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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • vi adorei e espero de coracao uma_08

    Vi, adorei e espero de coração uma segunda parte
    Sex and the City
    E repito o que escrevi no Pnet Mulher:
    “Amigas, moda e sapatos, festas, dietas, sexo, álcool e amor. Há acaso temas mais importantes para uma mulher? Como é possível que Sex and the City não tenha ganho já um Nobel da Paz pela inestimável ajuda à aproximação e acasalamento do ser humano como espécie em evidente perigo de extinção? Mas comecemos pelo princípio e com uma confissão que a estas alturas deverá parecer absurda: eu, Rititi Barata Silvério, sou fã ABSOLUTA da pandilha de Carrie Bradshaw desde aquela noite lisboeta sem planos e com menos dinheiro em que me sentei à frente do televisor de quatro canais e me deparei com um universo de glamour, relações sexuais plenamente (e sempre) satisfatórias, miúdas giras, homens bem vestidos, discotecas e cocktails com estilo e sapatos que nunca magoavam os pés. E fiquei devota das aventuras amorosas das histórias destas quatro amigas com vidas absolutamente irreais, mas fabulosas, que habitavam numa realidade paralela onde é possível que o ordenado de cronista de um jornal de terceira dê para pagar a renda de um apartamento em Manhattan, a subscrição a todas as Vogues do planeta e uma vida dentro do táxi e duns Jimmy Choo de salto impossível.
    Depois casei-me e vim viver para Madrid e as minhas crónicas foram publicadas num livro e troquei de casa e de bairro e até engordei uns quilos e mudei de penteado, ao tempo em que ia comprando em DVD todas as temporadas da série. Os meus amigos foram mudando e eu, graças aos céus, também e se antes tinha adorado as malas da Louis Vuitton um dia evolui e aprendi a amar as colecções vintage da casa Dior. Carrie, entretanto, já tinha abandonado a ideia de ser feliz com Mr Big, Samantha, como muitas mulheres que eu conhecia, lutava contra um cancro da mama, Charlotte confrontava-se com o (seu) fracasso orgânico da esterilidade e Miranda era mãe de produção independente, com a consequente desaprovação da empregada polaca devota da nossa senhora de Fátima. As festas e os sapatos continuaram a encher episódios, mas a vida tinha que continuar.
    Uma vida como as das espectadoras, mas melhor vestida. Porque este foi o grande segredo da série: apresentar ao mundo existências que repetem tópicos universais (o amor, a segurança, a família), mas metidas num embrulho mais bonito, mais limpo e mais caro. Nós já sabemos que a vida é uma merda, que há pessoas que morrem de cancro e de amores impossíveis, que há desemprego, alzheimer, ordens de despejo, frustrações, celulites e cornos, que nem todas podemos ficar grávidas e as que ficam nunca mais voltarão a caber numa 38. Mas quem é que gosta de ver filmes de Ken Loach? Eu, sinceramente, prefiro rir-me, fantasiar, e chorar com aquele último capítulo da série, quando o conto de fadas de cada uma das personagens se faz realidade e o mundo volta a ser um lugar que, apesar de doloroso e frustrante, nos pode fazer felizes. Eu não tenho complexos nenhuns com isto, era o que mais faltava.”
    (Obrigada, manamalindacósolicateferavista! Não pode haver melhor prenda de Natal!)


    Por Rititi @ 2009/01/08 | 12 comentários »


    no pnet esta semana em cheio

    No Pnet, esta semana em cheio:

    “… Sobre os camionistas, as greves e os colapsos, serei breve: eu quero é que vão dar graxa ao cágado, pá, que é para não os mandar levar num sítio que neste Pnet tão cor-de-rosa não assentaria nada bem. Durante esta semana ficou mais que demonstrado que se trata de um grémio egoísta e ignorante, incapaz de prever a óbvia subida dos preços dos combustíveis e por tanto impotente para resolver os pontos específicos de uma negociação privada e anterior sem chatear o governo e conjunto da sossegada sociedade. E por culpa da demagogia própria dos dirigentes da “classe operária” esta gentalha armada em defensores dos direitos dos trabalhadores não teve o mais mínimo problema em fazer refém a maioria das grandes cidades espanholas, bloqueando estradas e impedindo o abastecimento de mercados, bombas de gasolina e, o que é pior, impedindo milhares de pessoas de chegarem a horas ao trabalho, à escola, às provas de entrada na Universidade, ao médico, ao amante, à vida programada. Esta tentativa de sequestro da normalidade enoja-me e por isso felicito a actuação radical do Governo que considerou estes piquetes e bloqueios ilegais e alheios a qualquer direito à greve. Tudo preso! Bem feito, ministro Rubalcaba!… “

    (Se ler querem mais, já sabem!)



