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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • PENTHOUSE DE JANEIRO – I HAVE SEX

    O que aconteceria se uma mulher deixasse cair no meio de um mercado de Abu Dhabi uma mala cheia de preservativos dourados à frente de dezenas de homens locais para quem o sexo é um tema unicamente masculino e a igualdade entre géneros é o maior dos sacrilégios? Que diria essa mulher, por sinal vestida com mini-shorts e blusa decotadíssima a roçar a transparência, a essa horda de machões coléricos preparados para a execução pública da tão indigna rameira? Para Samantha Jones, a protagonista cinquentona, boazuda e sexualmente liberada de Sex and the City 2, a resposta é clara: gritar bem alto “I have sex!” e sair a correr como alminha que leva o diabo antes que algum desses incomodadíssimos e certamente decentes pais de família começasse a atirar-lhe pedregulhos à cabeça em nome de Alá.

    Neste disparatado filme, sequela menor e parva de uma das séries mais divertidas e inteligentes da história da televisão, esta é a cena a reter e a mensagem para mais tarde inscrever nos anais do feminismo do século XXI. Não importa o que uma mulher, neste lado do mundo, tenha construído, ganho e conquistado, os livros lidos, a quantidade de homens que tenha amado, a que partidos haja votado, nada de isso importa quando se chega ao paraíso da pirosice e do mau gosto chamado Emiratos Árabes, uma região deserta governada por uma cambada de pastores machistas para quem a ideia da modernidade passa pela construção de edifícios mastodônticos com cúpulas douradas, ilhas artificiais e circuitos de Fórmula 1 no meio do nada. Se “poderoso caballero es don dinero”, quanto mais não será o petróleo, que faz que o Ocidente coma e cale em nome do reabastecimento dos depósitos dos nossos automóveis. Quem se lixa são elas, as mulheres, tapadas até às sobrancelhas, escondidas debaixo de panos negros, negadas de individualidade, de voz, de autonomia. Por isso o grito de Samantha Jones é fundamental: olhem para mim, isto são preservativos porque eu também faço sexo, seus anormais!

    Mas esse grito também é importante no chamado mundo livre, neste hemisfério onde todos somos iguais, onde os direitos são os mesmos, mas quando se toca o tema do sexo continua a pedir silêncio às mulheres em nome do recato que supostamente nos deve caracterizar. Uma mulher quer-se que seja uma senhora e toda a gente sabe que uma senhora não tem sexo, faz o amor. E o pior é que parece que muitas mulheres, para não ferir susceptibilidades masculinas, estão de acordo com a manutenção desse papel de “lady”, esperando sempre a ser seduzidas, a ser cortejadas, a que lhes abram a porta, as levem para a cama. Até as meninas que são capa e protagonistas da Penthouse, tão descasdas e tão depiladinhas, com o seu rabo a léu e as maminhas ao descoberto, quando são entrevistadas comentam os pratos favoritos, o que preferem dos homens (os olhos e as mãos, oh que surpresa!), como gostam de ser tratadas, mas nunca falam de sexo, como se nunca o praticassem activamente!

    E não só no tema do sexo se nos quer passivas e sossegadas. No trabalho não agradamos se somos agressivas, as feministas têm fama de histéricas mal amadas, as que usam palavões com a mesma naturalidade que os homens não passam de mal-criadonas aloucadas, as grávidas que mostram a barriga de sete meses são consideradas umas exibicionistas, putos de vinte e poucos que namoram com senhoras mais velhas fazem-no por dinheiro e nunca por natural interesse numa mulher bem vivida e potencialmente mais sábia, por não falar da fama miserável das miúdas que insistem em ter uma vida sexual activa e saltitante. Eu digo que é medo. Sim, muitos homens infelizmente têm medo de partilhar mesa e cama com uma igual, uma mulher que lhes faça frente, que se mostre forte e altiva, sem fingimentos sonsos de menininha indefesa. E não deveriam, palavra de honra. Se nós gostamos que os homens sejam fortes e valentes, audazes e potentes, porquê não haveriam eles de preferir que a mulher que os acompanha seja sexy e poderosa? Que ameaça pode constituir para um homem bem resolvido uma fêmea com voz activa e vontades bem claras? Se eu fosse homem estaria bem feliz de encontrar uma mulher com tanta iniciativa ou mais que eu, que me surpreendesse, me excitasse, me desse vontade de mais e melhor cama e que me reclamasse de vez em quando “I have sex”! Mas claro, eu gosto de homens de verdade que gostam de mulheres de verdade.



