a fazer de luvas. Patético. Mas não era a roupa ou o estilo dela que me fizeram adorá-la e tê-la como referente: foi o sexo. A sua visão da sexualidade, aberta, descarada, ilimitada, abriu-nos os olhos a milhões de adolescentes que, com cara de parvos em frente à televisão, percebemos que não havia nada de mal em gostar físicamente de outros, de muitos, aos pares, do mesmo sexo, de diferente raças, em várias posições e muitas vezes. O sexo, que nunca deixará de ser tabu e estará sempre vigiado pelos talibãs da moralidade alheia, nessa altura pareceu-me menos tabu, menos proibido e mais saudável. Uma mulher que me dizia que eu, mulher como ela, era a única dona do meu corpo, que não havia mais autoridade que a minha em relação à minha sexualidade, que o prazer é um assunto íntimo sem necessidade de supervisão ou autorização, e que a ninguém tinha que dar justificações sobre o que fazia ou deixava de fazer. E isso, foi a Madonna, com o Like a Virgin, o Vogue, o Satisfy my Love, que conseguiu. Uma epifania pop, toma lá.

    E agora é vê-la outra vez na televisão, sempre rodeada de marmanjos 25 anos mais novos que ela, já sejam namorados ou dançarinos que a acompanham nos espectáculos, a dançar feita uma ginasta soviética nos Jogos Olímpicos de 1975, dobrada sobre si própria e cada dia mais magra-magríssima, mais musculada e mais operada, numa tentativa louca, já não de manter nova, mas sim de parecer mais nova que há trinta anos atrás, lutando contra o tempo, a gravidade e a Historia Universal. Numa Cher, numa Demi Moore, até numa Sharon Stone todo este batalhar contra o inevitável me parece artificial, absurdo, mas em Madonna não. É o normal. Está a passar a mesma a mensagem: eu sou a dona, eu mando aqui. E a mim, deste lado da realidade, este recado vale-me tanto como valeu quando eu tinha quinze anos: eu sou sexy, mesmo passados os trinta, mesmo que já não pese o que marcam os tamanhos das roupas nas lojas que deveria pesar, mesmo que as minhas mamas vão evoluindo (não encontrei melhor eufemismos para dizer “já não são o que eram, as desgraçadas”) não há quem possa comigo. E em quanto ao sexo se refere, saber que até a Madonna, esse ser magricelas, baixinho e sem nenhum talento natural para nada (a não ser para ser ela própria) tem sempre atrelado um gajo que parece uma estátua grega é uma fonte de inspiração. E não há nada mais feminista que isto, nem mais optimista e mais valente. L.U.V Madonna!”



    Por Rititi @ 2012/05/02 | 5 comentários »


    PENTHOUSE DE MARÇO: UM ORGASMO É UM ORGASMO

    Segundo a Wikipedia, essa fonte de conhecimento da pos-modernidade, “La Petite Mort” é o termo que se refere ao momento imediatamente a seguir ao orgasmo e que está associado a uma pequena perda de consciência, a um ligeiro desvanecimento derivado do supremo êxtase orgásmico.Também é o nome do livro editado pela prestigiosa editora Taschen que recolhe as fotografias de 37 mulheres a masturbar-se que o canadiano Will Santillo foi fazendo ao longo de oito anos por esse mundo fora. Mulheres magras, mulheres gordas, com as calças descidas até aos joelhos, nuas num carro a ser observadas por desconhecidos que também se tocam, mulheres que se masturbam na banheira ou em frente ao espelho, com a mão ou com brinquedos eróticos, sozinhas ou com o parceiro, com pérolas no pescoço, com o sutiã caído, com o rabo alçado, com os dedos enfiados dentro da vagina, com a boca aberta e olhos revirados, mulheres reais, que não são actrizes nem profissionais da pornografia e que faz que este livro tenha uma honestidade brutal. As fotografias são bonitas, claro que sim, a luz é a ideal, a cor reflecte a sensualidade desejada, mas saber que as senhoras que aparecem ali com as pernas abertas e com cara alucinada enquanto se tocam as mamas e o rabo e as pernas depois vão para o escritório acabar o relatório e levam os filhos à escola dá-lhe ao trabalho do fotógrafo a veracidade perfeita para uma obra que tem uma vocação quase metafísica.