    Por Rititi @ 2008/06/13 | 2 comentários »


    o povao no pnet mulher sigismondo

    O POVÃO no Pnet Mulher

    Sigismondo Pandolfo Malatesta, Piero della Francesca, Óleo sobre tabla, 44 x 34 cm. París, Musée du Louvre

    (…)
    Porque a cultura, desculpem lá, precisa de respeito, de introspecção e até, imaginem que barbaridade, de silêncio. Um silêncio que a ninguém parece importar, um silêncio vilipendiado nas igrejas, museus e catedrais que só servem para armazenar excursionistas de dois em um a quem tanto faz ver a tumba de Jim Morrison em Paris ou o Mosteiro da Batalha. Visitar um museu transformou-se numa missão impossível, numa gincana que nos obriga a superar idiotas com câmara fotográfica a quem sempre se tem que chamar a atenção, recém paridas que insistem em amamentar em frente à “Mulher Barbuda” do Españoleto e turistas de sande de courato e “o Zezinho esteve aqui” escrito na casa de banho. Nem tudo vale culturalmente e muito menos o “olha, é da maneira que esta gente vê alguma coisa”, como se o sacrifício de uns poucos (realmente interessados) servisse para o bem geral (de uma maioria que se está obviamente a cagar). Mentira: os que olham quase nunca vêem, porque para isso é necessário o exercício da abstração. E toda a gente sabe que o povão é incapaz disso. (…)


    Por Rititi @ 2008/06/06 | 1 Comentário »


    gente normal na televisao matinal uma

    GENTE NORMAL

    «Na televisão matinal uma senhora de bata e permanente ao mais puro estilo salão de beleza Linda Cristina fala dos direitos das famílias a veranear sem serem agredidas na sua sensibilidade visual. Parece que esta senhora é a representante para os meios de comunicação de um grupo de banhistas que se faz chamar (aproximadamente) Associação para a Protecção das Praias Familiares e que defende a decência nas areias espanholas pejadas de rabos, mamocas e carnes no seu esplendor. “As famílias normais”, sincera-se esta senhora com óbvios motivos abdominais para não vestir um biquíni se tiver testemunhas por perto, “temos direito a passar um dia na praia sem sobressaltos. Por isso queremos que se proíbam nas praias familiares o top-less e o fio dental. Por agora”. Estas declarações provocam-me sempre o mesmo pensamento: há gente com demasiado tempo livre. E estas donas de casa armadas em porta-vozes de associações demagógicas vêm demonstrar a urgente necessidade de pôr o maior número possível de mulheres no mercado de trabalho a fim de evitar o aparecimento deste tipo de ligas da moral e do que é pior, da defesa da família». ()
    (O resto da crónica, no Pnet Mulher)



    Por Rititi @ 2008/05/30 | 2 comentários »


    vernice priscilla comentadora politica

    Vernice Priscilla, comentadora política

    “Desde que devido a esta prenhez que me ocupa deixei de poder ver o meu corpo debaixo da zona do umbigo e muito menos tocar, cortar e pintar as unhas dos pés, tive que recorrer aos serviços de restauração física da dona Vernice Priscilla Souza Jatobá, uma brasileira emigrada ilegalmente das terras para lá do sol posto, ou como ela própria diz, “dum lugar de onde não falam nem as novelas da Globo”. E posso dizer, sem que se me caiam os anéis e com certo orgulho cosmopolita, que entre a dona Vernice Priscilla e eu se estabeleceu uma espécie de relação íntima derivada não só da purificação dos poros faciais ou da depilação com cera e mel natural, como da análise económica, social e sobretudo política da realidade espanhola e europeia. Não há tema que se nos escape nas nossas sessões de pedicura e o nível de profundidade nas reflexões é tal que uma vez por semana sou obrigada a recorrer à sua perspicaz opinião para poder escrever aqui, manter uma conversa num restaurante ou até entender o que nos jornais internacionais vou lendo. Os resultados são óbvios, nunca antes tive a pele tão tersa e as ideias tão fundamentadas, pelo que se estiver por aí um director de algum programa de debates da televisão por cabo que me queira contratar, está à vontade: garante-se uma opinion-maker bonita, depilada, com os pés em perfeito estado e com conhecimento total dos males que corrompem do mundo”.
    (o resto da crónica, no Pnet Mulher)



    Por Rititi @ 2008/05/23 | 4 comentários »


    o sexo cidade e o direito amar jimmy

    O Sexo, a Cidade e o direito a amar Jimmy Choo




    Uma vida como a das espectadoras, mas melhor vestida. Porque este foi o grande segredo da série: apresentar ao mundo existências que repetem tópicos universais (o amor, a segurança, a família), mas metidas num embrulho mais bonito, mais limpo e mais caro. Nós já sabemos que a vida é uma merda, que há pessoas que morrem de cancro e de amores impossíveis, que há desemprego, alzheimer, ordens de despejo, frustrações, celulites e cornos, que nem todas podemos ficar grávidas e as que ficam nunca mais voltarão a caber numa 38. Mas quem é que gosta de ver filmes de Ken Loach? Eu, sinceramente, prefiro rir-me, fantasiar, e chorar com aquele último capítulo da série, quando o conto de fadas de cada uma das personagens se faz realidade e o mundo volta a ser um lugar que, apesar de doloroso e frustrante, nos pode fazer felizes. Eu não tenho complexos nenhuns com isto, era o que mais faltava.
    (E o resto da crónica, já sabem, segue no Pnet Mulher. Façam o favor)


