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E começa aqui uma sentida homenagem às minhas boys-band mais íntimas, às bandas sonoras do duche matinal, às tentativas de coreografias manhosas nas matinés de sábado, aos bacanos que se atreviam com coletes e franjas cardadas e nao por isso eram menos machos e a esse clássico da música romântica adolescente que é o oooooobeeeeeeibiiiiii. Vá lá, nao se armem em caganitas, que eu sei que vocês gostam.
En Vogue – My Lovin’ (You’re Never Gonna Get It) – 1992
Mas bem pensadas as coisas, eu para adolescente hormonal estava muito bem. Aliás, estava melhor que bem; tinha amigas (elemento fundamental para ser feliz), era magra (elemento fundamental para ter amigas), tinha aparelho (elemento fundamental para mais tarde ter gajos e ser invejada pelas que não eram minhas amigas) e tinha enchumaços (elemento fundamental para estar na moda e por tanto ter amigas). Que agora me horrorizem a franja, os sapatos de fivela (quando não eram de vela), as gangas deslavadas, as permanentes que queimavam o cabelo ou os elásticos de veludo é sinal que estava mais que enturmada nos felizes anos 90. É fodido, mas já na altura era popular. E gira. Não admira que não me convidem para escrever sobre grupos deprimentes de pop inglês na ipsilón.
E que me dizem desta explosão de música de dança sem complexos, culta e divertida e banda sonora da última geração, a nascida nos fabulosos 70, que saiu à noite sem precisar que os pais lhes esperassem às quatro da manhã à porta da nisconaite? Saberão os menininhos de vinte e tal pedir um táxi?
Podia ter escolhido Twin Peaks, mas o pedantismo não me seduz o suficiente. Eu sou mais de séries hormonais, roupa gira, sofrimentos de colégio de freiras, complexos sobre o tamanho das mamas e o fim da ortodontia e amores nascidos nas discotecas da moda. Aliás, Laura Palmer já estava morta quando a encontraram, que grande codilho.
E os cabrões dos japoneses psicopatas que inventaram didácticas e alegres séries para as crianças da nossa geração. Se Marco é um claro exemplo da banalização do mal, então que contar de Candy Candy? Que tipo de desequilibrados contratavam nos estudios de anime do Japão? É que não havia mais putadas que inventar para a desgraçada da miúda? Quantos capítulos de mortes, separações, amores desencontrados e traições pode aguentar uma mulher? Tens toda a razão, Rodrigo, muito bons somos nós da cabeça.
Dee-Light – Groove is in the Heart Educação musical, querida Carla, e psico-social também. Porque qualquer que tenha sido obrigado a aprender a dançar em público (e em frente a toda a turma numa discoteca para adolescentes, ai mãezinha) com os Dee-Light nunca na vida de adulto teve um complexo.
Pois é, a única geração de jeito é a que teve 15 anos em 1990. Quem sobreviveu, como eu, à adolescência com os cabelos cardados, enchumaços XXL, calças de ganga pelo tornozelo lavadas a pedra, é feito de outra matéria. Já gostaria eu de ver os putos de agora a marmelar com os slows de Rick Asley (ou o que é bastante mais asqueroso: ao som dos inenarráveis Trovante, arrrrg…) enquanto bebem aquela bebida radioactiva chamada pisangambom… Não há quem nos chegue aos calcanhares, por muito que os adoradores dos anos 80 insistam em fazer-nos acreditar na magia daquela década decadente e bizarra (nota mental: já repararam que os adoradores dos anos 80 não sabem dançar?). Sim, amores, já podem ir mandando bitaites que não têm razão: os que nasceram antes de 1970 são uns cotas que deveriam deixar de invejar-nos e tentar ser felizes com a maturidade e a calvície. De preferência podiam ir deixando espaço na pista de dança e ir para casa lamber capas dos Clash ou o que raio ouvissem quando eram jovens. Os que nasceram depois de 1980 são uns pintelhos insignificantes ao nosso lado. Não vale a pena: vão beber copos para Santos.