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Rititi

Rititi

INÍCIO

  • Isto não tem nada a ver com a greve dos professores

    Não sei quanto sofrem os professores em Portugal, se são chulados pelo Estado Opressor, se não dormem de tanto corrigir testes, trabalhos de casa e exames, se choram quando olham para o recibo de vencimento, se é gente que hiper-ventila quando os pais dos alunos lhes pedem reuniões ou tem varizes nas pernas por passar 20 horas semanais a dar aulas e os dedos gretados por causa do giz. Ignoro. Não vivo em Portugal. O que sim sei é que aqui em Madrid, capital do reino das Espanhas, amanhã, dia 25 de Junho, terça feira – TERÇA FEIRA – acabam as aulas. A meio da semana. E  só voltam a começar lá para a segunda semana de Setembro. Portanto, obrigadinha, querido sistema educativo da merda que se está a cagar para as famílias, que acha que as mãezinhas não trabalham e que têm que estar mas é em casa a alombar com três meses de férias dos meninos, que faz que a nossa vida familiar a partir de amanhã seja um verdadeiro inferno, obrigando o jovem casal Pinheiro a pedir favores a avós, vizinhos, amigos, a pagar campos de férias que acabam às três da tarde, empregadas quando há reuniões até mais tarde, a não almoçar, a correr feitos malucos por Madrid para buscar os meninos, até meados de Agosto. Porque não sei se sabem, mas as pessoas normais não têm três meses de férias. Nem um, sequer. Durante o ano todo. Obrigada, sim. E boas férias aos professores. Espero que descansem bem das varizes.



    Por Rititi @ 2013/06/24 | 26 comentários »


    4 anos

    Há 4 anos que sou mãe de uma criatura que adora gelados, chocolate, dinossauros, dar mergulhos de cabeça e que fala uma estranha língua ibérica chamada manelês. Paarbéns, bichinho, a mãe já te vai buscar à escola.



    Por Rititi @ 2012/06/26 | 4 comentários »


    Efeitos Colaterais do Euro 2012

    Os Rititi-Boys descobriram que são portugueses.



    Por Rititi @ 2012/06/20 | 5 comentários »


    Educar é mais do que isso

    Ai, a blogosfera e as suas pérolas. Que giro e que engraçado é ler os bitaites de miúdas que se acham donas de todas as verdades, sem limites, desde as relações, aos divórcios e, claro,  até à educação dos filhos (das outras, claro). Pois, eu antes também era assim. Sem filhos, com uma vida entre imperiais, noitadas e horas perdidas nas zaras (mentira, eu não comprava na zara, a zara é um lugar de pós-parto e de contenção, para gastar trinta em vez de cento cinquenta), enfim, com uma vida umbiguista e despreocupada de vez em quando também me lembrava de cagar umas sentenças sobre as crianças. Sobre os filhos dos meus amigos, sobre os putos que berravam na rua, sobre as crianças que eu um dia iria parir e criar com o maior dos sucessos. Ah, os meus filhos, que êxito!, esses nunca fariam uma birra, qual quê, nem cuspiriam a comida, não gritariam a um estranho, eles seriam um exemplo de educação, primor, limpeza e cordialidade. Olha, bem me fodi. Porque, olha que máximo, os putos não saem ensinados e por muito que se lhes eduque os gajos têm memória de peixe e ao minuto seguinte tem-se que se voltar a repetir tudo. Criar um filho é como falar para o boneco, literalmente. Senta-te bem, fecha a boca, olha para a frente, pede por favor, pede desculpa, agradece, dá um beijinho, não corras, não te sentes no chão, não se faz, faz isto, faz assim, faz depois, espera, não esperes, come tudo, não comas tanto, uma infinidade de ordens e mandamentos que se repetem a todas as horas, a todos os minutos, no restaurante, à frente de amigos a quem já lhes cobrámos a má educação das suas crias (Deus de facto tem um sentido de humor do caralho), no cabeleiro, sempre e em todo o lado. E nós com sono, cansados, com ressaca, com dores de ovários, de dentes, de costas, com dias de merda no trabalho, sem pachorra e sem dinheiro para pagar uma criada interna e fugir dali para fora durante um fim de semana e fingir que ainda temos uma vida, aquela vida em que se liam livros nas férias e se dormia até ao meio dia num sábado qualquer, uma vida em que se improvisavam escapadelas românticas e jantar às onze da noite.  E isto tudo cansa, foda-se, ai se cansa. Mas é assim. Não deixamos de gostar deles, nem sequer de adorar a nossa vida, só porque temos que os educar e castigar e reprimir e dizer que assim não, explicar que estão a ser mal-criados e tudo isto para que algum dia, como por milagre, aquilo que a gente repetiu durante horas e horas assente ali no meio de cérebro e de repente deixem de gritar, cuspir e correr. Mas claro, minhas queridas, isto custa. Os gajos choram no meio da rua e nós deixamos que chorem e berrem porque não vale a pena ir ali, nhó nhó nhó, ai coitadinhas das pessoas não podem ser incomodadas. Birras são birras. E às vezes estão a fazer merda da grossa e têm que levar uma palmada no meio de restaurante todo pipi para horror do casalito de fashions que está a tomar o seu brunch às quatro da tarde e não suporta ouvir a voz de uma criança. Paciência, é do lado que melhor durmo. Prioridades. E entre as prioridades há algumas mais prioritárias que as outras, mais importantes, menos importantes e outras absolutamente cagativas. Oh Rititi, então, está negativa? Não, não estou. Estou-vos a dizer, suas inteligentes, que se lembrem disto da próxima vez que virem uma mãe a deixar o puto correr na piscina à vontade, a atirar-se de bomba, rir-se à gargalhada e curtir o bom de ser criança. Educar não é mandar o puto calar só porque vocês querem dormir a sesta. Desculpem lá, mas isso para mim é cagativo.



