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Que o meu filho tenha duas pátrias, duas línguas e duas capitais, que se ache cómodo no flamenco e no fado, que saboreie a suas raízes numa açorda de poejos ou num gazpacho extremeño, que para ele Elvas seja tanto a entrada e como a saída a casa, que se reconheça no humor dos Gatos Fedorentos e dos Muchachada Nui, que seja salero e saudade, Atlântico e Mediterrâneo, Alentejo e Dehesa, Portugal e Espanha e que desfrute desta deliciosa esquizofrenia de ser ibérico.
O Rititi Boy é tão _________ (preencher o espaço em branco com todos os adjectivos qualificativos parolos e lamechas impossíveis que até fariam corar as fãs mais incondicionais da Hello Kitty) que às vezes até me arrependo da minha promessa repetiva até a exaustão de não publicar no blogue nunca, jamais, ever, fotos da criatura. São vaidades, senhores, são vaidades.
Onze graus, ventos encabronados pela evidência do Inverno, chuvas que molham pelo lateral e a puta da pediatra a chamar gordo ao Rititi-Boy. O único refugio às inclemências deste mundo real tão desagradável é a música. Enquanto as gentes se atarefam lá fora a tentar salvar o sistema capitalista, nós dançamos no quentinho da sala, desaproveitando as horas e as suas utilidades, deixando que se diluam nos ritmos de África os recados, as tarefas, as urgências. No quentinho da sala não consentimos que o tempo passe depressa.