    Por Rititi @ 2008/05/16 | Sem comentários »


    cronista feminina cronista feminina que

    A Cronista feminina

    Cronista feminina que se queira digna de respeito literário faz auto-censura, tem temas que são tabu e dos quais, por muito que lhe doa a alma (mal do que sofremos todas as cronistas femininas, até aquelas que se recusam ir ao cabeleireiro) nunca escreverá, por bem da sua reputação pública e da cada vez mais insípida e anestesiante literatura de fim de semana. Temas que encaixariam dentro do que (mal) se deu a conhecer como Universo Sex and the City e dos que fogem a sete pés todas aquelas que pretendam apresentar-se com certa elevação intelectual, temendo ser catalogadas como seres fúteis e amantes da moda e das dietas rápidas. Assim, assuntos tão importantes para o bem estar global e interplanetário como a “operação biquíni”, “oh meu deus, a minha sogra vem passar uma semana a casa” ou “ será possível voltar a caber dentro da 38 depois de parir?” transformaram-se nos verdadeiros párias do mundo da crônica escrita, nos temas intocáveis por supor um rebaixamento cultural e uma suposta vergonha para todas aquelas que um dia se quiseram comparar, pela nivelação idiota, com os grandes machos da coluna semanal.

    E mais no Pnet Mulher, o sítio das sextas feiras


    Por Rititi @ 2008/05/09 | 2 comentários »


    vida de prenha eu nao sou mama de

    VIDA DE PRENHA: EU NÃO SOU MAMÃ DE NINGUÉM

    Mas o que me tira do sério e já me dá comichões alérgicas da impressão intra-uterina é que terceiros me tratem por mamã. “Olá, mamã” e a mim só me apetece sacar da kalashnikov que todas as grávidas deveríamos receber nas aulas de preparação para o parto e, já não digo armar-me em Lara Croft de sete meses e meio (aliás, a minha imagem em mini-calções de cabedal deixa muito a desejar a estas alturas do campeonato), mas pelo menos impor, de uma vez por todas, algum respeito. Mamã? e lá ficam esses seres com um ar do mais satisfeito, como se participassem activamente da minha gravidez e até da minha nova e alargada família, porque afinal esta parece ser a intenção última destes intrusos com pele de cordeiro, ser partícipes, dar palpites, armar-se, achar. Infelizmente, 99% dos casos de interferência é protagonizado por mulheres, a maior parte delas mães recentes ansiosas de partilhar com o mundo (e com a grávida mais próxima) experiências vitais como a obrigação de qualquer recém-parida de comprar um lençol especial para o berço que alerte da morte súbita do bebé. Quem não acha não é gente, deve ser um novo lema de vida destas mulheres, armadas em líderes de opinião, e que parecem ter um CD Rom de pedagogia, puericultura, ginecologia e educação infantil enfiados no cu.” (ler o resto da crónica no PnetMulher)



    Por Rititi @ 2008/05/02 | 7 comentários »


    25 de abril da minha janela nasci um

    25 DE ABRIL DA MINHA JANELA

    Nasci um ano depois do 25 de Abril e por muito que leia ou estude sou incapaz de pensar a vida em ditadura, olhando sempre para trás, duvidando do confidente, escondendo livros, pensando no meu irmão morto na Guiné, precisando de autorização do meu pai-marido para comprar um carro. E ouvir vozes saudosas de um passado a preto e branco, vozes que lamentam tempos de morte numa guerra longínqua parece-me horrendo, sinal de gente muito mesquinha, pobre da cabeça e miserável, até. Esta semana, o poeta argentino Juan Gelman recebeu o Premio Cervantes da Língua Espanhola com um discurso terrivelmente dramático que reivindicava a força da memória contra o terror da ditadura, a necessidade de nunca esquecer a morte de inocentes (na Argentina foram desaparecidas mais de 30.000 pessoas, em Portugal uma geração perdeu-se numa guerra que só interessava a uma pandilha de lunáticos agarrados a uma certa ideia de historia) e a urgência do resgate da memória como “único caminho para construir uma consciência civil sólida que abra as portas do futuro”.
    Mais, no Pnet Mulher


    Por Rititi @ 2008/04/25 | 1 Comentário »


    por carroca na frente dos bois parece

    Pôr a carroça na frente dos bois

    “Parece que volta o mito das duas Espanhas irreconciliáveis e antagónicas. Por um lado na televisão falam-me da Espanha Zapatera, paritária e consagrada pela Lei da Violência de Género e o Ministério da Igualdade, uma Espanha onde uma grávida passa revista a um exército que até há trinta anos servia os desígnios de uma ditadura nascida da guerra civil, uma Espanha de deputados e deputadas, de ministras e ministros, de cidadãos e cidadãs, de espanhóis e espanholas por decreto de lei e por cojones.”
    (E mais, como todas as sextas, no
    PNET Mulher)


    Por Rititi @ 2008/04/18 | 2 comentários »