    Por Rititi @ 2011/08/29 | 26 comentários »


    3 anos

    O Rititi-Boy, o meu Manel, fez ontem 3 anos. Há 3 anos achava que a minha vida era porreira. Parva. Há 3 anos achava que assim é que era. Pois, está bem. Há 3 anos não sabia que melhores anos da minha vida estavam ainda por viver. Há 3 anos atrás eu nem sequer intuía que ninguém nunca me olharia como o faz o meu filho, como o sorriso de um pirralho nos pode mudar o dia. Há 3 anos atrás eu nem imaginava que ser mãe seria o meu melhor papel. Obrigada, meu amor, bichinho amoroso, por me fazeres melhor pessoa, mais feliz, mais rica, mais eu.



    Por Rititi @ 2011/06/27 | 4 comentários »


    Ser feliz a esticar o tempo

    Era uma vez uma miúda com a mania que era gira, culta e eterna e que até cagava umas sentenças inteligentes e bem esgalhadas quando estava rodeada de gente, normalmente também com mania que era gira e culta para não destoar. E dizia que era feliz de imperial em gin tonic, sentada em esplanadas, nos copos e de risadas até que começava um novo o dia, sem necessidade de dormir, ou a dormir quando calhava, sempre cheia de pressa para fazer coisas novas, para conhecer outra gente, sempre a saltitar de bar em restaurante, de museu a sala de concertos, atarefadíssima e ansiosa, como se o universo estivesse condenado ao extermínio iminente e não houvesse mais remédio que viver todos os dias como se fossem os últimos. Amanhã era uma hipótese demasiado improvável para desperdiçar o hoje. E era feliz, pois era. Até que teve um filho. E o universo deixou de parecer-lhe perigosamente finito. E amanhã começava a entrar nos planos juntamente com outra gente, divertida e sem manias e seguramente bem mais gira que aquela que antes a rodeava de cigarro e copo na mão. A pressa deu lugar ao aproveitamento de dias que duravam o que antes uma semana e com esse tempo que de repente lhe sobrava conheceu um amor novo, um amor único e inexplicável, seguro, sem pressa, sem complexos, sem ter necessidade de demonstrar nada a ninguém. E era feliz. Até que teve outro filho. E então tudo se multiplicou e se dividiu mil vezes como se o tal universo tivesse dado em doido, apoderado de uma elasticidade demente. A pressa deu lugar ao silêncio e o silêncio às correrias e as correrias ao choro e o choro ao caos e o caos ao silêncio outra vez, mil vezes num minuto, com a casa feliz, cheia de esse amor duplicado, ou triplicado, sei lá, porque só quem tem filhos sabe que disto não se fala gratuitamente. Uma mãe não explica, só sente os filhos; a uma mãe doem-lhe os filhos, sente-os como uma parte do corpo, dos intestinos, do pâncreas, uma mãe não declara amores como um cantor pimba, deixa isso a poetas de terceira.
    A miúda claro que continúa gira, entre outras coisas porque nunca mais comeu ou dormiu decentemente, e até é capaz de cagar sentenças bem mais inteligentes que antes, não porque seja mais culta ou mais lida, mas porque se viu enfiada em momentos de extremo patetismo e toda a gente sabe que rir-se de si mesma é a melhor maneira de alcançar a sabedoria. E claro que não se importava de agarrar no gajo dela e ir fechar os bares de todos de Lisboa, começando na Bicaense, passando pelo Lounge e acabando no inefável Lux para se deitar perdida de bêbeda algures entre as seis e as dez da manhã, pois não, que ser mãe não lhe retirou o jeito para ser a rainha da festa e uma irresponsável de categoria. Só que se calhar agora prefere feliz a ser esticar os dias sem temer que o universo esteja ou não condenado ao extermínio iminente.