    Porque quando se trata da sexualidade feminina parece que a Humanidade ainda está à procura de uma explicação para a génese do prazer das mulheres, da essência primária, das razões e motivações para que uma miúda que vive num apartamento no Fundão com o namorado e o pastor alemão se encerre sozinha na casa de banho e se dê prazer com o chuveiro, se sente no chão de joelhos e se toque uma e outra vez com os dedos, que se venha em silêncio enquanto o mundo lá fora se debate entre as reuniões da Troika e a máquina de lavar a roupa. É fatal como o destino: cada três meses, não há tratado, livro, estudo promovido por uma reconhecida universidade americana que não se debata com o tema do orgasmo feminino. E se se trata de orgasmo em solitário, da masturbação, ainda é mais gritante, como se nesse acto tão privado e tão banal se encerrassem todos os segredos do Universo. Quando uma mulher se masturba nasce uma nova estrela, explode a anti-materia, colidem os planetas. Quando uma mulher se vem renasce a Humanidade.

    Pelo o amor da santa: BASTA! É só um orgasmo, mais um de muitíssimo que as mulheres têm como os homens também têm. Na cama, de manhã, antes de ir ao médico, na casa de banho do trabalho, com o marido, na cozinha: quando nos apetece. Essa é a verdadeira e única razão pela qual as mulheres se masturbam. Um orgasmo é um orgasmo: é essencial para a manutenção da  felicidade intelectual e física, sem ele não há relação sexual ou amorosa que sobreviva e deveria ser obrigatório que todos e cada um dos seres humanos soubessem como fazê-lo em solitário. A masturbação, se não põe os homens cegos, também não deixa as mulheres carecas. Que é muito boa? Claro! Que se deveria practicar mais? Óbvio! Que aliás as mulheres podemos ter vários orgasmos sozinhas e seguidos? Já toda a gente sabe isso. Mas já chega de fazer deste tema a tese de doutoramento sobre a metafísica da humanidade. É só um orgasmo, pá!



    Por Rititi @ 2012/04/18 | 8 comentários »


    PENTHOUSE DE FEVEREIRO: QUANDO ELAS FINGEM

    Rapaz conhece rapariga. Rapaz acha piada à rapariga. Rapaz faz o cortejo do costume e, depois de três cinemas, oitenta euros em jantares e uma tarde com as chatas das amigas, rapariga também acaba por achar piada ao rapaz. Rapaz dá beijinhos. Rapariga dá beijinhos. Rapaz tenta meter a mão debaixo da camisola. Rapariga diz que ela é uma moça séria. Rapaz almoça ao domingo com os pais da rapariga e ainda tem direito a visitar a avó paralítica no lar da terceira idade. Rapariga deixa meter a mão debaixo da camisola. Rapaz prepara noite romântica com velinhas e bombons num hotel com boas referências e longe das amigas, os pais e a avó paralítica. Rapariga estreia lingerie sexy como aquela da Luisa Beirão no anúncio da Triumph. Rapaz toma banho e passa pela farmácia para se abastecer com uma dúzia de preservativos XXL, ultra touch e hiper sensitive plus. Rapaz e rapariga fazem o que têm a fazer com muito cuidado para ficarem com uma bonita recordação da sua primeira e apaixonada vez. Rapaz esforça-se. Rapariga gosta mesmo do rapaz mas o rapaz não parece estar a esforçar-se na boa direcção. Rapariga tenta indicar. Rapaz não atina. Rapariga não pode acreditar que aquilo lhe esteja a acontecer. Rapaz acaba o que tem que acabar. Rapariga nem sequer viu uma luzinha ao fundo do túnel. “Gostaste, meu amor?”, pergunta ele. E ela depois dos cinemas, dos jantares, das amigas, do almoço com os pais e da visita à avó paralítica, depois da noite romântica e das velinhas, da cuequinha de fio dental e do sutiã almofadado, da expectativa, ela responde “sim querido, gostei muito”.

