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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • Não sou mulher para estar de baixa, está visto

    Quando uma mulher como eu chega a esta idade fabulosa – leia-se 39 anos – tem de começar a entender os seus limites físicos. Sobretudo depois de ter ingerido um determinado número de gins tónicos (e alguma que outra garrafa de vinho). Queridas amigas que andam pelos trinta e tais e que me consideram a gurua infalível do life-style de autocarro matinal, guardem para a vida estas sábias palavras: o álcool é incompatível com as coreografias das grandes divas do pop planetário. Mais ainda se se tenta imitar os passos do Bad Romance com um puto de 5 anos e meio que pensa que a mãe está nos píncaros do bacanismo às cavalitas. Lamentavelmente Lady Gaga é inimiga das articulações de uma senhora com pouco equilíbrio (e inexistente sentido do ridículo). Por isso desde o meu sofá vos escrevo, queridas leitoras, a gozar de uma linda baixa médica graças a um entorse no joelho e uma possível lesão do menisco, que pelos visto é uma cartilagem que habita sem meu consentimento dentro deste fabuloso corpo e que serve basicamente para me obrigar a estar paralisada com uma joelheira de neopreno que dá um calor do caralho. Depois querem que eu faça desporto, só se for para me foder toda de vez e ainda por cima sóbria. Não sou essa classe de mulher. Ainda estou em processo de classificação, é verdade, mas não esperem de mim que vista um fato de treino e ande com ele em público. Só me faltava mesmo era postar no blogue fotos de ténis, leggins e t-shirt, toda suada, numa meia maratona, rodeada de gente de boné e celulite nas ancas. Claro. Isso e beber sumos de erva, ou como quer que se chame aquela merda detox. Ou escrever textos com palavras como “inspiração matinal”, “acreditar”, “amor que me inunda”. Ou fazer workshops de auto-ajuda, já agora. Enfim, que dizia eu que estou aqui de perna estendida com o MacBook no colo em frente à televisão porque do que eu sim tenho a certeza é que sou essa classe de mulher que sabe aproveitar a baixa para ver programas de televisão escabrosos com supostos famosos que parecem saídos de puticlubes de estrada e que não têm onde cair mortos. Claro que para saber quem é a prima grávida da cunhada do terceiro concorrente expulso da séptima edição da Ilha dos Famosos é preciso calo, estômago e uma parte do cérebro carente de escrúpulos. Por sorte tenho isso tudo. E muito mais. Nestes momentos está a Aguasantas, uma sex-symbol de centro comercial de subúrbio maquilhada como uma porta e as mamas subidas até ao queixo, sentada numa espécie de trono (a partir de agora chamada “Tronista”) a tentar escolher entre meia dúzia de marmanjos que dizem ser heterossexuais apesar de não conseguirem esconder o ar de panascas-poliéster estilo primark, com direito a cabelinho à Cristiano, brinquinho e tatoo em língua exótica e com nomes como Ruben, Isaac, Ivan, Maikel, Angel ou Alessandro (aka os “Pretendentes”). Parece ser que a finalidade do programa em questão é encontrar o Amor e para isso “Tronista” e “Pretendentes” mostram o melhor de si (mamas, ambos os sexos), as suas aspirações vitais (há um futebolista de terceira regional B que quer jogar no Real Madrid, lógico), os seus sentimentos (em meia hora desta merda fartaram-se de sentir), o seu percurso profissional (como a prolífica carreira de gogó em discotecas gays de Albatece do Isaac) e o seu estilo de vida (putéfia e despojos sociais, em resumo). Para se conhecerem melhor combinam em jacuzzis e enrolam-se. No programa seguinte comentam o enrolanço e os sentimentos (lá está, só não sente quem não é filho de boa gente). Do melhor, obrigada. Que pena que se me acabe a baixa para semana. Porque eu até sou gaja para sentir empatia por estes seres desgraçados, conhecendo-me até era capaz de mandar SMS ao 2233 com a palavra Aguasantas seguida do meu “Pretendente” favorito (claramente o Ruben) e entrar no twitter com os hastag do programa e, porque não, chorar quando o Amor verdadeiro surgir, depois dos jacuzzis e das quecas nos motéis de má morte, e quem sabe indignar-me com os cornos do Ruben com a outra tronista de nome impronunciável. Foda-se, acho que o entorse se me está a subir ao cérebro. Amanhã acho que vou ver uma telenovela colombiana qualquer, só para subir o nível.