    Por Rititi @ 2010/12/21 | 11 comentários »


    neste longo inverno madrileno de neve

    Neste longo inverno madrileno de neve, chuva, frio e vento os pais amantes do Rititi-Boy procuram um lugar quentinho onde passar algumas horas de diversão com o bichinho. E como somos geneticamente alérgicos ao conceito de centro comercial nos subúrbios e porque também acreditamos que há mais vida fora de bares e restaurantes, um belo dia pesquisamos nessas revistas de tempos livres que todo urbano-depressivo deve ler e reter no cérebro para ser considerado interessante “alternativas de ócio” (horror) para crianças. Oh, e que mundo se nos abriu, que universo de possibilidades, senhores! Workshops de pintura impressionista, visitas guiadas ao planetário, cursos de cozinha, festivais de teatro, tudo muito estruturado e perfeito se não fosse porque o nosso criaturo tem 19 meses e o único proveito que poderia tirar da aproximação ao impressionismo seria uma bela de uma intoxicação por lamber as pinturas. Por sorte em Madrid também há teatro para bebés a cinco aurélios a criança e nove os adultos. Meia hora de exploração da linguagem infantil, segundo nos explica o site da companhia, cuja “expressão teatral” indaga nos “limites do ser humano”. Te cagas, que mal terá feito o Walt Disney a estes criadores da modernidade pedagógica pergunto-me eu. Mas um dia é um dia e não vou ser eu a careta reaccionária armada em rústica que impede o filho de ampliar os seus horizontes e aprofundar os limites da meta-linguagem, coño. O meu filho também tem direito à Arte! O meu filho também tem direito à estimulação intelectual! O meu filho também tem direito a apanhar um cagaço de primeira quando vê, a meio metro de distância, naquela sala de teatro minúscula e às escuras, duas senhoras gordas mascaradas de deusas gregas a balbuciar mamamamama-uuuuuuuuuuu-aaaaaaaa-tri-tri.uuuuuuuuuuuuf-uuuuuuuuuuuf ao ritmo de tambores africanos que simulam a experiência auditiva uterina. Caralho, penso eu, e o meu filho quando dou por ele já está outra ponta da sala, a berrar que NOOOOOO. Pelos vistos esta é a linguagem ulterior, pré-histórica, pre-verbal, que se estabelece no útero entre a mãe (eu) e o filho (o Rititi-Boy), uma linguagem esquecida pela mãe (eu) e que estes iluminados da intelectualidade pretendem restituir à base de gemidos (ignoro se pré ou pós parto), luzes que parecem incendiar a sala, gritinhos histéricos e balbuceios. Não sei se os bebés presentes se reconheceram nesse orgasmo gutural ou se as outras mães reconstruíram os laços umbilicais mas a sinfonia de berros, choros e lágrimas chegou a roçar os pretendidos limites, sim, mas do absurdo. O que a minha obtusa falta de sensibilidade emocional me diz é que as crianças demonstram felicidade, alegria e diversão com risos, palmas, gargalhadas, não com berros e lágrimas. Só chegou a calma quando uma das senhoras gordas cantou algumas árias clássicas. E não, caros amigos encenadores da pedagogia infantil, não se tratou de um momento de apogeu musical derivado da união metafísica da linguagem uterina e a Arte, deixem-se de disparates. Qualquer pai sabe que os putos adoram música, seja ela clássica, Quim Barreiros ou a cançãozinha irritante do cabrão do Ruca.
    Acho que só fui ao teatro no liceu. Ao cinema, a minha mãe levou-nos a mim e à minha irmã para ver o ET num agora defunto cine-teatro em Elvas, pelo que eu deveria ter no mínimo sete ou oito anos. Na minha realidade infantil, perdidos que estávamos na orfandade física e metafórica do Alentejo, as crianças não éramos perseguidas por planos pedagógicos, nem sabíamos o que era a educação sensorial ou musical, ninguém parecia minimamente interessado em estimular-nos a sensibilidade poética ou a inteligência emocional. Éramos putos e a maioria de nós aprendia na escola. A curiosidade fazia parte da nossa essência infantil, ninguém pretendia potencia-la. Se tivesse existido um teatro infantil lá na pasmaceira não tenho a menor dúvida que a minha mãe nos teria levado, para que nos divertíssemos. Sim, divertir-nos, que deveria ser a razão desses “programas” infantis onde parece que a estimulação é tão fundamental para a criação de espíritos inquietos para um futuro incerto que vale tudo, até por os putos a chorar de medo. Eu, para a próxima, deixo-me ficar pelo Retiro onde há uns senhores muito simpáticos que sempre nos regalam as manhãs com teatros de marionetas. E sem pretensões de pedagogia, só as gargalhadas honestas do meu filho.


    Por Rititi @ 2010/02/05 | 7 comentários »


    que bom o meu filho ja anda estou

    QUE BOM, O MEU FILHO JÁ ANDA

    Estou seriamente a pensar esconder as nódoas negras da cabeça do Rititi-Boy com maquilhagem.



    Por Rititi @ 2009/09/10 | 12 comentários »