    Esta rapariga faz parte dos 60 por cento das mulheres que segundo a Universidade Oackland finge os orgasmos. Num original estudo (bocejos) sobre a sexualidade feminina (meu deus!) uns cientistas com as paredes cheias de diplomas entrevistaram 453 mulheres com o legítimo propósito de averiguar de uma uma vez por todas porquê elas dizem que sim quando a resposta deveria ser: “ó pá, se queres mesmo saber, a verdade é que foi uma grandessíssima bosta, não deste uma para a caixa, caneco, agradeço o esforço mas, francamente, para isto tinha ficado quietinha a comer chocolate que pelo menos sempre tinha gozado alguma coisa”. Mas não, elas fingem. E fazem-no, dizem os resultados deste inquérito, para manter o homem interessado e excitado e assim evitar uma possível infidelidade. E o estudo ainda vai mais longe: estas mulheres usam a manipulação para reter os gajos e as que mais mentem são as que depois continuam a maquinar outros estratagemas para evitar que os namorados as abandonem. Credo. Homens deste mundo: mais vale que aprendam a distinguir entre um verdadeiro orgasmo e esse gemido fingido e histérico que começa, que coincidência vejam só, quando vocês estão quase quase a chegar. Não tenham cuidado, não.

    E vocês, raparigas, escutem bem o que eu vos digo: a idade média das criaturas entrevistadas é de 21 anos. 21 anos, que horror! A esta idade as miúdas (sim, vocês) têm é que namorar. E namorar é provar, descartar, escolher, ir saltitando de cama em cama e, sobretudo, aplicar o verdadeiro método científico da prova-erro. O gajo até pode ser um bacano, um querido e um indivíduo realmente simpático, mas se vocês ficam a meio caminho, ou não sentem nada, se ficam com essa sensação de “porra, que desperdício” então têm bom remédio: ou dizem a verdade ou então partem para outra. Mas mentir? Não serve para nada, palavra de honra, e muito menos se a ideia é “reter” o gajo. Isto é só garantia de uma penosa e triste eternidade de mau sexo. E não há homem que mereça tanto sacrifício.



    Por Rititi @ 2012/03/28 | 8 comentários »


    PENTHOUSE DE JANEIRO: MITOS ERÓTICOS

    E se de repente um homem te diz que as tuas mamas sabem a presunto então esse homem é o Javier Bardem no filme “Jamón, Jamón”, na mítica cena onde o actor quase se engasgava, literalmente, a comer os peitos de uma incipiente boazuda Penlélope Cruz. Eu sei que há um mês já escrevi sobre este filme, mas tenho que vos confessar, caros e fiéis leitores da Penthouse, que esta frase, esta cena e sobretudo este Javier Bardem com umas calças de gangas insultuosamente justas e estratégicamente desabotoadas marcaram-me profundamente e condicionaram a minha percepção futura do género masculino e de todo o seu potencial. Esse Javier Bardem foi o meu primeiro mito erótico, o primeiro de muitos. Porque nós, as mulheres, também precisamos de mitos eróticos, de símbolos extremos de masculinidade, que funcionam como uma imagem deformada, hiperbólica e superlativa do que deveria ser o macho quando se trata de sexo. Neste caso, macho ibérico, claro, porque o que representava Javier Bardem nesta metragem icónica da espanholidade superlativa (com os seus presuntos ibéricos pendurados em todas as paredes, touros e casas de alterne à beira da estrada, seats ibizas e mulheres com mamas bamboleantes) era testosterona em estado puro sem que a personagem em causa tivesse um mínimo de profundidade intelectual ou qualquer rasgo de inteligência, perspicácia ou sensibilidade, por não falar já de falta de noção de como tratar uma mulher fora da cama.
    Sempre agradecerei ao realizador as imagens de um Javier Bardem a tourear completamente nu, só coberto pelo capote de toureio ou lambendo todas as fêmeas que lhe deixavam. Uma maravilha. Cada mulher tem o seu ícone, esse super macho que se idealiza para momentos muito determinados e que a faz estar convencida que com ele não haveria nenhum problema de tempo, nem de tamanho, nem de forma e que só serve para o que serve. Porque acreditar que sem componente romântico e cor-de-rosa as mulheres são incapazes de olhar para um homem ou que uma senhora de certa idade não pode desejar o chavalo da oficina onde leva o carro a arranjar sem querer casar (nem falar!) com ele é uma das grandes falácias da História Universal, além de uma soberba estupidez na qual não deixam de insistir comédias românticas, cançonetas de rádio e best-sellers de verão. O que se consegue com esta lógica redutora é a percepção que uma mulher só pode vibrar com os 300 espartanos de Frank Miller por dois motivos: ou porque precisa urgentemente de estabelecer uma relação sentimental duradoura com o Rei de Esparta porque a sua máscula e imbatível heroicidade é irresistível ao género feminino, ou então a mulher é uma taradona dominada pelo furor uterino incapaz de se conter perante um peito musculado e suado. E não é tão simples. As mulheres não somos só a Doris Day nem a protagonista recauchutada de um filme porno alemão.
    No fundo esta personagem do Bardem armado em bacano mega-macho que persegue as garinas na moto de 250 cc não passa de um garanhão que dá tusa, vá lá, mas que não sai daí. Mas os mitos eróticos são isso, uma projecção erotizada e exageradíssima de um desejo pontual e que não se corresponde de todo com o que realmente as mulheres querem num homem a longo prazo (ou um prazo superior à fabulosa e necessaria imediatez do encontro, à urgência do subir das saias e do descer das calças). Porque por muito que se fantasie com um homem que lambe umas mamas como se fosse uma francesinha com molho especial da Cufra não conheço nenhuma mulher que suportasse ter um gajo esfomeado 24 horas ao dia pegadinho às mamas.