    Por Rititi @ 2014/04/09 | 10 comentários »


    Rititi Educa o Povão: Treme

    Uma cidade, New Orleans, rebentada pelo Katrina, um sistema que não funciona e que se está a cagar para a devastação que deixou um furacão mas sobretudo a incompetência e o desleixo, gente que não pode voltar a casa porque directamente já não tem casa para onde voltar, escolas que não abrem porque ninguém se lembrou que tinham que abrir, companhias de seguros que não pagam indemnizações, carros escondidos debaixo da lama que ninguém limpa, polícias que passaram de heróis a corruptos, desaparecidos, lama, lixo, mas sobretudo esperança, cidadãos anónimos que lutam para que a cultura importantíssima da cidade não desapareça debaixo dos escombros, restaurantes que se esfalfam para abrir todos os dias, bares cheios, jam sessions, músicos que ficaram sem trabalho mas que se juntam por cem dólares porque assim é que deve ser, japoneses altruistas, bloggers indignados, índios do Mardi Gras, receitas de comida absolutamente deliciosas, trombones que se perdem e muito jazz, jazz do bom. Tudo isto é Treme, a série da HBO a que cheguei com um ano de atraso mas que me tem alegrado os serões calorosos deste fim de primavera. A primeira temporada foi-se numa semana. Obrigada, David Simon.



    Por Rititi @ 2012/05/14 | 1 Comentário »


    Muito bons são eles

    Ri-me tanto. Obrigada Revista Sábado por me proporcionares grandes gargalhadas a meio de uma manhã chuvosa e triste nesta terra madrilena. Obrigada, a sério. Só um optimista pode acreditar que o Mel Gibson é o presidente da Alemanha, só alguém. Amei. E ao contrário do 95% dos portugueses não fiquei consternada, nem muito menos indignada com a qualidade da “nossa” juventude, não me senti desiludida com os futuros engenheiros, psicólogos e desempregados com mestrado deste país. Do que é que estavam à espera? Acaso vocês que tão chocados estão não sabem com quem trabalham, não ouvem as conversas no metro, não lêem blogs? Esperavam o quê? Dissertações sobre o último livro de Philip Roth à porta da Faculdade? Este meu país não pára de me surpreender, de facto. Estas criaturas são filhas do Portugal dos últimos 20 anos, de uma classe média bêbada de Euros e auto-estradas grátis, idiotizada pela sensação de novo-riquismo à base de subsídios do que antes chamávamos a CEE, que se acreditou europeia e por tanto com direito a ter tudo novo. E teve. Os últimos carros, os últimos telemóveis, as últimas férias nos resorts, os últimos restaurantes da moda, a última mala da Carolina Herrera. Uma classe média que associou o ter para ser alguma coisa de jeito. Conheço malta cheia de MBA, bmw e iphones que passa férias de barco em Ibiza e bebe o melhor e mais caro vinho e que não diz nada de jeito, que não vai a um concerto se não é convidado por algum banco ou associação de advogados, gente que não pisa museus, só galerias de arte. Conheço directores gerais que não sabem o que significa a palavra “antologia”. Conheço professores que não têm livros nas estantes de casa, médicos que só viajam em cruzeiros, advogados que não sabem que foi D. João II. Estou a falar de uma classe média que não se importa de pagar balúrdios absurdos pela educação dos filhos, pagando-lhes aulas extra de piano, inglês, ténis e chinês mandarim mas que não têm a menor curiosidade em saber o que aprendem. Os pais, já sabemos, são muito bons no que fazem, são maravilhosos gestores/advogados/técnicos/jornalistas/doutores em sociologia germânica, mas o resto, religião, cultura geral, literatura, filosofia, política, pois é, não é com eles. Muito bons são os putos. Ao menos não acabaram na Casa dos Segredos, que mau aspecto, que aquilo é só grunhos de classe baixa.