    Por Rititi @ 2011/02/24 | 6 comentários »


    SEX AND THE CITY 2

    Vivienne Westwood para uma excursão ao deserto, encontrar o ex-namorado perfeito vestida de Dior num mercado das especiarias em Abu Dabhi, Liza Minelli a cantar Beyoncé num casamento gay com cisnes brancos, um hotel de luxo asiático a roçar o mau gosto, sapatos, jóias, dúvidas existenciais num casamento onde não falta nada, desespero de uma mãe não trabalhadora que tem uma criada interna que não usa sutiã… Um disparate maravilhoso, caro e uma homenagem aos fãs que acumulamos horas da nossa vida a ver a série dias e fins de semana a fio. Sim, é um exagero, uma patetice, um ridículo. E? Ainda continuo à espera de ler críticas de igual intensidade aos filmes do Bruce Willis, onde o gajo é capaz de parar a rotação da terra com a ponta da pila. Pois.



    Por Rititi @ 2011/01/10 | 3 comentários »


    vi adorei e espero de coracao uma

    Vi, adorei e espero de coração uma segunda parte (II)

    Jamón, queijo, cerveja, panchitos, o Rititi-Boy com a avó e SEIS temporadas de Sex and the City ,e assim passam duas irmãs uma tarde de inverno, esparramadas no sofá, partilhando confidências e segredos e vá lá, só mais um capítulo e vou-me embora. Entretanto, do outro lado da televisão, enquanto Carrie continuava à procura do foram felizes e comeram perdizes ao lado do totó acomplexado do Berger, Charlotte York convertia-se ao judaísmo por amor. E olhando para a minha irmã, de repente vi a luz e descobri (depois de mais de quinhentas horas de Sex and the City para a veia) porquê esta série que tanto amo e tão feliz me faz é tão irreal, tão fantasiosa e tão pouco credível. Não são os diálogos sempre frescos, divertidos e inteligentes, nem a quantidade de gente bonita, magra e bem vestida por metros quadrado, nem a impossibilidade física dos sapatos da Carrie caberem naquele apartamento minúsculo, nem sequer a qualidade dos machos (até quando não prestam são bons). As gajas não têm mães. 
    A Charlotte converte-se ao judaísmo e nem sequer pega no telefone para informar a mãe, algo totalmente inimaginável na vida de qualquer mulher que eu conheço. Minto, Miranda teve uma mãe, mas morreu. E foi só no funeral que nos revimos na eterna necessidade de agradar, de ser perfeitas para elas, independentemente de sermos bonitas, excelentes  profissionais, termos amigos que nos adoram e uma vida social rica e invejável. Com um único capítulo, o tema das complexas relações com as mães fica resolvido e só é levemente tocado quando a criada Magda reprova a vida sexual e sentimental da patroa. Já com os gajos a coisa é diferente: o primeiro marido de Charlotte (a inefável Bunny), Steve, Harry (morta, mas cuja importância é fundamental no tema da conversão), até Mr. Big… Todos têm mães! Mas aqui não aparecem como mães: são sogras, inimigas potenciais, o outro lado do problema. Carrie escreve de sexo e a mãe nunca lhe telefona (com as consequentes intervenções e tentativas de censura), Samantha tem um cancro e vai sozinha às consultas (alguma vez a minha mãe me abandonava assim…). E como é possível que Charlotte troque de fé sem um intenso debate com a família? 
    Será por serem americanas? Betas? Protestantes? Brancas? Acho que não. O segredo está nos argumentistas: são homens, gays, mas homens, incapazes completamente de entender a profundidade destas relações, a necessidade orgânica da partilha do quotidiano, a inevitabilidade do conflito, a intimidade dos gestos, o conhecimento absoluto e honesto do que nos vai na alma. E sim, as amigas são importantíssimas para a nossa sobrevivência  física e moral, a pedra onde nos agarramos tantas vezes quando achamos que as coisas não podem ir pior. Mas claro, uma mãe pode ser bastante castradora: Sex and the City com uma mãe a mandar vir com os namorados, mudanças a Paris, reportagens na Vogue, leeftings ao rabo, noites sem dormir e Manolos a quinhentos dólares, também era giro, mas já não era Sex and the City.