    Por Rititi @ 2012/03/12 | 7 comentários »


    PENTHOUSE DE DEZEMBRO: PARVOS SÃO VOCÊS

    Que o sexo vende, toda a gente sabe. E que quando mais se abusa dele em campanhas de publicidade mais se falará do produto que se tenta vender. É um básico, basta lembrar os mais famosos e reconhecidos anúncios das televisões por cabo ou das cervejas nacionais, onde um par de mamas sempre acaba escarrapachado em primeiro plano como reclame definitivo. Do turismo, passando a automóveis até chegar a desodorizantes, não há agência de publicidade que poupe em rabos, decotes e pernas de escândalo se quer chamar a atenção de um público masculino pelos vistos sempre sedento de gajas boas em pelotas.

    Agora, o que eu nunca tinha visto era o sexo ser usado num anúncio de produtos de limpeza. Pensava que uma máquina de lavar loiça não passava disso, de uma máquina de lavar loiça. Que tira-nódoas e tusa eram dois conceitos irreconciliáveis. Que uma cozinha por arrumar nunca inspiraria um realizador a filmar um casal em roupa interior em grandes apalpanços e lambidelas. Uma gaja nunca acaba de aprender, acreditem. Este verão, enquanto as almas sensíveis estávamos a banhos e a tentar não morrer desidratados pelo calor, o realizador de cinema espanhol Bigas Luna – conhecido por ter apresentado ao mundo o fornido Javier Bardem (ai valha-me Nossa Senhora) e a Penélope Cruz pré-aumento mamário num filme chamado Jamón Jamón – estreou-se no mundo da publicidade com três anúncios a um desengordurante desses que tanto tira as nódoas de chocolate como as de óleo de camião. Mas como Bigas Lunas deve ser, posssivelmente, o cineasta mais hiper-sexualizado do universo, o que seria um banal anúncio do género “limpe com X e a sua casa ficará limpa” transformou-se numa porno-chanchada de dimensões altamente cómicas, numa espécie de homenagem ao feminismo de subúrbio como vocações de cabaret e lingerie com rendinhas. Isto para não dizer que o anúncio é uma estupidez bíblica, vá lá.