    Por Rititi @ 2011/11/23 | 15 comentários »


    A minha família favorita



    Por Rititi @ 2011/09/20 | 10 comentários »


    Ay, Dios mío



    Por Rititi @ 2011/02/15 | 1 Comentário »


    o top 15 das series que deram

    O TOP 15 DAS SÉRIES QUE DERAM CONSISTÊNCIA À MINHA VIDA

    - Verano Azul
    - The Sex and the City
    - The Sopranos
    - Buffy
    - The Simpsons
    - Friends
    - Northern Exposure
    - Seinfeld
    - The Wire
    - Twin Peaks
    - 24
    - Moonlighting
    - Frasier
    - V
    - South Park

    E passo esta nova e entretida corrente aos bloggers que se seguem:
    - à Carla (vai mais uma reacçao?)
    - ao Pedro Correia (obrigada pela nomeaçao!)
    - à Pipoca
    - à Miss Pearls
    - ao Rodrigo Moita de Deus
    - à Miss Spring




    Por Rititi @ 2009/04/30 | 2 comentários »


    heroes no dvd familiar demasiada

    HEROES NO DVD FAMILIAR


    Demasiada informaçao inútil. Disparate por disparate, prefiro os Lost e aquela coisinha boa do Sawyer, tadinho que é coxo, anda cá filho que eu já te lambo. 


    Por Rititi @ 2009/02/07 | 4 comentários »


    fim e agora quem preenchera este meu

    FIM

    E agora? Quem preencherá este meu vazio vital? Grey’s Anatomy, essa paneleiragem protagonizada por pós-adolecentes que se comportam como animais em cio com curso de medicina incapazes de controlar um simples impulso sexual e dirigida a gentinha cujos pensamentos têm sempre Celine Dion como banda sonora? Ou a eterna repetição de “aparece um gajo doente no hospital, ai que ele está quase a morrer, façam em dez minutos cinquenta provas médicas que custam um olho do cu e que em Portugal demorariam dez anos em ser autorizadas, pronto é cancro da cartilagem da orelha esquerda, abram-lhe o cérebro à martelada, oh não cuidado que afinal é só alergia ao malmerquer, viva o Dr. House”? Ou talvez Lost, a epopeia do xamanismo televisivo que perdeu o norte há três temporadas, mais ou menos quando os argumentistas decidiram que fazia todo o sentido pôr um urso polar numa ilha do Pacífico Sul? Prenha e sem série favorita, a minha vida em frente ao aparelho mais importante da casa está fodida. De que falarão os que não têm televisão?


    Por Rititi @ 2008/05/01 | 14 comentários »


    sim eu fui adolescente em espanha o

    SIM, EU FUI ADOLESCENTE EM ESPANHA


    O anúncio da Coca-Cola que me pôs a chorar, baba, ranho e soluço, sozinha em casa, à hora de jantar, sentada no sofá e com um prato de esparguete na bandeja em cima das pernas. Sou patética, eu sei, mas digam-me quem está livre deste cóctel de hormonas e nostalgia de um tempo glorioso onde a única responsabilidade era estar sempre e só na moda. Só faltava o Naranjito.


    Por Rititi @ 2007/06/10 | 8 comentários »


    mais uma razao para nao ficar

    Mais uma razão para não ficar preocupado com Espanha


    Silvia, em Ponte el Cinturón, etc

    Lembram-se dos Ídolos, aquele progarama que ficou famoso em Portugal pelos castings? Pois isto, queridos e queridas, é a versão espanhola desse invento onde os despojos do país esperam ser descobertos para a fama, cocaína grátis nas festas e alguma que outra badalhoca despistada. Aqui, sem ir mais longe, vemos a jovem Sílvia Padilla, uma foragida do manicónio de Valência em alto delírio musical, prontinha para ser internada de novo. O cinto, o capacete, a cadeira de rodas, as pastilhas, esse sítio branco e bonito, ui, a lírica da pirada da Sílvia é inspiradora e faz-me acreditar nos milagres reais da indústria farmacêutica. Desde o blogue Rosa Cueca vos imploro: pela saúde musical da pátria, por favor, nunca se esqueçam da medicação!


    Por Rititi @ 2007/05/29 | 10 comentários »