    Por Rititi @ 2009/01/14 | 11 comentários »


    vi adorei e espero de coracao uma_08

    Vi, adorei e espero de coração uma segunda parte
    Sex and the City
    E repito o que escrevi no Pnet Mulher:
    “Amigas, moda e sapatos, festas, dietas, sexo, álcool e amor. Há acaso temas mais importantes para uma mulher? Como é possível que Sex and the City não tenha ganho já um Nobel da Paz pela inestimável ajuda à aproximação e acasalamento do ser humano como espécie em evidente perigo de extinção? Mas comecemos pelo princípio e com uma confissão que a estas alturas deverá parecer absurda: eu, Rititi Barata Silvério, sou fã ABSOLUTA da pandilha de Carrie Bradshaw desde aquela noite lisboeta sem planos e com menos dinheiro em que me sentei à frente do televisor de quatro canais e me deparei com um universo de glamour, relações sexuais plenamente (e sempre) satisfatórias, miúdas giras, homens bem vestidos, discotecas e cocktails com estilo e sapatos que nunca magoavam os pés. E fiquei devota das aventuras amorosas das histórias destas quatro amigas com vidas absolutamente irreais, mas fabulosas, que habitavam numa realidade paralela onde é possível que o ordenado de cronista de um jornal de terceira dê para pagar a renda de um apartamento em Manhattan, a subscrição a todas as Vogues do planeta e uma vida dentro do táxi e duns Jimmy Choo de salto impossível.
    Depois casei-me e vim viver para Madrid e as minhas crónicas foram publicadas num livro e troquei de casa e de bairro e até engordei uns quilos e mudei de penteado, ao tempo em que ia comprando em DVD todas as temporadas da série. Os meus amigos foram mudando e eu, graças aos céus, também e se antes tinha adorado as malas da Louis Vuitton um dia evolui e aprendi a amar as colecções vintage da casa Dior. Carrie, entretanto, já tinha abandonado a ideia de ser feliz com Mr Big, Samantha, como muitas mulheres que eu conhecia, lutava contra um cancro da mama, Charlotte confrontava-se com o (seu) fracasso orgânico da esterilidade e Miranda era mãe de produção independente, com a consequente desaprovação da empregada polaca devota da nossa senhora de Fátima. As festas e os sapatos continuaram a encher episódios, mas a vida tinha que continuar.
    Uma vida como as das espectadoras, mas melhor vestida. Porque este foi o grande segredo da série: apresentar ao mundo existências que repetem tópicos universais (o amor, a segurança, a família), mas metidas num embrulho mais bonito, mais limpo e mais caro. Nós já sabemos que a vida é uma merda, que há pessoas que morrem de cancro e de amores impossíveis, que há desemprego, alzheimer, ordens de despejo, frustrações, celulites e cornos, que nem todas podemos ficar grávidas e as que ficam nunca mais voltarão a caber numa 38. Mas quem é que gosta de ver filmes de Ken Loach? Eu, sinceramente, prefiro rir-me, fantasiar, e chorar com aquele último capítulo da série, quando o conto de fadas de cada uma das personagens se faz realidade e o mundo volta a ser um lugar que, apesar de doloroso e frustrante, nos pode fazer felizes. Eu não tenho complexos nenhuns com isto, era o que mais faltava.”
    (Obrigada, manamalindacósolicateferavista! Não pode haver melhor prenda de Natal!)


    Por Rititi @ 2009/01/08 | 11 comentários »


    post para sexendaciti adictos depois

    Post para sexendaciti-adictos



    Depois dos meus dias de Carrie como cover girl, chegou a hora de viver o meu momento Miranda Hobbes. E adoro.


    Por Rititi @ 2008/09/05 | 1 Comentário »