    Em todas as histórias o denominador comum é o mesmo: uma cozinha, uma miúda gira e um chavalo musculado só equipado com toalha/calça de pijama/boxer. Numa delas o casal está em feliz e acelerado estado pré-coital na bancada da cozinha quando (oh, horror!) a miúda repara que está rodeada de gordura e sujidade. Vai daí, saca da mala o produto de limpeza mágico e o amante (obviamente) deixa rapariga meio nua e de perna aberta e dedica-se a limpar alegremente a casa, os móveis e os sapatos sujos. Só quando tudo brilha e cheira a novo o macho tem direito a acabar o que começou. Uma mulher satisfeita é uma mulher feliz. Ou vice-versa, porque aqui não se percebe se o que dá mais prazer à protagonista é ter um gajo em tronco nu a limpar a casa, uma cozinha imaculada ou um produto que visto o resultado final do anúncio até é bem capaz de ter propriedades afrodisíacas.

    Eu, que sempre usei este tira-nódoas e me considero a presidenta do clube de fãs, sinto-me enganada, altamente decepcionada. Diga-me, Senhor Bigas Luna, em que momento da lida doméstica me aparecerá um adónis depilado na cozinha disposto a facilitar-me a vida? Para quando um marmajo tesudo em cima da vitrocerâmica? A minha empregda não tem nada que me dizer sobre isto? Porque o que aqui me vendem não são as qualidades prodigiosas do detergente, que como disse é extremamente eficaz, mas a promessa de sexo excitante, seguro e constante enquanto se põem os pratos na máquina de lavar a loiça. Outra coisa é que o Senhor Bigas Luna ache que as mulheres somos umas simples e que lá porque os gajos vão a correr comprar uma marca de cerveja e não outra por causa da boazuda que aparece no anúncio nós façamos o mesmo com um tira-nódoas. Desculpe mas somos um bocado mais espertas e complexas do que isto.



    Por Rititi @ 2012/01/21 | Sem comentários »


    PENTHOUSE DE NOVEMBRO: HOMEM NÃO FALA

    Durante uma curta viagem de autocarro a caminho do trabalho, ouço como um grupo de miúdas fala animadamente e com uma surpreendente leveza sobre um tema para mim  desconcertante: as expectativas vitais não cumpridas. Às oito manhã, toma lá, e iam misturando no debate tópicos como a imperiosa chamada do corpo para a maternidade, os inevitáveis conflitos com a mãe, o preço exagerado do cabeleireiro, a vontadinha de esmurrar o chefe de secção, os quilos a mais e, claro, os namorados e o que lhes fazem e o que não lhes fazem e quantas vezes e por aonde. Assim somos as mulheres: falamos sempre, muito e sobre tudo o que nos vem à cabeça. Precisamos fisicamente de falar, porque sabemos que pôr cá para fora o que nos vai na alminha equivale a uma boa sessão de cabeleireiro.

    Já os homens não falam. Não lhes é urgente, nem sequer necessário para a sua sobrevivência, não perdem tempo em partilhar com outros a crise dos quarenta ou a dificuldade de lidar com a incipiente calvície. Os homens não falam: agem, fazem coisas, compram uma mota quando se acham velhos e rapam a cabeça se ficam carecas. Não sei se é uma questão de evolução, desenvolvimento de uma parte determinada do cérebro ou simplesmente os gajos têm mais que fazer. Mas assim são eles, sempre foram e espero que continuem a ser para bem da humanidade e sobretudo das mulheres. Para quê precisaria uma gaja de  estar com um homem que lhe fala constantemente dos seus sentimentos, medos e frustrações? Há de verdade mulheres que gostem de homens assim?

    Pelos vistos há. E muitas. Um reflexo disto é o cinema e a televisão. Dando uma vista de olhos nas séries ou nas comédias românticas as personagens femininas perdem o sentido e apaixonam-se perdidamente por lindos e robustos heróis urbanos (bombeiros, médicos, advogados dedicados a boas causas) que não só as percebem e as ouvem como falam sem parar do seu amor, ou falta dele, do que sentiram quando fizeram sexo, das saudades arrebatadoras quando elas não estão. E falam do mesmo com os amigos, a quem fazem partícipes e cúmplices das suas relações amorosas, crises existências e o caneco. O termo ficção nunca fez tanto sentido. Os homens aqui não são homens, passaram a ser concretização das expectativas de umas criaturas que não acreditam na ordem natural do Universo e que acham que a igualdade entre os sexos consegue-se com a absurda feminização de todo o género masculino.

    Por sorte existe o Chuck Lorre, criador de duas séries deliciosas e super-masculinas chamadas Two and a Half Men e The Big Bang Theory. Se a primeira era protagonizada até à pouco tempo por um Charlie Sheen que fazia de si próprio (bêbedo, mulherengo incorrigível, infiel, jogador compulsivo) as personagens principais de The Big Ban Theory são quatro jovens adultos, grandes cientistas, loucos por banda desenhada e ficção científica e com sérios problemas de relacionamento com o resto da sociedade e sobretudo com as mulheres. Uns nerds, vá lá. O que têm em comum estas séries é a falta de empatia destes gajos com as mulheres. Não as entendem, mesmo que se esforcem até ao infinito, tudo quando dizem elas soa-lhes a chinês, e o melhor disto para o espectador é a ausência total de diálogos românticos, nem sequer sensíveis ao mais puro estilo de séries tão enfadonhas como Anatomia de Grey ou Irmãos e Irmãs. Séries de gajas que transformam homens em seres ridículos que debitam sem descanso frases que parecem copiadas de telenovelas venezuelanas. O melhor de isto tudo é que por fim vemos personagens masculinas divertidas, que olham para as mulheres com incompreensão mas cheios de desejo e que, cada um à sua maneira, tenta engatar mesmo que no caso dos nerds os resultados sejam desastrosos e quase sempre ridículos. Mas lá está: homem que é homem não fala. Faz.



    Por Rititi @ 2012/01/21 | 4 comentários »


    PENTHOUSE DE OUTUBRO: VIVA O PRODUTO NACIONAL

    Nesta altura em que os dias se vão encurtando, os céus se escurecem com promessas de frio e de chuva e que todos começamos a tirar os casacos e as botas do armário, a mim entram-me umas saudades doidas do verão. Saudades das férias. Saudades da praia. Dos biquinis. Dos corpos quase nus que correm pela praia e descansam na areia. Dos peitos bronzeados dos homens. Saudades dos rabos das mulheres. E que belos rabos que têm as mulheres portuguesas, senhores! Das praias de Espinho às de Portimão, passando pela Figueira da Foz ou Vila Nova de Milfontes, o areal português é um festival de nádegas lisas e triunfantes, como se de uma competição se tratasse. Durante anos fartei-me de ouvir gabar as espanholas, todas elas produzidas e desembaraçadas, as francesas, as mais desinibidas, as inglesas, doidonas e sempre prontas para a festa, ou as suecas, loiras com todas as suas consequências. E as portuguesas? Porquê esta discriminação em relação ao produto nacional? Nunca percebi. A portuguesa, além de ser a que vos calha mais à mão, tem o melhor rabo do mundo. Um rabo orgulhoso, rijo, um rabo que sem ginásio enxovalha os desenxabidos rabos alemães, que até podem muito ricos e desenvolvidos, mas que não passam de sacos fofos e tristonhos. E não me falem das brasileiras: os portugueses inventámos a bunda, por tanto não conta. A semente é nossa. O rabo primigénio é o nosso. Pronto.

    Agora que andamos todos macambúzios com a crise, os recortes nos subsídios de Natal, o aumento do IVA e a certeza que seremos mais pobres e menos viajados do que fomos há uns anos atrás, se calhar não era nada mal pensado começar a ver as coisas pela positiva. É verdade, estamos fodidos pela Troika, pelos mercados, todos os dias os jornais acordam-nos com uma nova péssima notícia. Teremos que esquecer as férias em Punta Cana, a compra do novo BMW, mudar-nos para um T3 com vistas para o Tejo não passará de um sonho impossível. E depois? Sejam optimistas! Temos um sol fabuloso em Portugal! As nossas mulheres têm corpos lindos! Eu sei que custa ser positivos a estas alturas do campeonato, mas lembrem-se dos rabos. Um rabo é sempre uma boa maneira de encarar a vida. Quando de manhã se cruzarem no elevador com a vizinha gira e solteira do andar de cima imaginem-a dentro dum biquini minúsculo a sair da água na Costa da Caparica. Maravilha. Se forem à pastelaria ao lado do vosso escritório olhem bem para a miúda que vos serve o café. Não vos parece bonita? O que terá debaixo da farda? Sorriam-lhe. Até a podem convidar a dar uma volta, beber um copo lá em casa, quem sabe se não tomarão o pequeno almoço na cama. Atrás da empregada assustadora das Finanças tenho a certeza que há uma mulher atraente, com pica, com graça, porquê não tentar engatá-la? O que podem perder? Nada, garanto-vos. Como muito levam com os pés, mas já dizia o outro: Paris bem vale uma missa.

    O dinheiro não traz a felicidade, mas ajuda. Já o sexo, ai, faz muita gente feliz. E o sexo é grátis, assim como o engate, a sedução genuína, o desejo, essas cócegas que nos surpreendem a meio da tarde. Sexo que não custa nada, que se consegue quando se quer saber o que faz a nova colega quando apaga o computador e vai para casa, como se comportará essa rapariga quando está longe das amigas. Mas, claro, para isso é preciso aprender a olhar para o que temos ao lado. E o que têm ao lado, do outro lado da porta, a mulher portuguesa, não só vos irá surpreender como terá, sem dúvida, o melhor rabo do mundo.



    Por Rititi @ 2012/01/21 | 5 comentários »


    PENTHOUSE DE JULHO – FIGURAS TRISTES

    Sentada numa esplanada no centro de Madrid, vejo como se aproxima à minha mesa um grupo de mulheres eufóricas comemorando uma despedida de solteira, gritando hinos anti-machos e marchando decididas como um batalhão de enfermeiras boazudas, todas elas ligas, cuecas fio dental e decotes até ao umbigo que deixam ver sem o mínimo recato sutiãs de rendas e mamas ao limite da explosão. Para rematar a cena estas amazonas descascadas coroam as cabeças com pilas. Pilas rosadas, enormes, hirtas e que brilham como espadas-láser dos Jedis. Há dias em que uma gaja não devia sair de casa, palavra de honra. Não se confundam: não tenho nada contra as representações da pila, aliás, sou super a favor de vibradores, dildos, coelhinhos incansáveis, hipopótamos mágicos e de tudo que faça a vida (e a sexualidade) das mulheres mais feliz. Mas não me sinto nada cómoda com estas manifestações do suposto orgulho feminino, como se levar um mangalho na cabeça nos fizesse melhores que os homens, mais mulheres, mais poderosas, mais fortes. Mentira, só nos faz parecer mais ridículas.
    Há uns anos atrás vi-me metida numa despedida de solteira. Uma amiga casava-se dias depois e uma das convidadas teve a infeliz ideia de nos levar a um clube especializado neste tipo de festas para jovens casadouras e com enorme facilidade para se embebedar rapidamente à base de bebidas doces e coloridas. Dezenas de mulheres histéricas dançavam imitando a protagonista de um videoclip chungoso de delinquentes da MTV, ansiosas para assistir ao excitante show da noite. E esse grande momento chegou encarnado num sargento da GNR com o peito depilado, um garanhão de ginásio insuflado a anabolizantes e manifestamente gay que debaixo da farda de plástico escondia o gigantesco objecto de desejo das assistentes ao espectáculo. O sargento abanava o rabo, as mulheres gritavam. O sargento apalpava-se o inchaço da entreperna, as mulheres babavam-se. O sargento arrancou as calças de plástico e as mulheres atiravam-se-lhe às pernas, gemendo como se lhes fosse a vida nisso. Até que o sargento escolheu entre o público uma embevecida futura noiva em estado de êxtase místico-vaginal a quem sentou no meio do palco. Já imaginam como acaba a história: enquanto o sargento se roçava alarvemente na cara dela, a eleita ao ponto do desmaio gritava “isto é o melhor que me aconteceu na vida! Mais! Mais! Não pares!”. E essa foi a altura ideal para fugir daquele filme de terror e ir beber um copo a um bar cheio de homens heterossexuais vestidos com t-shirts folgadas e incapazes de mexer a anca ao som da música pop.
    Que o melhor que te aconteça na tua existência seja que um gay te esfregue a pila na cara enquanto as tuas amigas uivam de prazer não só é medonho, é penoso, vergonhoso e tristemente patético. Como seriam as relações sexuais daquela desgraçada? Casava-se para quê, aliás, se obviamente o namorado era incapaz de a excitar e fazer-se babar? E, o que é mais importante, por quê esta necessidade absurda das gajas de imitar o pior dos homens? Acaso precisamos mesmo de assistir a shows de striptease masculinos para nos acharmos iguais aos homens? Usar bandoletes com forma de pilas luminosas é o sonho do feminismo pós-moderno? Meninas, tenham juízo. De certeza que não achavam piadinha nenhuma ver os vossos homens perdidos de bêbedos na rua com um colar de mamas ao pescoço. No mínimo pensavam que os gajos eram idiotas. A sério que gostavam de ter sexo com alguém assim? Pois é.



    Por Rititi @ 2011/08/22 | 8 comentários »


    Meninas nuas e violência de género

    A leitora Inês, ali em baixo, diz não perceber “como é que se pode escrever e fazer publicidade a uma revista de pipis e mamocas” e ao mesmo tempo dedicar uma crónica ao tema de violência de género onde me posiciono claramente a favor de uma lei que considera à partida as mulheres sempre vítimas e os homens sempre culpados; uma lei, por tanto, injusta mas necessária. Pode uma mulher como eu, feminista, clara defensora da igualdade e profundamente em contra da prostituição e que poria uma bomba em todos puticlubes começando pelo Elefante Branco, enfim pode uma mulher que acha que Portugal continua a ser um país estupidamente machista escrever numa revista onde as gajas aparecem com o pipi tão depilado que estão à beira da bronco-pneumonia e a debitar grandes sentenças como “gosto de sushi e também de bifinhos com cogumelos”? Pode, sim. Afinal, estas meninas, recauchutadas, rasuradas e a quem os tangas lhes devem dar imensa comichão porque estão sempre a coçar-se o que querem mesmo é que ser fotografadas para as páginas centrais como as gajas boas que se acham que são, sem cuequinha e com o rabinho alçado a subir as escadas do prédio. Que as revistas como a Penthouse perpetuam a ideia da mulher objecto? Ó pá, sim, claro. De objecto sexual, aliás. Duvido que a menina da capa queira outra coisa quando se aperta as mamas com aquele arzinho matreiro. Nem ela nem a namorada do Cristiano Ronaldo quando se deixou fotografar nua para a GQ ou nem a Paz Vega quando se arma em madame de casa de senhoras finas para a DT. Mas querer ser o objecto de desejo de milhares de homens não implica coisificar-se, deixar de ser gente, possuidora de direitos. Ser o objecto de desejo do meu marido não me retira dignidade. Sou algo mais que uma gaja boa, como as miúdas que aparecem na Penthouse ou na Playboy, que quando se vestem continuam a ter preferências musicais, direito ao voto ou prazer em comer bifinhos com cogumelos. Aliás, achar que os gajos que compram estas revistas só são capazes de olhar para as mulheres como seres fodíveis revela muito pouca consideração pelo género masculino. Que há homens broncos que sempre verão as mulheres como coisas, é verdade, mas essem nem precisam de comprar a Penthouse.



    Por Rititi @ 2010/12/07 | 7 comentários »


    Grandes momentos literários

    Já foram comprar o número 2 da Penthouse? Então, do que estão à espera? Lá dentro, além de pipis, mamas, mamocas e pneumáticos, rabos daqueles que dão inveja às gajas que sofremos os efeitos do trabalho de secretária e demais coisas de que os gajos gostam (carros, jogos de computador e futebol) vão encontrar mais uma fabulosa crónica desta vossa blogger favorita. Depois da análise da entreperna do Cristiano, este mês tocam cornos, os deles. Fodido.



    Por Rititi @ 2010/11/29 | 6 comentários »